domingo, 28 de fevereiro de 2016

Quem se deita com os cães, acorda...Pica-Pau!


Mas o que é isto? Um "con-he"? Preto? Com um ar tristonho, abatido, como se lhe tivessem desenterrado o osso e ele tivesse voltado para a casota com a rabiosque entre as pernas? Ah, já sei, está explicado:


Ah, mas vejam só, é Pica-Pau, também conhecido nos meios das panelas e dos alguidares como Nuno Miguel Oliveira (tenho que deixar de o tratar por esse nome, que soa a alguém que sabe produzir um raciocínio inteligível, tipo um técnico informático ou algo do género). Mas o que terá levado aqui o pão de LOOL a mais esta metamorfose? Será que se quer passar por um quadrúpede irracional que bebe água da latrina e coça o saco escrotal com os dentes para justificar o seu nível literário? Ah não, esperem:


"Wallmart é onde o mongolóide trabalha?". Será que ele queria dizer a mongol, a jovem que se encontra no primeiro lugar em cima, se contarmos da direita? Ohhh...estou a ver, aquele trambolho abaixo dela. Mas ó Picas, não me digas que assumiste o teu lado de cão só para acomodar as pulgas, que acho que a designação politicamente correcta da coisa é "síndroma de Down". E isso querias tu, pá, ter uma inteligência assim. Tinhas que nascer mais 10 vezes até atingires a trissomia, ó calhordas. Mas o que é que anda a picar o cão Picas Oliveira estes dias? Vamos ver.


Azia? Eu nunca tenho, porque não sou uma besta de carga que enfarda até ficar com a tromba inchada e depois empurra tudo com tintol, como ali o Picas. Eu recomendaria sais de fruta Eno, ou pastilhas Rennie, mas ali o cão picas prefere matulões que lhe dêem luta (a fingir, de forma a acicatar o desejo, como no episódio da "Ilha dos Amores"), e que lhe enfiem um piaçaba pela canalização e limpem aquela "anarquia gástrica" que por ali reina. Só que piaçaba é para bebés, e o guloso prefere ali a cramalheira da direita, que deixa os tubos todos limpinhos, e antes que comecem a assobiar com alguma corrente de ar passageira, ele "preenche" com mais entulho, e depressa, que o matulão e vara grossa andam ali a fazer-lhe cócegas, só de olhar para os dois. Ah, Picas, sua tarada!


Mas depois de mais uma bazucada em são convívio com o macho da outra imagem, e já de ralo desentupido, Nuno Picau-au Wooooliveira volta ao seu papel de líder das massas...cotovelinhos (ele queria "massa pénis", mas ficou desiludido depois de saber que o nome correcto era penne). E assim, resume a sua função de cabrãozinho que pica os outros, indo buscar temas onde pode "fingir" ter uma opinião que insulta ou choca as sensibilidades de quem leva as coisas a sério, e depois faz-se de vitimazinha ("virgem ofendida" não pode ser, e que o diga ali o matulão do canhão com a ponta besuntada de caldo de Pica-Pau). Como é COBARDE e mesmo que não fosse nunca seria capaz de iniciar um tópico, pois ninguém entendia o que ele escrevia nem daria seguimento à discussão, vai chamar os amiguinhos para abrir as hostilidades, só que...moah. E já tinha tentado isto antes:


Pois é, outra vez sem comentários. É que ao contrário do Picas Paucão, estes dois artistas ainda têm, chamemos-lhe um "instinto animal", que os leva a evitar levar mais nas orelhas quando se tentam armar em carapaus de corrida e falar do que não sabem só para dar uma de "Imperiais". Mas já agora vamos ver que fertilizante elaborado sai da passagem das ideias pelas minhocas daquelas cabecinhas:


Pois, o Miguel Ricardo, já se sabe, é um palerma. Não fosse pela espondilose e a demência originada por uma gonorreia mal tratada (assim se explica aquele brilhante raciocínio ali em cima), e ainda pensava que estava por Macau dos 60's a saltitar enquanto traulitava "eia, eia, lá vou eu cantando e rindo". Termino como comecei: é um palerma. Next!


Primeiro queria pedir desculpa ao Hugo Gaspar por o incluir neste "caldinho", mas não se preocupe que não está ali no papel de cúmplice, vítima, isco ou acessório, nada disso. É mais dentro do que se pode entender por "actor inconsciente", como naqueles indivíduos que participam dos apanhados sem saber ainda que é disso que se trata. O Lino Marques, que tem a mania que é "desmontador de argumentos", mas junta-se ao Picas para este ser o Pinky e ele o Brain, só que sem "brain", atira ali com uma conversa de palhaço rico, mas como se pode ver está a falar sozinho e não sabe. Um par de jóias, estes, que o Picas queria convocar para um "threesome" da má língua. E o que pensa ele disto, afinal?


Sim senhor, parece que me enganei, que o rapaz é tolerante cumó caraças, e "não gosta de criar rótulos". Xim, xim, bardamerda - ele lá cria alguma coisa, se pode antes usar o que os outros criaram para tentar agredir, e para o efeito pouco importa o sentido ou a intenção inicial? É que para ele existem "cidadãos de Macau" e "nascidos ou nativos de Macau" (13º signo do zodiaco, no segundo sentido), e isto não são rótulos. Toda a gente sabe ou devia saber que rótulos são aquela estampa nas garrafas de bujeca, tipo Super Bock e tal. O Picas é um Gandhi...


...palhaço, mas triste. Chamem já o Roy Xavier para registar este contributo para a definição de identidade macaense, e só faltava mesmo dizer qual destas fatiotas usar em cada dia da semana. É tudo uma questão de interpretação, e sem maldade; chineses quando estão com o tacho, e aqui entende-se "tacho" por "chau chau pele", que leva chouriço chinês e pato seco, ingredientes banais nesta região da China; português quando as coisas correm mal, e qual é aqui a novidade, e quando é que os portugueses podem dizer com segurança que corre tudo bem?; finalmente aquela das festas é menos clara quanto ao seu significado, mas só posso deduzir que uma vez que o nosso Jóli é agora um cãozinho, estará a referir-se a "carinho", festinhas no lombo, deste animal.

Mas o Picas é um artista, a sério, o que ele gosta é de dar com a mão direita, tirar com a esquerda, deixar cair e partir-se, e desatar a dar de frosques. E não pensem que isto se aprende assim do dia para a noite, era o aprendias! No caso do Picas é quase inato, senão mesmo adquirido in utero, ou antes ainda, no esgar delicodoce do cavalheiro que capta a atenção da donzela.


Penso que conhecem a série "Onde está o Waldo?" (ou Wally, já tivemos esta discussão antes), mas agora propunha esta variante: "Onde está o LOOL". Encontrem a alma perdida nesta turma do primeiro ciclo de Porto Salvo, circa 1984. Aposto que alguns já chegaram lá, pois há ali uma marmota marota sem tempo a perder com fotografias de grupo. Confiram:


Nem devia valer, de tão fácil que é. Agora para explicar esta expressão que denota qualquer coisa de especial, um nível de défice de atenção e hiper-actividade que a pedopsiquiatria ainda não conseguiu identificar, há várias hipóteses. Freud explica, e pode-se estabelecer um paralelo com o comportamento do indivíduo na idade...eu ia dizer adulta...agora, pronto. Naquele tempo e agora. O que o leva a focar o olhar noutra coisa que não a lente do fotógrafo? Avanço três cenários, apenas, e vocês podem fazer o resto. 

1) Prepara-se para introduzir dentro da camisola daquele jovem com colete azul e ar de obstipado uma rã que apanhou do chão momentos antes, causando um LOOL a ele próprio, embaraço à vítima, desgaste à professora e levando os restantes colegas a diagnosticar-lhe os sintomas de ave-rara que hoje evidencia sem precisar de fazer nada; 

2) Identificou junto de um dos blocos da escola a 30 metros de distância um miúdo maneta, e começava a engendrar formas de o menorizar, ora batendo palmas constantemente enquanto lhe dizia que era "um exclusivo dos homens dignos desse nome", ora recordando a importância decisiva da disciplina de ginástica com argolas para  o sucesso académico, e eventualmente profissional, social e amoroso, e;

 3) estava a dar um traque (o que explica a postura ligeiramente mais elevada) e imaginava a cara dos colegas do seu lado mais tarde na fotografia.


Mas o Picas cresceu em tamanho (redundância), e foi...o quê? É gestor? Trabalha com números? Mexeu onde? Pode dar entender que falta ali uma palavra, mas eu diria que faltam tantas quantos parafusos na cabeça desta criatura. Qualquer distância que separem numa frase as palavras "mexi", com "bolsa de Hong Kong" é longe demais. Fosse "minutos" a única palavra em falta, e das duas uma: ou tínhamos um novo recorde mundial da mentira, digna de um Guinness Book só para ela, ou Hong Kong era actualmente depósito do lixo que a Somália não quer, e ao mesmo tempo tábua de dardos da Coreia do Norte. Da segunda para a terceira devem faltar também umas...50 outras linhas? E mesmo assim é impossível a oração "adquiri conhecimentos" ser passível de veracidade, e é melhor ignorar o "suficientes", que qualquer coisa para o Picas, desde que seja inépcia ou javardice, nunca é demais, qual "suficiente", qual quê. Como os todos os caminhos do cão Pica-Pau vão dar à parvoíce e ao desagravo, não podia faltar a opinião de perito em gestão de recursos, neste caso da água: a China fecha a torneira, mais uma desculpa para ele não tomar banho.


Uhh...mas que discurso tão agressivo, e logo para quem por volta desta mesma data andava DESESPERADAMENTE a tentar salvar o que já não lhe resta: face. Então o que é isto? "Mongolóides"? "Palhaços"? "Burros"? Então e o "não comento, pois o caso está nas mãos de um advogado para proceder a queixa por difamação"? Olha, e que tal usar todas estas "provas" de "difamação" - já nem vou incomodar a tentar explicar ao miolo de amendoim ressequido o que é "difamação", provavelmente a palavra mais cara que alguma vez aprendeu, e pensa que existe apenas no dicionário da LOOL & Irmãos (segunda vez que faço esta piada), e que com isso assusta toda a gente e vai seguindo no seu Carnaval mentecapto. Olha que giro, "advertimos", "perdemos tempo", "temos uma retrete", "administração", esta de apenas um, que é também a retrete. E estás a falar com quem, Bóbi? Lembras-te do que eu te disse? E que tal teres ficado caladinho e quietinho em vez de ter armares aos Pica-Paus de corrida? Agora só mesmo o desespero, e por muito que consigas que retirem uma (1) fotografia do Facebook, não há mais volta a dar: quanto mais falas (?), mais te enterras. E agora o contributo final do picas para as questões...como é? Ah, "um tema interessante e controverso!!":


Ui, tanta difamação. Ui, tanta razão para ficar quietinho, senta, mau menino! Olha, a China agradece mas já têm lá um bidé, por isso podes descansar os maxilares. Ah, pois é, outra modalidade que o Picas aqui reconhece como "figura jurídica" criada única e exclusivamente para que possa andar por aí a dizer merda e chatear toda a gente, pensando que não leva resposta: "os insultos". Dou-te uma dica e tudo. Pegas nas "provas"....


...e levas aos melhores causídicos que conseguires encontrar. Não "dislumbro" é um grande futuro na pretensão, mon cher. E devias ter vergonha, a chamar aqueles nomes todos a...praticamente TODA A GENTE na tua tasca, onde depois de "revelares a careca" só os teus esbirros é que te aturam? Pensaste sempre que eras o maior, e que isto era entre eu e tu, não era? Vamos ver agora como é que vai ser. Vou-te adiantando desde já que a única foram que TERIAS de apagar os anos de disparates com que andaste para ali a besuntar as redes sociais era fechando o grupo - e ela por ela, vais começar a ouvir o eco. "Terias" porque não tens. É por isso que me causava repulsa quando chamavas aquilo de "blog", não por causa do meu em particular, mas porque a Blogger não é o teu urinol do andar de cima e de onde pensas que "regas" o juízo aos outros. Também não é a melhor coisa do mundo, mas aqui estamos. Até à próxima, em breve. Uof!

Animais dos Direitos insultam Macau!


Não é preciso fazer nenhuma petição: o governo da RAEM tem que agir contra estes fanáticos dos Direitos dos Animais. Eu sei, eu sei, eu tenho sempre razão e esta gente é doentia, mas agora é a hora de agir. No âmbito de procederem ao seu ódio pelos asiáticos em geral e os chineses em particular, esta cambada de terroristas que actuam em nome de INOCENTES, a que depois fica anexada a culpa da merda que estes imbecis fazem (não para mim, atenção, e se os animais pudessem racionalizar isto mordiam e davam-lhes coices) inventaram que Macau é uma espécie de centro de abate de cães para consumo humano! Um vídeo que tem circulado juntamente com uma petição a pedir o fim da "crueldade contra os animais em Macau" mostra uma mulher a atirar um cão contra o chão várias vezes, até o animal ficar atordoado, eventualmente morto, e depois é "cozido e servido" como alimento, no "mercado de cães mais movimentado da região". Isto é incrível, e não há qualquer engano! Vejam só:


A petição é da iniciativa de uma tal Martha Juli (suponho que seja um nome falso) em nome de um site chamado YouSign Animals, um de muitos que já partilharam o vídeo e a petição, que em poucas horas teve milhares de "likes", bem como foi partilhada mais de duas mil vezes nas redes sociais. E como podem ler, esta é dirigida a Fernando Chui, CE de Macau, e é deixado bem claro que o território "é conhecido pela Las Vegas da Ásia", e que o abate e consumo de cães "aumentou desde a transferência de soberania em 1999".  Entretanto "o Governo não só impede a crueldade, como também facilita o negócio". E mais: a população consome ignorantemente os cães, num cenário que se repete todos os dias! O insulto termina com uma mensagem de todo paternalista: é preciso fazer ver à população de Macau que os cães são animais de companhia, e não para comer! Bardamerda, pá! Filhos da puta.


Como podem ver, este "activismo" é manchado com a tinta indelével da MENTIRA. De hora em hora publicam pelo menos uma história parva a tresandar a falso, às vezes mais - tentem fazer "scroll" até ao fim da página e nunca mais se sai do mesmo dia! Basicamente o que fazem é colocar imagens de animais mortos, ensanguentados, alegadamente abandonados, e separadamente fotografias de pessoas que podem muito bem nem ter nada a ver com isto. E com que finalidade? Entregar petições a quem? E dizem que entregam. Será mesmo assim?


Eis a resposta: não! Esta doente mental tem um momento de claridade e descai-se com a verdade, dizendo-nos que os energúmenos por detrás desta palhaçada "não entregam as petições", e que "gostam de ver" estes fanáticos sofrer. Acho bem, mas usar o nome de Macau é que não, porra! E vejam como a parva está tão infectada com as pulgas destes criminosos que mesmo sabendo que nada resolve com isso, partilha o vídeo, por despeito à mulher que aparece a maltratar o cão! A mulher "macaense", portanto. E não é só ela:




Estes são apenas 3 entre dezenas, senão centenas de outras partilhas, ora por associações de lunáticos, ora por lunáticos por conta própria, cuja cegueira é tão fulminante que nem se incomodam em saber se as coisas são mesmo como as pintam antes de vir denegrir uma região inteira e a sua população. Vejam a raiva nas palavras; isto é gente criminalmente insana, que se dedica a inventar crueldade para poder fantasiar com essa mesma crueldade elevada à máxima potência contra seres humanos. Salvem os animais, sim, mas destes tipos! E as pessoas também!


Vejam só o teor destes comentários de gente demitida da humanidade, e que usa os animais como pretexto para descarregar a sua raiva no resto do mundo. Desde as formas mais criativas e sádicas de castigar quem eles querem acreditar ser assim tão mau (toda a gente menos eles, suponho), até à censura de quem carrega no botão "like", e até brasileiras temos! Macau, hello, sabem onde fica? Vejam o último comentário ali em baixo à direita. Deus? O tal que quem mal abre a Bíblia e termina o primeiro livro percebe que é inventor da chacina de animais por prazer? E note-se que aqui gente jovem, supostamente inteligente, mas mordida pelos carrapatos deste fanatismo nojento, isto sim, um dos grandes males deste mundo que devia acabar, e já. 

Há associações que trabalham em prol dos animais, e precisam das pessoas, como voluntários, ou simplesmente contribuintes, e que têm mais que fazer do que perder tempo com esta masturbação com a violência como pano de fundo. É tempo de dizer basta! Ponham uma trela e um açaime nestes bípedes que são piores que bestas quadrúpedes, e casota! Xô!

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Os sapos e os cepos



Dois filmes, um com razões para ficarmos felizes, outro que me faz querer mudar de nacionalidade (falo só por mim, mais uma vez),  e ambos com algo em comum. O cinema português conseguiu um feito raro, senão inédito, com a curta-metragem da realizadora Leonor Teles, "Balada de Um Batráquio", a ser distinguida com o Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim, na sua categoria - não foi o grande prémio mas pelo menos não foi a habitual "menção honrosa", os restos do almoço dos grandes que nos habituámos a considerar "motivo de orgulho". O título deveras peculiar prende-se com uma espécie de costume antigo que nos deixa a pensar que afinal existe uma tradição de...eu não diria tanto "ignorância", mas antes "ingenuidade": deixar sapos de loiça à porta de estabelecimentos comerciais para afastar ciganos. Sapos, sim, o animal anfíbio, e ciganos, o "povo Roma", como agora se chama na linguagem do lado parvo do politicamente correcto (recordo que no artigo do Hoje desta semana destaco a importância do "correcto" nesta ambivalência). Diz-se que os ciganos consideram o sapo um animal aziago, e por isso evitam-no, mas daí a pensar-se que uma representação que não a original dessa superstição é um pouco fantasioso - era o mesmo que alguém tapado com um lençol nos fizesse crer que era uma assombração. Parabéns à realizadora, que chorou quando recebeu o prémio, mas entende-se perfeitamente em que está habituado a ter que explicar o que não tem explicação possível, a não ser pela endémica falta de apoios: a pobre qualidade do cinema português. Quanto aos ciganos, a tendência para se auto-excluírem da sociedade em que estão integrados (quando não são clãs nómadas) não nos deixa saber muito mais sobre o fundo deste interessante fenómeno. Mas se os ciganos ficam "na sua", e for preciso enumerar razões, eis aqui uma que chega e sobra:



Em primeiro lugar queria esclarecer que este foi o único vídeo que consegui arranjar, e que a qualidade do som é deficitária, mas não tanto quanto a qualidade das pessoas que nele aparecem. Um grupo de imbecis de extrema-direita vieram mais uma vez recordar-nos da sua burrice e cobardia, ao exibirem-se pelas ruas de forma circense, e com uma particularidade que bate aos pontos a mezinha do sapo de loiça. O PNR (Pilas No Rabo) marcharam "contra o Islão", e mais uma vez para eles o "Islão" resume-se aos bengalis e paquistaneses do Martim Moniz e da Praça de Espanha, que fazem a vida como vendedores ambulantes, negociando trapos, rádios de pilhas, em suma, nada que qualquer pessoa o mínimo de civismo e bom senso associe aos "problemas" com que se debate neste momento parte da Europa, e que alguns portugueses acharam bem chamarem a si - os "problemas", entenda-se, pois as coisas boas dão mais trabalho. Para o efeito alguns destes suínos prestaram homenagem à sua espécie, marchando com máscaras e levando consigo uma cabeça de porco. Como se sabe o porco é um animal considerado tabu nas três religiões abraãmicas, se bem que apenas os muçulmanos cumprem parcialmente este preceito, abstendo-se de comer de porco, ou consumir produtos derivados deste animal. Para estes crentes na virgem Eva Braun a carne de porco tem o mesmo efeito nos "islâmicos" que o alho tem nos vampiros, ou a kryptonite no Super-Homem. O mais grave de tudo isto foi ver esta marcha organizada por um partido ILEGAL...


Isso. Nem sei que raio de expediente usaram este do Pila No Rabo para contornar a Constituição, mas se calhar convenceram alguém que os seus "fins" são legais, e como ideologia são "nacionalistas". Violentos sei que eles não são, pois precisaram de escolta policial PAGA OS VOSSOS IMPOSTOS (vossos, e não meus e ainda bem) para os defender de velhotes desdentados que lhes dirigiam slogans como "25 de Abril sempre" (e ainda é feriado, ou não), e foram chatear os únicos "islâmicos" que não entendem o que raio querem aqueles gajos com a cabeça de porco. Imagino lá o palerma do Pintas Carelho a deitar ali a medo a cabeça do bicho, a uns 100 metros da barraca dos comerciantes, e desatar a fugir de seguida enquanto a carecada faz claque: "corre Zé, ai!", "cuidado que eles mordem-te e ficas islâmica, ui!", e "depois obrigam-te a usar uma burqa, ai!". E não me façam essa cara, pois cá para mim aquele tipo usa sombra nos olhos ou é só impressão minha? Olha, por uma questão de coerência, podiam ir protestar contra a nova mesquita junto da...velha mesquita, que tal? Ai que medo, que ali há coirão. Há pois, quando vocês lá chegassem - se não fossem cobardes.

Um filme para bater palmas, que explica como é ridícula a percepção da xenofobia, e outro de levar as mãos à cabeça.

Os salteadores da identidade perdida



A semana que agora terminou ficou marcada por mais um "duelo ao pôr-do-sol" entre a comunidade macaense local, e Roy Eric Xavier, professor e investigador da Universidade de Berkeley, na Califórnia, que em 2014 foi notícia quando anunciou que ia formar uma associação dentro da diáspora, à revelia do Conselho das Comunidades Macaenses. Desta vez na origem da polémica esteve mais um artigo do académico sobre os macaenses, e aqui fica ao critério de cada um o que entende por "identidade", e se este trabalho de Xavier dá algumas pistas, contribui ou acrescenta alguma coisa a essa noção. Pode ler A Dangerous Game - part I,  e A Dangerous Game - part II carregando nos links.

As reacções a mais este ensaio de Roy Xavier, entre muitos que tem elaborado sobre a comunidade macaense, mesmo considerando a distância que separa a Califórnia da RAEM, foram, pode-se dizer "extremadas", o que me leva a questionar se está ser levado em conta o conteúdo, ou a pessoa. Isto é um tema complicado de abordar recorrendo apenas ao primeiro aspecto, e no que toca ao segundo não posso tecer quaisquer considerações. É possível que alguns pontos do novo trabalho de Xavier tenham "tocado na ferida" - salvaguardando o factor da razão e das intenções, que repito, desconheço - e que exista uma espécie de "luta" pela posição de centro congregador, ou "sede" da identidade macaense. Faria todo o sentido que fosse Macau, por razões óbvias, mas se por um lado a comunidade macaense não anda a ser perseguida nem descaracterizada como a dos tibetanos, que têm na India o seu "governo no exílio", existe um conjunto de factores que impede que seja tudo como se calhar seria ideal que fosse. Sendo este um território da R.P. China, duvido que Pequim visse com bons olhos o surgimento de um núcleo paralelo de inspiração nacionalista. É preciso recordar que a China não reconhece a dupla nacionalidade, e todas as organizações não-governamentais necessitam da aprovação do partido único - e aqui entra o princípio de "culpado até prova da inocência". Não é nada fácil.

As opiniões sobre o trabalho de Roy Xavier confundem-se com as opiniões sobre a pessoa, e outros factores "políticos", chamemos-lhes assim. Isso ficou bem patente na bipolarização geográfica das reacções com uma quase generalidade dos macaenses da RAEM a rejeitar as conclusões do académico, enquanto que da diáspora parecia vir um apoio quase incondicional. Na maioria dos casos dava a entender que as conclusões da pesquisa eram irrelevantes, e em muitos deles era evidente que nem se fez sequer a leitura das mesmas. É possível encontrar várias referências elogiosas a Xavier na sua página do Facebook, e há uma ou outra onde são tão exageradas, que perante as críticas que também foram feitas ao mesmo autor, a amplitude é tanta que é lógico que não se trata aqui tanto de uma questão do quê, mas de quem, e o porquê parece mais aberto a especulação, e até a teorias da conspiração. Notei uma adulteração do comportamento tipo de certos intervenientes, e mesmo várias declarações que só podem ser entendidas num contexto defensivo, como se aqui estivesse em causa um prémio em disputa. Mas desta pequena "intriga palaciana", houve um terceiro interveniente de que vou agora falar.


Esta é a capa do Jornal Tribuna de Macau de quinta-feira, que como se pode ver dá destaque a...esperem lá, o que é que dá a entender quando se olha para este título, sem conhecer os antecedentes, ou estar a par da publicação dos textos da pessoa em causa? Provavelmente o mesmo que eu pensei: que estas foram declarações directas de Roy Xavier a este ou outro média, e aqui citadas. Nada disso, e apesar de não ser mentira, é uma conclusão pessoal do autor deste título, baseada na leitura que faz dos artigos publicados no dia 8 e apenas (e estranhamente) agora merecem destaque. Eu posso ter uma opinião diferente, mas não, ele criticou sim, mas o que se entende por "criticar", que até pode ser encarado pelo lado positivo - "este filme recebeu elogios da generalidade dos críticos". Não é o caso, mas como não posso falar do que não sei, falo do que sei: é desonesto. Yep, e julgo que  se fossem fazer o mesmo com uma personalidade local, teriam-na à perna, com toda a certeza. Não fariam, é lógico, e pouca gente o faria por uma questão de princípio. Sabemos isto porque conhecemos Macau, e não é preciso estar inteirado do que se passa dentro dos media para perceber que há muita gente a quem basta olhar para a capa e tirar uma conclusão, formar uma opinião, e até elaborar a partir daí, compondo através da sua percepção dos elementos ali expressos um enredo que normalmente fica a milhas da verdade. Não foi de propósito, claro. Ora essa, longe de mim insinuar algo desse tipo, de que existem motivações paralelas ao dever de isenção, ou que se trata de uma "encomenda", nada disso. Falo só do que vejo, e nem dizia nada, caso não tivesse também a ver comigo, como já vamos ver daqui a pouco.


Quem mesmo assim decidiu gastar 10 patacas, ou esperar pela edição electrónica do jornal no fim do dia, deparou com mais "casos" semelhantes. Não está errado, claro, mas pode-se falar de "arbitragem caseira", em termos figurativos. Não estou a falar de futebol, nem aqui em cima se fala de oftalmologia, mesmo que "miopia cultural" venha aqui entre aspas. Quem está mais por dentro da história recente do território, sabe como pode ser perigoso fazer este tipo de referência:


Nem de propósito, neste artigo de Agosto de 2009 no mesmo jornal, Nuno Lima Bastos recorda-nos um incidente envolvendo um responsável do Instituto Cultural do tempo da Administração Portuguesa, e que fez "história" - talvez pela força das palavras, não tanto pela intenção propriamente dita. Estou certo que por muito que Roy Xavier pesquise, estude e investigue as especificidades de Macau, onde não reside nem residiu, consiga apanhar todas as "petite choses", e no limite, cada um tem os seus "pontos sensíveis", e no caso do académico, basta uma pequena faúlha para despoletar um incêndio. Tenho a certeza que o JTM tem consciência de tudo isto, mas "esqueceu-se". 


Durante a discussão desta notícia, de que vou falar já a seguir, chamei a atenção para este facto. Isto que vêem em cima é da minha autoria, parte do artigo Desalinhados, que curiosamente é sobre a última vez que Roy Xavier e as suas pesquisas vieram à liça. Como podem ver vou mais longe, e falo mesmo de "miopia grave", apesar de não me referir a ninguém em particular. Quem me conhece sabe que é com deferência e até carinho que falo desta tema indissociável desta realidade tão particular que é Macau (será difícil encontrar outro território da mesma dimensão com uma comunidade como a macaense). No entanto, tivesse eu a cabeça a prémio e pendessem sobre a minha pessoa ou aquilo que escrevo acusações de arrogância ou despeito, e ninguém lia mais nada do que aquelas duas palavras, e nem valeria a pena explicar. Como se pode ver, Roy Xavier fala de um certo desfasamento (ou "alheamento" como o JTM lhe chama) da comunidade "e dos seus líderes" quanto à realidade cultural diversa de Macau. Esta particularidade pode ficar para outro artigo, mas primeiro convém esclarecer esta coisa dos "líderes". 


No dia seguinte (sexta) o JTM volta a destacar o tema, desta vez colhendo reacções de figuras da comunidade macaense, as mesmas de sempre. Claro que estes não têm culpa disso, mas quem segue o que se passa em Macau pelo JTM vai pensar que a comunidade macaense se reduz a vinte pessoas - já incluindo os familiares dos entrevistados residentes, entenda-se. Por isso achei estranho que se tivesse feito um alarido tão grande à volta da palavra "líderes", que para mim e muita outra gente que leia entende-se que sejam os dirigentes destas associações, seja o onomástico director, presidente ou provedor. Assim achei eu e achou toda a gente, nem eu me atreveria a trazer este assunto à baila se não tivesse confirmado esta percepção. Neste caso particular, e penso que isto não é difícil de deduzir, mais estranho se apresenta quando entre o dia 8, data em que Roy Xavier publicou as suas conclusões, e quinta-feira, data em que o JTM publicou a primeira notícia, grande parte da comunidade estava já a par do conteúdo. Se me quiserem desmentir, penso que isto nem chega a ser tão grave do que seria caso o jornal se tivesse antecipado num tema que diz respeito à comunidade. Revelaria no mínimo alguma desatenção, temos que concordar. Francisco Manhão, por exemplo, quase dá a entender que "líder" é algum insulto, e vendo bem as coisas, o que o autor escreve é "leaders", em inglês, a sua língua materna, que tem um sentido que pode ir para lá do pior que se possa atribuir à designação ("cacique", por exemplo). Nem sequer fica implícito em parte alguma que este "líderes" terá alguma conotação com o submundo do crime organizado ou algo que pareça. Uma curiosidade que dá mais aso a especulação do que adensar o mistério. Agora para terminar:


Algumas das reacções colhidas junto da comunidade foram tiradas do grupo do Facebook "Conversas Entre A Malta" (CEAM), o que é aliás referido nesta peça, para lá de qualquer dúvida. Como se pode ver em cima, alguém do JTM pediu para se juntar ao grupo para ler os comentários à notícia, e de facto teve muito para ler, e seria impensável transcrever tudo o que lá foi dito. Não comento que outras ideias foram extraídas, mas posso falar da parte que me toca, e deixem-me que vos diga que tiveram azar: de tudo o que podiam escolher para interpretar de forma abusiva, foram logo buscar uma afirmação da minha autoria - há alguém que não foi "alertado", aparentemente. A parte que sublinhei, e quem tem dois olhos na frente de dois palmos de testa vai entender o mesmo, dá a perceber que a ideia que está ali expressa é que Roy Xavier "dificilmente se pode considerar macaense". É isto que se entende por "apenas num conceito mais abrangente", pressupondo portanto, que o conceito (que não está sequer definido oficialmente) seria um outro que o deixaria de fora. Exagero? Ok, digamos que dá a entender que é "menos macaense", e se acham que essa é apenas a minha interpretação, eu respondo que sei o que disse e qual era a minha intenção, e com a devida vénia, aqui fica o texto original na íntegra:


Não há lugar a qualquer "mal entendido", uma vez que sou a única pessoa que usa o termo "abrangente" em TODA a conversa, e esta é a única vez que o faço. Como se pode ver, e após uma série de apupos ao autor dos textos, certamente produzidos de cabeça quente, chamo a atenção para o facto de não ser macaense não é necessariamente uma condição "sine qua non" para dar uma opinião sobre Macau. Posto isto, elaboro dizendo que esse é um exercício que pode produzir resultados adversos, pois dependendo do conceito, mais ou menos abrangente, também quem "atira" essa carta para a mesa pode ser também ele "vítima". Deixo também claro que é uma estratégia pouco recomendável, pois dá a entender que a origem ou ascendência da pessoa terá a ver com a autoridade que tem para falar do tema, o que é uma perspectiva errada, se estiverem em debate os argumentos.

Como já disse, não vou acusar ninguém de coisa nenhuma, e como já referi, tomei o pulso a algumas opiniões externas aos elementos deste debate, e a impressão geral que fica é aquela que está expressa, preto no branco, e nem é preciso ter muitos anos de Macau para perceber que há valores em causa que vão além da temática cultural e identitária da comunidade. Eu não vou meter a colher em sopa alheia, especialmente se for Lacassá (no sentido figurativo, pois até gosto do original), e as pessoas da comunidade que me conhecem sabem que a minha intenção, seja ela sobre qualquer um dos temas que tenho abordado, é sempre numa perspectiva construtiva. Como só falo daquilo que sei, tenho a sensibilidade para me afastar de assuntos que não me dizem respeito, e talvez daí entendam porque não possa ler nas intenções de quem não conheço algo mais do que a vista alcança. Quanto ao JTM, saberá com que linhas se cose, ainda mais se tivermos em conta que é para um âmbito muito mais alargado do que o deste círculo que escrevem. Não vale a pena tocar mais neste assunto, porque tenho a certeza que são óptimos profissionais e sabem o que fazem. Ficou demonstrado, aliás.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Perdoem-nos, pais...


Fiquei feliz com esta ideia do Bloco de Esquerda, e não consigo pensar em nenhuma razão para não ficar. A este ponto, quem estiver a pensar no artigo anterior, e nos limites do bom gosto, não creio que aqui se aplique a mesma regra, pois Jesus não é um deficiente inimputável que não se sabe defender. Pode ser que haja quem pense o contrário, mas nesse caso tem um dos seus pais, O Pai, que pode obliterar o cartaz, o BE, os que riram (do quê?), etc., com fogo, lava, brasas e todas as coisas que comprou à concorrência. Mas duvido que o faça. Só um palpite. E se calhar a Igreja e mais o seu coro de indignados com a imagem de Jesus associada a um raciocínio que ELES fizeram, ainda gostava de ter um Deus que cospe fogo, ou em alternativa uma fogueira ou um Sousa Lara qualquer que metesse isto na ordem. Em vez disso choramingam, ai que coisa horrível, a imagem associada a...bem, eles não têm lá muita razão para falar, e aqui trata-se de adopção de crianças, o que me leva também a desconfiar. Adiante.

Ninguém disse que é uma tentativa de humor, nem a imagem de Cristo foi alterada (pelo menos no essencial), e se calhar a sra. do Bloco que explicou os cartazes que vão aparecer amanhã (sábado) um pouco por todo o país recorrendo à designação de "humor" não no sentido de piada, mas eu diria que tem uma certa carga irónica: ofendeu os mesmos que se opunham à razão do cartaz. Como vivemos (ainda) em democracia, quem não gosta pode não olhar, não votar no BE, não casar com uma pessoa do mesmo género e adoptar - então, não é tão bom? A mensagem escrita no cartaz é entendida por toda a gente, mas é possível que uma ou outra velhinha que desconhecendo a nova legislação vá olhar para aquilo e dizer: "Xim xenhor...o Pai do xéu e Jujé, pai de conxideraxão. Dois os abenxoe!". É o que dá quando a Igreja não explica nada, e continuando a usar o medo como seu "combustível", e pelo menos por enquanto vai continuar. Cartaz-1 Igreja-0.


A anedota triste, e o triste anedota


Este é um vídeo que se tornou viral e andou a circular pelas redes sociais nos últimos dias, e que viria a tornar-se mais um daqueles episódios lamentáveis que mais vale a pena esquecer. Trata-se de uma sequência do programa "Você na TV", do canal TVI  de Portugal, onde se vê um indivíduo com um ar aparentemente normal, mas que mal diz as primeiras duas ou três frases, deixa perceber que não estaria no pleno gozo das suas faculdades mentais. O vídeo foi sendo partilhado na rede social Facebook na quarta-feira durante todo o dia, e tal como outros na mesma categoria de "descartável", não me seduziu o suficiente que me fizesse dispensar três minutos do meu tempo livre - e não vale a pena discutir o que cada um faz com esse tempo, pois é completamente arbitrário. Contudo comecei a reparar em certos comentários que davam a entender a  existência de uma certa bipolaridade de opiniões que não é muito habitual nestas circunstâncias; há pessoas que acham graça, partilham, acrescentam mais qualquer coisa, em suma, fazem o que se faz nestes canais, e quer se goste quer não, a liberdade de cada um permite-lhe expressar o que pode ser do gosto de outros, mas com toda a certeza não existirá unanimidade. Se as regras do comportamento social mais elementares levam-nos a evitar criticar "por criticar", e às vezes pode ser que quem o faz queira apenas estar a chamar a si o centros das atenções, outros casos há em que o julgamento de cada um fica condicionado pela reacção dos restantes. Este caso demonstra mais uma vez que por vezes a vontade de "pertencer" sobrepõe-se ao bom senso.

Assim sendo, fui "espreitar" o tal vídeo para ver do que se tratava, e a "premise" nem era lá muito convidativa: indivíduo é informado de que a sua mãe foi assassinada, agradeceu, e voltou a dormir. Nada disto pressupõe um cómico de situação, e nem é necessário aplicar o nosso critério mais recorrente nestes casos, "e se fosse comigo?", pois um homicídio não é garantidamente um fartote, com risota de levar às lágrimas. Por outro lado, nem sempre as lágrimas serão necessariamente de dor, e ninguém pode obrigar ninguém a cumprir luto pelo desaparecimento de alguém que não nos diz nada. Infelizmente o que parece mais difícil de encontrar nesta e muitas outras questões fracturantes é o meio-termo, pois quem opta por uma posição extremada, nunca aceitará nada menos do que essa mesma posição, e tudo o que for menos do que isto é o mesmo que nada. O limite que separa o sentido de humor do mau gosto é uma linha indefinida, e o traço que os separa é muitas vezes delineado por factores externos ao senso comum e à moral de cada um, e muitas vezes entra nas contas factores como o despeito ou o ideia pré-concebida que se tem de alguém, e isto já para não falar dos "mecanismos de defesa" de que certas pessoas de dotam, produto de uma série de recalcamentos, frustrações e complexos de inferioridade de que quase nunca as suas "vítimas" têm culpa. Vinde agora pelo universo de um destes casos que infelizmente não são tão raros como isso. Ou não, e se optarem por não seguir em frente, vão fazer outra coisa qualquer que achem útil, desde que não me chateiem. Ainda aí? Então bora lá/

Decidi então deitar uma vista de olhos e dar uma escutada de ouvidos no tal vídeo, e a partir daqui entra na equação o factor subjectivo da "minha palavra", que pode valer o que quiserem, mas neste particular nem é o mais importante: não fazia a mínima ideia de quem postou o vídeo, pois tinha a janela aberta na página de um grupo do FB (e nem tinha consciência disto, sequer) - cliquei na imagem, simplesmente. Não demorei os três minutos que dura o vídeo, pois ao fim de 20 segundos dá para tirar algumas conclusões, sendo o facto da personagem que estaria no centro de tanta admiração e surpresa ser uma pessoa visivelmente perturbada. Passei para a frente, para a parte final do vídeo, onde é patente que o estado em que o indivíduo se encontra sofreu uma alteração durante aquele curto instante em que falava para o microfone do repórter da TVI, que mais tarde viria a ser também alvo de crítica - talvez aqui se possa dar um desconto, tratando-se de uma daqueles tipos que se limita a recolher declarações e depois cada um pensa o que quiser. A forma como alguns deles abanam a cabeça como que a anuir com aquilo que está a ser dito, mesmo que se trate da maior das monstruosidades, leva-me a pensar que é uma tarefa meramente técnica. Isto para lhes dar o benefício da dúvida.

Comentei depois de já ter ficado a saber a razão do comportamento errático do indivíduo a quem foi dada uma notícia que para o comum dos mortais é dada apenas uma vez na vida, e o normal é que a reacção não seja melhor: sofre de perturbações mentais. Nos tempos em que a Polícia Judiciária em Portugal divulgava na televisão o desaparecimento de alguém ("desapareceu de casa dos seus pais"), era inevitável que no fim nos fosse deixado saber que a pessoa em causa "sofria de perturbações mentais". Isto pode ser entendido de várias maneiras, e há formas de tornar esta informação digerível, até ao ponto de se fazer humor, e logo aí insere-se este na categoria de "humor negro". Bem, eu acho piada a qualquer coisa que tenha piada, mas neste particular o nível de exigência é muito maior. O simples facto de olhar para alguém que não sabe o que está a dizer, sem ter consciência de que vai ser humilhado, não me parece uma boa ideia, mas não censuro quem pense o contrário. Posso contudo expressar as minhas razões, e para o efeito posso fazê-lo no mesmo espaço onde se "solta a gargalhada", sem que isso possa ser entendido como qualquer tipo de paternalismo.

Aqui decidi deixar o meu ponto de vista na caixa de comentários do vídeo, dizendo apenas que não encontro qualquer motivo de risota, ou de reflexão que seja naquela sequência, e que é evidente que a pessoa está transtornada, e não indiferente à notícia da morte violenta da mãe - mesmo que se trate aqui de uma pessoa com 87 anos, ninguém de bem vai considerar isso como "atenuante". Inicialmente julguei que estaria sob o efeito do álcool, quem sabe medicado, ou até podia ser que estivesse em estado de choque, e aquela fosse a sua reacção, ao contrário de se atirar para o chão em prantos, de mãos levantadas aos céus perguntando "Porquê?!?!", como se fosse a primeira pessoa do mundo a perder um dos pais. Inclui este facto, mas confesso que fui induzido a pensar que era mesmo aí que se situava o humor, atendendo a certos comentários que li noutros fóruns onde se podia ver o vídeo, alguns que basicamente consistiam em repetir o que aquele pobre coitado dizia, acrescentando um comentário na forma de grunho contemporâneo adequado aos padrões da aceitação entre os restantes grunhos: "ouve lá, ganda cena", ou "o que é que este fumou", etc. Este último até podia explicar alguma coisa, pois havia quem garantisse que se tratava de um "queimado". Bestial, estas asserções que são feitas a respeito de quem é para todos os efeitos um doente. O universo dos assistentes sociais e outros que mais devem ter achado imensa piada, também. E mais tarde confirmei isso mesmo:


Como podem ver, isto é o que ali está, e não há lugar a interpretações diversas: lixo televisivo. Não é a primeira vez nem será a última, uma vez que existe uma forte implantação do seguidismo à portuguesa (o célebre "Maria vai com todas"), e de que se muita gente ou a maior parte acha piada, o contraditório pode resultar na rejeição, e à escala de quem considera a internet o "mundo social real", isso é uma forma de isolamento. Recordo outro provérbio: "antes só que mal acompanhado", e de facto na rede o melhor mesmo é evitar as más companhias, e se a "popularidade" depende deste tipo de expediente, então lamento, mas considero isso uma forma de prostituição  - e das piores, daquelas que nem ao Diabo se diz não. É possível que a grande maioria das pessoas que viram estas imagens fora de contexto se tenham depois arrependido. Já aconteceu comigo, quando uma vez fui induzido em erro e entendi as coisas de uma perspectiva completamente errado. No meu caso, como devem calcular, é preciso usar mais do que um filtro, e se por um lado há quem tenha o lombo comprido e rijo para levar umas estocadas quando faz figuras tristes, outros há que não vão entender esse conceito, e expo-los a esta crueldade não serve para mais nada do que piorar as coisas para a vítima, e perpetuar a tolerância deste tipo de baixeza. Desculpei-me e arrependi-me quando aconteceu comigo, contei com uma voz amiga que me chamou a atenção para o facto, e agradeci-lhe mil vezes (e como se pode ler entrelinhas, continuo agradecido) por ter permitido corrigir o erro antes que pudesse atingir maiores proporções. Espero sinceramente que ninguém tenha visto e ficado convencido com a mensagem. A diferença aqui entre o que se pode chamar de "justiça poética" e a maldade é a consciência de que pessoa sabe o que está a fazer, e aqui é plenamente evidente que não está.

Infelizmente há quem prefira analisar as coisas de um prisma narcisista, e mesmo que se sujeite a mostrar que está errado, prefere dar a volta ao texto e assim sair por cima, julgando que é o troca-bandeiras das praias com vigilância aos banhistas - deve ser a proximidade à Praia da Rocha que o leva a tamanha ilusão de grandeza. Este foi o comentário da mesma pessoa que deixou o vídeo que POR AZAR foi aquele que acabei por ver, e como já referi, deixar expresso o meu ponto de vista:

Claramente alguém com alguma perturbação como é obvio.
Mas a psicanálise de bolso não era a intenção porque o humor tem vários tons e para além da intenção de fazer rir, chocar, etc. É apenas entendido por quem quer e apenas como consegue. É o humor...

Com que então "psicanálise de bolso", e "tons de humor", e olha, que benção dos Céus é esta criatura, que ainda tem a candura de me dar um desconto, porque nunca seria capaz de atingir o karma dos paus-de-cabeleira com problemas de identidade. Feliz é ele que evoluiu ao ponto de rir com estas coisas.  E reparem que aqui por "identidade" quero dizer a única que todos temos em comum: a nossa. Eu se não for mais nada, sou eu mesmo, e isto não me diminui perante quem ostenta identidades como uma alta-patente militar ostenta medalhas e outras menções no uniforme, que mais parece um manequim de alfaiate com os recados e as contas espetadas com alfinetes. Este Paulo David, contudo, é um pobre imbecil que nem sequer olha para o lado na hora de recordar a quem não lhe perguntou uma única vez que é um "eleito", e não uma "minoria", e neste último tenhamos em conta o termo no contexto dos Estudos Sociais. O Paulo David, e prometi-lhe que falava disto, uma vez que nem ele chega lá nem permite que lhe expliquem, diz-se "judeu", e orgulha-se do facto. Para mim não há problema nenhum em ser judeu, contando que por "judeu" se entende o povo judaico, hebraico, seja o que for, e para mim este conceito é amplo. Por exemplo, existem "chineses judeus", e não é porque se converteram, ou porque os pais são chineses mas ele nasceu, e muito menos será por se terem convertido: são filhos e filhas de casais judeus que adoptaram crianças chinesas. Isto é fascinante mas nada tem a ver com o Paulo David, que desse atributo não posso dizer que tenha muita coisa, pelo pouco que conheço dele. Mas o que é para mim um "judeu"?

O povo hebreu tem uma história que nunca se pode dissociar da religião propriamente dita, bem como traços étnicos específicos, facto menos importante, e uma origem dispersa, com mais incidência na Europa antes da II Guerra Mundial, e com uma população actualmente dividida na sua maior parte entre o estado de Israel e os EUA, que são como se sabe o seu maior (e único incondicional) aliado. Conheci alguns judeus pela net nos antigos "chat rooms" do mIRC, por volta de 1998/2000, e eram na altura jovens da minha idade, e alguns mais novos, com 18/19 anos. Estes últimos contavam-me então que trabalhavam na caixa do McDonald's, por altura das férias de verão após a conclusão do ensino secundário, e antes de ir cumprir o serviço militar obrigatório durante três anos. Obrigatório para homens e mulheres, e ambos vão durante parte dos melhores anos das suas vidas para locais onde dependendo da sorte podiam morrer do dia para a noite, sem que isso nunca tivesse feito parte dos seus "planos". Outros haviam terminado o serviço militar, e ora trabalhavam, ora frequentavam a Universidade. Um destes ainda estudantes, com quem conversava com muita regularidade (conheci-o num fórum de fãs dos Queen, e esta frase está ultra-paneleira, mas que se lixe) ia-me deixando saber muita coisa que provavelmente os portugueses que agora adoram Israel porque odeiam o Islão e pensam que isto é só torcer como no futebol nem imaginam. E muitas vezes o que sabem é de fontes...bem, eles depois vão dizer que não, mas também os tais que refiro mudam muitas vezes de camisola, e normalmente é preta com uma parvoíce qualquer estampada na frente.

Digamos que quando não há islâmicos para odiar, os judeus voltam a fazer de piñata. Isto não fui eu quem inventou agora, é o que  a História nos diz, vão lá e reclamem. Assim, o Tal rapaz (o nome dele é Tal), que ainda contacto no FB do outro gajo (o parvo do alter-ego do Leocardo), vive agora na Alemanha, e nem quer saber de conflitos ou de porra nenhuma, e não faz planos de voltar para Israel. E é judeu. E romeno, sim, porque a família dele, assim como muitas outras que formam o estado de Israel era oriunda de países europeus, de onde foram deslocadas, e o resto já se sabe: sobreviveram ao Holocausto. Contou-me que adorava carne de porco, pois foi numa vez que foi de férias a Londres que disse maravilhas do "bacon & eggs" que serviam no hotel ao pequeno-almoço, e antes que eu lhe pudesse dizer que a comida em Inglaterra é uma bosta, esclareceu-me que em Israel só os judeus maluquinhos (aqueles com uns chapéus pretos, roupa quentíssima naquele clima, e barba!) é que cumpriam esse preceito que os portugueses agora descobriram ser "a melhor comida alguma vez debulhada pelas suas mandíbulas imundas" pensam ser toda a população judaica, mas que num assomo de tolerância e liberdade permitem-nos que sejamos uns javardos enquanto eles rezam "a Jesus", que viveu em Israel "depois do Rei David fundá-la", esta palavra vinda de "funda", com que derrotou o gigante da NBA, Golias. Diz a Bíblia.

Entre as conversas com os outros bacanos israelitas, perguntava sobre a vida-vida por lá, e eles achavam aquilo deprimente, com inimigo ali ao lado, e de como era banal soarem alarmes de bombardeamento aéreo, e calmamente irem até aos abrigos, ficarem por uma hora, a conversar ou a ler o jornal, alguns a trabalhar ou a falar ao telemóvel (por volta de 1999/2000, portanto já existia tudo isto), outros até a dizer mal da vida, pois tinham que estar em algum lado a horas, e não iam cair bombas nenhumas. Quando não era assim, faziam o que todos os judeus fazem, ganhar dinheiro (e há quem considere isto "anti-semita", como se o dinheiro fosse uma coisa má), divertiam-se (discotecas de Telavive, super), iam à praia, andavam por ali na maior, e aos fins-de-semana iam para raves e enchiam os caracóis de droga, um mimo. Não ligavam muito ao clima de constante ameaça, pois isso nunca seria uma coisa que acontecesse duas vezes - ou bombardeavam eles de uma vez só, ou da segunda vez eram eles bombardeados...de vez. Isto acreditem, se quiserem, e agora 15 anos e tal depois, outros jovens e outra realidade, pode ser que tenha mudado alguma coisa, menos em Gaza, onde continuam os rufias que o Estado Hebraico zionista e a  Mossad treina assim que se vê que são imbecis e carne para canhão, mas exactamente por serem imbecis também estão pesadamente armados e têm ordens para "atirar primeiro, perguntar depois". Divertem-se e não devem ligar muito a quando um ou mais deles quina. Alguns até acham bem, porque assim no dia seguinte têm mais alvos para praticar, e à pala do gajo que rebentou, têm carta-branca para entrar pelas casas dos habitantes árabes dos colonatos, estranhando estarem ainda ali, a fazer de barraca dos tiros na feira para eles. Modelos de virtude que inspiraram Paulo David, e que hoje têm em Portugal um grupo de fãs, com "cheerleaders" e tudo: "Ai se não fosse por Israel conter ali aquela praga, e andava eu de burqa e a toque de chicote, meu Deus". Burqa não sei, mas o outro era um castigo suave.

Agora a parte "pessoal", que interessa e muito, pois já muitos leitores saberão exactamente de quem se trata, e eu trato-o pelo nome, e isto é tão claro que nem se via, se fosse um vidro. Pronto, assim quem o conhece sabe que viveu aqui em Macau, trabalhou aí pelas ondas hertzianas, estudou na Escola Comercial, tudo público. E nos tempos livres frequentava a sinagoga de Macau. A quê? Exacto. É que aqui esse prato não temos, mas não duvido que haja, e conheci mesmo um casal cujo filho foi colega da minha irmã, e que se chamava David, por acaso, mas foi pelos pais que reconheci que eram judeus, de Portugal, coisa normal. Já tinha visto judeus lá, e eram tal qual o mesmo modelo: gente discreta, educada, inteligente, elegante, bem, o bom gosto deve-os ter levado de volta à sinagoga lá longe, que aqui não colhe. Só o Adelson, depois deles, mas esse é mau exemplo para o caso. Assim, esta "febre hebraica" afectou o personagem da mesma forma que afectou a Madonna, entre a fase hispânica e a outra em que delirou ser "british". Eu pessoalmente considero que de todas as pancadas que alguém podia ter com religiões, esta seria a menos requisitada, e apesar de tudo ainda é. Quando passar a nhufa aos anti-falsos-refugiados-e-já-agora-os-verdadeiros também, ninguém quer saber "daquelas bandas", e toca a não querer saber mais "desses", e que "se matem uns aos outros", que eles vão é ver o Zé Mário Branco e o Janita a cantar "Shalom, Palestina".

Eu não me recordo do rapaz aqui em Macau, e seria igual ao litro que me recordasse, pois estes "agigantamentos" de carácter dão-se apenas nas redes sociais, e a ironia vem montada num unicórnio daqui a pouco. Adiante. A primeira vez que tomei conhecimento da existência desta ave-rara foi no mesmo grupo do FB onde isto agora aconteceu, e na altura fiquei como os habitantes de Metropolis da primeira-vez que viram o Superman: is it a bird? or a plane? Antes fosse, e "bombeiro" talvez fosse uma definição mais precisa. Não me recordo de que tema se falava no grupo, e é preciso ir procurar no fundo da gaveta e isso é o que menos importa, mas tinha a ver com Israel e os árabes ou qualquer coisa assim. Ou alguma daquelas piadolas consideradas "anti-semitas", com que se convém indignar alguém que nada sabe desse passado, mas que aderiu à causa, "desde pequenino", ficamos depois a saber. Daí que o D. Quixote do Holocausto apareceu ali, sem mais nem menos, e com uma conversa que não entendi peva, e mais tarde foi-me dito que "era judeu". Antes de referir que "não era nada, que disparate", fiquei a matutar sobre aquele momento de "flash" exibicionista, e de como não tinha dito nada que pudesse ofender os...mas quem é que os ofende, afinal? Já viram um judeu a ser discriminado em Portugal, ou melhor, sabe-se identificar um judeu ali? Não, e é por isso que este artista podia dizer o que quisesse, que a malta "ya, tá-se, comes marisco?" (Boa pergunta, por sinal).  O que concluí foi que se tratava de um burgesso, que veio em família e tudo, ai ai, com a mais que tudo a debitar uma ladainha qualquer de bolso, uma citação de Simon Weisenthal, ou Golda Meyer, coisas de judeus principiantes (acho). A segunda vez que bati de frente com esta Fada de Bethelem foi aqui:


O dia foi 28 de Junho do ano passado, o tema era a "queima do gato" que foi o Woodstock da tuga nesse verão. Mais uma vez recordo a vergonhosa figura que foi ver pessoas aparentemente civilizadas a pedir a cabeça de uma aldeola de cem habitantes atirada para os lados do Marão, e que ninguém tinha ouvido falar antes, e tudo porque um gato foi "queimado vivo", com a nuance de ter continuado vivo. Pois. O gato, como se sabe saiu com uns arranhões e voltou a casa da dona quando ficou com larica, e esta vai agora responder a tribunal por 17 crimes, todos cometidos apenas por ela, assumindo desta forma que os restantes vultos e vozes que se ouviam no vídeo eram espectros. Deve ser f..do ficar com a batata quente na mão enquanto Portugal inteiro menos ela assobiam para o lado. Adorei esta magnífica conclusão, que já previa pelo menos ser mais uma demonstração dos efeitos desta paranóia dos direitos dos animais num povo que...bem, leva aquilo mesmo a sério. De tudo o que se podia escolher para provar que é um mito que os portugueses são um povo preguiçoso e burro, foram pegar num pedaço rectangular de cabedal e escreveram em letras a ouro o que seria a capa de "Os portugueses são um povo preguiçoso e burro". Claro que me incluo nesse lote, que remédio, e aparentemente ali o Judeu-mas-já-não-dá-mais também, e claro, aquilo que está ali é lei: os animais "sentem frio - não me digas! E eu a pensar que o frio era um castigo da natureza que só os humanos sentiam. Fico com menos pena quando for comprar uma perna de vitela congelada ao saber que a pobrezinha afinal não se constipa. Mas isso não é nada, pois os animais sentem também coisas como  saudades, têm memória (dentro do irracional, claro), ouvido musical, sentem nostalgia, gostam de bossanova. Pois é, mas veja-se só como isto é razão para ir linchar a população inteira de uma aldeia qualquer, por causa de um gato que foi maltratado, mas não o é por sistema, e já que parece que segundo aqui o Patriarca Noé sentem indignação e despeito, é preciso "educar". Engraçado como alguém que se auto-intitula judeu fala em "educar" num contexto de violência, coisa dos nazis, se ainda se recordam.


Oh oh. A minha pergunta é perfeitamente inocente, como podem observar, e segue-se uma táctica de dissuasão semelhante às que usa o Picas, espetando ali um monte de palavras avulsas para ver se eu concordo com ele e deixo-o com a impressão que "ganhou" - e isto vai ser a morte do artista. Mas nesse dia devo ter dormido mesmo bem, pois entendi aquela treta toda, e agora o mais hilariante: "opinião"? Se era a minha, era a única que estava ser rejeitada e com recurso a semi-ameaças, via-se bem nos outros comentários que a minha percepção de que uma notícia adulterada era mais plausível que os factos propriamente ditos, pois valia um cupão para poder arrasar com uma comunidade inteira. E por causa de 1 (um) gato. E eu até gosto do bichano, ao contrário dos que vaticinaram a sua morte ("agora está só ferido, vai morrer de certeza") porque servia melhor os seus propósitos doentios. Fundamentalismo? Ui, mas se me quer fazer parecer um talibã, isso seria um elogio. Mas agora vamos voltar ao incidente de quarta-feira para ver que "educação" e "fundamentalismo" são estes.

Claramente alguém com alguma perturbação como é obvio.
Mas a psicanálise de bolso não era a intenção porque o humor tem vários tons e para além da intenção de fazer rir, chocar, etc. É apenas entendido por quem quer e apenas como consegue. É o humor...

(eu): Entendo, o humor. A velha de 87 anos morta a paulada AH AH AH! O filho transtornado, quem sabe se tera um esgotamento LOL. Ya, isto e' so mesmo para quem consegue

Ora bem, aqui está a parte onde ficámos, e recordo as pérolas de sabedoria e o insulto com uma subtileza em tudo semelhante à de um bate-estacas num concerto de música de câmara. Quer dizer, acusam-me de muita coisa, mas se for para me chamarem de retardado e provinciano, que não assimila uma "piada", segundo ele, e eu ficar-me, chamem-me o que quiserem. Bom, de seguida fui sarcástico, com toda a certeza uma figura de estilo comum a "judeus" como ele, e a não-me-chateiem como eu. Mas quê, com sua alteza ninguém se atreve a falar assim! Estais a pedi-las!

Ó caro Leocardo ou lá o que é, por favor desampare a loja, que de provocações suas estou farto. Não o conheço de lado algum, mas se tem problemas comigo resolvemos um dia destes sem ser no fb e sem audiência, ok? Ou quer continuar a acumular pontos para melhorar o meu humor?

Adorei. Vou emoldurar esta e pendurar no muro das lamentações de cocós como este, que habituado a que o deixem a falar sozinho, julgando ter escrito mais uma página do livro do kagão de sentenças, entrou em "tilt" com uma...contrariedade? Ah, provocação, diz ele. Se eu não rir a bandeiras despregadas da miséria alheia, que mesmo não estando dentro do contexto não dá vontade nenhuma de rir, levo porrada do valentão. "Um dia destes sem audiência". Qual audiência, se ninguém mais estava a comentar naquele post, que era dele, e digo "era" por uma boa razão. Mas por enquanto:

L:
Hi, olha ai a "tolerancia" pela diversidade de opinioes, do coisinho. Uma que aonde? Ve la se nao procuras, que pode ser que encontres, o kike de imitacao

P.D.: Kike? O menino é nazi? Deves ter mesmo complexo de inferioridade, deves ser muito ressabiado. De certeza que te abandonaram já pelo caminho e agora gostas de te ouvir e armar em campeão meu triste. Quanta frustração e... Dou-te o meu endereço, aparece recozinho, ou queres que vá ter contigo para conversarmos sobre diversidade...
Escondes-te por trás de um nomezito pseudo valente, deves isso à frustração por não gostares do que vês ao espelho pela manhã?

Ah ah ah! Ai a compostura. Se vão dizer que eu "levei uma cândida criatura a este estado", e por isso sou uma gajo mau como as cobras, deixem-me antes anunciar a boa nova: este é o estado natural da criatura, quando não é apaparicado, tido e achado, e bate com os trolitós de frente com um muro. Com o MUNDO, quero eu dizer. Vou explicar aquela expressão "kike", que ele aparentemente atribui aos nazis. Durante as massas migratórias para os Estados Unidos nos séculos XIX e XX, chegavam da Europa imigrantes de origens diversas, incluindo judeus...de origens diversas. Hmmm. Alguns destes judeus, bem como vários outros que chegavam, eram analfabetos, coisas comum naquela altura, e para mais entre quem a pobreza obrigava a deixar o seu país, e assinavam os documentos de chegada com uma cruz. A diferença é que os judeus não assinavam com uma cruz mas antes com um círculo, semelhante ao numeral "zero", que em hebraico se diz "ka'ik", ou "kike", ou ainda "kyke" conforme preferirem. Assim, quando os agentes alfandegários lhes pediam para assinar, diziam-lhes "kike", como quem diz "põe aqui um zero", e terão aprendido a dizer a palavra para tornar mais rápido o processo. E isto agora diz o quê a quem? Eu expliquei-lhe que este "insulto" obscuro não teria nada a ver com nazis, e aqui quem é o nazi, afinal?

Oh manso, fartas-te de raspar mas já é inevitável um dia destes teres que sair dos curros. Está destinado. Julgas- te jornalista e escondes-te por trás de um cognome, pensando que nada te afeta?
Quanto a rir, ri-te da tua miserabilidade. As provocações vermiformes, racistas e pseudointelectuais devem-te ser orgasmáticas. Coitado já nada te resta. Faz pela vida.
Partir para a porrada? Gostava apenas de ter uma conversa pessoal sobre diversidade, afinal não diz que quem procura encontra?
Se me classifica de apátrida, o que acha dos macaenses? Pena é que ninguém ainda por aqui entendeu o seu racismo vil e cobarde, ou não estão para se preocupar com a sua "falta de atenção" Deves ter sido abandonado, tenho a certeza.
Até um dia destes para conversa pessoal.
Não vou perder mais tempo com blatídios que se querem passar por gente. Olha faz um rolo vaselinado com o teu portfolio ou arranja alguém...
Temos entrevista marcada, porque realmente, continuar a ligar a comentários escatológicos aqui, ninguém merece.

Ui! Eu gosto daquela do cognome - não sabia que era rei, vejam só. Rei da idiotice é este gajo, que se passou todo logo que levou duas réplicas, e só não teve uma apoplexia nem sei como. Falta paciência para pessoas como este bronco, que ninguém ensinou a comportar-se socialmente, e se calhar pensa que diz o que lhe apetece enquanto atira amendoins aos chimpanzés. Esta do "julgas-te jornalista" evidencia que no tremoço descascado que ficou na caixa craniana deste tipo 1) os jornalistas são deuses que não vivem na Terra e nunca poderiam ir às redes sociais e 2) toda a gente é burra. A sequência ali no meio está muito bem enquadrada, também; depois do contributo para o debate sobre a questão da identidade macaense, segue-se uma acusação de "racismo que ninguém AINDA viu". Nem tu, tótó, e aposto que foste a correr saber o que era este "insulto racista" que só conta quando americanos na América o dirigem a judeus. E tu, nem uma coisa nem outra, e muito menos a última. E se ainda "ninguém sabe" - e como se pode ver, este é mais um mentecapto que anda à boleia do racismo e rejeita a própria origem - ninguém vai saber porque TU apagaste o post, e...bloqueaste-me! Assim como é que...


...vens até cá amanhã? Aquele chilique que te deu, e que me querias dar a morada, e tal, olha, eu não sou adepto, se bem que respeito, mas epá, quem sabe um dia acordas também com vontade de aderir, como fizeste com a religião? To-ra, to-ra, to-ra! Uh!

O "problema", que para mim não é problema nenhum, pois mantive-me sempre dentro do que sou e sempre fui, e é óbvio que não pedi para nascer no mesmo planeta daqui do Imperador, que é mais um herói. Daqueles, que decide o que é engraçado, e quem é estúpido, e atrasado, e...


...apátrida? Ah, isso é que não. O rapaz orgulha-se em ser o asno que é: um asno do mundo. Shalom. Santinho.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A utópica alfabetização do Picas


"Outra vez?!?!" - perguntará o leitor, ao identificar mais uma bicada de Nuno Miguel Oliveira, o Pica-Pau predilecto da malta nova - "Boa!" exclama depois de eu lhe confirmar que é  - e não se nota logo pelo forte odor a dislexia que paira o ar? A juntar a todo o pão de LOOL em que se tornou pioneiro, Picas é agora o primeiro a "postar" nas redes sociais em Odorama, a lendária tecnologia que permitirá um dia sentir o cheiro dos filmes nas salas de cinema - a escrita do gajo tresanda de má. Isto vai para além da dislexia ou de qualquer grau de retardação, e desconfio que estamos aqui perante um novo estilo de literatura, que ele próprio inaugura, mesmo sem ter consciência do facto: o niilismo abstracto estólido fálico - além de não ser possível interpretar o que está ali escrito com recurso a qualquer regra da gramática ou da egiptologia, depreende-se que o autor daquele monólito à paralisia cerebral é burro pa c... . 


 Aquilo que se depreende também, ou pelo menos foi o que pensou a pessoa que me mandou esta colagem, é que aquela tentativa de Português é dirigida à minha pessoa. Pode ser que sim, mas apenas por ter sido publicada dois dias depois de mais um episódio de "Pica Pau's silliest Facebook moments", e não pelo conteúdo que a criatura tenta ali expressar da forma que lhe dá menos jeito: sem recorrer a "tiros nos cornos", e "fdps", ou na função de dono do "blog" (LOOL), que quer dizer "grupo do Facebook" em mongolóide. É e seria sempre complicado entender o que está ele ali a grunhir, e se desta vez não há erros ortográficos, e nada posso dizer dos tempos verbais uma vez que há frases que consistem de palavras aleatórias seguidas umas das outras, a sintaxe no seu todo está aquilo que se designa por "Presépio fecal" - é perceptível a intenção de estruturar o texto recorrendo a figuras de estilo que representem uma ideia e produzam um efeito humorístico e até de pendor satírico, mas sai uma tremenda "cagada". Autorizo a Linguística a adoptar este conceito de "Idiomas que nunca o foram nem derivaram de nenhum outro", e não precisam de me citar - e insisto que por favor não o façam.


"O verme sabichão e o dono da razão" é, e temos que concordar em género e grau, uma frase intrigante. Para já ficamos sem saber muito bem se estamos aqui perante um ou dois sujeitos, uma vez que este alucinado Pica-Pau nunca nos deixa saber se o "e" leva ou não acento, uma vez a acentuação no geral daquele embrião abortado por eutanásia de texto em Português é errática; ora começa uma frase com "É" correctamente, ora na seguinte apenas com "E", e mal ora deixa três "e" sem acento, e só um deles não parece levantar dúvidas quanto ao seu sentido - mas repito, não dá para entender muito bem quem ou quantos vão com o quê ou qual. Não sei o que faz aquele "Copy & Paste" no início da segunda frase, mas sabem o que mais, parece ter sido posto ali por..."copy & paste". Sendo verdade, não creio que ali o badocha do LOOL se tenha apercebido do facto, pois mais uma vez somos assomados pela dúvida, que vai aparecendo à razão de palavra-sim, palavra-sim: "Copy Paste E a sua cara mostra estupidez..." ou "...é a sua cara mostra estupidez?". Assim de repente parece ser a primeira, mas nem sabemos o que faz ali o "Copy & Paste", e que sentido tem, e não há vírgulas que nos digam onde parar - é direitinho ao ponto final. RIP, LOOL.


A frase seguinte bem podia ser classificada como património, pois trata-se de um monumento erguido em honra a X, o santo padroeiro dos analfabestas - nem uma vírgula ou acento para a mostra, e o que interessa, se o que conta é a estética e a mensagem inclusa: "estudem e não sejam pica-paus armados aos cucos, senão acabam assim, num museu de LOOL." Digo "bem podia", porque nem quando podia atingir o ponto péssimo do esterco literário, mostra que nem para isso tem a falta de talento na medida certa: "Fala muito e diz pouco" é um momento raro em Picas, pois não só são cinco palavras (com o artigo "e") que junta com algum sentido, como transmitem uma ideia que até se aceitaria como "inteligente" - o problema é que neste caso não é garantido que fosse essa a sua intenção inicial, de todo. Há a possibilidade de na terceira palavra se ter esquecido do que escreveu nas duas primeiras, e lá se vai o sentido figurativo com os Pica-Paus caídos em combate para o cemitério dos passarinhos. A sequência "escreve muita merda para estúpidos lerem" faria algum sentido, mas não só peca pela falta de coerência, mas pior do que isso, detectam-se vestígios de um provável transtorno bipolar com tendência a ser violento; primeiro agride como um adolescente inepto e insolente, com "escreve muita merda", passando para um mais recatado "para estupidos lerem", qual criança pós-lactente em processo de semi-alfabetização, que considera "estupidos" o pior insulto que pode fazer ao que "lêem". Mesmo a ideia de "escrever muita merda" pode muito bem ser originalmente isso mesmo: escrever, o verbo; muita, de bastante; merda, de fezes. Literalmente! Ai agora estou a "variar", é? A exagerar, dizem? Então vejam:


Comecemos por tirar as dúvidas: o que se entende por "transpira muita estupidez para burro ler", a não ser o que lá está, sem tirar nem por? Se transmite uma ideia de "escrever disparates para um público...que não sabe ler, ou não percebe"? Alguém me sabe dizer como contactar com o David Lynch, que pode ser que ele tenha visto qualquer coisa assim numa das suas "trips" malucas? E depois, como se explica a existência de um "burro que lê", se quem nos diz é um burro que não sabe escrever? E este burro consegue ler no suor, enquanto os "estupidos" não lêem na "merda". Eu não estou a ver onde é que este tubo de LOL vai buscar estes deleites, mas desconfio que é a dieta dele. Só assim se explica o pivete a curral que sai quando abre a bocarra. Aquela dialéctica do "bruxo ou idiota" é interessante, e num contexto rodeado de palavras concretas que formam frases legíveis transmitindo pensamentos com nexo, podia muito bem remeter para o universo de Oz. Ou daquele psicopata de Leiria, o Rei Gob, mas duvido que aqui o outro Rei, o LOOL, tenha tido o discernimento para associar seja o que for com qualquer pessoa, coisa ou ideia, mesmo que abstracta. É como se estivesse aqui em estreia absoluta a arma de destruição maciça idealizada para destruir só e apenas a Língua Portuguesa. 

Como podem constatar, mantive a aparência original da frase no alinhamento do texto, e só faltava mesmo uma coisa destas para completar o ramalhete anti-lusofonia. Aquelas vogais ali em cima são a prova de como as letras se sentem perdidas no universo LOOL deste pobre acéfalo. Supondo que nos quer mostrar o fim  do nunca devia ter começado, ou ousado tentar, diz-nos que aquilo que estava antes "É a história" - e que não faz sentido que permita ser adjectivada de presunção tão nobre - "...do idiota que sabe tudo, frustrado revela falta de lucidez". O primeiro conceito é composto por um paradoxo interessante, "o idiota que sabe tudo", que é como aquele "pobre milionário", se bem que nesse caso a conclusão "...que nada tem senão dinheiro" é inspirado, e até revela uma certa veia poética, enquanto no primeiro caso estou quase convencido que o está a tentar sair pela janela do sanatório das línguas maltratadas é mesmo aquilo: quanto mais alguém sabe, mais idiota é aos olhinhos perdidos no mundo dos nomes, dos livros e das coisas que é o Pica. Quem quiser desatar o nó do "frustrado revela falta de lucidez" é bem vindo, e não se atreva a informar-me caso chegue a uma conclusão. E fiquemos por aqui, antes que chegue o zombie Camões e coma aquela casca de tremoço de onde os pensamentos perdem as pétalas antes de desabrocharem. 


Seja aquilo para mim ou não, a imagem que escolheu para ilustrar aquele...aquilo, seja o que for é mais uma daquelas coisas inexplicáveis - e não, isso não quer dizer que "ilustra na perfeição". Tenho duas teorias, uma que se justifica com o carácter infantilóide do Picas, e o outro prefiro nem considerar, pois pode ter uma conotação sexual, e até um violador dos mais vorazes pode parecer uma alternativa a este estroso poster-boy da retrogradação. Mas será que ainda existe esperança para este Pica-Pau, que no fundo é bom rapaz, mas não sabe juntar meia dúzia de palavras que formem uma frase com sentido?


Ah, bolas! Tarde demais: chegaram aos ratinhos e esqueceram-se das alforrecas arraçadas de amoeba. Fica para a próxima reencarnação, Picas. O quê, fardo de palha? A outra, então, e assim...lombriga? Deixa lá ó Picas, e manda mais postais, que eu junto tudo e mando para o Porto, e faz-se a com-pila-são da tua obra, em fascinantes fascículos, fascista de fachada. Porquê o Porto? Porque é ali que fica o LOOL e Irmãos, os do Dicionário. "Desconheces, LOOL"? É normal dentro dessa tua anormalidade, deixa lá. São uma daquelas coisas que se leva para a escola.