segunda-feira, 29 de junho de 2015

Mas o gato-to não morreu-eu-eu...


Estas são as imagens que chocaram os portugueses na última semana. gerando uma indignação tamanha, que nem um Oceano Pacífico de justiça lhes mata a sede. Não se trata da agressão que quase custou a vida a um agente da PSP no Vale da Amoreira, concelho da Moita, nem a do atentado terrorista naquela estância balnear na Tunísia que teve desta vez uma vítima mortal portuguesa a lamentar. O que indigna a minha gente é um "fait-divers", que muito reprovável que seja por princípio, toma proporções exageradas e ridículas, e pior que tudo, colocam em xeque as nossas liberdades e os direitos que usufruímos, emanados das leis, que são para todos cumprirem - todos sem excepção. E o que aconteceu afinal que deixou Portugal em polvorosa? A população de uma localidade transmontana completamente desconhecida até à última quarta-feira leva todos os anos a cabo durante as festas de S. João uma tradição perversa, que consiste no abuso de um animal. Em Mourão, concelho de Vila Flor, distrito de Bragança, parte da sua população de 104 (cento e quatro) habitantes queima um pau onde está colocado em cima, a vários metros de altura, um cesto, e dentro do cesto está um gato vivo. Pela primeira vez desde que a tradição se cumpre, que pode ser desde 1990, como desde 1143, alguém obteve um filme onde se vê o animal a fugir do cesto, sendo possível ainda ver parte do seu pêlo a arder. Vê-se isto e pouco mais, não se chega ver o gato morto, ou sequer ferido, e não, não entrevistaram o felino, dizendo estar "em agonia, por culpa da crueldade dos humanos". 

Vou deixar por instantes o tom trocista com que abordo estes temas de difícil "digestão", fazendo da chalaça um substituto das pastilhas Rennie, e vou falar a sério, pois isto é deveras preocupante. Há quem pense que a minha "frieza" na abordagem destes assuntos é indicativa de passividade, indiferença, ou até simpatia por quem maltrata outros seres vivos, quer por desporto, por maldade, ou até por prazer sádico. Julgo que não estamos em guerra para se tomar uma ou outra das posições extremadas, pois ambas me parecem assentar em emoções com que não me identifico de todo: de um lado temos gente que não bate bem e considera que assistir à morte ou ao sofrimento de um animal é o "máximo", e do outro lado os que acham que os primeiros deviam ser castigados, fazendo-lhe igual ou pior do que eles fizeram com o animal. Noção estranha, esta, de justiça. E já agora, o que os impede de exigir que o mesmo aconteça com os humanos que matam outros humanos? Porque será há um "lobby" tão grande contra a pena de morte, e nele encontramos pessoas que paradoxalmente defendem castigos pesados para quem comete abusos contra os animais? Bem, para começar, é menos arriscado ir atrás de quem mata animais do que quem mata humanos, e por outro lado há quem cometa o erro de pensar que na eventualidade de uma causa ser considerada "justa", ou legítima, vale tudo, até violar a lei - afinal foi por uma boa razão, ou não? Não. E a experiência diz-me que se não fosse pela ténue linha que separa o "devia ser" do "efectivamente", já teríamos assistido a muitas desgraças.


Neste caso do gato, fico perplexo com todo o alarmismo que se gerou à volta, e mais ainda com o aparecimento de um dia para o outro de um sem número de especialistas em Mourão, sabedores de exactamente tudo o que se passa por lá, o que aconteceu, como se sentem os animais domésticos e de quinta, das intenções malignas dos seus habitantes, e de como é preciso "travar Mourão antes que seja tarde demais". Eu confesso que não fazia a mínima ideia onde fica Mourão, e como podem ver precisei de recorrer ao Google Maps para localizar aquela merda, e foi o que já suspeitava: fica lá para o cú de Judas, atirado por Portugal para a Espanha, e desta para Portugal, ficando perdido algures junto do Montesinho (de esterco?). Nada contra o local ou contra as pessoas, que devem estar a ter um gozo tremendo com todo este mediatismo  - finalmente deram pela existência desta aldeia, que pelos vistos ficou parada algures no Paleolítico Inferior. Porque lá está: não estou nem nunca estive a favor da tal tradição, assim como nunca fui a favor do regime de excepção feito a Barrancos - ai podem-se matar os touros em Espanha? Então vão para lá matá-los, bolas! Porque temos nós que cumprir a lei e eles não? E isto aplica-se a qualquer lei, e não porque nos dias em que oiço a colectânea ¡Ole! - Los grandes éxitos de pasodoble de Andaluzia y Navarra me dá vontade de ceifar a vida a um touro. Se concordo com touradas e afins é outra conversa, mas não concordo que num lugarejo que esteja sob a alçada da mesma jurisdição que eu existam pessoas que "fazem o que querem", ora porque "acham bem", ou/e "foi sempre assim desde que se lembram". Pois, quem dera às vítimas da peste negra poderem dizer o mesmo.

Não tem a ver com a legitimidade que alguém tem ou não de maltratar um animal - porque não existe essa legitimidade, e mesmo o abate para o consumo de carne animal pelos humanos está regulado por lei, que obriga a que aconteça em locais apropriados e por pessoas registadas e autorizadas para o efeito. Neste caso devia alguém, quem sabe um jogral, ler de um papiro a ordem d'el rei que anuncia a proibição da "queima do gato", como eles lhes chamam. Ordem? Sim, lei. Existe? Existe, pois, vejam:


E pronto, aqui está a lei que temos, que até prevê pena de prisão de dois anos em caso de incapacidade parcial do animal! Uma lei feita para quem nem imagina que está protegido por ela! Ou por qualquer outra! Aliás, ia agora fazer uma piada parva, com o gato a ir ao posto da GNR de Vila Flor apresentar queixa e citar o artº 378º do Código Penal quando me lembrei: será que existe polícia em Mourão? A GNR já se sabe, estava a "analisar o vídeo", e depois de lhes explicarem 60 vezes o que aconteceu, eles abrem um processo. É que depois de anos a fio sem se saber que existia um lugar lá no meio do nada chamado Mourão onde se fazia a "queima do gato", uma queixa na polícia foi o suficiente para que se criasse esta bola-de-neve, e que de repente aqueles rústicos que nunca devem ter visto o mar, e desconhecem que existe internet, ou que foi inventada a vacina da gripe fosse de repente ordenada pela "civilização" para "parar com aquela prática cruel", e até se fez um abaixo assinado para o efeito, que já vai com 11 mil assinaturas! Uau! Para quê? Para fazer uma lei que já existe? Para proibir o que já é proibido? A lei é demasiado branda e é preciso chegar lá com forquilhas e tochas em chamas para lhes ensinar que a violência é horrível e não resolve nada? Ah, bem, fico mais esclarecido. Já tinha ficado com isto:


Epá isto é gravíssimo! Juro que estou a falar a sério: nunca tinha visto nada que fosse quase 100% mentira, fabricação ou exagero. Tudo com excepção dos artigos: se, das, um, de, à, e...desconfio um bocado daquele o e daquele outro as, mas tirando isso, dou-lhe o benefício da dúvida. Este Bruno Braga esteve lá e viu tudo, pois só assim pode ter tantas certezas daquilo que afirma, e só não se entende como foi capaz de permitir que se fosse em frente com o horrível acto. Começa logo com um exagero descomunal: "EM PORTUGAL QUEIMAM-SE GATOS POR DIVERSÃO NO S. JOÃO". Isto é terrível! Queres ver que daquela vez que fui ao S. João no Porto deram-me gatos e disseram-me que se chamava alcachofra? Achei aquilo um bocado fininho para ser um gato. Mas e um estrangeiro que pergunte se é verdade que isto é uma tradição dos portugueses no S. João, o que responder? "Bem, dos portugueses todos, todos, não...de 0,0000104% deles, e até à semana passada nem fazíamos ideia de que existia esta tradição". Cuidado se isto chega aos americanos, que quando eles detectam algo assim vão até lá e despejam napalm em cima de tudo o que vêem à volta e arredores, just in case, mudafucka. 

De seguida o bacano, um globetrotter da paz e do amor pelos animais (especialmente os cavalos) "ainda a semana passada andou a lutar contra um festival onde se comem cães na China, e agora isto". Realmente não há sossego para os heróis do bem, uma vez que o mal não tira férias. Escuta lá, ó palerma, andaste a "lutar" contra o quê? Não te vi lá em Tiananmen nem nada. Andaste aos gritinhos feito uma galdéria, a pensar que estavas a tornar o mundo melhor, foi ou não foi, sua maluca? A seguir apela a que as pessoas "denunciem". Primeiro basta que uma (1) denuncie, o que já aconteceu, e nem é preciso escrever aos James Bond, ao Papa e ao Peter Pan, e àquela gente toda que ali está para que se investigue. Finalmente penso que as autoridades têm televisão, vêm noticiários e antes que lhes venhas dar esta importantíssima informação já eles estão carecas de saber.

No último parágrafo dá-nos a receita do "gato assado", descrevendo ao mínimo pormenor um processo que ninguém conhecia até quarta-feira passada. E depois de toda aquela assadura, o gato não morreu - deve ser primo daquele outro a que "atiraram o pau", naquela cantilena entretanto censurada pelas associações dos direitos dos animais, que amam a liberdade (dos animais apenas, entenda-se). Agora uma coisa que eu gostava de esclarecer, antes de continuar. Quando soube desta notícia fique i obviamente perturbado, e continuo a achar que não se deve fazer aquilo com o gato ou nenhum outro animal de sangue quente (nem outro qualquer, para quê?), mas o que me chamou a atenção foi a forma como a notícia foi dada: "Gato queimado vivo". A sério, pensei que tivesse sido alguma brincadeira infeliz de uns adolescentes perdidos quaisquer, e estranhei, pois a juventude portuguesa  normalmente respeita certos limites. O que se entende por "queimado vivo"? Que agora está morto, claro. Não me digam "não necessariamente", pois toda a gente vai deduzir que a ênfase do vivo significa que morreu uma triste e violenta, queimando e sufocando lentamente. Perguntem a qualquer profissional da imprensa, porra!

Está vivo mas não vai estar, pois segundo o Bruno Braga, o bicho vai agora passar por um "doloroso processo, em que as feridas das queimaduras vão infectar, causando-lhe uma morte lenta e horrível".

-. Credo, e não há esperança, sei lá, do bichinho sobreviver? Não é necessário que morra e seja mártir por esta causa para a qual já toda gente ficou sensibilizada, quando inicialmente se sugeriu que tinha sido "queimado vivo".
- Nope, vai morrer e pronto. Lenta e dolorosamente.
- Mas ele saiu a correr, pode ser que tenha a energia para recuperar, já que aparenta gozar da sua integridade física, e tal...
-  Ah aquilo era ele a gastar as últimas forças, e correu porque estava com pressa para...ir morrer uma morte lenta e dolorosa. Nada a fazer.
Até parece que nem tinha piada se não morresse. Mas não faz mal, pois vai servir uma causa maior: não mais será permitido este horrível espectáculo, e pouco importa que já não fosse, de qualquer jeito, pois a lei proíbe - só que a malta ainda não tinha feito barulho, por isso a proibição ainda não estava "baptizada". Pouco importa que as pessoas de Mourão, que, repito, tem mais ou menos 100 habitantes e na sua maioria maiores de 50 anos garantam que "nunca morreu um gato durante a queima". E eles sabem lá, se só fazem aquilo há décadas, enquanto o resto do país viu o vídeo uma vez pela primeira vez e sabe logo que aquilo é o equivalente felino do Holocausto? Só podem estar a mentir, vejam só:


Aqui, num dos muitos comentários nos muitos média em que saiu a notícia temos este comentário de um usuário que se diz natural de Mourão - uma ave rara, portanto - e que garante que não morrem gatos durante a queimada, ao contrário daquela série infantil dos anos 60 cujo herói era um canguru-bombeiro, e que cada vez que era necessário fazê-lo entrar numa floresta em chamas mandavam um canguru-figurante, que depois não voltava. (Epá, pena que foi nos anos 60, senão o Bruno Braga ia lá "lutar" contra aquilo). Pode ser que este senhor esteja a dizer a verdade, e se concordamos ou não isso é outra conversa. Apresenta um discurso muito mais normal (e sóbrio) que o do Bruno Braga, que no fim de contas nunca poderia ter sabido o que aconteceu com o gato em Mourão se estava...na China, a "lutar" contra os CÃOnibais! Ora essa.


Mas se está a falar a verdade, este tal Trigo, então...não pode ser, pronto. Porquê? Ainda perguntam? Porque assim não há porrada, ameaças, violência, comparações parvas entre seres humanos e animais...Ainda não me responderam ao seguinte: se cada vez que um animal é agredido, fica doente, sente dor, fome ou frio, solidão (a sério) são-lhes conferidos os mesmos direitos a ser assistido, alimentado ou acarinhado como um ser humano - ou deviam ser, e não faltam defensores que é "exactamente o mesmo" - gostava já agora de saber quando é que vou poder exercer o meu direito a defecar na rua, ou a praticar o coito com a minha fêmea no passeio em frente de toda a gente - da minha ou de outra qualquer, como fazem os cães, esses felizardos. E para quem pensa que estou a levar isto para a gozação, permitam-me que recorde a vez que tive uma discussão "online" com uma tipa que censurou uma página da net  que falava de uma gata mutante, e tudo porque lá dizia que era "feia", e a coitadinha podia ficar "magoada" com aquilo. Juro, podem ler sobre o episódio aqui, e já agora recordo a aparência da gata:


Olha que linda que ela é, que dá vontade de ficar a dar beijinhos o dia todo, chuac, chuac. Garanto que iam adorar, logo que se habituassem ao cheiro a pus. Portanto, aqui esta gata arraçada de louva-a-deus ia ler o comentário por ela própria, ou esqueceu-se dos óculos naquele dia e pediu à tartaruga que lesse, e depois de ouvir que era feia chorou e foi escrever poesia para o Cais das Colunas? Este arraial de disparate que estou aqui a fazer desfilar não é mais do que a mesma coisa que dizem os fanáticos defensores dos direitos dos animais, que lhes chegam atribuir algumas das características mais especiais da espécie humana: saudade, remorso, sentido de ironia, sei lá, delírios. Aos que dizem que "quanto melhor conhecem as pessoas mais gostam dos animais" (e são cada vez mais estes adeptos da bestialidade), deixem-me dizer-vos que têm razão, e eu próprio assino por baixo: as pessoas são uma merda, e eu também adoro animais - são deliciosos! E por falar nisso:


Não podia faltar numa discussão sobre a queimada de um gato uma opinião parva e despropositada sobre "o sofrimento dos outros animais". Permitam-me agora ser tão honesto como muitas das pessoas com que falei hoje sobre o caso do gato: ESTE GAJO ACHA QUE O GATO TER MORRIDO NÃO INTERESSA! VAMOS CAPÁ-LO COMO SE FAZ AOS CACHORRINHOS! É isso que ele diz, realmente? A certo ponto desvaloriza o sofrimento do gato, pois as vaquinhas, coitadinhas, não têm sequer um T1 onde possam dar uma cagadela sentadas enquanto lêem a Elle - e nós aqui preocupados com a habitação em Macau, onde chegam a viver nove ou dez pessoas na mesma casa, enquanto as galinhas passam a totalidade do seu estado pré-KFC ou Frango da Guia num espaço onde os pintainhos não podem fazer os trabalhos de casa. No fundo a mensagem que ele quer passar é que a revolução dos bois está próxima, e vai tê-la como líder. 

E vejam aquelas acusações que o gajo faz não sei a quem, ainda por cima em tom provocatório, como se o resto da humanidade fosse culpada por se tratarem mal alguns animais para obter o leite e os ovos e o atum e o tanas. Ora bem, estes são os que um dia acordaram grávidos, e por culpa dos enjoos deixaram de comer carne, acharam que essa é a opção correcta para ele, e assim sendo, é também a opção mais correcta para o resto da humanidade. Quem discordar desta nova tomada de consciência que os animais "são iguais a nós", e por isso não os devemos comer, pois nunca nos comeríamos a nós mesmos - é mais ou menos isto o que estes defendem, os Ricky Gervais desta vida  e companhia. - não merece respirar. Mas para vocês um recado - melhor, dois: primeiro, quem já comeu um bife ou uma tijela de canja na vida, é tão culpado dos "cadáveres" naquela "morgue" a que chamam os supermercados, quanto alguém que come carne todos os dias - não vai ser porque Estaline ordenou matar milhares de russos que Charles Manson se livrava da prisão com o argumento de que "só" matou meia dúzia de pessoas, e isso "não é nada". Segundo, se os animais fossem dotados de raciocínio e possuíssem uma capacidade cerebral igual à dos seres humanos, era tanto ou mais filhinhos-da-puta que eles. Podem crer, arranhar e morder é para meninas; traição, burla, chantagem - eis alguns dos "truques" que falta aos animais aprender para sobreviver na cadeia alimentar, onde estamos sentados no topo.


Este gato bem podia ser parente da gata cuja imagem deixei mais acima, ou podia ser ainda uma descoberta feita por arqueólogos nas pirâmides de Gizé, de algum gato mumificado, bem como simplesmente uma fotografia qualquer retirada da internet. Esta imagem tem andado a circular como sendo o  do gato usado na queima de S. João em Mourão. Ai sim? Eu acho que foi este:


Possivelmente. Ou quem sabe este:



E já agora o tareco do ano passado manda cumprimentos, também:


E podia ficar aqui o dia todo a fazer isto, pois o que estas imagens têm em comum é o facto de qualquer uma ou nenhuma poderem ser a do gato em questão. No entanto bastará espalhar nas redes sociais uma delas, e temos os defensores dos direitos dos animais mais radicais prontos a julgar e deliberar no sentido de que "quem fez isto, merece um castigo igual ou pior". É possível que tenha  andado a pregar aos ventos todos estes meses em que tenho publicado comentários de pessoas que imaginam os castigos mais atrozes e inumanos a outras que maltrataram animais, e em alguns casos outras que recolhem e abrigam animais abandonados, mas são criticadas por não dar a comida indicada ao gato, por não colocar o cão com a  perna partida na posição correcta, ou por deixarem qualquer um destes engordar, por não os levarem "a fazer ginástica". Estas críticas vão  da sugestiva à insultuosa, chegando em muitos casos a atingir o insulto. Postar uma imagem destas alegando ser a do gato de Mourão e ter estes fanáticos do seu lado é como pescar peixe num barril, ou pôr uma cenoura na frente dos olhos de um burro para o fazer andar. Contudo, aos olhos da justiça que (felizmente ainda) vigora, isto é uma desonestidade, e em sede própria, ou seja num julgamento, poderia muito bem constituir crime de falsificação de prova. Pensem nisto: qual é o tipo de casos em que se recorre à falsificação de imagens, testemunhos ou outro meio de prova? E faz-se por uma causa que valha a pena?

Pode ser que que digam que sim, mas eu discordo.  Em vez de ver pessoas (justamente) indignadas e a envidar esforços no sentido de não deixar isto voltar a acontecer, vejo pessoas com sede de vingança, mais preocupadas em "fazer pagar" pelo mal cometido, do que a pressionar junto de quem deve fazer cumprir a lei, que de tanta culpa que tem no cartório até chegou a emitir este comunicado:


Pois, agora estão a "tomar diligências no sentido de identificar os autores". Olha, deve ser difícil, entre 100 habitantes que fazem a mesma coisa há décadas, senão séculos, com a GNR a assobiar para o lado. Este ano, olha, azar, deu-se um "gatoleaks" e agora alguém tem que ir fazer de bode expiatório. Grande porra. Mas também o que se pode fazer perante a ditadura do "politicamente correcto" e ao mesmo tempo tão hipócrita que mete dó, onde ainda por cima se colam os "fixarolas"? Vejam o que escreveu no seu blogue Nuno Markl, por exemplo:

O gato, desesperado, acaba por saltar daquela altura gigantesca – gigantesca até mesmo para os dotes de salto de um gato – e, mais terrível ainda, salta de lá e foge em chamas. E o povo ri. E celebra. Numa pesquisa que fiz no Google sobre esta tradição, encontrei um depoimento de um idiota qualquer que dizia, sobre a tradição da Queima do Gato (que, no fim de contas, parece ter largado oficialmente o boneco para regressar à tortura de um animal real): “Calma, que não acontece nada ao gato – a não ser um grande susto!”
Permitam-me discordar desta frase imbecil a vários níveis. Só um “grande susto” (colocar um animal cercado a uma altura tremenda e obrigá-lo a saltar dali para escapar a uma morte pelo fogo) já é desumano. Pura e simplesmente desumano. Não tenho dúvidas quanto a isto: uma pessoa que se regozija com a ideia de celebrar uma festa pregando “um grande susto” a um gato é uma má pessoa. 

Interessante, como Nuno Markl se indigna perante um gato de uma festa de uma aldeia em nenhures que até um dia destes não se sabia da existência, quanto mais da tradição cruel que ali se realiza - e sempre se realizou, com ou sem a indignação geral instantânea e sazonal - o sabor do mês. Com que então "um susto" daqueles é "desumano", e a pessoa "que se regozija" a pregar sustos aos outros "é má pessoa". Gostava de ver o que escreveria o Nuno Markl sobre as praxes académicas, por exemplo, que não sei se estão ou não recordados ainda recentemente causaram a morte a um jovem, após um infeliz e esse sim, estúpido acidente na praia do Meco. Se calhar nesse caso em particular não interessa muito condenar a tradição, ou juntar milhares de assinaturas exigindo o fim das praxes académicas, pois afinal o que é um jovem morto, perante o horror e o drama de um gato chamuscado (este raciocínio é tão desonesto que me sinto mal em fazê-lo, mas infelizmente é certeiro; paciência, fui obrigado a rebaixar-me).


E que tal ainda demonstrar a mesma fúria, a mesma raiva e o mesmo choque perante esta outra "tradição"? Sim, a comparação já foi feita por outros, mas permitam-me acrescentar isto: se UM gato que fica chamuscado (é tudo o que sabemos, digam o que disserem: que está na hospital da CUF a levar com morfina para as dores, ou em MIAUlibu de férias com as gatas dele) por culpa de uma tradição bárbara que acontece NUM festival que ocorre UMA vez por ano há toda esta indignação, revolta e apelos ao linchamento de uma aldeia inteira, então e isto? São vários touros, várias vezes por ano, a serem espetados com ferros afiados e a esvair-se em sangue mesmo debaixo das barbas de toda a gente, em recintos situados muitas vezes no centro de idades, com milhares de espectadores (selvagens?) a assistir e aplaudir! Talvez seja a minha medida que está errada, mas aqui teríamos um bom pretexto para...uma guerra civil, no mínimo? Não, claro que não é hipocrisia, que disparate, porque o gato...filme de terror...não sei quê...pois, eu sei, fica mais fácil e dá menos chatices irem meter-se com uns labrostas analfabetos atirados lá para o meio das montanhas do que com a malta das touradas, que vive em herdades enormes, e têm montes de nota, e são uns queridos, não são? Vá lá não se irritem, que eu abstenho-me de vos chamar COBARDES DE MERDA, que é a única definição que me ocorre, assim de repente. Não sou tão mauzinho assim, então?

Também não sou "insensível", mas estas coisas não me chocam, e não é por ter visto demasiados filmes de "Tom & Jerry", onde o gato era normalmente o saco de pancada, não sei se estão recordados. É que praticamente todos os dias vemos imagens piores do que a do gato a correr feito o "Speedy Gonzalez", miando histericamente, e nem tenho certeza se o som foi editado (já viram que os miados são muito, mas muito mais altos que o som no resto do filme?) Imagens piores em que as vítimas são seres humanos, e às vezes crianças, também queimados, degolados, a verter sangue e tripas, a loja dos horrores completa. Devo pedir desculpa por não fazer como os mui sensíveis e "civilizados" partidários da "igualdade de direitos" para os animais, se quando olho para imagens ou leio notícias de maus tratos aos  mesmos "me dá uma pontada no coração", e depois "cerro os punhos de raiva", e já "com uma lágrima a escorrer-me do rosto", juro vingança: "malditos...que vos aconteça cem vezes pior mas com ácido sulfúrico, e no fim vos seja removida  a pele e mergulhados em salmoura", ou ficar a desejar que aconteçam tragédias onde morram milhares de pessoas, ou ainda...


...alegar que outras catástrofes se devem à "ira divina", que destruiu aldeias inteiras, como castigo por causa de um festival onde se matam uns búfalos e cuja maioria das vítimas do terramoto não tem qualquer relação. Eu não pactuo com isto nem reconheço qualquer legitimidade nestas pessoas. Não lhes desejo a morte ou nenhum mal porque não sou um troglodita como elas, mas espero muito sinceramente que se f..., e especialmente que não me chateiem. 

Mais uma vez recordo: não aprovo a tradição do gato queimado em Mourão, mas não vai ser na posição de antagonista e chamando as pessoas de "selvagens" que lá vamos, meus amigos. Basta pedir que as autoridades cumpram a sua obrigação e façam cumprir a lei. Simples. Chega-se ali e diz-se: "pois é meus amigos, eu sei que isto é lá de tempos remotos, e tal, mas o escorbuto também era, portanto acordem para a vida, bem vindos à modernidade" - aliás é engraçado como vetamos as pessoas ao isolamento e depois esperamos que sejam tão "up to date" como nós. Ir lá insultá-los, ou humilhá-los à escala nacional, como estão a fazer, recorrendo à ameaça (que é um crime público, só para que se lembrem) sugerindo que "se não forem a bem, vão a mal", não os vai tornar mais dóceis ou obedientes. Nem a eles, nem a ninguém, especialmente quem  está ciente que nós não temos autoridade para lhes impor seja o que for. Na pior das hipóteses reagem, nós respondemos, gera-se um ciclo de violência atrás de violência, e no fim acabamos todos mortos, helas. Quando isso acontecer, vem o gato de Mourão, com o pelo imaculado, frondoso e bonito, já sem medo de água fria (gato escaldado...perceberam?), e tudo graças ao fim da tradição que o punha a dar pinotes e a miar tão alto que já se ouvia em Zamora, e mija em cima dos cadáveres. Exacto, pois de todos os actores desta paródia, o gato ou qualquer outro animal no centro das brigas entre os humanos pela sua protecção são os únicos que não fazem a mínima ideia do que se passa. Deve ser uma missão gratificante, ao ponto de fazer certas figuras. Animais sim, fanáticos nunca. Tenho dito.


domingo, 28 de junho de 2015

Me gustas tu...perdón, cu


Se Luis Suarez tem por hábito provar os adversários para saber se estão bons de sal, a selecção do Chile tem um jogador que...hmmm...chamá-lo de médico da próstata sem licença não parece lá muito correcto, até porque esses costumam avisar antes de invadir o pátio do paciente. Apesar das inúmeras possibilidades que um evento como a Copa America proporciona, não me parece que um jogo internacional seja o local indicado para realizar esse importante exame - o estádio onde o jogo dos quartos-de-final entre o Chile e o Uruguai, na capital chilena, chama-se Estádio Nacional Julio Martínez Pradános, com "o", e não "Pradânus". Gonzalo Jara, assim se chama o o nosso "artista", que não é lá muito bom artista, diga-se de passagem. O pior é que na hora de representar mal e porcamente (e queria aqui acentuar este "porcamente") tem um público ainda pior, que o aplaude, só para depois ser "assassinado" pela crítica.



Parece confuso mas conta-se em poucas palavras. Na partida dos quartos-de-final da Copa América, entre o Chile e o Paraguai, o defesa-central chileno fez uma marcação "especial" a Edison Cavani, impedindo que o prolífico avançado uruguaio fizesse golos, ao mesmo tempo que ia vendo se ele tinha um ovo que estivesse prestes a por. Assim, e com menos de meia hora para jogar e o resultado em branco, Jara sentiu vontade de dar uma alegria ao seu público, que encheu o estádio de Santiago com esperança de festejar a passagem às meias-finais, e fez o que se faz nessas situações: enfiou o dedo no cu de Cavani. Posto isto, o avançado reagiu (pois...), deu-lhe um chega para lá que nem lhe  chegou a tocar de leve, e Jara atira-se para o chão a segurar-se a uma zona aleatória do rosto, uma vez que Cavani não o atingiu em parte nenhuma da cara. O árbitro "só" viu esta parte, e como Cavani já tinha um cartão amarelo, acabou por ser expulso, e em vantagem numérica o Chile acabaria por marcar o único golo do encontro por Mauricio Isla, faltavam dez minutos para os 90 regulamentares, e o Chile marcava encontro com o Peru nas meias-finais da prova, mas não vai contar com o dedinho mágico de Jara, que depois do visionamento das imagens pela televisão foi expulso do torneio. Pois é, eles agora gravam essas coisas e tudo. Que azar, Jara.



Mas parece que o defesa é já famoso por este tipo de "marcação homem-a-homem", que como se pode deduzir, agradará menos a uns do que a outros. Neste vídeo mais recente vemos outros casos de "dedanália" do chileno, e entre as vítimas está o infame Luis Suarez, que apesar deste ultraje, não o mordeu - ou não estava com fome naquele momento...ou então gostou! Jara tem 29 anos e joga actualmente nos alemães do Mainz, depois de ter passado por vários cus ingleses...perdão: clubes ingleses, nomeadamente o ASS West Bromwich Albion, Brighton ASS & Hove Albion e Nottingham ForASS Forest. Este tipo de comportamento que tem por fim intimidar e irritar o adversário é muito comum, e aprende-se cedo. A malta das camadas jovens do Montijo contava-me que era frequente acontecerem contactos a este nível durante as marcações dos pontapés de canto, quando estava tudo a olhar...para o canto, por supuesto. Entende-se, no amor e na guerra vale tudo,  e já agora no futebol também, permitam-me acrescentar. Mas depois a gente cresce, ó Jara...tem juizinho, rapaz.


Cinco! Fünf! É só! Das ist alles!



Esta foi para os livros: 5-0. Podia escrever como foi, e que agora estamos na final do Euro de sub-21, mas para quê, se isso já toda a gente sabe, e as imagens falam por si? Talvez devesse apenas fazer esta pergunta: isto trocado em dinheiros, quantas tranches da dívida ajudava a pagar, sra. Merkel?


sábado, 27 de junho de 2015

Os ingleses são burros (e eu tenho razão!) - parte III


Esta é a última parte de três artigos que dedico à temática da burrice dos ingleses como contraponto à pristina e imaculada luminosidade das minhas asserções de cariz social e antropológico. Resumindo tudo o que foi dito até agora numa frase, seria "Como eu já tinha defendido, o racismo não existe, foi uma invenção de ingleses e americanos, e serve para perpetuar intrigas parvas e promover a segregação". Nos outros dois artigos socorri-me de exemplos mais ou menos recentes com o mundo do futebol como pano de fundo. O futebol é sem dúvida campo fértil para semear o engodo do "racismo", pois apela às emoções, e não há fertilizante melhor que o clubismo, outro fenómeno "grunho" que chega mesmo a dividir famílias e amigos de longa data. Depois de termos visto como o facto dos jogadores de sub-21 da Inglaterra tomarem as suas refeições na companhia de outros do mesmo grupo étnico é "um reflexo da situação racial na Grã-Bretanha", e de como existem apenas 7 treinadores pretos nos 72 clubes da liga inglesa, quando mesmo a proporcionalidade étnica diz que deviam existir pelo menos mais três, hoje vamos aprender como se deve falar com uma puta de outra etnia enquanto se dá uma f... nela. Convém saber estas coisas, para não dar aso a mal-entendidos.

O Leicester City é um clube da Premier League inglesa, situado na cidade capital do condado de Leicestershire, a duas horas de carro de Londres, na direcção, à floresta nacional. A cidade de 350 mil habitantes é uma das mais etnicamente diversificadas do país, com "apenas" 50% de brancos, e uma forte presença das comunidades indiana e paquistanesa, que compõe perto de 30% do total do ramalhete rácico. Parece o local ideal para proliferar o racismo, este ambiente multi-cultural, e surpreende-me como ainda teve início uma guerra civil. Tal como muitos outros clubes médios do futebol inglês que não vivem das boas nem das macacadas dos adeptos, o Leicester é propriedade de um grupo ou empresa com capitais estrangeiros, neste caso a King Power, uma empresa tailandesa de produtos "free-duty". O presidente deste empresa é também a sua face, e proprietário de facto da equipa de futebol: Vichai Srivaddhanapraba, que, pasme-se, é tailandês! Um tailandês CEO de uma empresa tailandeda??? Já vi tudo!

No final da época passada, o Leicester conseguiu a manutenção na Premier após uma sensacional recuperação, vencendo sete dos últimos nove jogos, onde somou 22 dos 41 pontos que lhe valeram o 14º lugar na classificação - um regresso "emocionante" ao escalão principal, depois de dez anos nas divisões secundárias. No final da época o presidente Srivaddhanapraba levou a equipa numa pequena digressão à Tailândia - não sei se foi recompensa, ou se estava simplesmente a exibir os cachorrinhos que comprou na Inglaterra. Com a maior parte dos habituais titulares em férias (os estrangeiros iam logo depois do árbitro apitar no último jogo, se pudessem), o treinador Nigel Pearson levou vários jogadores do plantel da equipa dos sub-21 do Leicester, que disputou o campeonato nacional da categoria, terminando num excelente 6º lugar. Foi neste ambiente de festa, ingleses, juventude e futebol que se deu na Tailândia...RACISMO! (dizem eles, os palermas).


Três jovens da equipa de formação do  Leicester: James Pearson, defesa, 22 anos; Tom Hooper, avançado, 20 anos e Adam Smith, guarda-redes, 22 anos, são os grandes "pecadores", uns meninos muito marotos. Ei-los aí na imagem em cima, e penso que não necessário quem é o guarda-redes, pois é o único que aparece vestido, e ainda por cima vestido de guarda-redes. Ao meio está Hooper e à esquerda vemos Pearson, e os dois aparentam estar especialmente divertidos. Pudera, pois foram fazer aquilo que muitos turistas fazem quando visitam à Tailândia: foram às putas. Dizer que "foram" é um tanto ou quanto enganador; quem já foi à Tailândia está cansado de saber que são as putas que vêm ter com o potencial freguês, que depois pode ou não aceitar a proposta. Os três da vida airada aceitaram, e logo aqui cometem uma falta gravíssima: desrespeitam a sua entidade empregadora, neste caso o seu clube, que os levou à Tailândia no contexto da sua actividade profissional, mesmo que nesta caso sejam jogadores com contrato, mas sem jogar na equipa principal - resta saber quem dá as "folgas" no Leicester, e que recomendações são dadas aos atletas sobre o que podem e não podem fazer, e a que ponto são dissuadidos deste tipo de comportamentos.

Aposto que os técnicos e outros responsáveis do clube inglês se estavam nas tintas para o que os jogadores faziam durante o tempo em que não estavam a ser exibido em parada como caniches numa exposição - até acredito que eles próprios foram dar também um "tirinho", quem sabe? O problema é que os três patetas FILMARAM a paródia com as putas no quarto do hotel. Hmmm...do hotel, ou DE UM hotel? É que se esta conduta é condenada pelo clube, dificilmente estariam tão à vontade para levar companhia para o quarto do hotel durante uma digressão, ainda mais sendo fácil detectar que não seria para conversar. Mas mesmo que o tivessem feito às escondidas, filmaram tudo, e partilharam a pouca-vergonha nas redes sociais com os amigos. Há aqui uma coisa que me custa a entender: esta gente é toda retardada mental ou quê? Filmam e divulgam? Isto? Permitam-me um desabafo mais arrojado: foda-se!

Os rapazes acabariam por ser despedidos do clube, que terminou os seus contratos por justa causa - e fizeram bem, pois isto não é exemplo que se dê, tendo ainda por cima registado com orgulho a proeza, que acabaria por "derramar", e ser visto por...toda a gente que  o quisesse ver?. Foram despedidos e bem despedidos, e penso que só pelo comportamento em si já seria razão mais que suficiente. Mas esperem! Há mais! Eles foram RACISTAS com as meninas, que estavam ali a trabalhar no ramo, coitadinhas, em troca de nada mais que...dinheiro. Hmm. A imprensa tablóide descreveu o episódio como "orgia doentia acompanhada de acto nojento de racismo". Nossa senhora! Não me digam que os rapazes acorrentaram as pequenas e obrigaram-nas a construir monumentos de pedra em honra de deuses pagãos, ou então venderam-nas ao primeiro navio fenício que por ali passou. Já sei: fizeram uma OPV à empresa onde as pobres tailandesas trabalhavam, despediram-nas e substituíram-nas por inglesas brancas! Hmmm...também não, e além de não existirem muitas inglesas brancas interessas no emprego destas tailandesas, a maioria dos clientes consideram que as coisas estão bem como estão. Então que "racismo" é este afinal?



Aqui o está o vídeo editado por quem lhe deitou as mãos em cima, e para azar dos rapazes foi o Daily Mirror, um dos tablóides mais nojentos, conhecido por publicar muitas vezes factos distorcidos e exagerados (mentiras, enfim). Reparem que não aprovo NADA do que estes três bifes da (cabeça) vazia fizeram, mas o "racismo" que alegam ter acontecido tem muito pouco ou nada que se insira nessa definição, mesmo a mais radical e ilusória que estes gajos estabeleceram para levar a cabo esta farsa. Por volta dos 50 segundos, mais segundo, menos segundo, é possível escutar um dos jogadores do Leicester dizer "Lick it, lick it...slit eye" - mas prestem mesmo atenção, e é possível que não dê sequer para perceber bem da primeira vez, de tal mal que se ouve, e da rapidez, indiferença e absolutamente nada de pérfido, pernicioso ou em tom de incitamento ao "ódio racial", o que seria de esperar daquilo que o Daily Mirror descreve de "abuso racial". Não acreditam?


Um escândalo, sem dúvida, a quantidade de MENTIRAS contidas num simples cabeçalho, da primeira à última palavra. Primeiro estes não são "estrelas da Premier League" porra nenhuma: Hopper NUNCA pisou a relva num jogo do escalão principal, Pearson entrou como suplente num único jogo, e Smith sentou-se por nove vezes no banco, na condição de guarda-redes suplente, a única substituição que um treinador nunca quer fazer. E "racist orgy"? Portanto, eles os três, suponho que três putas também, um comentário que se traduz para "olhos em bico", mas que 'ganda "orgia racista, pá! Até saía dali fumo a cheirar a salsichas do Terceiro Reich. Aquele aviso no vídeo parte-me todo: "contém linguagem racista e cenas de natureza sexual"? Onde? O vídeo está editado da forma mais desonesta que se pode imaginar: não se vê nada que prove aquilo que o jornal alega, e o comentário que o jogador traduz-se rigorosamente para "chupa isto, olhos em bico". O que entendo por "abuso racial" é muito pior do que isto. Se "abuso racial" é assim, o que eu oiço os chineses dizerem de mim - que me deixa absolutamente indiferente - é no mínimo "genocídio racial".  E as reacções a tudo isto?


Se queriam uma "orgia", aqui está ela, e até dói só de olhar! Insulto a todos os tailandeses? Caridade quer saber se as prostitutas eram menores de idade? Condenação do director da comissão europeia anti-racismo? Mas está tudo maluco ou quê??? Estes pacóvios do Mirror vão ao ponto de escrever que "obtiveram declarações" das prostitutas, que lhes disseram "que nunca foram tão humilhadas". Primeiro não acredito, e segundo se dissessem, provavelmente teriam sido pagas para isso, e para aquilo que eles quisessem que fosse dito/feito/chupado, porque são PROSTITUTAS!

Meus amigos, não me levem a mal, mas estamos aqui a falar da Tailândia, onde a indústria do sexo é o ganha-pão de milhões de pessoas, e sem a qual a maioria dificilmente se livrava de uma miséria extrema e da fome endémica. Em nome desta indústria prostituem-se famílias inteiras de mulheres, homens e crianças, que anunciam abertamente e no meio rua os "serviços" que oferecem, acenando com o exotismo de uma "orientalidade" que agora dizem vilipendiada, e tudo porque um jovem estrangeiro disse "olhos em bico" durante um acto de sexo pago, como muitos que à mesma hora decorriam praticamente um em cada esquina, na capital tailandesa. 

A diferença entre o comportamento destes jovens e dos restantes turistas badalhocos que se calhar até requisitam o serviço de "menores de idade", preocupação-mor da caridade referida no jornal (deve ser frustrante combater o sexo infantil na Tailândia) não tem tanto a ver com o que disseram - agora apelo ao leitor que tem esta experiência - ninguém em particular, isto é com os vossos botões: o que se diz a uma prostituta durante a "prestação do serviço" que ela oferece? Exacto: nada, e quanto menos melhor. E na eventualidade de se querer chamar a atenção para algum aspecto técnico, fazer uma sugestão, reclamação ou ainda expressar verbalmente uma fase de maior excitação? Eu até acho que uma conversa de 10 ou 15 minutos com uma pessoa que nunca vimos na vida antes de lhe introduzir o falo pela vulva acima parece-me boa ideia, mas estas "profissionais" é que estão sempre com alguma "pressa" - talvez porque durante esse tempo podiam fazer o dobro do dinheiro? Para bom entendedor, etc. Agora de todas as coisas que se dizem a uma prostituta, "olhos em bico" ficaria provavelmente no último terço da lista de obscenidades, insultos e comentários humilhantes para a condição feminina. Talvez o rapaz devesse ter dito "Chupa, chupa aqui olhos em bico, se faz favor". Este "se faz favor" podia ter feito toda a diferença.


Este é o treinador do Leicester City, Nigel Pearson. Se alguém está a prestar atenção a todo este verbatim que estou aqui a debitar, vai achar esse nome familiar. De facto não é nenhuma coincidência que o técnico do clube envolvido neste "escândalo lesa-pátria, mata-mouros, mosca-da-fruta" tem o mesmo apelido que James Pearson, um dos três mosqueteiros RACISTAS! (coitados dos miúdos, sinceramente..): Nigel é o seu pai, e como responsável técnico pela equipa, teve que responder pelo comportamento dos atletas, e lá está, do seu próprio filho. Eu não gosto de Nigel Pearson, que é um daqueles ingleses que mete nojo, bruto como as casas, que fala com a boca cheia de favas e está sempre bêbado - e é melhor mesmo que esteja, pois isso pelo menos explica certas afirmações e comportamentos anómalos da sua parte. Talvez por ser uma besta não tenha mão no filho, e a este último nunca terá lhe passado pela cabeça que a sua conduta podia não só prejudicá-lo, mas colocar o pai numa situação delicada. Se não pensou, talvez seja também o miúdo uma besta, e isso pode-se explicar pelo facto de ser filho de quem é - trata-se aqui de um ciclo vicioso da boçalidade própria dos habitantes das ilhas britânicas.

 Por isto tudo, e só por isto, tal como James foi juntamente com os colegas expulso do Leicester, também Nigel Pearson devia ter apresentado a demissão, pois ficou sem "chão" para pisar no clube. Se não consegue evitar que o filho vá "às meninas" numa campanha do clube, convidado pelo proprietário do mesmo para o país deste, e onde supostamente se devia comportar a um certo nível, o que dizer do restante grupo? Mas perante esta autêntica "caça às bruxas" movida pelos agentes provocadores dessa logro que é o "racismo", sinceramente fico até com pena do gajo, que ainda por cima é embaixador feito à força de uma associação de CHULOS e PARASITAS que dá pelo nome de "Kick It Out", que é suposta encontrar racismo no futebol e depois..."kick it out". Oh, oh. Suponho que se não houver racismo no futebol, alguém vai perder a (generosa) subsidiação que recebe através da CHANTAGEM que faz a quem depois se sente sem nenhuma outra opção que não arrotar com o cacau. Senão vejam: um tipo de uma dessas associações chega ao pé de vocês, pede uma notinha, fáxavor, e se não derem é porque são racistas, e amanhã ao sair de casa vão ter desconhecidos a insultar-vos na rua, velhinhas a bater-vos com o guarda-chuva e os cães a mijarem-vos na perna. Não dão, apesar de saberem que estão ali a sustentar um c... que achou que estudar é preciso, e tal, por isso deixa pegar numa treta tipo "acção social" ou outra que seja necessário não fazer a ponta de um corno? Ai não é que não dão coração. Só pelo tal comentário dos "olhos em bico", quiseram arruinar a carreira dos tipos:


Aí está, apesar do assassinato da imagem que foi feito pela imprensa tablóide, que levou os próprios adeptos do Leicester a exigir que "expulsassem os racistas do clube" (queria ver se algum dos três fosse preto, como ia ser - ou não ia ser) tanto Hooper como Smith encontraram clube - vendo bem, nos tempos que correm é raro encontrar jogadores com o mínimo de qualidade na posse da totalidade do seu passe, e com isso não precisar de pagar a transferência. Mas que clubes foram contratar estes "malvados racistas"? Só pode ter sido o Ku Klux Klan Football Club e o Apartheid United, suponho. Não, e parece que foram clubes reais, daqueles que existem e tudo. O Scunthorpe United contratou Hopper, que já tinha estado no clube por empréstimo do Leicester na época que terminou, marcando quatro golos em 12 jogos da League One inglesa (terceiro escalão). Apesar da campanha negra movida contra o atleta, os responsáveis deste clube dizem conhecer "o seu verdadeiro carácter". Eu diria antes que têm consciência de que isto é tudo uma tremenda palhaçada, isso sim. Já o guarda-redes Adam Smith assinou pelo Northampton Town, que foi 12º classificado da League Two (quarto escalão) na época transacta, e tem no seu plantel dois guardiões com 38 e 31 anos - este veio mesmo a calhar. Smith diz que ao serviço do seu novo clube "vai-se esforçar para combater o racismo". Ó rapaz, eu no teu lugar apanhava era as bolas que fossem rematadas à tua baliza, que essas é que contam. Ou pelo menos devia ser tudo assim, tão simples.

Reparem no entanto na insistência do jornal na falta cometida pelos jogadores na Tailândia: "Scunthorpe assina avançado caído em desgraça após orgia racista na Tailândia". Adoro estas afirmações cobertas, tal como adoro "palmiers" cobertos (destes gosto, da outra coisa não). Então ficamos por aí mesmo, aquilo foi "uma orgia racista" porque o Mirror diz que foi, e pronto. Estavam lá a fazer de colchão, é por isso que podem afirmar isto com tanta certeza. E na notícia de Smith a mesma coisa, e curiosamente ambos os cabeçalhos terminam com as mesmas palavras: "orgia racista na Tailândia". Imaginem agora que tanto o Scunthorpe como o Northampton começavam a perder patrocinadores, e tudo porque contrataram para o seu plantel uns "racistas", ou que os adeptos se juntavam e exigiam que se desfizessem os negócios? Tudo bem, estes putos não são um modelo de virtudes, mas precisam de ficar a pagar toda a vida por aquilo que um deles (e não se sabe qual) disse numa circunstância onde nem sequer é assim tão descabido quanto isso? Tudo bem, os miúdos são uns tansos, uns patetas e não sei quê, e provavelmente não têm nível nem cultura (e neste caso, nem cuidado) para saber que não se devem proferir insultos de teor étnico - e para ajudar a acabar com isto incluo "olhos em bico" nesse lote, pronto - mas será que merecem morrer de fome? Tudo o que sabem fazer na vida é isto, e por causa deste incidente, nenhum clube os deveria contratar em circunstância alguma? Danados para toda a eternidade, assim, por causa disto que acabei de enunciar exaustivamente? Fica ao vosso critério, e se acham que o castigo se adequa ao "crime".



E até parece que estou a adivinhar chuva. Ooops, o melhor é mesmo ter cuidado quando uso expressões do léxico popular, ou sou acusado de ser coisas que nem imaginava ser. Foi o que aconteceu ainda ontem com Dunga, seleccionador brasileiro, que durante uma conferência de imprensa cometeu o grande erro da sociedade dos nossos: não passar o que se diz pelo detector de sensibilidades alheias. Quando lhe perguntaram sobre o que achava das críticas que lhe eram feitas como jogador, Dunga respondeu que era criticado quando fazia mal, e também quando as coisas corriam bem, ilustrando esta afirmação com o que suponho que será a versão brasileira de uma expressão também nossa: "até parece que sou preto". Eu recorro a muitas expressões correntes, mas por acaso esta não - mas só porque não calha - mas entendo perfeitamente quando alguém se queixa de ser o "pau para toda a obra" e ainda por cima ser criticado por isso exclamando: "mas eu sou preto ou quê?". Não vejo nisso qualquer tipo de injúria aos "Afrodescendentes" (palavra aparentemente usada por Dunga), e se eu fosse um, começava a ficar um bocado incomodado com tanta mordomia, e um tipo de "protecção" que supostamente deveria fazer esquecer um passado triste, mas tudo o que faz não é senão recordá-lo a toda a hora.


E olhem para isto e vejam se entendem onde quero chegar. Dunga, que toda a sua vida jogou e treinou com atletas brancos e pretos (provavelmente mais pretos) sem uma única razão de queixa dea parte de nenhum deles, merece ser "processado" por aquilo que disse na sexta-feira, e quem o diz é...o Dirigente do quê ?!?! Mas que merda é aquela? Portanto, o Dunga é "racista", e este tipo que ainda por cima pertence à ordem dos advogados do Brasil (OAB) é o pináculo da tolerância e paladino da luta contra o preconceito. Ah sim, ele "combate o preconceito", e caso não haja preconceito algum, ele arranja. Já agora lamento que no Brasil ainda não tenha acabado a Escravidão, que é o que me dá a entender o facto de existir uma Comissão para isso. Caso contrário, "what's the point?".

Não me interpretem mal, e não pensem que eu defendo que este conceito que se designa por "racismo" por dá lá aquela palha não existe porque estou a "proteger os racistas", Parvoíce, sacanagem, filha da putice sem vergonha na cara, é o que esta gente promove com isto do "racismo". Isto só serve para que continuem a existir divisões, a segregar grupos e a separar as pessoas com base em critérios bacocos, e com o pretexto de que estão a "protegê-las", quando já ficou para lá de provado que em todos os sabores que a humanidade tem, há os bons e os que podiam muito bem se ter abstido de nascer. E no processo deste favor de merda que pensam que estão a fazer, obtêm aquilo que todos os sacanas deste mundo, brancos, pretos ou azuis querem: dinheiro e poder. À conta desta influência maligna e tentacular de que usufruem, os três patetas que foram ao putedo em Bangkok fazer a última coisa que se deve fazer num putedo (falar) têm que andar escondidos, e mal podem sair à rua, e o Dunga tem que pedir desculpa por algo que disse e que levou a que o acusassem de algo que ele provou durante toda a sua vida de que não é culpado. E estes  tipos do "racismo" dizem que combatem o quê, exactamente? O ódio e a intolerância? Ironia das ironias.

Já disse "n" vezes que seria a última vez que abordaria este tema (porque dá trabalho e este é suposto ser de "variedades"), mas pelos vistos os ingleses não me deixam, e passam a vida a dar-me corda. Por enquanto deixo-vos com esta prova mais que flagrante de que eles são uns totós, e que eu tenho razão: o "racismo" não existe. E não me cansarei nunca de expor esta fraude, este cocó que insistem em nos dar com a colher: eu não vou abrir a boca, quanto mais engolir. Pensem nisto, povo!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Carmen Miranda: a maior de Portugal (então porque a ignoramos?)


Estava eu um dia destes a deitar os olhos naquela série de documentários que tem passado na TDM a respeito do Brasil, e num episódio dedicado ao samba e às suas origens, houve algo em particular que me chamou a atenção. Perdão, alguém em particular: Carmen Miranda. Já sei o que estão a pensar, e é mesmo que eu, ou o que toda a gente pensa quando ouve falar do nome ou vê uma imagem de Carmen Miranda.  Mas já lá vamos. Muita gente sabe que Carmen Miranda nasceu em Portugal, filha de pais portugueses, tendo emigrado com eles para o Brasil quando tenha menos de um ano de idade, em vésperas do golpe republicano em Portugal, que derrubaria a Monarquia em 1910. A pequena  Carmen Miranda deixou o Reino de Portugal no mesmo ano que este conheceu o seu fim - coincidência? (Aproveito para lembrar que não acredito nessas, mas aqui está ligação que provavelmente pouca ou nenhuma gente terá feito).


Carmen cresceu, viveu, cantou o encantou o Rio de Janeiro, o resto do Brasil e depois a América, e seria em Los Angeles que viria a falecer ainda jovem, em 1955. Mas foi numa pequena freguesia do concelho de Marco de Canavezes que nasceu Maria do  Carmo Miranda da Cunha. A rainha do samba, precursora do movimento que surgiria já depois da sua morte e ficaria conhecido por "Tropicalismo", e uma das maiores estrelas de Hollywood da década de 40 do século passado nasceu em Várzea da Ovelha e Aliviado, localidade com pouco mais de mil habitantes. E não, não estou a brincar, o local chama-se mesmo aquilo, e podem confirmar em qualquer média, e de facto trata-se de um local que ninguém quer ter a constar no bilhete de identidade. Contudo isto leva-me a elaborar uma teoria. Parva, mas teoria. Inútil, mas usem-na à vontade. É o seguinte: pessoas que nascem em localidades portuguesas com nomes atrozes têm tendência para se tornarem vedetas internacionais reconhecidas num universo de milhões de fãs. Yep, isso mesmo. Provas do que digo? Ora, além da Maria do Carmo, a.k.a. Carmen Miranda, há um António Joaquim Fernandes, nascido na freguesia de Vale da Porca, do concelho transmontano de Macedo de Cavaleiros, que se tornaria conhecido do grande público por Roberto Leal. Oh yeah. Se quiserem um exemplo mais chungoso, temos uma tal de Teolinda Joaquina de Sousa Lança, mais conhecida por Linda de Suza, que na lotaria das naturalidades saiu-lhe um Beringel, Beja. E há mais, lógico: António Variações, Marco Paulo, etc.


Mesmo tendo feito toda a sua carreira no Brasil, e depois nos Estados Unidos, Carmen Miranda nasceu em Portugal. Ponto assente. Se há gente que não sabe disto é porque não lhe é dada a devida importância. É que na verdade, meus amigos, o facto de ter nascido em Marco de Canavezes, filha de portugueses, neta de outros, bisneta, etc. faz dela  A MAIOR CELEBRIDADE DO MUNDO DO ESPECTÁCULO NASCIDA EM PORTUGAL EM TODA A HISTÓRIA. Isso mesmo, e não estou a querer "subtraí-la" do seu Brasil que a tornou célebre, mas o mínimo que se pedia era que se falasse um pouco mais de Carmen Miranda. Afinal somos uns tipos que se emocionam quando um luso-descendente isola a molécula da caspa do piolho num laboratório dos Estados Unidos, ou somos quase levados a entoar o hino lavados em lágrimas quando o Joaquim Marreta termina uma etapa da volta à França em 15º lugar, e ignoramos por completo uma artista nascida entre nós, e que era provavelmente a maior estrela dos filmes musicais Estados Unidos durante os anos 40? Contracenou com Don Ameche, Cesar Romero, Groucho Marx e Perry Como, era íntima de Cole Porter, chegou a ser...


...a actriz mais bem paga em Hollywood, decorria o ano de 1945. Foi só mesmo pena que no auge da sua carreira se estivesse em plena II Guerra Mundial. Mesmo assim isso não lhe impediu...


...de ter uma estrela com o seu nome no passeio da fama em Hollywood. Em Portugal quase não se fala dela. Não há homenagens, entrevistas com sobrinhos-netos ou outros parentes sobrevivos em Marco de Canavezes, e não conheço uma rua, praceta, beco ou chafariz que ostente o seu nome - é possível que exista, atenção, mas certamente que a sua imagem está desaproveitada no nosso país, como se fosse alguma vergonha ter sido o berço de uma mulher talentosa, genial, mesmo que a sua rotina se limitasse praticamente a um único número. Mas que número!


E aqui está ele, o original, o único, o inconfundível chapéu de tutti-frutti, que Carmen Miranda usou pela primeira vez em 1939 no filme "Banana da Terra" com tanto sucesso que fez deste ornamento tão vitaminado a sua imagem de marca - a partir daí, não apareceu uma marca de bananas que não tivesse que pagar direitos ao acervo de Carmen Miranda. O icónico chapéu é inspirado nos tradicionais turbantes usados pelas baianas (e em "Banana na Terra" a actriz fazia o papel de baiana), mas Carmen deu-lhe uma roupagem mais "kitch".  É uma daquelas coisas....



...que a baiana tem, e este tema da autoria de Dorival Caymmi, é um dos muitos imortalizados por Carmen Miranda, sempre a atirar para os ritmos do samba. Mas já lá vamos, e voltemos ao chapéu, e na Bahia...


...são assim os chapéus, e era assim que Carmen Miranda os usava a maior parte das vezes. O do "tutti-frutti" ganhou projecção internacional já depois da actriz ter ido trabalhar nos Estados Unidos. Foi no filme "Down Argentine Way", com Don Ameche no papel principal, que foi introduzida a "lady with the tutti-frutti hat", e foi um sucesso. E o que fazem os americanos aos sucessos? Exacto, espremem até à última gota. Mas a Carmen agradecia, e ia sorrindo a caminho do banco.


Pode-se decorar com fruta a gosto, e o meu preferido terá que ter  obrigatoriamente um cacho de bananas, outro de uvas, e um ananás ao alto (ou papaia, mas ananás fica melhor). Reparem neste poster, que foi o título de um documentário sobre Carmen Miranda, feito por altura os 50 anos da sua morte, em 2005. É originalmente é o título de uma das suas canções em inglês, gravadas nos Estados Unidos - e ela até não falava nada mal inglês, antes pelo contrário. Os seus fãs no Brasil iam-lhe voltando as costas, acusando-a de se "vender", e de transmitir uma imagem "negativa" país, dando a entender que era tudo festança e cantoria. Ah? Agora estou um bocado perdido, o melhor é ver isto antes de passar ao próximo ponto:



Este é dos momentos "golden" da artista, e felizmente já consigo ver isto sem me desmanchar a rir. E não ria por deboche, por desprezo, ou por considerar estas imagens tão "kitsch" (e são mesmo) e nem sequer achei aquilo, como se diz no Brasil, "brega". É preciso ter em conta que estamos aqui a falar de uma realidade a 70 anos de distância, e em termos comparativos, Carmen Mirada gozava da  popularidade que Shakira tem hoje, digo eu, só que sem os milhões de dólares e os namorados super-estrelas do FC Barcelona e tudo isso - nem de um clima de paz mundial a coitada da Carmen Miranda gozava. Pode parecer um disparate, esta comparação, e são bem capazes de ter razão: fosse a cantora colombiana fazer aquelas coreografias de marmota no cio a levar descargas de alta voltagem em 1930 e troca o passo e era abatida, internada num hospício ou sujeita a um exorcismo - no mínimo. Mas atentem a esta versão do tema:



Nesta rendição de "Tico-tico no Fubá", a "safadeza" do "samba" e transmitida pelos golpes de cintura de Ney Matogrosso, o gigante andrógino da MPB, enquanto que Carmen Miranda abana feita uma bonequinha suspensa numa mola, olhos revirados para cima, como se verificasse a integridade da cesta da fruta, e as mãos fazendo gestos como quem afasta os peixinhos enquanto mergulha de apneia nas profundezas no oceano. Reparem no encanto que tanto Miranda como Ney dão a uma canção que fala de...um passarinho que rouba farinha. Não tem mais nada do que isto, contudo uma das críticas que se fazia a Carmen Miranda durante o tempo em que gozou de grande popularidade nos Estados Unidos foi o de "desrespeitar as raízes negras do Samba" - aquilo que Jorge Ben Jor chamou de "Samba de preto velho", mas que já se chamava "samba de preto" antes disso. Pouco, ou mesmo nada sei sobre as raízes do samba, ou da sua história, mas sinceramente não entendo o que fez Carmen Miranda de tão "blasfemo"; as marchas de Carnaval mais conhecidas, por exemplo, têm uma temática que vai de um "mamãe eu quero mamar" a um "é dos carecas que elas gostam mais" - denso, sem dúvida.


Outra das críticas que os brasileiros faziam à artista (ao ponto de a levar a perder um grande número de fãs, imaginem) era o da "imagem" que transmitia do Brasil e da América Latina em geral no exterior. Isto é típico dos latino-americanos em geral, fazerem-se de pobres e mal-agradecidos. Já quando Madonna interpretou o papel de Eva Perón para o filme musical "Evita", os argentinos ficaram logo todos piursos, e mais tarde quando foi a vez de Salma Hayek encarnar a figura da pintora mexicana Frida Kahlo, os mexicanos vierem dizer que "têm melhor" - e note-se que nem Eva Perón era uma "santa", e Salma Hayek é, de facto, mexicana. Bem, se não ficam contentes com nada, se calhar o melhor é mesmo ignorá-los. E se os brasileiros não se contentam com a imagem de "país tropical, abençoado por Deus e lindo por natureza, que beleza", então bem podiam deixar de vender essa imagem para fora. A outra que têm é de narco-estado corrupto com tiroteios, raptos e violações, às vezes na via pública e em plena luz do dia. Se calhar é essa a imagem que preferem.


Quanto à objectificação da pessoa mulher que é própria do "show business", e especialmente do circuito onde Carmen Miranda obteve sucesso, permitam-me um pequeno aparte: cada vez que procuro saber mais sobre uma artista ou personalidade histórica do sexo feminino, o capetinha que mora no sótão do meu subconsciente, esse velhaco, espeta-me com o tridente no hipotálamo e pergunta em surdina: "olha lá...levavas aquilo ao castigo ou não". E desta vez até achei a pergunta mais ou menos pertinente: o que dizer de Carmen Miranda como "sex symbol"? Os americanos teciam-lhe os mais rasgados elogios, anunciando-a como "The brasilian bombshell", ou "The sexiest thing coming from South America". Ela cantarolava aqueles sambinhas em português à velocidade de 78 rotações de um velho gira-discos, e bem mandá-los todos a um tal sítio, ou chamar-lhes os piores nomes à mãe, e eles...dançavam. Os americanos gostam é de paródia, e o "sabor do mês" era uma latina com um cesto de fruta na cabeça - uma fruteira ambulante. Quando oiço falar de Carmen Miranda, lembro-me imediatamente de fruta, e se passo por uma frutaria com o produto exposto cá  fora em caixotes penso logo em Carmen Miranda. Se tivesse que existir uma personificação da fruta, seria ela. Se fosse um super-herói (ou heroína, neste caso) era a "Vitamine Woman", ou algo que lhe valha. Se "ia ao castigo"? Em princípio sim, mas para mim mais parecia um personagem da banda desenhada, e isso foi também o seu grande mal, coitada. O que seria um encontro com Carmen Miranda, considerando a possibilidade de romance? Ela vinha vestida de modo informal, na sua versão "humana", e o cavalheiro ia passar a noite a olhar para a sua cabeça. Ela nem precisar de perguntar "porquê", pois a resposta seria sempre algo na ordem do "onde está a cesta da fruta"? Era como se alguém estivesse à espera de ir encontrar o Superman, e lhe aparecesse o Clark Kent.


O tempo em que encarnou a frutífera personagem nunca a deixaram ser ela própria, mas em 1947, já numa fase descendente da sua carreira, casou-se com David Sebastian. Carmen não teve filhos, e desconheço por completo a natureza da relação com o marido, mas posso deduzir que este não lhe terá dado o apoio de que a diva necessitou quando, pura e simplesmente não lhe renovaram o contrato e lhe mandaram ir ser "outra coisa qualquer"? Mas e o quê, se ela não era nada sem a fruta na cabeça, a baloiçar e a dizer inanidades em português do Brasil com voz fininha? Preencheu esse vazio deixado pela decadência com barbitúricos e anfetaminas, quando finalmente em 1955, apenas com 46 anos, desfaleceu durante um dos (poucos) espectáculos para que era convidada a actuar, e não mais voltaria ao nosso convívio.


Pode ser que Carmen não fosse ninguém sem a fruta, mas vingou-se: a fruta nada seria sem que Carmen lhe tivesse dada outro uso que não...bem, comida? Sumos e compotas? Coisas boas, mas sem nada de muito artístico. A sua imagem tornou-se universal, a sua indumentária usada em motivos festivos, quer por miúdos, graúdos e quadrúpedes, deu nome a joalheria e tornou-se - como não podia deixar de ser - um ícone "gay": não deve haver parada em que não se vejam meia dúzia de "carmen mirandos". Deu nome ainda o nome a um tipo de joalharia, e não há marca de bananas com um nome apelativo que não nos lembra, ou de um personagens que encarnava no cinema. Quando não era simplesmente ela própria, interpretava variações dela com nomes como Rosita Rivas ("Weekend in Havana", 1941), Chiquita Hart ("Something for the boys", 1944), Chita Chula ("Doll Face", 1945), Rosita Cochellas (A Date with Judy, 1948) ou Carmelita Castinha (Scared Stiff, 1953). Mesma que insistam que é outra coisa, ninguém me convence que a tal Chiquita Banana não era na realidade Carmen Miranda. E se não era, então para quê imitar o inimitável?


Apesar de tudo isto, Carmen Miranda é praticamente  ignorada em Portugal. É possível que isto se deva ao nosso já célebre fatalismo lusitano, que prefere Amália e os clássicos "Ai que sofro", "Coitadinhos de nós" e "Bom dia? O que há de bom no dia?", entre outros. Além disso no tempo em que ela aquecia os palcos com a sua malagueta (é uma fruta, sabiam?), em Portugal venerava-se Fátima. E mais não digo. Naquele vídeo ali em cima vemos Caetano Veloso e David Byrne a homenageá-la com o tema "Marco de Canavezes/Dreamworld", o que nos leva a pensar o que seria se Caetano fosse um preciosista e desse à canção o título "Várzea da Ovelha e Aliviada" (um nome deveras infeliz, realmente). E por falar nisso...


É em Marco de Canavezes que encontramos o Museu Municipal Carmen Miranda, e não se vale a pena visitar, mas duvido bastante, uma vez que todo o acervo da artista pode-se encontrar no Museu Carmen Miranda, no Rio de Janeiro, que recebe mais de 10 mil visitantes por ano (podem ver aqui o sítio do museu) Em Marco de Canavezes devemos ter uma espécie de "descargo de consciência", como é o tal Museu Salazar em Santa Cona Dão (foi mesmo para  a frente, a ideia parva?) - uma expressão de orgulho bairrista, do tipo "somos poucachinhos por isso somos bons". Mentira, pois se fossem alguma coisa de jeito, eram mais, e não menos e em vias de desaperecer. Duh. Contudo em Várzea da Ovelha e Aliviada ainda existe a casa onde nasceu Carmen Miranda, o que simboliza...bem, o preciso e exacto sítio onde ela nasceu? Pelo menos se quisermos reproduzir uma nova Carmen Miranda, já sabemos onde. Agora é só encontrar as frutíferas criaturas que lhe dêm forma. E vida, e cor, e luz. No ano em que se assinala o 60º aniversário da sua morte (a 5 de Agosto, para ser mais exacto), deixo aqui esta pequena e singela homenagem ao mito, e aproveito para lhe dizer - se ela me estiver a escutar ou ler - que a amo, ao contrário dos seus outros compatriotas. Ingratos...


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Cooo-pingue?! NON!


Este é um excelente exemplo para demonstrar que levamos este mundo a caminho de um abismo sem fundo, e se fundo houver, está todo borrado de cocó. Na França, um palerma de um puto qualquer que fazia os exames de acesso à Universidade encontrou no exame de inglês uma palavra que não conhecia, e por isso toca de mandar um abaixo assinado à ministra da educação a pedir para cancelar o exame - em todo o país, entenda-se. Repito: este é palerma de um puto qualquer em França. Não é herdeiro da coroa tailandesa, e muito menos uma reencarnação do Panchai Lama. Por favor evitem elogiar este jovem biltre, que daqui a uns anos ele apanho-vos em Paris, leva-vos para os copos e pr'às gajas, e na manhã seguinte acordam com o saldo bancário em zeros e a escritura da Torre Eiffel em vosso nome, escrito na tampa de uma caixa de pizza. Alguém detenha este indivíduo antes que resolva ir para político! Socorro, Hercule Poirot! Acuda, Gendarme Cruchot, alguém chama Dupond & Dupont? Ajuda-me Van Damme! (não é preciso que me recordem que estes dois últimos são belgas: eu sei). 

Durante esta semana, a petição foi assinada por mais de 12 mil alunos franceses candidatos a uma vaga no ensino superior - "e porque não?", terão pensado eles, isto sabendo o que o franceses adoram a língua dos vizinhos britânicos, e como a dominam perfeitamente. O autor da paródia, um tal de Arthur, de 17 anos, diz que a palavra em questão "é tão rara e tão pouco usada, que só alguém com conhecimentos catedráticos de inglês poderia conhecê-la". Para este jovem enfant de la patrie, esta palavra, inserida num texto extraído do livro "Atonement", de Ian McEwan, só teria sido proferida uma única vez na história, por Shakespeare, durante uma crise de prisão-de-ventre que já ia bem para lá de uma semana. A palavra em questão é "coping", que quer dizer "encarar", "lidar com" - "John is coping with the death of a relative": "O John está a lidar com a morte de um familiar", ou "a tentar ultrapassar". Os signatários alegam que "não existe uma palavra na língua francesa que corresponda a esta". Eu aposto que existem até várias. Claro que isto é apenas o pé do repolho argumentativo dos miúdos, que têm assim uma boa desculpa para justificar uma eventual nota baixa.

Isto chega até a ser vergonhoso, e só mesmo a célebre rivalidade entre os dois lados do Canal da Mancha podem explicar tanta teimosia por parte dos jovens franceses. Seria o mesmo que se num teste de português surgisse a palavra "concomitante", e um aluno que não soubesse o significado começasse a disparatar: "Com o cu mete adonde, pá! Fosga-se, gandas padrófilos, vou chamaré o mê pai!". E lá chegavam os labrostas ao ME a protestar e exigir falar com o Nuno Crato: "Olha lá, ó panasco, anda cá fora dizer-me na cara que 'tás com o cu mitante, ou lá o quê é, que te encho de porrada e passa-te logo a c'michão, c...!" - urrava o pai, com a boca cheia de broa. "Ai valha-me nossa senhora, que estes malandros 'tão a ensinar prenografia e outras poucas vergonhas aos miúdes!" - acrescentava a mãe, exasperada. Para os franceses pouco importa, pois qualquer palavra que não saia da boca de Jerry Lewis, para eles não é inglês, não existe. Ainda tive a curiosidade de ir ver no Google translator se existia alguma palavra com grafia idêntica em francês que os pudesse ofender, mas nada: "coping", em francês, nada que possa ser interpretado como uma referência a vinhos, queijos e cavalos, os valores que os franceses mais prezam. 

O que é capaz de deixar o comum dos mortais atónito não é tanto a palavra - quem fez a PGA em 1992 lembra-se com certeza da controvérsia gerada pela palavra "prolixo", que constou nos cartazes de protesto como parte da frase "PGA prolixo" - mas a lata do moço, que não sendo capaz de responder à pergunta, vai directo ao ministro da educação. Pimba! isto é como nós chegarmos à caixa multibanco, esta não tem notas menores que 500 patacas (50 euros aí na tuga) e muito decididos exclamamos: "Isto já é demais. Tragam-me o ministro da Economia". O pior é que isto é um sinal dos tempos; qualquer dia os miúdos chegam a um exame e protestam com a professora: "Então isto assim? Uma folha só com perguntas? E onde estão as respostas? Depois admiram-se quando vos parecemos fúteis e palermóides". Ou então olham para folha, perguntam à professora se aquele é o único teste que trouxe, e depois de responder "não", mandam-na para casa redigir outro, "e desta vez traga uma coisa que se perceba, ó sua vaca tonta". E é tendência mundial, no fundo, "não sei o que isso é, portanto não interessa a ninguém (portanto cala-te)", "respeito as opiniões dos outros mas eu é que tenho razão", ou "isto não é meu, pode ir pró c... e desaparecer da face da Terra". Desta vez são franceses, das outras todos nós, às vezes...


Os ingleses são burros (e eu tenho razão!) - parte II


Bem vindos à segunda parte desta dissertação onde pretendo demonstrar a veracidade quase dogmática de duas evidências: 1) os ingleses são uns idiotas e 2) eu sou um génio, ou ainda 3) ingleses=burros, eu=génio. Génio e santo, da paciência e tempo que encontro sempre para tentar SALVAR A HUMANIDADE (de nada, o prazer é todo meu) de um LOGRO, de uma FABRICAÇÃO, engendrada pelos feios dos ingleses, que também são brutos, malvados, cínicos, e além disso retardados (Ebeneezer Scrooge meets Margaret Thatcher meets Mr. Bean), em parceria com os seus filhos mongolóides, os americanos (Pateta, melhor amigo do Mickey meets Ronald McDonald meets Presidente Bush e a sua luciférica descendência). A esta poção diabólica fabricada no caldeirão da Madame Min, e disparada pelos Irmãos Metralha, de uma máquina de matar inventada pelo Prof. Pardal (sempre na companhia de "Lampadinha", o seu fiel assistente) deram o nome de RACISMO.

Nesta missão de que Deus não me incumbiu, mas era o mínimo que podia ter feito (se realmente existir, há que ter em conta que não é certo e muito menos provável), demonstrei na primeira parte deste artigo que mais uma vez, pode existir 0% de "racismo" em determinado local, situação ou circunstância, que há sempre uma alminha caridosa que vai lá semear uma caganeira qualquer, que só pode vir de mentalidades decadentes, complexadas, e porno-necro-edipianas-masturbatórias. Assim vimos, por exemplo, que uma mesa só com brancos ao lado de uma mesa só com pretos é motivo suficiente para conspurcar a opinião de uma nação inteira, ofendendo cidadãos que são atletas, e são jovens. Exibicionistas, que acenais com teu sardo negro a pingar pus a uns pobres e tenros cordeirinhos de Deus. Noutro caso vimos como é possível "insinuar" que um experiente e respeitado técnico de futebol, senhor já de certa idade, é possivelmente um racista, que não pode ver alguém diferente dele que puxa logo do chicote, e tira do bolso os grilhões e as correntes Um treinador de futebol que olha nos olhos de um atleta preto e lhe chama de "macaco" - isto segundo as tablóides, claro, pois a verdade é sempre outra coisa.


Hoje prossigo com esta maravilhosa ideia de obrigar as pessoas a fazerem o que não querem, enquanto ficam ainda privadas da sua liberdade de escolha, de expressão, e de associação. Este senhor em cima na imagem é Jarred Floyd Hasselbaink, mais conhecido por Jimmy Hasselbaink, ou apenas "Jimmy". Muitos se devem recordar desta caribenha figura dos tempos em que jogou pelo Campomaiorense e Boavista no campeonato português, e catapultado pelas presenças dos axadrezados na Champions, representou Leeds United, Atlético de Madrid e Chelsea, sempre como cabeça de cartaz na posição de ponta de lança, representando ainda a selecção holandesa (os "eusébios" da Holanda vêm do Suriname, de St. Maartens e do Curacao - a ilha, não a bebida) em 23 ocasiões, apontando nove golos. Actualmente, com 43 anos, tem um sobrinho com 24, Nigel Hasselbaink, que joga na Escócia e é um embaraço para o nome da família, que faz lembrar golos. e é treinador de futebol. Sim, isso mesmo, porquê? Ah, já sei! Das duas uma: ou não referi que o senhor é preto porque não tive a capacidade de glorificá-lo por esse facto, e seria sempre "racista" da minha parte - ou o odeio por ele ser diferente de mim, ou o odeio por ele nutrir simpatia pela minha pessoa, pois não me lembro de lhe ter pedido nada. Agora vá lá, não sejam racistas, mau. Só porque o senhor é preto, pode ser treinador de futebol, quem disse que não? O que interessa se é preto ou branco? Estamos aqui a falar de futebol ou de "kuduro"? O problema é o seguinte: das 72 equipas que compõem a FA inglesa, apenas sete têm treinadores não-brancos. E isto para os ingleses "não pode ser". Por acaso já tinham pensado nisto? Eu também não, e é para que vejam as coisas mirabolantes que estes tipos vão desencantar à pala dessa tal brincadeira parva que inventaram.

A Federação inglesa "compra" esta palhaçada, leva-a a sério e aplica-a, castigando os que se recusarem a cumprir. Assim, num sistema semelhante ao que já existe no futebol americano (tinha que ser), as equipas vão ser obrigadas a "entrevistar um treinador de outra etnia que não a da maioria", e já a partir de 2016. Inicialmente o regime será de voluntariado, mas nos escalões de formação as equipas serão obrigadas a entrevistar pelo menos um candidato de origem étnica diversa. Para quê? Deve ser para compor melhor o ramalhete, sei lá? Senão vejamos:


Portanto se ideia aqui é fazer a "fauna" dos treinadores futebol bater certo com a distribuição étnica, vemos que existem na Grã-Bretanha 86% de ingleses brancos. Portanto, 86% de 72 equipas da FA dá 62, o que quer dizer que para lá das sete que estão servidas de multiculturalidade na equipa técnica, é só necessário arranjar mais três. Mas atenção: por motivos de coerência, é melhor que desses 3 em falta um seja indiano, e o outro chinês. Senão, já sabem, é "racismo". Ai não encontraram na Chinatown em Londres nenhum chinês com o curso "B" da UEFA? Ai procuraram em todos os restaurantes e lojas da candonga, e nenhum quer ser treinador? O melhor é que voltem e não apareçam sem o vosso treinador oriental que vos estamos a impor, seus  RACISTAS!

Agora é possível que alguns leitores ainda tenham dúvidas, e estejam a pensar qualquer coisa como: "mas talvez em alguma situação possa mesmo ter havido um treinador que tenha sido descriminado pela sua cor ou etnia, um pouco como em todo o resto nesta vida, não?". É, e ao mesmo tempo não é, senão reparem nos argumentos dos promotores desta ideia pioneira e "piolheira": "O James Hasselbaink é um dos poucos treinadores não-brancos em Inglaterra, e foi campeão da League Two (quarto escalão) com o Burton Albion". Ai sim, e depois? E foi campeão porque é preto, suponho. Fez bruxaria? Vodu, candomblé?  E tácticas? Bem, "nós" temos várias: três centrais, meio-campo em losango, "catanaccio", jogo de contenção, em contra-ataque...e quais são as tácticas "afro", as mais usadas pelos treinadores pretos? O treinador vencedor da Liga dos Campeões é branco, assim como o treinador da equipa classificada no último lugar da II divisão da liga de Malta - isto diz-nos o quê, exactamente? Estão a ver como é ridículo? E pode ser desastroso, também, porque algures em Londres:


Este é Chris Ramsey, e foi na época que terminou o único treinador não-branco da Premier League, tendo sustituido à 24ª jornada no Queens Park Rangers o conceituado Harry Redknapp, que deixou a equipa em último lugar com 19 pontos. Mal o ex-selecionador inglês saíu, a equipa foi ganhar a Sunderland por 2-0, com o adjunto Kevin Bond no banco. Ramsey era coordenador técnico, foi nomeado treinador principal, e no fim deixou a equipa em...último lugar, com um saldo de 14 jogos, duas vitórias, dois empates e dez derrotas, duas destas foram goleadas, nas últimas três rondas do campeonato: 6-0 no reduto do Manchester City e 5-1 na visita a Leicester na última jornada. Olhando para a equipa do QPR dificilmente daria para qualquer outro fazer melhor, mas caso Ramsey tivesse produzido um "milagre" e conseguido a permanência, os paladinos do politicamente correcto da treta vinham logo a correr dizendo: "estão a ver? os brancos andavam a explorar e segregar o QPR!". Estariam mesmo? Eu diria o contrário...


Este na imagem é Les Ferdinand, e os leitores da minha geração que sempre seguiram futebol devem recordar-se dele dos seus tempos de avançado, onde fez mais de 100 golos na liga inglesa, sendo o seu período mais prolífico o que passou no QPR, onde entre 1992 e 1995 fez 61 golos em 113 aparições pelos londrinos na Premier League. Depois de terminar a carreira, com passagens por Newcastle e Tottenham, e a presença no mundial de 1998 pela selecção inglesa, tornou-se treinador, mas sem grande visibilidade. Depois de quatro anos como adjunto no Tottenham, o primo de Rio Ferdinand, que aos 36 anos ainda joga precisamente no QPR, foi para director técnico da equipa que o celebrizou, e diz que Chris Ramsey "foi uma aposta sua", e "um risco". Além de ser o único treinador não-branco na Premier League, Ramsey é ainda o menos habilitado, com menos currículo e menos experiência - o que estava a pensar Les Ferdinand, afinal? É fácil perceber se  virem este vídeo,  onde vemos Ferdinand a defender a implementação desta regra, pois caso contrário "os treinadores de futebol das minorias têm menos oportunidades", ou a defender uma teoria bizarra, de que existe uma espécie de "racismo dissimulado", que leva as pessoas a, e atenção a isto, "serem racistas sem saber"! Claro, foi como já referi aqui antes: quem diz seja o que for que se possa encaixar nesta pantomima do "racismo" é logo chamado de "racista", e quem preferir o silêncio, para  não ser mal interpretado (que acontece quase sempre), é "racista" também, pois ao abster-se de demonstrar as posições que defende está "a pactuar com o preconceito".



E aqui temos Paul Ince, outro ex-jogador e agora treinador, que já no ano passado neste programa tinha dito como "é difícil a um treinador não-branco encontrar trabalho em Inglaterra". No caso dele é bem possível que assim seja, pois tem o terrível hábito de somar derrota atrás de derrota e deixar os clubes por onde passa nos últimos lugares da tabela. Os dois clubes mais recentes por onde passou não devem ter saudades nenhumas do seu "management"; Com o Notts County, entre 2010 e 2011, conseguiu bater um recorde da história do clube ao somar 9 (nove) derrotas consecutivas, enquanto no Blackpool, onde ficou entre Fevereiro de 2013 e Janeiro de 2014, não começou mal, terminando a época de 2012/2013 deixando a equipa melhor do que quando chegou, mas na época seguinte seria despedido após dois meses sem vencer, e com uma suspensão de cinco jogos por "conduta violenta" pelo meio. Ora aqui está um treinador muito jeitoso, com uma folha de serviço impecável, e que quem se recusar a contratá-lo, só pode mesmo ser "racista". Nada a ver com as qualidades técnicas e tácticas, portanto.

Agora imaginem o que será com esta forma atroz de "descriminação positiva", e o que pode sair dela. Já estou a ver uma liga com 20 equipas, metade treinada por brancos, outra metade por pretos, "fifty-fifty", com um equilíbrio aceitável entre o valor das mesmas - Benfica, Sporting, Guimarães, Nacional com brancos, Porto, Braga, Belenenses e Marítimo com pretos, para ilustrar em termos de equilíbrio. Se ao fim de  um terço de campeonato, os cinco primeiros classificados são orientados por treinadores brancos, ai Jesus que desgraça, que isto não pode continuar assim, e "não dão oportunidades aos treinadores blá blá blá" - é como diz o Paul Ince: as equipas treinadas por brancos "estão a ser racistas sem saber". Já o contrário, ou seja, os primeiros classificados treinados por "minorias", já não faz mal, não senhor. E é bem feito, que para vocês, RACISTAS, verem como andaram tanto tempo a sufocar os treinadores não-brancos com os grilhões do preconceito. Com que então Ranieri, não é? Scolari, pois, pois. E porque não...


Tivemos grandes treinadores de futebol na história que eram pretos e mestiços: Otto Glória, por exemplo. E Mário Wilson. Ou ainda...Otto Glória, e outros, e se quiserem saber mais vão "museu do orgulho besta" mais próximo de vocês. Querem o exemplo de um contraponto a esta teoria parva? Costinha. O tipo foi um jogador de craveira internacional, um médio-defensivo que organizava aa retaguarda como ninguém e levava a equipa para a frente às costas. A sua visão de jogo davam a entender que poderia dar num excelente treinador, mas foi o que se viu: passagens pelo Beira Mar a e pelo P. Ferreira, na I Liga, despedido de ambos e com um registo de 3 (três) vitórias e 20 jogos. Os clubes já são por natureza pouco tolerantes, mas no P. Ferreira, que até tinha terminado o campeonato anterior no 3º lugar, precisou de esperar que o Costinha perdesse 6 dos oito primeiros jogos para o despedirem - generosidade, ou o "fantasma" do "racismo"?

Nós portugueses não temos essas coisas: no jogo da bola um gajo é bom, ou então não presta e é melhor ir fazer outra coisa, que até tem corpinho para trabalhar. Mas que branco, preto ou qual carapuça, nem nos próprios atletas isso tem qualquer importância, e distinguem-se apenas em termos de qualidade - excepção feita a alguns aspectos técnicos ou relacionados com a componente física e atlética que se podem considerar apenas preciosismos (na minha equipa teria que ter sempre um trinco preto; porque sim, porra). Além disso, quem são estes cabrões dos ingleses para nos virem estragar a festa com as paneleirices deles? Vejam isto:


Duas selecções que disputaram o mundial de futebol em 1966: à esquerda a Inglaterra, a jogar em casa, e à esquerda a selecção de Portugal. Ambas realizaram um bom torneio, encontrando-se nas meias-finais com vantagem para os ingleses, que acabariam por se sagrar campeões em circunstâncias que poderemos designar apenas por "caseiras". A Inglaterra, a maior potência colonizadora da História, quer no que toca à dimensão do seu Império, do qual se dizia que "o sol nunca se punha", quer no tempo que durou e na relação que mantém ainda hoje com os seus territórios ultramarinos, não tem na selecção um único jogador não-branco. Ponto. Portugal, com menos população que Londres, tem 4 jogadores de origem africana no onze inicial: Eusébio, Coluna, Hilário e Vicente, e talvez com excepção deste último, todos insubstituíveis e indispensáveis - só um louco ia optar por outro jogador para as suas posições. Pode ser que alguém tenha entendido a inclusão dos jogadores africanos na equipa portuguesa como uma manobra de charme, um exemplo da integração plena dos cidadãos do "mundo português". Quem diz isso só pode ser ou um completo idiota, ou então não entende porra nenhuma de futebol. Alguma vez nos deu para contar as peças no nosso xadrez? Quantos brancos e quantos pretos, e quem é o quê? Mais facilmente vemos um adepto de um dos grandes a barafustar se os atletas do seu clube estão em menor número que os dos seus rivais, do que preocupado com o grau representatividade étnico na selecção. Aquilo é para jogar à bola, e já agora, se possível, para ganhar. Com um raio.

 Naquele tempo Portugal era o "patinho feio" do Ocidente, isolado devido à persistência de Salazar em manter os territórios ultramarinos, mas onde é que estava esta polícia do "politicamente correcto", para inspeccionar o "ratio" de jogadores pretos e brancos? Se calhar ainda andavam a saltar de tomate em tomate, ou à espera do surgimento do fenómeno Bob Marley, para ter um "sound bite" adequado à mensagem de "igualdade" que pensam estar a passar, mas que não é senão uma manobra política, ainda por cima egoísta, que fomenta a cisão daquilo que o desporto tem conseguido unir, e sem o mesmo alarido ou incoerência que estes tansos. Outro caso:


Portanto, aqui do lado esquerdo temos a equipa de 2008 do Portsmouth, que venceu a FA Cup.  Como podem ver, em termos de representação da multiculturalidade, é uma equipa quase perfeita - e digo "quase" e mais tarde vão saber porquê. Do lado direito temos a selecção da Islândia, esses RACISTAS, a quem só falta um capuz, cruzes de madeira a arder e braçadeiras com imagens de suásticas, todos patrocinados por uma marca de sabão fabricado em Baden-Belsen "com ingredientes 100% naturais". Então se uma equipa da cidade de Portsmouth, Hampshire, com uma população metropolitana de 1,5 milhões, e destes 91,4% são ingleses brancos, tem no seu plantel oito jogadores pretos, e dos três brancos um deles é islandês (os outros são um croata e o Pedro Mendes), como é que a Islândia, com uma população de 330 mil. 99% de islandeses e outros nórdicos e eslavos, não tem no seu plantel pelo menos três pretos, um índio "sioux", e uma maori da Nova Zelândia??? Não há?!?! Não procuraram bem, isso sim, ignorando as evidências e abraçando a segregação que perpetua o ódio - esta é a lógica destes palermas: que tudo tem que ser...como eles querem? Ah, e sabem porque era esta equipa do Portsmouth "quase" perfeita? Porque o treinador era (outra vez) Harry Redknapp, e não Paul Ince. Se fosse este último tinham chegado a duas finais, não uma, e no fim levavam três taças.

Porque é que um ex-jogador de futebol vai deixar de ser treinador, como tantos fizeram, apenas pelo facto de ser preto? E se o atleta é preto, e não quiser seguir a carreira de treinador. Se um treinador oriundo de uma "minoria" pode alegar "racismo" no caso de se sentir prejudicado, o que vai pensar um treinador local? Que não gostam dele porque "é feio"? E para quando é que estão a pensar fazer o mesmo com o "cricket"? Eu acho que a selecção da India tinha mais a ganhar (não desportivamente, claro) com dois ou três atletas açorianos, e não ficaria muito melhor uma selecção russa de hóquei no gelo com uma maioria de persas, timorenses e andinos do Peru? Ah?! SEUS RACISTAS!

Eu desconfio que anda aqui metido nisto tudo o dedo fétido e acastanhado da paneleiragem. É sempre com "ai olha olha, vem ali um preto! não o enforquem, que ele é meeeuuu". Estes gajos do "racismo" metem nojo. Que cambada de palhaços. Mas querem saber mais, e pior? Não percam amanhã a terceira e última parte deste manifesto anti-"racismo", contra estes charlatões, que se aproveitam da candura alheia para levar a cabo os seus maléficos fins. Não percam!