sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O regresso (daquele que nunca partiu)



Oh oh oh, vide só quem está de volta, depois de nunca ter partido: Afonsina, nom-de-guerre de CELSO NUNO MARQUES CARVALHANA, indivíduo mais conhecido por "bruxo do PNR" - um pobre pateta que eles têm para lá, em suma:


Ó pra esta linda imagem do "manine" a sair "dubanhe". Pois é, e desta vez regressou com um vídeo ilustrativo do enorme peido de cona incoerente que é, este lerpa, e com dedicatória a "moi", ainda por cima! 


Pois. No vídeo (que podem ver aqui, um monumento ao "punk pathetique" de fazer os Toy Dolls corar de inveja) que apresenta o seu regresso, CELSO NUNO MARQUES CARVALHANA explica pela 4558554ª vez "que não é o blogueiro Caturo", ou lá o que é que lhe causa cócegas na anilha, e eu quero lá saber? Sugeri 1 (uma) vez que o tipo era a mesma pessoa que o autor lá do outro blogue facho, e o gajo desfez-se em justificações que não é, blá blá blá, e desta vez diz que a "prova" é o facto de "falar com sotaque nortenho". Pois. Ah sim, e quem quiser ter mesmo a certezinha absoluta, pode ir beber um cafézinho com este enorme imbecil! Mas atenção: o convite está aberto apenas a pessoas que nunca em circunstância alguma revelariam que CELSO NUNO MARQUES CARVALHANA é de facto Afonsina de Portugal, que se bem se recordam...


...é aquele indivíduo que a propósito do cartaz do Bloco de Esquerda sobre a adopção por casais do mesmo sexo desatou a fantasiar sobre o falo de Deus! Isso mesmo, CELSO NUNO MARQUES CARVALHANA foi até hoje a única pessoa neste planeta a projectar uma relação homossexual entre Deus e S. José. E mais:


Foi o mesmo indivíduo que apareceu no Martim Moniz ostentando um cartaz em árabe dirigido aos bengalis e aos paquistaneses que fazem comércio naquele local e na Praça de Espanha. Ah, Paquistão e Bangladesh...a "nova Arábia". O mais curioso é que a Afonsina, que garante a pés juntos não ser o CELSO NUNO MARQUES CARVALHANA, veio justificar-se desse lapso, dizendo que "os bengalis aprendem árabe" na mesquita e não-sei-quê. Tre-tas! A inteligência foi-se toda com o cabelinho de cima da mona, não foi, ó tótó?


Mas isto de engolir melões é coisa a que o moço já deve estar habituado, afinal. Cheio de fé que a selecção portuguesa não ia além das boas intenç­ões do costume no último Europeu de futebol, deu-lhe para pegar na vertente multi-étnica na selecção de todos nós (menos dele, claro, e o próprio deixa isso bem patente). Deixa lá ó melga, já deves estar habituado a ficar a chuchar no dedo. É nos prognósticos...é nas eleições, e tal...



E agora regressa, prometendo "nunca mais deixar de publicar" o seu blogue asqueroso - nem a própria morte o impedirá, acrescento eu! Já o consigo imaginar, ali com aquele look todo futurista..."CELSO NUNO MARQUES CARVALHANA...bzzzzz...reporting....crrrr...from planet Kagalhon....bzzzzrrrrr!". Isto apesar das razões que o levaram a fechar o blogue serem tão pífias como as que o levaram a reabri-lo, e sem ninguém lhe ter pedido porra nenhuma. 


Uiii...olha ali o Fantópera da Asma (primo distante do Fantasma da Ópera) e as suas "ameaças". Que medo! Olha, outra vez: vai para dentro e não te constipes.





Futebol e "racismo": Made in England


Inglaterra, carcaça daquele que foi em tempos o maior império do planeta, morada de 50 milhões de snobs, inventores e profusores daquilo que entenderam designar de "racismo". Ah, e parece que inventaram o futebol moderno, também, indo depois estragar tudo ao combinar as duas "invenções". Nesta capa de um daqueles pasquins onde os ingleses adoram publicar escândalos e difamar tudo e todos, vemo-los a EXIGIREM à UEFA que tenha mão dura nos russos do CSKA Moscovo, cujos adeptos entoaram "cânticos racistas" ao jogador Yaya Touré, do Manchester City, durante um desafio da Liga dos Campeões. Os ingleses são as últimas criaturas que deviam exigir fosse o que fosse neste particular. Foram eles quem inventou o "racismo", e o resto da humanidade não tem nada a ver com as suas frustrações e preconceitos.



Um episódio deveras curioso decorreu durante a época de 2011/2012, entre o uruguaio Luis Suárez, na altura a representar o Liverpool, e o defesa francês do Manchester United, Patrick Evra.  Suárez que não é loiro de olhos azuis, muito longe disso esteve suspenso por oito jogos e foi obrigado a pagar uma avultada multa, além de ser sujeito a uma extensiva humilhação por parte de uma imprensa que "fez um banquete" de um desaguisado entre os dois jogadores, à pala do facto de Evra ser preto. Enquanto choviam acusações de toda a espécie contra Suárez, nunca em circunstância alguma alguém se lembrou de atestar junto dos colegas pretos do jogador no Liverpool o quão "racista" ele era. Assim de repente lembro-me de Suárez ter partilhado o balneário na altura com David N'Gog, David Ecclestone ou ainda a então promessa Raheem Sterling, hoje uma certeza no Manchester City. Assim não se vendia papel, nem a opinião pública britânica ventilava a sua brutalidade num jogador estrangeiro. Mas a História "trama" os ingleses, mesmo neste aspecto. Façamos uma pequena retrospectiva.


Jack Leslie, na imagem, foi o primeiro futebolista preto a adquirir o estatuto de profissional na Inglaterra, tendo representado o Plymouth Argyle entre 1921 e 1934, e foi também o único da sua geração. A hipótese de representar a selecção do país onde nasceu (em Canning, filho de pai jamaicano) foi imediatamente posta de parte - adivinhem agora porquê. 


Ah, "campeões do mundo", que lindo, do "império onde o sol nunca se põe", e todos branquinhos como o cal. Recorde-se que nesse mundial de 1966 a selecção portuguesa contava no seu onze inicial com Coluna, Eusébio e Hilário. Pressupostos étnicos quando o que interessa é saber jogar à bola? Ah pois, e os "racistas" são os outros.


Foi preciso esperar até 1978 para que um jogador não-branco vestisse a camisola dos 3 leões. O autor da proeza (eu recusaria) foi Viv Anderson, um dos esteios da equipa do Nottingham Forest que foi duas vezes campeã da Europa. Graças ao seu "feito", o jogador foi feito cavaleiro do Império Britânico! Que..."honra". Blergh!


A selecção inglesa de 1986, que participou do mundial do México, treinada pelo nosso conhecido e saudoso Bobby Robson. Além de Anderson, na altura já veterano, contava ainda com John Barnes, o extremo do Liverpool de origem jamaicana, igualmente de qualidade inquestionável. É possível que Robson quisesse incluir outros jogadores pretos na sua escolha, mas deve-lhe ter sido dito qualquer coisa como "calma, estás com a 'febre da selva' ou quê"?!


O primeiro capitão não-branco da selecção inglesa foi Paul Ince, em 1991 - 25 anos depois de Mário Coluna ter ostentado a braçadeira dos "Magriços" naquele mundial de boa memória para Portugal. Outra efeméride para se aplaudir de pé, portanto. Agora, para que não se pense que isto é "uma coisa dos britânicos"...


...eis o primeiro internacional escocês não-branco: Andrew Watson, natural da Guiana. E em que ano vestiu este rapaz a camisola da selecção da Escócia? 1888!!! Isso mesmo, 90 anos antes de Viv Anderson ter inaugurado o fim do preconceito que os ingleses querem agora incutir como sendo problema dos outros! Vão-se catar, ó bifes. Engulam lá isso do "racismo", que foram vocês que cozinharam. E como toda a restante gastronomia inglesa...






расизм, Блядь!



Adivinhem quem veio para jantar? Isso mesmo, o tal "racismo", e nem a primeira frase deste texto podia ter sido melhor escolhida. Por mim. Genial. Eu. Bom, o "racismo", que sem aspas existe a rodos em locais como os Estados Unidos, onde a tez escura da pele começa por ser um "comportamento suspeito", podendo depois passar a "elemento de prova do crime" em tribunal. Isto quando não dá direito a levar com um "supositório", que sem aspas é uma alternativa preferível a esta, por incrível que pareça - pelo menos continua-se vivo. Na Rússia podem-se verificar inúmeros episódios de "racismo", e se no que toca a muitas outras coisas que fazem destes os antípodas dos "cowboys" americanos, aqui este terrível atentado à dignidade humana também se apresenta na forma gasosa: com aspas, sem correntes nem grilhões, e apesar de se arriscarem a ouvir uma outra boca de quando em vez, os não-russos podem usar os mesmos autocarros e entrar nos lugares pela mesma porta que usam os russos. Na Rússia bem que podiam anunciar o "racismo" como sendo "seguro para diabéticos", ou "indicado para vegans". Só seria mentira se anunciassem tabaco que não fizesse mal à saúde. Vamos lá então ver quão "racistas" são os russos - que eram malvados já todos nós sabíamos, agora isto...parece grave!



Esta é a equipa do FC Rostov, da cidade russa de Rostov-na-Donu, que fica a pouco mais de mil quilómetros a sul de Moscovo, perto da fronteira com a Ucrânia e junto do Mar Negro. Irónico, este detalhe quanto ao nome do mar, uma vez que o clube foi castigado pela UEFA há duas semanas devido ao comportamento dos seus adeptos durante um desafio internacional. Tudo aconteceu durante o jogo da segunda mão do "play-off" de acesso à Liga dos Campeões deste ano, contra os holandeses do Ajax, onde o Rostov fez história ao obter uma qualificação inédita para a elite do futebol europeu. E pode-se dizer que foi em grande estilo, com uma vitória por 4-1 em casa  depois de um empate a uma bola em Amesterdão, e contra um adversário com muitas mais "pedigree", e mais variado, também. O Ajax é há muito conhecido por ser um clube que étnica e culturalmente representa muito mais que a sua cidade, e até país, e conta nas suas fileiras com vários jogadores oriundos de ex-colónias holandesas das Caraíbas, como Suriname ou as antigas Antilhas Holandesas, bem como de origens tão diversificadas, que foi lá que se deram a conhecer o finlandês Jari Litmanen, o sul-africano Benny McCarthy, o uruguaio Luis Suárez ou o sueco Zlatan Ibrahimovic, que tem ascendência kosovar - querem mais "global" que isto? Sabemos disto, está à vista de todos, mas talvez fosse uma novidade para os adeptos do Rostov, que no calor da festa entoaram "cânticos racistas", segundo a UEFA, e aparentemente dirigidos aos jogadores do Ajax, apesar de não terem indicado o remetente, ou sequer cantado, que penso que é o que se faz quando se "entoam cânticos": canta-se. O que fizeram foi imitar aquilo é comummente designado por "ruídos da selva", e com maior incidência cada vez que a bola passava por um jogador preto do Ajax. Agora segurem-se bem, que vamos passar por poços de ar e vai haver alguma turbulência.


Pode ser que já tenham reparado na imagem anterior a esta que o plantel do FC Rostov não é propriamente o que pode considerar de "homogéneo". Além dos 16 russos e de alguns "vizinhos" da Europa de leste, contam com dois iranianos, um espanhol, um equatoriano, e dois africanos - um do Mali, e outro do Senegal. O ano passado jogava lá o defesa-esquerdo internacional angolano Bastos, entretanto transferido para a Lazio de Roma. Muito "africanos" portanto, e não "mais ou menos africanos", do tipo egípcios, tunisinos ou esses que são conotados com outras modalidades de preconceito além da cor da pele - ou mais alguns a juntar a esse. Então que "racistas nojentos" são estes, que para uns imitam o ruído de chimpanzés ao mesmo tempo que batem palmas ao Moussa Doumbia e ao Papa Gueye que não são filhos da mãe Rússia nem menos pretos que os pretos do Ajax? E na ronda de qualificação anterior ao "play-off" já tinham defrontado o Anderlecht, que há 400 anos seria confundido com o entreposto de algum negreiro sediado no Congo e na Zâmbia. Serão todos os russos "racistas"? E terão fundamento os receios que se têm levantado quanto à organização do mundial da FIFA daqui a dois anos na Rússia? Vamos lá abrir esta m... e ver porcaria que está lá dentro.



O FC Rostov passou a ter mais visibilidade com este incidente, pois teve lugar debaixo dos holofotes da competição internacional de clubes mais importante do mundo. Mas ainda não sonhavam entrar pela porta de serviço deste exclusivo clube de milionários, e já se falava de um certo mal estar em termos de convivência inter-cultural - se é que cabe um derivado de uma palavra tão nobre como "cultura" nesta intragável salada. Corria o ano de 2014, e o treinador do Rostov era notícia por ter proferido declarações ra...esperem, vou-me manter no personagem, e já vão entender porquê - declarações parvas. Assim sim. Na altura a equipa tinha seis jogadores africanos no plantel principal, e quando questionado sobre rumores que davam conta da contratação de mais um, Igor Gamula respondeu qualquer coisa como "já temos aqui sete pretos, e ainda nos querem mandar mais um"? Este indivíduo é uma besta, sem dúvida, e antes disto já tinha feito um comentário a propósito de uma vaga de lesões no plantel,  que coincidiu com a última epidemia do vírus Ébola, e sugeriu que alguns dos jogadores indisponíveis tinham contraído o vírus. Nada me garante que não tenha sido a imprensa a fazer essa associação de ideias, pois na hora de remexer no estrume para cheirar mais mal e vender papel, imaginação é o que não falta na hora de fazer segundas e mais leituras do tipo extensivo e abusivo. Olhem para aquela  notícia ali em cima: "Os cinco jogadores africanos do clube recusam-me a treinar porque o treinador fez aquelas declarações". Deixa-me cá pensar qual é a figura de estilo a que os camaradas que se lembraram de escrever aquilo recorreram...ah, afinal não é uma figura de estilo, mas sim aquilo que tecnicamente se designa por MENTIRA.


Este é o grande responsável que pelo sucesso do FC Rostov: Kurban Bardyev, que apesar de aparecer nesta imagem a apelar à divina misericórdia, não se pode dizer que tenha passado por grandes tormentas. A VERDADE, uma coisa cada vez mais rara e preciosa, é que o tal treinador "racista" do Rostov é na realidade treinador das reservas do clube, e digo "é" porque depois de ocupar interinamente o cargo de técnico principal DURANTE DOIS MESES da época de 2014/2015, voltou ao posto que ocupava e ainda ocupa. Após a demissão do montenegrino Miodrag Bozovic, VLveio Gamula, que depois deu o lugar a Bardyev, que reforçou o plantel e foi o que se sabe: garantiu a manutenção nessa época e foi vice-campeão no ano passado. Gamula ocupou o cargo de interino durante um período em que o Rostov estava em risco de declarar insolvência, e os jogadores estavam há meses sem receber - E POR ISSO É QUE SE RECUSARAM A TREINAR. Nada a ver com "comentários racistas" nem nada que se pareça, e é de lamentar que quando o Rostov estava a passar por um momento difícil, viessem o abutres com vontade de depenicar a carniça. Provas do que estou a dizer? E se perguntarmos a uma das "vítimas" do "racismo"?


Este é o sul-africano Siyanda Xulu (não confundir com o cão da Maria Vieira, que se chama "xulo"), que meses depois do incidente regressou ao seu país para jogar pelos Kaiser Chiefs. Naquela entrevista a uma revista de desporto da África do Sul e fez um balanço dos dois anos e meio que passou na Rússia, e diz que a razão da sua saída NADA TEVE A VER COM RACISMO - nem dinheiro, mesmo que esse dê sempre jeito, claro. De facto Xulu, que ainda é um jovem, passou por um período de adaptação na primeira época, jogou regularmente no onze inicial na segunda, e a meio da terceira não se conseguiu impor e decidiu sair. De facto era difícil que os QUATRO africanos da defesa do Rostov fossem todos titulares, mas os dois médios oriundos desse continente entravam sempre nas contas de Gormula, "o racista". Se calhar punha-os a jogar para os humilhar, o malvado. E por falhar em humilhação:



Outra notícia da mesma altura, esta de Dezembro de 2014, durante a "época alta" do "racismo" em Rostov. O ganês Guetor Kanga, um dos tais médios habitualmente titulares, foi "vítima de cânticos racistas" durante um jogo fora contra o Spartak de Moscovo, e respondeu com um "gesto inapropriado". Tradução: os adeptos do Spartak começar a guinchar feitos chimpanzés e o jogador fez-lhes um manguito. E notem novamente aquela notícia, um exemplo de "isenção e rigor"; dão destaque à suspensão do jogador, como se fosse uma coisa surrealista, e ali em baixo em letras miudinhas lemos que o Spartak foi multado pelo "racismo" dos seus adeptos. E seria sempre multado, enquanto que se o jogador tivesse ficado quieto, nada lhe acontecia. Um mal não apaga o outro, e o castigo por conduta imprópria está previsto nos regulamentos. Curiosamente há um episódio semelhante e muito mais recente, que passou mais ou menos despercebido:




Emmanuel Frimpong, médio defensivo também natural do Gana e formado nas escolas do Arsenal de Inglaterra, cansou-se de esperar por um lugar ao sol no clube londrino e foi para o frio russo ganhar rublos - os russos pagam bem, quando pagam, claro. O clube que contratou Frimpong é o FC Ufa, da cidade da Basquíria com o mesmo nome, e não se pode dizer que a sua estreia tenho sido a mais feliz. Logo no jogo da primeira jornada do campeonato russo, o Ufa foi jogar a Moscovo contra o Spartak, que aqui reincide na ofensa, e após os "sons da selva", teve a atitude que se vê na imagem e foi expulso. "Incrível, respondeu a insultos 'racistas' e ainda foi expulso!"- dirão os mais entusiastas do "todos corridos a tiro ainda era pouco". E queriam o quê, que da próxima vez o gajo levasse para lá um AK47 e disparasse uma rajada para a bancada de onde viessem os "cânticos racistas"? E serão os adeptos do Spartak "racistas" militantes, daqueles com quem é impossível jogar xadrez com eles, porque no tabuleiro só querem as peças brancas? Vamos ver a ficha desse jogo em que o Frimpong "não aguentou" trinta minutos de "constante agressão racista".


Ora, então que o Ufa acabou por levar um ponto de Moscovo, mesmo com a jogar 60 minutos com dez unidades? E o que é isto, o Spartak tem lá o holandês Quincy Promes e o nosso conhecido Zé Luís, avançado cabo-verdiano que jogou no Sp. Braga? E vejam como ele marcou o segundo golo da sua equipa e tudo! Os adeptos "racistas" do Spartak devem ter vomitado de nojo, quando "repararam" que o autor do golo era um dos tais com que eles brindam com "cânticos racistas". E até acredito que sim, que quer o Promes quer o Zé Luís "aturam" estes e muitos outros impropérios, e tudo porque...ora bolas, não se vê logo? Como é que os russos vão "pegar" com os seus adversários, se não constatarem o óbvio? Falo "de fora", pois não sendo preto não sei o que sente um quando é presenteado com este...hmm...esta parvoíce, pronto. Mas se fosse, optava por fazer igual ao exemplo que se segue:


Assim. Isto aconteceu com Renato Sanches, a nova coqueluche do futebol português, no final de uma partida do Benfica em Abril último em Vila do Conde. Um bando de energúmenos semi-alfabetizados (possivelmente do bairro das Caxinas ou outro onde as crianças abandonam a escola primária para se dedicar à faina fluvial) apupam o jogador, emitindo os tais "ruídos da selva". E o que faz ele? Responde com um gesto imitando um macaco, como quem responde "macacos são vocês". Podia ter optado por recordá-los que às 5 da matina tinham que tirar o cu da caminha para ir lançar a rede, e que se calhar o melhor era irem comer as papas de sarrabulho e ir dormir, mas foi superior à provocação.


E agora um exemplo de como NÃO se deve reagir: Samuel Eto'o, antigo internacional camaronês e figura de proa do FC Barcelona, aqui a fazer birra e a ameaçar abandonar o terreno de jogo. Só pode ser mesmo muita arrogância, pensar que todo o "racismo" do planeta é dirigido única e exclusivamente a ele, e mais, de que o jogo seria interrompido ou suspenso porque a "prima donna" ficou ofendida.


Ou ainda aqui, quando Yaya Touré resolveu que queria "ir para casa", depois de ouvir "bocas" de um jogador do CSKA Moscovo durante uma partida a contar para a Liga dos Campeões em 2011. E logo  com o Manchester City, clube do país onde inventaram esta pantomina que dá pelo nome de "racismo", e com o qual se fartam de facturar. Quer dizer, tanto este como o Eto'o não são pagos quanto basta para aturar coisas destas e muito mais? E o que dizer...


...disto, por exemplo? Portanto, temos aqui uma notícia que dá conta de "cânticos insultuosos" da parte de adeptos do Sevilha dirigidos ao jogador português João Cancelo. Uh?!?! Mas o João Cancelo...é branco?!?! Oh, a humanidade! E no fundo não devia ser assim que os comportamentos menos próprios dos adeptos de um clube deviam ser tratados, fossem eles quais fossem?


Mas então na Rússia, onde se conta também um respeitável historial de incidentes com bananas atiradas a jogadores pretos (Roberto Carlos foi uma das "vítimas", no tempo em que alinhava no Anzhi Makachkala), pode-se dizer que os adeptos são, er, "racistas"?


Bem, alguns têm uma certa dificuldade em escolher as "companhias", optando por aqueles que ostentam uma certa simbologia que pode não ser do agrado de muita gente...




...mas no fim de contas, que problema há se alguns mentecaptos gostam de ir para estádios de futebol carpir as suas frustrações na companhia de outros grunhos como eles? Eu arrisco a prognosticar: a Rússia vai organizar um mundial "às direitas". Já quanto a todo o resto, bem, não ponho as minhas mãos no fogo por ninguém, quanto mais pela Rússia.


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

sábado, 17 de setembro de 2016

Defes (I got the power!)


Uma das polémicas que fez correr muitos "bites" nas redes sociais na última semana foram as declarações de Joaquim Vieira, director-adjunto da RTP, a propósito dos Jogos Paralímpicos, que decorrem desde o dia 7 no Rio de Janeiro, e têm a sua cerimónia de encerramento amanhã. Confesso que nunca tinha ouvido falar do senhor em causa, mas isso deve ser porque não leio o "Produções de TV VIP magazine", ou o "Behind the scenes TV times". A verdade é que pouca gente o conhecia até "estalar" esta controvérsia, mas nem por isso as "massas furibundas", sempre em ponto de rebuçado e à espera de apanhar comentários desta tez, se inibiram de lhe atirar com tudo o que tinham à mão. 

Joaquim Vieira foi desleixado - mais do que isso, desastrado - e pôs-se a jeito para fazer de tábua de tiro ao alvo aos "anger junkies" da rede, que nem pensaram duas vezes antes de lhe enviar os mais criativos insultos, ameaças e outros "mimos", sempre com a convicção de que os seus actos estão a ser legitimados por aquilo que o jornalista disse. Mais: aquilo que ele pensa, e basta um pouco de imaginação. Não sei onde é que isso está ali naquele comentário de três linhas, mas para muita gente Joaquim Vieira só pensa numa coisa desde que acorda até que vai dormir: a eugenia nazi. Quando almoça pensa o que seria se em vez dos carapaus tivessem sido os deficientes a ser fritos no óleo da cozinha do restaurante onde está a comer, e quando toma banho fica a suspirar por  sabão feito com gordura de paraplégicos. Só pensa nisto, mais nada. 

NOTA: Este post já me valeu diversas ameaças de morte, além da condenação a todas as penas do Inferno, para não falar das pragas sobre os familiares mais próximos, que, coitados, não têm nenhuma responsabilidade no que penso e escrevo. Não discorro sobre o grau de intolerância que muita gente aqui revela, mas tenho de admitir que a forma sintética como escrevi o post deu origem a equívocos, e por isso, como já disse num comentário em baixo, não posso deixar de lamentar ter ferido a sensibilidade de muitos com esta opinião. Fui acusado de muita coisa que não sou (entre elas, a que considero mais grave, de fazer a defesa do eugenismo) e que está nos antípodas da minha visão do mundo e da minha filosofia de vida. Sou totalmente a favor da inclusão e dos direitos dos menos capacitados, e entendo mesmo que nesse terreno ainda existe muita coisa por fazer e reivindicar, designadamente quanto à vida quotidiana. Aceito também que tenham a ambição de enveredar por práticas desportivas, assim como de entrar em competição. A minha crítica dirige-se ao espetáculo montado com os Jogos Paralímpicos e não aos que neles participam, que cumprem um sonho de vida e procuram dessa forma a sua realização pessoal. Choca-me a atribuição do estatuto de Jogos Olímpicos (ou equiparados) a estas provas, como se houvesse dois universos que se equivalessem ao mesmo nível e não se cruzassem (daí eu ter falado em apartheid desportivo). Mas Jogos Olímpicos só há uns, e, como eu também já disse, destinam-se a premiar os melhores da raça humana (ou espécie humana, como preferem os puristas), homens e mulheres, em cada modalidade. Os Jogos Paralímpicos, sinceramente, não sei a que se destinam. Condescendentes e paternalistas, os Jogos Paralímpicos criam nos seus participantes a ideia de que podem ser campeões (ou como os campeões) olímpicos. Não podem. Lamento desiludir muita gente, mas há só um Usain Bolt e um Michael Phelps. Não existe o Usain Bolt nem o Michael Phelps dos Paralímpicos. Por muito que alguns nos queiram convencer do contrário.
Dias depois Joaquim Vieira volta ao Facebook e explica exactamente o que queria dizer com o comentário onde chama aos Paralímpicos "espectáculo grotesco" - dias tarde demais, portanto. As considerações que faz, por aquilo que eu entendo delas, contradizem-se em termos: como é que pode ser grotesco aos olhos de "quem não possui deficiência", mas ao mesmo tempo existe "para gáudio" dos mesmos? Penso que não estou a interpretar mal, pois o senhor fala na condição de não-deficiente para outros não-deficientes, procurando passar para texto algo que se calhar muita gente pensa, só que acaba por fazê-lo de forma desastrosa. Tenho fortes razões para acreditar que o sr. Joaquim Vieira não é uma má pessoa, não despreza as pessoas com deficiência, nem se ri da singularidade que representa alguém com menos capacidades tentar a todo o esforço fazer o mesmo que as pessoas minimamente funcionais. Mediu mal as consequências da opinião que emitiu, e quem sabe se ingenuamente, e não está ao corrente do que se passa nas redes sociais, onde para ir fazer de carne para canhão pouco importa o que quis dizer, mas apenas o que disse; "na na, o que ali está é o que toda a gente leu, portanto não venha cá com coisas". E no fundo aqui aplica-se na perfeição a velha máxima popular do "cada cabeça uma sentença":


Aqui está um excelente exemplo do que são as redes sociais: toda a gente QUER ter uma opinião, e acha-se no "direito de a expressar", e ai de quem discorde deste novo conceito de "liberdade", que está para a troca de ideias como a "fast food" está para a restauração convencional. Mesmo que inicialmente não se tenha qualquer opinião formada sobre determinado tema, ou conhecimentos que permitam opinar coerente e racional, "era o que faltava", ficar calado quando pode anunciar ao mundo a sua presença. Alguém é capaz de discernir o que é um "direito" sem perder a noção do ridículo? E já agora, se é tudo uma questão de "direitos" e aquilo é a "opinião", e por isso é "pessoal", com que direito, e aqui sem aspas, se faz o julgamento e condenação do tipo na Praça Pública? E antes do veredicto já tinham a fogueira preparada e tudo, para "adiantar as coisas". Julgamento? Formalidade. Direito à defesa? Balelas. Presunção da inocência? Andam a ver muitos filmes, é o que é. Arde! Arde! E já agora mandem este lá para dentro também; se está a explicar o que o outro queria dizer com aquilo que serviu para fazer esta festarola toda, é porque "pensa da mesma forma", e "concorda". É cúmplice, nazi, não levanta a tampa da sanita quando mija, cheira a sovaco e não simpatiza com animais. Provas disto que estou a afirmar? Para quê? Não vêem que o tipo não desatou a chamar os nomes todos ao outro, "como mandam as regras"? Sim, depreendi tudo isto sem sequer entender exactamente o que este camarada está ali a tentar dizer com aquele texto confuso.

Estou a ser sarcástico, e como podem agora perceber, nota-se bastante. Pudera, se eu não carrego no "sal-casmo" ainda vão achar que estava a falar "a sério", e comem tudo assim mesmo, indiferentes ao sabor insonso. Isto basicamente tudo se reduz a uma orquestra de sapateiros, cada um com o seu rabecão; posso não entender a ponta de um corno de Física quântica, mas como estou ligado à rede e posso aceder a páginas onde se discute tudo e mais alguma coisa, acho-me no "direito" (sim, estou a citar estes tais "junkies" das "liberdades", como aquele ali em cima) de deixar lá uma opinião, comentário, ou então simplesmente insultos, que é o que acontece quase sempre com quem fala do que não sabe e acaba por dizer merda, chamam-lhe a atenção para a sua conduta de imbecil, e fica "ofendido" por lhe negarem o "direito" a "expressar o seu ponto de vista" (ceguinho que nem uma toupeira, neste caso). Ah sim, e se quanto a estes ainda pode haver quem tenha alguma comiseração devido à burrice que ostentam e da qual ainda se orgulham, há ainda a classe dos parasitas:



Vamos lá ver se consigo aplicar a mesma lógica que serviu para "crucificar" o sr. Joaquim Vieira, e ainda com o aliciante de o fazer com o Eduardo Madeira, que é um atrasado mental por opção, ao contrário dos deficientes de que fala. Então olha lá ó minha besta, se a corrida era destinada a portadores de deficiência invisual (designada por T13), o que é que tem de tão especial que as pernas destes corram tanto ou mais que as das restantes pessoas? Ou se calhar vão achar isto um exemplo de estoicismo, "a la" Chariots of Fire, porque os tipos "não vêem nada à sua frente", numa pista oval, um ambiente a que estão mais do que habituados porque é lá onde treinam? Onde lhes basta mexer as pernas sem precisar de exercer qualquer tipo de cautela, e não vão dar encontrões a ninguém nem tropeçar num chafariz ou no c...? Ou será que têm a dificuldade acrescida de não se conseguirem desviar das inúmeras crateras lunares existentes na pista de tartã? Já sei, como não vêem os restantes competidores, e é suposto ficarem todos ali a esbarrar e cair em cima uns dos outros sem chegar a lado nenhum, enquanto toca aquela música que aparecia na série do "Benny Hill" quando o Benny corria atrás daquelas badalhocas e batia na careca do velhinho, é isso? Quem discrimina quem aqui, ao apregoar este resultado como um "exemplo" de seja lá o que for? 

Estão sentados? Aqui vai: conseguiram um tempo melhor porque como não vêem, não se distraem com a paisagem, e por isso chegam à meta mais depressa! Que tal? "Ó Leocardo que piada horrível! Que coisa tão "descriminatória" contra..." - vá, contra quem? Contra quem usufrui do sentido de visão, que foram quem ficou do lado da "vítima" na minha piada? Epá porra, quem me dera ser cego, para correr mais depressa. Falta dizerem que estou errado, porque "para correr é preciso olhar para o chão". Pois, então não é isso que os atletas "normais" fazem quando correm? Sempre a olhar para o chão. Portanto, para o Eduardo Madeira, estes tipos são invisuais, e por isso não correm. Uh?! Ah não esperem lá, quem é este gajo para falar dos portadores de deficiência?



Ah, pois. É alguém que vive à custa de se passar por deficiente, diverte-se com isso e ainda lhe pagam!  E depois para dar uma de "gente bem", vem condenar declarações de alguém que nem conhece, e sem se dar ao trabalho de interpretar ou tentar procurar outro sentido que não o da maldade e da mesquinhez, porque "essa treta não tem piada nenhuma", portanto "não brinquem". Que ideia é que este indivíduo está a querer transmitir quando cria aqueles personagens com olhos tortos, a babar-se e a grunhir gemidos inconsequentes enquanto bate com as mãos na cabeça? Que está a imitar o Ricardo Salgado, é? É este o paradigma da "normalidade", e ao mesmo tempo o MIB do preconceito contra quem é diferente porque não sabe ser como os outros? Por mais voltas que dêem, não se livram de ter feito uma emenda que deixou o soneto do Joaquim Vieira pior do que quando ele o criou. Expliquem-me lá isto melhor, que não entendi: o que é que o facto dos atletas invisuais terem corrido mais depressa na mesma distância do que os outros que vêem, é uma resposta ao argumento do Joaquim Vieira? E ainda exibem a evidência todos inchados, como se o karma a tivesse posto logo ali à vossa frente, ena! E agora vejam isto:


Desculpem não ter avisado as pessoas mais sensíveis para isto que ali está, que chega a fazer a pornografia BDSM parecer um episódio da Abelha Maia. Logo para começar, "demissão imediata"! Pimba! Chegou o imperador da China, o mandarim, o Dr. Fu Man Chu, e exige que se deite fora esta loiça e que se compre outra nova. Na conta deste tipo aparece à vista de toda a gente que sabe juntar letras e ler palavras que "trabalhou num hipermercado, e actualmente trabalha no balcão de uma dependência bancária". Aí está alguém que sabe bem o que é qualidade acima de qualquer suspeita, e qualquer coisa menos que isso é para deitar fora. Este infeliz entrava em desespero e desatava a chorar se o despedissem, aposto o que quiserem, e depois vem "exigir que se demita" uma pessoa que falou não em nome da instituição onde trabalha, mas em nome pessoal? 

A seguir explica-se, ou tenta dar um aspecto salubre à trampa que escreveu,  que poderá ser muito bem o recorde mundial do disparate:tudo o que ali está com a excepção das três vezes em que aparece o artigo "os" é estupidez no seu estado mais bruto. Que estrume fumegante é aquele, e ainda por cima mal escrito, "Os Paralímpicos têm de ser prestigiados que os Olímpicos"? Ok, talvez falte ali a palavra "mais" antes de "prestigiados", mas nesse caso, porquê? Se calhar no fim também se esqueceu de "coitadinhos", não? E porquê "felizmente os Paralímpicos ganham mais medalhas que os Olímpicos"? Felizmente?! Ah já sei! Como somos um país de inválidos, retardados e aleijadinhos, o que seria se os Olímpicos ganhassem mais medalhas que o os Paralímpicos??? Um ultraje! Só nos faltava mais essa, a juntar à "geringonça" e não sei quê. 

E porque é que o serviço público de televisão é para aqui chamado? E falai de ironia, ao levar tudo à frente por causa dos Paralímpicos, exigindo que lhes dêem mais cobertura "para não os discriminar". Claro, não os discriminem, que eles são pessoas como quaisquer outras - dêem-lhes portanto mais tempo de antena! E o que é isto de estarem sempre a dar futebol, quando Portugal é o país mais medalhado na modalidade de "boccia" dos Paralímpicos? Qual Benfica, qual Sporting, qual Porto qual quê, pá! Toca a mudar pró "boccia", e se for preciso criem um "boccia" channel" - já chega de discriminação! O "boccia" é o "nosso orgulho", apesar da maioria desconhecer concretamente do que se trata, ou dizer o nome de um único pobre coitado que teve a infelicidade de nascer com paralisia cerebral, mas nem por isso se encostou a um canto à espera que a natureza viesse buscar a encomenda defeituosa? 

E aqui cheguei ao que penso que Joaquim Vieira queria dizer com aquela trapalhada onde ele próprio se meteu. Por mais aquele pateta alegre ali em cima se desfaça em orgasmos fingidos, e muito mal fingidos também, indo ao ponto de fabricar um enredo idiota e pedir a cabeça de alguém em nome dos paralímpicos que "adora", que "são o seu orgulho" e morre se não os vê na televisão em sessão contínua, não consegue enganar ninguém. Não penses que alguém com um pingo de bom senso vai ler aquilo e pensar que és um tipo bestial, homem. Vai pensar que és uma besta, isso sim. Nem tu nem nem nenhuma pessoa no seu perfeito juízo me vai convencer que "vibra", ou se "enche de orgulho"   com isto: 


Não é maldade, nem é provocação, nem eu a querer elogiar os pobrezinhos, nem porra nenhuma - e porque é que havia de ser outra coisa que não aquilo que é, e mais nada? Imagens destas não são um "grande momento televisivo", nem "lindas", ou "um exemplo de superação" e uma "lição de vida" - isso são tudo ingredientes de prosa poética "hippie". São imagens desagradáveis, e uma das asneiras do Joaquim Vieira foi referir que os Jogos Paralímpicos existem "para gáudio" de seja lá quem for. Quem considera isto "entretenimento ao nível de qualquer outro desporto de competição", ou não está bom da cabeça, ou é um grande mentiroso. Em qualquer dos casos devia ter vergonha na cara e ficar calado.  O que vai na cabeça de cada um, e que não se atreve a exprimir, é exactamente o que ficou condensado no texto curto que o sr. Joaquim Vieira escreveu, só que sem arte. Todas as ameaças de morte, insultos e demais raiva que descarregaram para cima do tipo não é mais do que do que o embaraço do rei na hora em que descobre que vai nu. Entendam isto da forma que quiserem, mas já que o alguém reparou que de facto o rei vai nu, porque não dizê-lo?

Os Paralímpicos não querem ir aos jogos para que vocês os vejam na televisão com um ar de compaixão fingida, e estão-se nas tintas se transmitem ou não as provas. Se transmitem, porreiro, porque não? Se os forem entrevistar depois de ganharem uma medalha, claro que dizem que estão contentes, e aproveitam para fazer referência ao seu clube ou associação graças à qual foi possível ali chegar, e esses sim, são os verdadeiros heróis, que só a conversa fiada e as palmadinhas nas costas não ganham corridas. Se calhar esperavam que eles desatassem a chorar, porque "são assim e não gostam", e o seu maior sonho é que venha a fada-madrinha da Branca de Neve e lhes dê olhinhos para ver, pernas para andar, bracinhos para levantar e nas mãos um dedo do meio para "agradecer" a toda a gentinha hipócrita que tem receio de os ofender caso não os tratem como "normais". Eles sabem que são deficientes, bolas! Toca a dar uma mãozinha caso haja uma escada sem rampa lateral e o tipo esteja numa cadeira de rodas! Faz favor. Ai "nem reparou" que ele era um deficiente, de tanta "normalidade que exalava? E que tal ir à merda, que nem precisa de subir escada nenhuma?

Estes atletas treinam, esforçam-se e são competitivos como qualquer outro atleta, mas com diferenças que levaram a que se criassem métodos de preparação paralelos aos já existentes, e a que deram o nome de "desporto adaptado". Leram bem? Não é "discriminação", é "desporto adaptado". Discriminação é fazer-se um chinfrim à escala nacional porque alguém se referiu aos Paralímpicos noutro tom que não o da ironia saloia que o tuga tanto gosta e a toda a hora usa para aliviar peso do seu fardo e do seu fado: "Olha aquele, não tem braços e quer nadar...e esses jovens aí inúteis, usam as pernas para vadiar o dia todo e os braços para fumar cigarros e outras porcarias...eles é que deviam ficar sem membros, para saber o que custa à vida" - e vai embora convencido que serviu uma malga cheia se sábias verdades, que nem resposta leva, de tão verdade que é. Ou porque ainda ninguém fechou a boca do espanto que tamanha alarvidade causou, enfim. 

O principal erro do Joaquim Vieira foi armar-se em espertalhão, e no fim aprender da pior maneira - ele que me desculpe se por algum acaso vier aqui parar, mas foi mesmo assim. O texto que por ser curto demais para exprimir a sua ideia e por isso nunca devia ter escrito, termina com uma referência ao "politicamente correcto" num tom pouco ou nada abonatório. Pois é, ó J'quim, isso só funciona na hora de dizer as maiores barbaridades sobre refugiados e islâmicos, não neste caso, está a perceber? E é por isso que o "politicamente correcto" existe: para que as pessoas pensem duas vezes  antes de dizer o que lhes vai na cabeça, e fazer uma triagem de forma a evitar que saia aquilo que para ele até pode ser "nada de especial", mas para quem o escuta ou neste caso lê, é ofensivo e injurioso. Não foi inventado um dia destes "pela esquerda" para "esconder as verdades" ou "calar vozes incómodas". Se é por causa da porra da política, esqueçam o "politicamente" e fiquem só com o "correcto". E quando é que o "correcto" é errado? 


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

L'Étranger



Esta semana resolvi incluir aqui no blogue o artigo desta semana do Hoje Macau, algo que já não fazia há algum tempo. Acontece que há situações em que a memória não deve ser apagada, e o silêncio é cúmplice. Bom fim de semana.


Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem o saber, alguns acolheram anjos. Hebreus 13:2

Muitos se recordarão certamente do despedimento de Eric Sautedé, o professor de Ciência Política da Universidade de S. José que foi saneado por aquela instituição de ensino superior por “emitir opiniões de natureza política”. Esta foi mesmo uma das manchetes de um periódico em Portugal: “Professor de Ciência Política afastado por emitir opiniões de natureza política”. Um paradoxo que teria a sua piada caso não fosse trágico para a imagem da instituição que tomou esta decisão e para a própria imagem do território. Por mais que a memória seja curta, por mais ombros que se encolham e por mais que se olhe para o lado, há dois anos foi posta a xeque uma das garantias contempladas pelo segundo sistema que vigora na RAEM: a liberdade de expressão. No mesmo ano tivemos o caso de Bill Chou, outro professor da mesma área que viu a sua relação laboral com a Universidade de Macau terminada, naquele que foi o “annus horribilis” para o primeiro executivo liderado por Chui Sai On, e que culminaria com a realização do infame “Referendo Civil”, e logo por altura da sua eleição para um segundo mandato como primeira figura política da RAEM. Não terá sido por acaso que a tão aguardada remodelação do elenco governativo efectuada em Novembro seguinte incluíu mudanças na pasta responsável pela educação.

Aquele que anda com os sábios, será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal.
Provérbios 13:20

Conheci Eric Sautedé na sequência dessa sucessão de eventos, mais por iniciativa dele, que terá ficado com curiosidade em saber quem eu era, uma vez que dei um grande plano ao incidente no meu blogue. Fiquei a conhecê-lo a ele e à sua encantadora esposa Emilie, também ela docente na mesma Universidade, e a este ponto gostava de reafirmar que conhecia ambos da televisão e da imprensa escrita, onde eram frequentemente auscultados em relação a temas relacionados com a actualidade política do território, mas desconhecia o facto de serem casados um com o outro. Um casal de gente culta, educada, diria mesmo humilde, atendendo quer ao “background” de ambos, quer à bagagem cultural que revelavam, em suma, nada que me desse a entender que se tratava aqui de uma dupla de agitadores, fraccionistas ou como ainda alguém sugeriu, “espiões ao serviço da França” – é preciso ter bastante imaginação. Mesmo os comentários que alegadamente estiveram na base do afastamento do docente são completamente inócuos, e longe estaria Sautedé de imaginar que algo de tão fútil lhe poderia vir a trazer tamanhos dissabores.

Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo – a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens – não provém do Pai, mas do mundo. 1João 2:15,16

Não bastou à USJ afastar Eric Sautedé, pois também a sua esposa Emily perdeu o cargo de deado da faculdade de ciência política, cargo esse para o qual trabalhou bastante, e que de um dia para o outro viu fugir-lhe das mãos, numa decisão que só pode mesmo ser entendida como intimidatória. A face de todo este agravo foi o director da Universidade, que é também um sacerdote católico assaz conhecido da nossa comunidade, e para quem a vida não ficou nada fácil depois disso. Muito se conjecturou sobre as razões de um acto que nos remete a um período da História da própria Igreja de que esta pouco se orgulha – ou não se deveria orgulhar de todo. Falou-se do interesse maior da USJ, nomeadamente na eventual concessão de um terreno para o novo campus, o que depois de muita hesitação acabou mesmo por acontecer. O custo material dessa empreitada, que desconheço, pode ser quantificado, mas o mesmo não se pode dizer do seu custo imaterial, quer moral, quer espiritual.

Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus'”.
Mateus 4:4

Sautedé deixou-nos no mês passado, indo com a família leccionar aqui ao lado em Hong Kong. Depois de verem fechar-lhe as portas no território, parte para onde muito provavelmente será mais um dos “delitosos de opinião”, muitos dos quais vêem a sua entrada barrada neste lado devido às suas posições e ideologia políticas. Não se pode dizer portanto que a RAE vizinha ficou a ganhar, mas a nossa certamente que nada beneficiou com tudo isto, e mesmo o próprio Eric Sautedé aceitou o seu destino com uma candura que provavelmente muitos de nós não teria; investiu em habitação própria neste território para onde veio quando o seu filho mais velho tinha um ano, e onde nasceu o seu segundo, e ambos vão agora precisar de fazer novos amigos, como quem começa tudo de novo, e como se viesse a fugir de uma guerra, ou de um grande mal. Será Macau isso mesmo, um “mal” para quem ousa revelar um espírito crítico? E mais importante que isso, é assim que queremos atrair os quadros qualificados que tanta falta nos fazem em tantos quadrantes? Perguntas que ficam no ar, e que acabam por adquirir um mero estatuto de retórica.


Sushi ó vai-te embora



Hoje fiz uma coisa que se dissesse que nunca tinha feito estaria a mentir, mas posso dizer com toda a certeza que não me lembro da última vez que aconteceu: estava a almoçar com uma "amiga", e já explico o porquê das aspas, e a certo ponto levantei-me, fui-me embora e deixei a criatura a falar sozinha. As aspas, agora. Por "amiga" quero dizer uma daquelas pessoas que conheço e que lá de dois em dois meses, ou nem isso, lá vamos fazer um "update", mais conversa fiada sobre a vida alheia - e nem sequer é nada de comprometedor - como quem "pica o ponto". Foi num restaurante japonês no centro da cidade, e pode-se dizer que a certo ponto o "sushi" começou a azedar. Aliás opto sempre pelo sashimi, que o meu saudoso cãozinho Califa tinha direito a trica de melhor qualidade do que aquela tentativa de arroz que usam aqui no "sushi".

A conversa estava a ir bem, como sempre, "o normal", e o desagravo deu-se por altura do fim da refeição. Não interpretem a minha atitude como um acto de agressão ou falta de cavalheirismo, pois o que eu fiz foi marcar um autogolo para evitar ter que jogar o prolongamento. Já tinha acabado de saciar a larica fazia algum tempo, e a minha companhia teimava em cogitar uma prosa com mais preconceito do que sake e "wasabe" existiam naquele restaurante. E fui-me embora resistindo à tentação de lhe berrar, e fosse aquela uma pessoa que eu conhecesse mal ou não conhecesse de todo, diria até que andava a pedir uma galheta bem dada. É uma jóia de pessoa, mas tem os seus macaquinhos no sótão. E sabe ?, deus dos agnósticos, como me têm calhado tantos brindes desses na rifa ultimamente.

Tudo começou a propósito de alguém de quem falávamos, e comentei a respeito desse personagem que "conhecia mal, mas a sua esposa é deveras atraente". E antes que me esqueça, quero deixar bem claro que tenho confiança com a pessoa com quem falava para tecer este tipo de consideraç­ões na sua presença. Ela insistiu que o fulano isto e aquilo, e eu na minha: "pode ser que sim, mas a esposa dele distrai-me, sempre pronto". Eu não sou nem nunca fui cobiçador da fruta alheia, nem que a mesma caia madura à minha frente. Tenho por convicção que se duas pessoas se gostam, mas existe um compromisso que prende uma delas ou ambas, deve ser dissolvido antes de mais nada. E com isto incluo a mera separação, desde que seja efectiva, pois isso de divórcios, litígios e os outros processos que não correm mas antes jazem nos tribunais, só servem para atrapalhar a vida de pessoas que às vezes só querem andar para a frente com as suas vidas e serem felizes. Quem é separado em processo de divórcio - ou mesmo que ainda não tenha tratado disso - não é um inválido e muito menos um "adúltero". Ninguém é obrigado a fazer um voto de castidade durante meses, ou um ano ou às vezes mais porque os papéis ainda andam de Herodes para Pilatos, e é requerido "fair-play". Mas adiante.

Não deve ter sido por causa do meu comentário sobre "a mulher do próximo" que a minha amiga entrou em "tilt", pois tivemos no passado conversas do mesmo teor ou até mais indiscretas, e nunca aconteceu nenhum "derrapagem" como a de hoje. A verdade é de um minuto para o outro desata como que a insinuar que eu estaria a fazer uma espécie de elegia à promiscuidade, e de como todos os homens não sei quê, "são todos iguais", e de seguida passa para uma sessão do tribunal do Santo Ofício dedicada às mulheres adúlteras, e "aos homens que não se importam de partilhar com outro", e o resto abstenho-me de descrever, pois traria de volta o desconforto gástrico que apanhei logo a seguir ao almoço, que me deixou à beira da indigestão - vocês devem conseguir adivinhar, e de certeza que ficam perto. Interrompi aquele raciocínio que faria uma viúva beata militante tirar notas para mais tarde usar nas suas diatribes contra mulheres normais, saudáveis e felizes, ao contrário dela.

Primeiro ainda optei pela via da diplomacia, e até mencionei o Corão, o tal livro sagrado que segundo alguns hipnotiza quem o lê e causa-lhe uma vontade de se ir detonar levando com ele o maior número de infiéis possível, pois até na lei canónica islâmica é permitido uma mulher arranjar outro marido, logo que cumpra dois ciclos menstruais. E no fundo o que é a menstruação senão isso mesmo que o nome indica, o fim de um ciclo e o início de outro? Essa conversa de que se deixam "impressões genitais" em alguém é conversa de onanistas, falsos puritanos e os muito poucos que o são de verdade, e esses são uns frustradinhos, os "40 year old virgins" desta vida. São esses que para validar a repressão sexual a que foram e ficaram vetados arranjam metáforas imbecis contendo imagens do tipo "carne mastigada" ou sei lá o quê "em segunda mão". Ora essa, é de pessoas que estamos a falar ou de cães que fornicam na rua? Quando alguém bate à minha porta eu pergunto "quem é", e não "quem foi". Os livros da biblioteca é que vêm com uma ficha contendo a quantidade de pessoas que o requisitaram e quando.

Não me interessa nem quero saber o número de parceiros de ninguém, e muito menos se for da minha parceira, se for esse o caso. Essa mania das melhores só se pode mesmo explicar por algum sintoma persistente dessa doença lixada que é a "dor de corno". Uma relação mal resolvida, ressentimento à brava, e toca a descrever ao pateta que se segue como era o inquilino anterior, em HD, 3D e Surrounding Sound System, não deixando de fora nenhum detalhe, e descrevendo episódios de alcofa em pormenor. A sério, têm muitas saudades, podem ir por onde vieram. Já os homens são mais discretos neste aspecto, o que leva a que as parceiras se mordam de curiosidade quando se encontram com uma amiga dele, e fazem um rol de perguntas parvas quando bastava ir directo à única que não fazem, mas querem fazer: "já comeste esta gaja"? A única pessoa a quem eu confidenciaria o meu historial no que toca a encontros sexuais, quer no que toca à quantidade, preferência e orientação seria ao médico venereologista. E para chegar a esse ponto era necessário ter o corpo todo a estalar com bolhas provocadas por algum caso de gonorreia aguda.

E foi isso mesmo que causou o desconforto durante o tal almoço que até tinha decorrido pacificamente. Pegando na minha dissertação sobre as virtudes do ciclo menstrual como forma de "apagar os vestígios da presença de outros povos", a miúda atira com esta: "ai sim? e a menstruação também elimina coisas como a SIDA, a herpes e outras doenças venéreas?". E foi aí que me passei, sem que primeiro tentasse manter a compostura e explicar à rapariga o que quis dizer exactamente, ao mesmo tempo que lhe demonstrava que aquilo que tinha acabado de afirmar era um disparate dos grandes. Sabendo o que lhe esperava, e mortinha por ter razão quando nunca poderia ter razão alguma, não me deu a palavra, e ficou para ali a barafustar enquanto agitava o último camarão que faltava comer do "tempura" que tínhamos pedido. Como já tinha acabado ia para uns bons 15 minutos, apetecia-me um café e tinha mais que fazer, levantei-me e fui-me embora. Podia-me ter desculpado e pedido licença, explicando-lhe que ia à minha vida, mas como não me deixou, optei simplesmente por lhe virar costas. Atitude pouco digna de um cavalheiro? Se é isso que estão agora a pensar, fico com curiosidade em saber o que chamariam ao discurso que preferi não ficar a escutar até ao fim, sob pena de regurgitar logo ali o almoço.

Não é por nada, mas não devo ser a única pessoa que fica incomodada perante este tipo de presunções, insinuações e juízos de valor feitos com esta desfaçatez por alguém cuja legitimidade moral para os fazer desconheço e nunca poderia conhecer porque não sou mosca, e se fosse haveria certamente outro excremento onde eu preferisse ir chafurdar. A vida pessoal de cada um só a ele diz respeito, e quem faz tanta questão de relatar certos aspectos íntimos, para mim é suspeito (olha, rimou e tudo) -  quem tanto apregoa o que faz, só pode andar a esconder algo que não conta. E isto que acabei de fazer é uma presunção inocente, nem estou aqui a dizer quem ou o que faz, mas no caso daquela conversa abriu-se a jaula dos raciocínios preconceituosos, difamatórios e falaciosos. Quer dizer que quem tem mais que um parceiro sexual ou vários, ou mais que um no mesmo período de tempo, é necessariamente portador de doenças sexualmente transmissíveis? Ora essa, então não posso deixar que chova na minha horta porque a dos outros sofre com a seca? E o que sabem estas pessoas da vida dos outros para proferir estas afirmações camufladas de folhetim de prevenção médica.

E finalmente a cereja no topo do bolo de todo este desagravo que me fez comportar de uma forma que já nem sonhava vir a comportar-me: e por eu não condenar pessoas que têm vários parceiros sexuais, ou não achar a ideia do adultério abominável, quer dizer que aprovo e pratico? Vamos lá ver, não tenho nada contra os tipos que comem no cu, não é coisa em que pense sequer, ou fique a imaginar como é, e se for consentido por ambos (ou vários, conforme a receita) só a esses diz respeito. E isto quer dizer que "aprovo logo também gosto"? Eu prefiro outra dieta, mas quero lá saber o que comem os outros e onde, com quem e com quantos? Porque carga de água tenho que bater palminhas como uma foca que pede um carapau a demonstrações de ignorância e preconceito deste calibre? Imaginem o que seria a autoridade e a lei nas mãos de pessoas que determinam onde cada um deve meter ou levar, com quem, com quantos, e já agora como, porque não? Levanto-me e vou-me embora, acabou-se. Não me quero ouvir? Escrevo. Se leu entendeu agora, a razão porque está tragicamente errada, ó "amiga"?

E encontro este tipo de falácia do tipo "inversão do acidente" em muitas outras situações, como no caso da análise que tenho feito à Islamófobia. Se não apoio aquele arraial de disparate onde se edificam dia após dia monumentos à mentira e à injúria, quer dizer que "sou cúmplice". Ai sim? Então PROVEM! E não vamos por aí, que nem isto é uma troca de galhardetes, nem eu ando a chatear o mundo inteiro anunciando que fulano X ou Y "é inocente" - toda a gente é inocente até prova em contrário. Chama-se "presunção da inocência". Aqui nem sequer entra a questão da opinião diferenciada, ou de como vêem por aí alegando quando vos cortam o pio, "liberdade de expressão": assumir que alguém é um criminoso ou um potencial criminoso baseando essa ideia apenas na religião É CRIME, e está no Código Penal. Sabem o que é um "crime"? Brincalhões...

Os arcebispos da pobreza Franciscana contra os "Duponts" do Gent (não o Genk)



A participação das equipas portuguesas nesta ronda europeia terminou ontem à noite com a recepção do Sp. Braga aos belgas do Gent. Atenção para não confundir Gent e Genk, que é muita gente pensa ser a mesma equipa, e para ajudar à confusão, as duas estão na fase de grupos da edição deste ano da II divisão europeia, cuja resposta à pergunta "quem vai ganhar" é normalmente "o Sevilha, ou outra porcaria qualquer". O Gent com que o Braga jogou é conhecido em francês por "La Gantoise", mas fica na cidade de Ghent, na região de Limburgo, na Flandres, que é no leste da Bélgica, e faz fronteira com os Países Baixos. Ali fala-se flamengo, que é uma língua semelhante ao neerlandês com que comunicam os vizinhos holandeses, e soa tudo igual ao cozinheiro sueco dos Marretas (do "Muppet Show", para as novas gerações, isto é se souberem do que se trata...). Não vale a pena tentar entender o que dizem, pois quase de certeza que estão a resmungar pela independência e a chamar nomes feios aos belgas francófonos, que acusam de ser "preguiçosos", e de viverem "à mama" deles. O costume, vindo de gente tão "trabalhadeira". O Gent foi campeão pela primeira vez em 2014/2015, e se não sabiam disto é normal, pois ninguém liga àquela liga merdosa que toda a gente pensa que o Anderlecht ganha sempre, e são apelidados de "os búfalos", e não é devido ao emblema que o clube ostenta, um índio americano de perfil. Sim, um e não dois, pois quando deixaram de se chamar La Gantoise, os gajos adoptaram o emblema de um índio a olhar para a esquerda, e passado alguns anos, já mais velho, como podem constatar, cansou-se de ver sempre o mesmo e virou a cara para a outro lado. Ah, a razão porque se chamam "búfalos" deve-se a uma visita de Buffalo Bill a Ghent, esse mesmo, o próprio, que se apresentou aos gentenses...genteses...gentães...bem, os gajos de Ghent, juntamente com o seu circo. Conta-se que o sucesso foi tal que os locais decidiram chamar à sua equipa "os búfalos". É um bocado difícil de engolir, esta história, e até pode ser apenas uma lenda. Se calhar chamam-se "búfalos" devido à sua higiene descurada, que faz com que se anunciem com um intenso odor bovino. Eu prefiro esta explicação, agora escolham vocês a vossa.



Agora o Genk, que é "completamente diferente". Porquê? Porque acaba com "k", só! Genk é uma cidade também em Limburgo, na Flandres, e onde se fala igualmente o flamengo, e fica 138 km a sudeste de Ghent, e com Bruxelas exactamente entre as duas. Imaginem um jovem limburguês bruxelense que anuncia aos pais que "no fim-de-semana vai ficar na casa de amigos em GHENT", e estes entendem "Genk". O miúdo nunca mais dá notícias, os cotas ficam preocupados, e tal, e metem-se num carro e vão até GENK procurá-lo, fazendo 87 km na direcção errada! E quanto aos clubes a situação torna-se ainda mais pitoresca. 



O Racing Genk, como também é conhecido, chamava-se até 1988 KFC Winterslag, mas adquiriu o nome actual depois de se fundir com outro clube daquela cidade, o Waterschei Thor. O emblema actual é o que vemos à esquerda na imagem, que substituiu o que vemos à direita, que faz lembrar uma almôndega de carne enrolada em tagliatelle. Fizeram bem em optar por outro mais ergonómico (não ficasse a cidade apenas a 20 km da europeísta Maastricht, no outro lado da fronteira), e nenhum italiano fica ofendido com aquele "G" grotesco - "G" de Genk, atenção, e não de "Gent". Bom, a fusão foi bem sucedida, em todo o caso, pois o Genk que dela derivou foi campeão 3 vezes, todas já neste século, e a última delas em 2010, e com tudo isto as participações em provas europeias começaram a ser frequentes. Os sorteios são sempre animados, e até consigo ver os responsáveis do Braga a comentar o grupo que lhes saiu:

-  Olha, apanhámos o Cháquetar Dónesque da Ucrânia, o Conhasporte da Turquia e o Gent da Bélgica. 
- Queres dizer o Genk, da Bélgica?  
- Não, o Gent, que também é belga. 
- O Gent que foi campeão da Bélgica em 2001, 2002 e 2010?  
- Não, isso foi o Genk. O Gent foi campeão em 2015. 
- Olha, f...-se.


Portanto antes tínhamos duas equipas chamadas La Gantoise e Winterslag, e agora passámos a ter o Gent e o  Genk. Epá assim é muito melhor, e evitam-se confusões! Que belgas tão burros, estes. Pelo menos o Dupond & Dupont das histórias do Tintim a gente apanhava a "punchline" - eram gémeos idênticos que falavam ao mesmo tempo e diziam a mesma coisa, e não dava para distinguir um do outro. Giro. Mas...o que é isto??? Imagino como seria o relato de um jogo entre o Gent e o Genk. "Goooolo...do Genk!"...ou será do Gent? Se for adepto de um deles, devo festejar ou ficar triste? E ainda há quem ache que ter o Feirense e o Farense no mesmo escalão do futebol português é um problema.


Falando agora do jogo propriamente dito, se por um lado o Gent e o Genk são mais ou menos a mesma m..., e de vez em quando aproveitam a nítida decadência que o Anderlecht vem evidenciando desde os anos 90, o Braga conseguiu ser ainda pior. Os minhotos, que eram teoricamente mais fortes que a equipa belga - e não digo "belgas" porque dos 13 jogadores do Gent que estiveram em campo só um era belga - fizeram uma exibição à medida do seu treinador, o coruchense José Peseiro, que se deve inspirar no fertilizante da lezíria ribatejana para montar as suas estratégias para os jogos. O sérvio Milicevic adiantou o Gent logo aos seis minutos com um golo de fazer levantar qualquer estádio, um "tiraço" do meio da rua, mas se nesse lance não se pode acusar a equipa nem o seu treinador de nada, os restantes 84 lastimosos minutos têm a marca do treinador que no Porto perdeu a  final da taça em Maio último exactamente para o Braga. Se calhar está-se a vingar, minando por dentro a equipa que o derrotou, não sei, mas parece que o central André Pinto não terá entendido bem a táctica, e marcou o golo do empate aos 24 minutos. O jogo foi uma bela caca, em suma, e se em matéria de desencanto as equipas equipararam-se, em posse de bola o Gent levou vantagem, com 60% - a jogar na "pedreira" de Braga, convém recordar. Peseiro é que continua míope que nem uma toupeira: no final disse que "o Braga merecia ganhar". A sério? Ainda se fosse treinador do GENK e estivesse a falar de um jogo contra o GENT, ainda lhe dávamos o benefício da dúvida. Agora assim...

Porto também não (Cope)ganha


Depois do empate caseiro do Benfica frente ao Besiktas na terça, o FC Porto não fez melhor no dia seguinte frente aos dinamarqueses do FC Copenhagen, imitando os encarnados no resultado, mas pelo menos sem a "novela mexicana" da Luz no dia anterior. E este jogo em que o Porto era amplamente favorito e mesmo assim perdeu dois pontos, bem pode servir de lição - apesar dos "bombos da festa" que aparecem na fase de grupos da Champions, há equipas como esta ou como o Besiktas, com alguns pergaminhos e que discutem o resultado com unhas e dentes. Os dragões entraram no jogo tomando a iniciativa atacante, como lhes competia, e foram premiados aos 12 minutos com um golo da autoria de Otavinho, numa "bomba" disparada da entrada da área após passe de André Silva. Os campeões dinamarqueses, que atingiram os oitavos da competição mais importante da UEFA em 2011, sabiam que não tinham pela frente nenhum Esbjerg (equipa da Superliga da Dinamarca onde o Copenhaga foi vencer por 4-0, única vitória fora esta época), e iam arriscando ocasionalmente uma ou outra investida pelo meio-campo azul-e-branco, enquanto a maior preocupação era evitar sofrer um segundo golo, que nesse caso seria irrecuperável, e ainda podia ser "o princípio de uma grande amizade" (leia-se "cabazada"). 

E foi no oitavo minuto do segundo tempo que os nórdicos arrefeceram o fogo do Dragão, marcando o golo do empate na segunda vez que atacaram. A jogada que decorreu pelo lado direito do ataque dos visitantes parecia estudada, mas uma vez que a bola chegou pelo ar à área, acontece um estranho "bailado", em que o protagonista teve como nome não Mikhail Baryshnikov ou Rudolf Nureyev, mas antes Andreas Cornelius, um avançado dinamarquês que quando tem os pés assentes no chão, fica com a cabeça 1,93 metros mais acima. O problema é que o sacrista não se ficou no chão, mas andou antes a saltitar pela menos torreante defesa portista, até que arranjou forma de anichar a bola no canto inferior da baliza de Casillas, que ainda deve estar com um torcicolo, após assistir àquele espectáculo aéreo.

Com o empate feito, os escandinavos cuidaram mais o aspecto defensivo, e se ainda estavam a pensar em cometer uma proeza, viram o seu conto de Hans Christien Andersen feito em bolo Dan Cake quando ficaram reduzidos a dez elementos aos 66 minutos, por expulsão do médio eslovaco Jan Gregus, por acumulação de amarelos. Podia-se dizer que depois disto viram-se "gregus" (ah! sou um génio), mas nos últimos vinte e poucos minutos a ordem foi defender, defender e depois defender, e atacar apenas em caso de desfalecimento colectivo súbito de toda a equipa do Porto. E lá fizeram jus à sua reputação de equipa que joga "em bloco", montando um autêntico iglo em frente da baliza do guardião sueco Robin Olsen (isto foi uma conspiração escandinava completa, porra!), e saindo assim do Dragão com um ponto merecido. O Porto só se pode queixar da falta de ideias que os levassem a "quebrar o golo", e vai na próxima ronda jogar a Inglaterra, onde nunca ganhou, e contra o campeão Leicester. 


Os comandados de Claudio Ranieri estiveram "in Bruges", e fizeram o "remake" futebolístico do filme de 2008 com Colin Farrell no papel principal, vencendo os campeões belgas por confortáveis 3-0. O Leicester, que deixou o mundo de boca aberta com o queixo a bater no chão quando conquistou e Premier League em Maio último, está a ter "problemas domésticos", somando apenas quatro pontos noutros tantos jogos da liga inglesa, ocupando um deprimente 17º lugar, já a oito pontos do líder Manchester City (se calhar ainda estão em festa, pronto, percebe-se), mas parece querer apostar na liga milionária, e destoar assim dessa nova mania britânica de sair da Europa abruptamente. O  Club Brugges, treinado pelo nosso conhecido Michel Preud'homme, vai a ter a vida mais complicada a partir de agora, e se perder em Copenhaga na semana seguinte à semana que vem, pode ser que "amaciem" e o Porto facture seis pontos contra eles. Mau sinal, se for mesmo necessário, mas nestas coisas dos vícios, neste caso dos pontos que dão euros, já se sabe: o mal é "dar naquilo" uma primeira vez.