segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Autárquicas em revista


SÓ EU SEI, PORQUE FICO EM CASA

Realizaram-se ontem as eleições autárquicas em Portugal, que levaram os portugueses às urnas para escolher os presidentes de câmara e juntas de freguesia dos 308 concelhos do continente e ilhas. Mais uma vez o grande vencedor foi abstenção, com mais 47% dos eleitores a preferir usar o Domingo para fazer outra coisa qualquer, o que demonstra um crescente desinteresse pela coisa pública. Curiosa a forma como os portugueses castigam a incompetência dos seus politicos: abstendo-se. É como quem tem a oportunidade de mudar o que está mal mas prefere ficar quietinho. Dos mais de nove milhões inscritos, menos de cinco milhões foram votar; é como se uma metade deixasse a outra decider por eles. Foram registados 189.133 votos em brancos e 144.114 nulos. Incrível como há mais de 300 mil pessoas que se incomodam a sair de casa, ir até ao local da votação, apresentar o cartão de eleitor e aguardar a sua vez...para nada.


PS E OS INDEPENDENTES

O eleitorado resolveu "castigar" o Executivo do PSD, de Pedro Passos Coelho, dando uma vitória expressive à oposição, nomeadamente ao PS. Os socialistas conquistaram doze câmaras em relação a 2009, e o PSD perdeu trinta. A CDU foi outro vencedor, aumentando o número de municípios de 28 para 30, com relevo para a margem sul do Tejo, Alentejo e Algarve, bastiões comunistas desde 1974. Onze dos municípios foram ganhos por independentes, candidatos apoiados por grupos de cidadãos, e sem apoio dos partidos. Dos quatro concelhos mais populosos do país - Lisboa, Porto, Gaia e Sintra - a Invicta foi vencida por Rui Moreira, gestor que ficou popular pela participação no painel do programa de análise desportiva "Trio de Ataque". Outros concelhos mais concorridos vencidos por independentes foram Oeiras, onde ganhou Paulo Vistas, e Matosinhos, onde o vencedor foi Guilherme Pinto.



LISBOA DEU À COSTA

O socialista António Costa, o "Obama português", obteve uma vitória esmagadora em Lisboa, obtendo mais de 50% dos votos, traduzidos em onze dos dexassete mandatos em disputa. O grande derrotado foi Fernando Seara, ex-presidente da Câmara de Sintra, uma aposta falhada do PSD para conquistar a capital. Os sociais-democratas só estiveram na frente da edilidade alfacinha nos 40 anos de democracia após o fim do Estado Novo com Pedro Santana Lopes, entre 2002 e 2005, e antes disso com Krus Abecassis, mas em coligação com o CDS.


COM A CARA NO CHÃO

Algumas derrotas nestas autárquicas foram como um atestado de óbito politico a alguns dos candidatos. Além de Fernando Seara em Lisboa, Luís Filipe Menezes sai como grande derrotado no Porto, e mesmo a aposta do PS na Invicta, Manuel Pizarro, revelou-se uma grande desilusão. Francisco Moita Flores, que presidiu ao município de Santarem nos últimos anos, falhou redondamente em Sintra, dando sinais de desgaste politico. O Bloco de Esquerda provou não estar talhado para as autárquicas, perdeu a única câmara que detinha, Salvaterra de Magos, e só obteve oito mandatos no total nacional. Mas foi o PSD que somou as derrotas mais dolorosas; perdeu a Covilhã pela primeira vez, perdeu Gondomar, onde mandava há vinte anos, e talvez naquela que foi considerada a maior surpresa, perdeu sete municípios na Madeira. A ilha "laranja", governada pelo "sultão" social-democrata Alberto João Jardim, deu o pior resultado de sempre ao PSD, que nas legislativas vence habitualmente em todos os concelhos.


JOBS FOR THE BOYS

Algumas dos nomes de peso dos partidos normalmente mais votados aproveitaram estas autárquicas para se "abotoarem" a um cargo de edil, como que premiando a abnegação à sua cor política. O maior exemplo foi Bernardino Soares, figura de proa da nova geração de dirigentes da CDU, que venceu em Loures. Basílio Horta, que se celebrizou pela sua passage da direita para os últimos governos PS venceu em Sintra, com o apoio dos socialistas, e Ribau Esteves, um dos nomes grandes do PSD, foi uma das poucas alegrias dos sociais-democratas, vencendo em Aveiro. O PP, de que ainda não falei, teve uma votação discreta, elegendo apenas cinco presidentes de câmara, e nenhum nome sonante.


LEVANTA-TE E RI

Finalmente, e para isto não parecer tão sério, uma nota humorística. Alguns dos novos presidentes de Câmara têm nomes castiços, que convidam ao trocadilho. Um dos mais badalados durante a campanha foi o de Paulo Cegonho Queimado, candidato do PS à Chamusca. "Queimado" e "Chamusca" juntos cheira a esturro, mas a verdade é que o senhor foi mesmo o vencedor naquele município ribatejano. Hortênsia Chegado Menino ganhou em Montemor-o-Novo, Sílvia Tirapicos Pinto em Arraiolos e Manuel Condenado em Vila Viçosa. Este último vai sentir-se como peixe na água caso se veja a contas com a justiça no exercício do seu mandato. António Mestre Bota é o vencedor em Almodôvar, e João Português em Cuba (do Alentejo, entenda-se) - pelo menos não foi um dos irmãos Castro. Terminando nos Algarves, com convém, temos na liderança da câmara de Faro o nutritivo Rogério Bacalhau Coelho, e em Aljezur o diminutivo José Manuel Velhinho Amarelinho. Coitadinho. Desconheço se o candidato Angelo Fragoso, na imagem, conseguiu vencer na mítica freguesia da Picha, concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria. Fico a esperar que tenha conseguido os seus intentos, e assim consiga levar a Picha para a frente, como prometeu.

O Adé de Marreiros


O arquitecto e artista plástico macaense Carlos Marreiros vai ser o autor de uma estátua de Adé dos Santos Ferreira, que ficará no Parque dos Poetas em Oeiras, Portugal, inaugurado em Março deste ano. Marreiros já tinha criado uma estátua do poeta macaense em 1999 (na imagem), que ficou exposta no Jardim das Artes de Macau, situada na Avenida da Amizade, em frente ao Hotel Lisboa. Sobre este novo trabalho, o autor diz que vamos ter um Adé "de duas faces: uma a olhar para o Oriente, onde nasceu, e outra para o Ocidente, para a pátria dos seus ancestrais". Mais uma contribuição de Carlos Marreiro para o panorama artístico da lusofonia, fazendo valer o princípio que se aplica em Macau, especialmente no panorama cultural: "Em terra de cegos, quem tem um olho é rei".

Amo amar o mar


Amo o mar, tal como amo amar, e portanto amo amar o mar. Tive a sorte de nascer junto à costa do meu país, à beira-tejo, com um imenso oceano a perder-se no horizonte. Em Portugal tratava o mar por “tu”, banhei-me no Atlântico de norte a sul, desde a Caparica ao Algarve, passando pela costa vicentina, e com fugas ocasionais até ao centro. Na Ásia mergulhei no Pacífico; Tailândia, Vietname, Filipinas, Malásia. Nadei ao lado de milhares de peixinhos de todas as cores, por cima dos tubarões, desci às profundezas do mar do sul da China de escafandro. Senti também o sabor do sal do Mediterrâneo, na magnífica praia de Barceloneta.

Adoro os calafrios que antecedem a adaptação ao mar gelado; são só uns minutos e depois vale mesmo a pena, deixar levar-se pelas vagas, partir as ondas, ir para lá de onde temos pé, sentir-se como um peixinho, mais perto da mãe natureza e do reino que ela confiou a Poseidon. Faz-me confusão quando vejo na televisão aquelas criancinhas que vêm do interior até ao litoral ver o mar pela primeira vez, em excursões organizadas por almas piedosas com pena da sua ignorância indígena. O mar não deve ser negado a ninguém. Todos deviam ter direito a ter um oceano, um rio, um afluente ou um fiorde à porta de casa. Olho com estranheza para quem não sabe nadar (io!), quem nunca se atreveu a usar as pernas e os braços como se fossem barbatanas. Aprendi com oito ou nove anos na praia fluvial de Alcochete, e nesse dia senti-me o rei do mundo, invencível, como se tivesse conquistado os sete mares.

Tenho alma de marinheiro, como os nossos antepassados. Não enjôo e tenho centenas de horas de navegação no currículo: foram incontáveis as vezes que fiz a viagem do Montijo a Lisboa e vice-versa pela Transtejo. Já andei de barco a remos e a motor, de catamarã, de canoa e de caiaque, e até já dei dois ou três bons malhos numa prancha de “body-board”. Só me falta andar de submarino para me sentir completamente realizado em termos marítimos. Contudo não me agrada a ideia de fazer um cruzeiro, mesmo um daqueles mais luxuosos, com comodidades que fazem o passageiro esquecer que se encontra no meio do mar, longe da terra firme. Gosto de ter os pés bem assentes na crosta terrestre pelo menos uma vez por dia.

Adoro ver as ondas a bater nos rochedos, na plenitude da sua fúria, como quem quer roubar o lugar à terra. Como me encantam as tempestades, o mar revolto que castiga os navios como quem lhes pede contas pela ousadia de os atravessar. Encantam-me as lendas; as sereias, a Atlântida, o Triângulo das Bermudas, o Holandês Voador. Tenho um fraquinho pelos filmes sobre naufrágios, sobreviventes que chegam a um ilhéu no meio de nenhures, homenzinhos franzinos, rotos e barbudos à deriva numa jangada. Quem nunca sonhou naufragar e ir parar a um paraíso tropical fora do alcançe dos radares na companhia de uma mulher linda, e ficar lá meses sem que chegue socorro, sobrevivendo à custa de água de coco e de peixes que nadam junto à margem e quase que pedem para ser apanhados?

Parte-me o coração quando vejo praias poluídas, peixes mortos à tona, fábricas que despejam os seus resíduos no mar, no maior desprezo e desrespeito por algo que é maior que todos os homens e todas as razões: nada justifica tratar mal o mar. Todos devíamos amar o mar, a nossa origem, o nossa primeira mãe. Pouco importa que há muito que tenhamos deixado as guelras e as barbatanas, e com pena, pois eu adoraria poder respirar no mar. A nossa primeira condição foi mergulhados na bolsa amniótica da nossa progenitora, e a partir daí passámos a simples e terrenes criaturas. Mas esse foi o primeiro sinal que devemos e podemos ousar entrar no mar, remetermo-nos à nossa insignificância e prezar a sua imensidão, temê-lo e exercer os devidos cuidados. Mas também atrevermo-nos, deixarmos que nos embale, e assim fazer parte de algo maior que todo o resto.

Quem é João Sousa?


O tenista João Sousa tornou-se o primeiro português a vencer um torneio do circuito ATP, o escalão principal do ténis mundial, ao vencer ontem o Proton Malaysian Open, na Malásia, derrotando na final o francês Julien Benneteau. Depois de ter perdido o primeiro "set" por 2-6, Sousa "deu a volta" e venceu os seguintes por 7-5 e 6-4, e fez-se História. Com este triunfo Sousa sobe ao 51º lugar no ranking ATP, ultrapassando a melhor classificação de sempre de um tenista nacional, um 54º lugar, que pertencia a Rui Machado. Mas quem é este atleta que subitamente nos fez encher de orgulho patriótico numa modalidade onde não temos tradições?

João Sousa, um nome relativamente desconhecido, mesmo em Portugal, nasceu em 1989 em Guimarães, é treinado pelo ex-tenista Frederico Marques na Academia de Ténis BTT, em Barcelona, onde reside. Profissional desde 2009, venceu vários torneios menores em Espanha, Portugal, Finlândia e Itália, e este ano participou pela primeira vez nos torneios do "Grand Slam". Chegou ao terceiro "round" em Wimbledon e no US Open, e ficou-se pela segunda ronda em Roland Garros e Austrália. Apesar de já não ser um "jovem" - 24 anos é uma idade relativamente madura para um tenista - é um nome a seguir com atenção. Sendo português, ficamos a torcer para que continue a evoluir.

domingo, 29 de setembro de 2013

A minha casinha


Para os chineses a independência como indivíduo em termos financeiros é uma coisa da maior importância. Mais importante que ter uma conta bancária que garanta segurança e estabilidade, é ter habitação própria. O primeiro objectivo e sem o qual nada mais faz sentido é ter uma casa em seu nome. Casa própria, sem depender dos pais ou do arrendamento de moradia alheia é a base que sustenta todo o resto. Não surpreende que o inflaciomento do preço da habitação causado pela especulação imobiliária surja no topo da lista das preocupações da população, especialmente da mais jovem, e constitua a maior dor de cabeça para o Governo. Não que os nossos governantes se preocupem muito com o acesso das classes mais baixas à aquisição de casa própria; é mais lucrativo aproveitar a bolha especulatória e fazer umas massas, mas dormiam mais descansados sem o alarido da parte de quem não tem milhões para pagar por um apartamento.

O imobiliário é o investimento por excelência entre os chineses. No passado os casais suavam as estopinhas, passavam pela mais variadas privações, negavam-se aos prazeres mais mundanos, tudo em nome de um tecto que pudessem chamar de seu, e que mais tarde passassem aos filhos. Comprar a primeira casa é um sinal de afirmação, de sucesso, o reconhecimento de um esforço, um atestado de competência. Um pai chinês olha para o filho que comprou uma casa com as suas economias como um leão adulto olha para a cria que acabou de caçar o seu primeiro antílope. Dorme-se muito mais descansado dormindo em casa própria do que em casa alheia, e afasta-se o espectro de algum dia se dar o azar de ter que dormir na rua, na mais completa das misérias. Ter uma casa é a prioridade, um “must”, e todo o resto virá por acréscimo. Mesmo sendo pobrezinho e precisar de andar toda a vida a contar tostões até ao fim do mês, ter casa própria é o “passing grade”, No teste do sucesso garante pelo menos uma nota de 10 valores na escala de 0 a 20.

Para quem tem dinheiro suficiente para se dar ao luxo de optar pela localização, tamanho ou aparência da propriedade, a aquisição de uma casa obedece a critérios rigorosos. Um agente imobiliário está sempre preparado para um sem número de perguntas, mesmo as mais triviais ou descabidas. Para o comprador tem que haver a garantia que é dinheiro bem gasto. Uma das particularidades mais singulares entre os locais é a “limpeza” da casa, no caso de se tratar de uma moradia que já pertenceu a outrém. Esta “limpeza” não se refere às condições de higiene, ao bulor na banheira, ou aos riscos na parede e no soalho. Para os chineses, povo supersticioso por natureza, importa saber se morreu alguém naquela casa que pretendem comprar. Quer se acredite ou não em fantasmas, o preço de uma habitação depende deste factor, e escusado será dizer que a ocorrência de uma morte desvaloriza o imóvel. Na conservatória do registo predial de Hong Kong esta informação consta da informação sobre os imóveis. Um senhorio que depare com o inquilino enforcado no candeeiro da sala entra em desespero; não pelo cenário da presença do cadáver, ou por comiseração, mas porque a sua propriedade acabou de se desvalorizar, com o preço de uma possível transmissão a cair em flecha. Muitos agentes menos escrupulosos mentem, pois dificilmente um jovem casal recém-casado com planos de ter filhos quer que os putos se assustem com as almas penadas. É mais difícil mentir se a morte ocorreu com grande alarido ou foi amplamente publicitada; um homicídio, um suicida que saltou da veranda, uma morte “estridente”, do tipo balázio nas têmporas e paredes besuntadas de sangue, miolos e crânio. Não é a toa que cada vez que um idoso falece de morte natural no seu leito e a família chama uma ambulância, a morte é declarada apenas no hospital, mesmo que se tenham passado várias horas.

Para quem já tem casa própria e tiver o engenho de adquirir uma segunda habitação ou mesmo uma terceira, pode entrar no convidativo jogo do arrendamento, e assim pagar à hipoteca à custa de terceiros. Uma vez paga esta hipoteca, ou no caso de ter adquirido a moradia ou moradias suplementares com as suas economias e sem a ajuda de crédito, as rendas recebidas são lucro, é dinheiro que entre direitinho no bolso. Quem teve a sorte de adquirir uma loja numa localização central no tempo das vacas magras, hoje pode alugá-la por uma fortuna, e viver dos rendimentos. Imagine o leitor que comprou uma loja na zona do Largo do Senado há vinte anos, ao preço da uva mijona, e hoje aluga-a por qualquer coisa como 500 mil patacas mensais. Pode dar-se ao luxo de passar a vida a viajar, sem trabalhar, e quando lhe faltar o capital é só ir buscá-lo à conta bancária, onde o inquilino deposita todos os meses o combustível da boa-vida. Bem, pelo menos sonhar ainda é grátis.

Outra modalidade é o investimento. Há quem invista na bolsa, em metais preciosos, em moeda estrangeira, e depois há quem invista no mercado imobiliário, e em Macau, aqui é que está o ouro. Há quem compre uma moradia com o intuito de revendê-la com lucro, e há até quem compre uma propriedade que nunca chega sequer a ver. Há ainda quem compre e tenha já um comprador disposto a pagar mais, e recentemente surgiu uma modalidade que tem deixado os investidores em delírio: os “lao fa” (樓花). Estes “lao fa” são, em termos leigos, moradias que ainda não existem, mas que podem ser compradas antecipadamente. Algumas construtoras colocam as fracções à venda após verem aprovado o projecto, e com o dinheiro completam a obra. Em teoria é assim, mas a ideia pode ser aproveitada para se especular. Algumas destas fracções chegam a ser vendidas duas, três ou mais vezes antes da conclusão do edifício – e repito, estas fracções que andam de mão em mão como as pombinhas da Catrina ainda não existem. Isto é que é ter pressa.

Para os chineses, o negócio do imobiliário é um caso sério, com que não se brinca. Há quem chore quando perde um bom negócio, quem se mate quando toma decisões com resultados desastrosos, famílias de costas voltadas por motivos de heranças, partilhas ferozes por sucessão ou por divórcio, irmãos que enganam irmãos, filhos que passam a perna aos pais, penhoras, arrestos, apreensões e outros expedientes de natureza judicial por causa de dívidas ou disputas sobre a titularidade dos imóveis, um pouco de tudo. Basta olhar para a loucura das concessões e das sub-concessões, da pressa em construir cada vez mais alto, como se houvessem milhares de sem-abrigo milionários sentados em frente aos terrenos à espera de um tecto para morar, é como a febre do ouro, e até parece que temos alguma jazida no subsolo. Não temos, mas o que temos são construtores ambiciosos, dirigentes que a eles se associam, e malta endinheirada no continente disposta a pagar dez vezes mais o valor real de uma moradia. E assim Macau vai-se tornando uma enorme máquina de lavar, deitando pela borda fora quem não tem o capital para entrar na brincadeira. Quer dizer, até se podiam ter juntado à malta que comprou as casas todas deste enorme tabuleiro do monopólio, mas agora é tarde.

Deixem os gatinhos em paz


Dois jovens malaios, da província de Johor Baru, pediram desculpa pelas fotografias que publicaram na quinta-feira no Facebook, onde aparecem ao lado de um gatinho fechado num frasco. A imagem foi imediatamente partilhada por milhares de utilizadores, e como não podia deixar de ser, as associações de defesa dos direitos dos animais subiram pelas paredes. O caso foi reportado à Sociedade para a Prevenção da Crueldade contra os Animais da Malásia, que fizeram seguir o caso para as autoridades, que identificaram os autores da fotografia. Além de se desculparem, os jovens garantem que o gato se encontra em perfeito estado de saúde, e não morreu asfixiado, como alguns utilizadores das redes sociais sugeriram. Para provar a integridade do bichano, publicaram uma outra fotografia onde aparece ileso e na sua plenitude como gato. Mesmo assim não se livram de uma multa de 200 ringgit (500 patacas), pena estipulada na lei malaia, que ao contrário da nossa castiga os maus tratos infligidos aos amigos de quatro patas. Eu não sei o que estes gajos fumam, injectam ou snifam para se porem com brincadeiras destas. Não é preciso ser um génio para perceber que ninguém vai achar piada, e ainda se arriscam a ter esses desocupados dos direitos dos animais à perna. Agora paguem e pensem melhor da próxima vez que quiserem fazer do gato um pacote de bolachas.


Já em Fevereiro último o mundo ficou chocado com esta foto publicada também no Facebook, onde se vêem estes quatro tipos, alegadamente tunisinos, a exibir a cabeça de um gato que acabaram de decepar. Atente-se à temática homo-erótica da imagem: isto são quatro rabetas que acabaram de malhar no ginásio, e preparam-se para uma sessão de “abafa-o-palhaço” na casa de um deles. Para decidir qual o primeiro a rodar o cuzinho pelos outros três, resolveram que seria aquele que cortasse a cabeça a um gato, e ganhou o tipo que exibe o “troféu”, já cheio de comichão no rôgo. Reparem como o tipo da esquerda mal pode esperar por espetar a vareta no rabo do parceiro, e até já se encosta, prestes a fazer-lhe festinhas. Pode ser que estes quatro artistas um dia se encontrem com um tigre, um felino mais à altura destes bichas musculados do que a pobre criatura que acabaram de sacrificar ao Deus da enrabadela, e sejam desfeitos em pedaços. E enquanto o tigre os dilacera, vai lembrando: “esta foi pelo meu primo”.

Chatearam a Manuela


Manuel Luís Goucha, conhecida bicha da televisão portuguesa, não gostou de uma brincadeira feita sobre ele no programa “5 para a meia-noite” em 2009, onde foi eleito “apresentadora do ano” (!). Em vez de ir receber o prémio com uma lágrima no canto do olho e fazer os agradecimentos da prache, Goucha resolveu processar Carlos Moura, produtor do “Cinco”, por se ter sentido ofendido na sua dignidade. De facto, não se faz isto com uma senhora, então? O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa não deu razão a Goucha, mas o conteúdo do acordão é de tal forma pitoresco que é caso para se dizer que “foi pior a emenda que o soneto”.

A sentença começa por lembrar que o apresentador “é uma figura pública”, e como tal “está sujeito que os humoristas usem a sua imagem ou captem uma característica sua para fazer humor”. Até aqui tudo bem, mas a certa altura lê-se que «sendo que todos lhe reconhecem características comportamentais que refletem atitudes atribuídas ao sexo feminino, tal como a sua forma de se expressar, as roupas femininas próprias do universo feminino, tendo sempre vivido num mundo de mulheres, veja-se os programas que sempre apresentou na TV». O acórdão menciona ainda que “apesar de Goucha ter assumido recentemente ser homossexual, o programa não faz qualquer referência a esse facto”. Claro que não faz, que ideia. Foi nomeado para “apresentadora do ano” porque na verdade se trata de uma mulher completa, e não de um homossexual. Há cada um...

Se Goucha já não tinha ficado contente com a chalaça de que foi alvo no programa, ficou ainda pior depois desta decisão judicial, e recorreu ao Tribunal Europeus dos Direitos Humanos, em Haia. Uma vez que estes tipos lá na Holanda e ainda mais sendo defensores dos direitos de qualquer lambisgóia ofendida são particularmente sensíveis a este tipo de paneleirices, é bem possível que dêm razão a Goucha, e o estado português pode ser condenado a indemnizar o apresentador, e com dinheiro vindo do bolso dos contribuintes, Goucha diz que é tudo uma questão de dignidade, e adianta que caso vença, doará o dinheiro a instituições de caridade. Depois vira-se para os juízes que o chamaram de bicha louca, e com o punho direito fechado dá três selinhos na palma da mão esquerda enquanto diz “bem feita, bem feita, bem feita!”

Recordo-me de Manuel Luís Goucha nos tempos em que era ainda uma novidade, nos idos anos 80, quando ainda era um homem. Os mais velhos certamente lembram-se da sua “persona” de cozinheiro, de bigode, um rapaz simpático e meio tímido, mas muito telegénico, e que chegou mesmo a lançar o livro de receitas “Coisas doces sem açúcar”. Depois fez uma parceria de sucesso com Teresa Guilherme, que era também uma meia-novidade, e já na segunda metade dos anos 90, passou a apresentar a Praça da Alegria, onde apareceu completamente transfigurado, sem bigode, bronzeado e com tiques de mariconço. Não foi surpresa para ninguém quando se assumiu como “gay”, e actualmente apresenta na SIC o programa “Você na TV”, onde esporadicamente se fazem referências à sua inclinação sexual, como prova este vídeo. Pronto, vá lá, bicha tudo bem, mas mulher? Que horror! Só porque se comporta como uma mulher, usa indumentária ambígua, usa óculos unissexo e dorme com homens? Não há paciência...

Dá-lhe, avózinha!


Já que estamos em Domingo de eleições em Portugal, nada como deixar um vídeo em jeito de provocaçãozinha. Uma idosa de 85 anos de Sintra diz umas verdades ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que a escuta com o mesmo desportivismo com que escutaria uma velha demente durante uma visita a um lar de idosos. A velhota diz-lhe das boas, e nada como tirar um peso do peito antes de partir desta vida. Ah sim, e não se esqueçam de ir votar no vosso candidato a cacique predilecto.

O monstro das bolachas


OJ Simpson passou de bestial a besta, e de besta a reles ladrão de bolachas. Uma fonte anónima revelou que OJ foi apanhado a roubar bolachas da cantina da prisão de Lovelock, no Nevada, onde se encontra detido. A ex-celebridade tirou as bolachas de um prato e embrulhou-as na camisa do uniforme, mas ao tentar sair foi abordado pelos guardas, que lhe puxaram a roupa e fizeram o produto do roubo cair no chão, deixando OJ embaraçado, a fazer beicinho como uma criança apanhada a roubar na mercearia. Uma fonte daquele estabelecimento prisional desmente esta versão dos factos, mas confirmou que OJ estava remetido à cela de isolamento devido a “mau comportamento”. Então se não roubou bolachas, o que fez o OJ? Antiga estrela do futebol americano e actor, OJ Simpson foi condenado em 2008 a 33 anos de prisão por crimes como roubo à mão armada e rapto. Em 1993 foi ilibado do duplo homicídio da sua mulher Michelle e do amante desta por “falta de provas”, uma decisão controversa que não conseguiu convencer a opinião pública da sua inocência. Um fim triste para o homem que tinha tudo, até ao dia em que perdeu a cabeça.

Eis a Miss Mundo


Megan Young, a candidata das Filipinas, é a nova Miss Mundo. O concurso realizou-se ontem na ilha indonésia de Bali, depois de ter sido originalmente programada para a capital Jakarta. A organização do evento foi mal recebida pelos radicais islâmicos, esses rabetas que são alérgicos a mulheres. Eu próprio não simpatizo muito com este tipo de competições que tratam as mulheres como se fossem vacas premiadas, mas a minha heterossexualidade impede-me de protestar contra a presença de mulheres bonitas. Mesmo em Bali, conhecido por ser uma estância turística, a segurança foi reforçada, com a presença de mil soldados do exército indonésio para garantir que nada corria mal.

A nova Miss Mundo nasceu na América, filha de pais Filipinos, mas mudou-se para o país dos seus ancestrais com dez anos, e actualmente é actriz e apresentadora de TV. A primeira dama-de-honor foi a Miss França, Marine Lorphelin, e a segunda dama-de-honor foi a Miss Gana, Carranzar Naa Okailey Shooter. Megan Young é oficialmente "a mulher mais bela do mundo", pelo menos até para o ano. Pelo menos este concurso de Miss Mundo é mais comedido que um tal outro conhecido por "Miss Universo", onde participam apenas mulheres da Terra, deixando de fora candidatas de outros planetas e nebulosas da Via Láctea e de outras Galáxias. Assim não é justo.

Um livro, penso eu de que...


O FC Porto, o mais antigo clube desportivo português em actividade, comemorou a passagem do seu 120º aniversário, numa gala que contou com a presença de grandes nomes do desporto ligados ao emblema da Invicta. Participaram da festa personalidades desde António Oliveira a Aurora Cunha, passando por Fernando Gomes, Vítor Baía e até Mário Jardel, lembram-se dele? Quem é vivo sempre aparece. A grande novidade foi o anúncio do presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, que diz que "vai escrever um livro a contar toda a verdade sobre o caso Apito Dourado", que como se sabe resultou na perda de seis pontos pelo FC Porto, que seriam deduzidos da ampla vantagem com que venceu o campeonato na época 2007/2008. O mais interessante não é tanto o como ou o porquê, mas o quando Pinto da Costa vai escrever o tal livro que promote revelações bombásticas: "quando deixar a presidência do FC Porto", diz ele.

Os leitores que me conhecem sabem que sou adepto dos dragões, e admiro o homem que em 31 anos transformou um clube provinciano numa das maiores potências do futebol mundial e a maior referência do desporto nacional. Para mim é como que um ídolo, o meu herói de infância, mais que um Papa, como o apelidaram: é um deus! Mas...os mortos escrevem? Não me levem a mal, mas tenho a certeza que o cargo de presidente que Pinto da Costa exerce desde 1982 é vitalício. Enquanto o homem viver, ninguém mais ousará ocupar o seu torno no império azul-e-branco. A não ser que queira escrever o livro entretanto, e depois este ser publicado a título póstumo, mas duvido que seja isso o que ele quer. Não faz o seu estilo. Se tiver qualquer coisa para dizer em defesa do nosso clube, que o diga agora, ou leve o segredo consigo para a cova, carago! E espero que isso seja daqui a muitos e bons anos.

Espanha campeã mundial, Portugal 3º


A Espanha sagrou-se ontem pentacampeã mundial de hóquei em patins, ao bater ontem na final a Argentina por 4-3, em Luanda. Uma vitória suada do "roja", contra uns sul-americanos que parecem querer voltar à ribalta do hóquei patinado. A selecção espanhola não parece tão forte, pelo menos como nas últimas edições em que conquistou o ceptro mundial. Foi realmente pena que a selecção portuguesa tenha ficado afastada desta final, pois teria sérias possibilidades de discutir o título com a Espanha. Os espanhóis ultrapassam assim Portugal em número de título, contando agora com 17, contra os 16 da equipa lusa.

Mas Portugal teve que se contentar com o 3º lugar, e na partida de atribuição do último lugar do pódio bateu o Chile por 10-3. A selecção portuguesa dominou a seu bel-prazer, e o "gás" dos chilenos, equipa sensação da prova, ao eliminar a equipa da casa, Angola, na fase grupos, e a Itália nos quartos, esgotou-se nas meias-finais, quando foram goleados pela Espanha por esclarecedores 7-0. Portugal fica com um terceiro lugar que sabe a pouco, mas a forma como bateu toda a oposição com excepção da Argentina prova que continua a ser um crónico candidato ao título, apesar deste vir fugindo há dez anos.

Nas restantes partidas, a Itália conquistou o quinto lugar ao bater o Brasil por 2-1, enquanto Moçambique obteve um excelente 7º lugar, ao vencer a França por 5-4. A selecção da casa, Angola, foi a "primeira das últimas", terminando no nono posto, o primeiro da poule classificativa entre o 9º e 16º lugar, vencendo no jogo decisivo a Suíça por 6-1. A Alemanha terminou em 11º, África do Sul 12º, e no jogo que decidia quem ia acompanhar Uruguai e Áustria de regress ao grupo B, a Colômbia venceu os Estados Unidos por 6-1. Os uruguaios ficaram com a lantern vermelha, após perder com a Áustria por 5-1, no jogo de consolação.

Atletico "gela" o Bernabéu


Real Madrid 0-1 Atletico Madrid 28.09 ourmatch.net by ourmatch
O Real Madrid foi derrotado ontem em casa frente ao rival da capital espanhola, o Atletico, por uma bola a zero. Os "colchoneros" marcaram aos 11 minutos pelo sensacional Diego Costa, um brasileiro que no início da sua carreira como senior representou o Penafiel e o Sp. Braga, em Portugal, e que aos 25 anos é um dos jogadores mais valiosos da liga espanhola, liderando a lista de melhores marcadores a par de Lionel Messi, com oito golos em sete jogos. O Atletico limitou-se a gerir a vantagem a partir do golo, e C. Ronaldo e seus pares nunca conseguiram encontrar o caminho do golo, acabando com uma derrota, que não sendo de todo surpreendente, estava fora das previsões da maioria. O Atletico não descola do Barcelona, que horas antes fora a Almeria vencer por 2-0 com golos de Messi e Adriano, e ambos lideram com 21 pontos, como Real Madrid já a cinco de distância. É um Atletico 100% vitorioso que se apresenta na terça-feira no Dragão contra o FC Porto, ainda para mais motivado com a vitória neste clássico. Prevêm-se grandes dificuldades para a equipa portuguesa.

"Derby" português acaba empatado, ManU em apuros


O Tottenham de André Villas-Boas e o Chelsea de José Mourinho empataram a um golo em White Hart Lane, uma partida aguardada com grande expectativa, pois colocava pela primeira vez frente a frente dois técnicos portugueses na competição principal do futebol inglês. O Tottenham entrou melhor, e marcou aos 19 minutos por intermédio do internacional islandês Gylfy Sigurdsson. Os "blues" de Mourinho correram atrás do prejuízo, mas ficava difícil ultrapassar a teia defensiva montada por Villas-Boas. Foi preciso o capitão John Terry colocar ordem na casa, ao marcar o golo do empate aos 65 minutos. Depois de uma guerra de palavras durante a semana, nem o mestre Mourinho, nem o seu ex-pupilo Villas-Boas têm razões para chamar a si a razão. Fica para a próxima, o tira-teimas.

Quem aproveitou o empate dos rivais londrinos para se isolar na liderança da Premier League foi o Arsenal, que venceu no País de Gales o Swansea por duas bolas a uma. O Sábado correu mal para os emblemas de Manchester: o City foi derrotado em Birmingham frente ao Aston Villa por 2-3, e o United foi surpreendido em casa pelo modesto West Bromwich Albion, por 1-2. David Moyes está a ter problemas em fazer esquecer o mítico Alex Ferguson, e o ManU ocupa agora um pouco habitual 12º lugar, já a oito pontos do líder.

Benfica escorrega na Luz, Sporting vence em Braga


O Benfica empatou ontem na Luz a uma bola frente ao Belenenses, interrompendo a série positiva que se seguiu à derrota na jornada inaugural no Funchal, frente ao Marítimo. Jorge Jesus apostou na dupla ofensiva Cardozo/Lima, e o paraguaio justificou a confiança do técnico ao marcar o golo inaugural logo aos 17 minutos. O Belenenses, que entrou nesta partida com o estatuto de lanterna-vermelha após a vitória do P. Ferreira, empatou aos 30 por Diakite. Os azuis vinham de uma semana difícil, com o anúncio do afastamento do técnico Mitchell Van der Gaag, a contas com problemas cardíacos, mas encontraram na contrariedade motivação suplementar para aguentar as investidas dos encarnados, e saíram do "derby" lisboeta com um precioso ponto. O Benfica perde mais dois pontos e reparte agora o quarto lugar com o Estoril, a cinco pontos do líder FC Porto.


Em Braga, no jogo grande da jornada, o Sporting de Leonardo Jardim disse "presente" na discussão dos primeiros lugares, e venceu os minhotos por 2-1, uma vitória arrancada a ferros e sem uma exibição de encher o olho. Os leões adiantaram-se no marcador aos cinco minutos pelo colombiano Fredy Montero, que apontou o sétimo golo na Liga e continua a liderar a lista dos melhores marcadores, mas o Braga reagiu, e Alan empatava aos 27. Quatro minutos depois surgiu uma contrariedade para a equipa de Jesualdo Ferreira, com a expulsão de Aderlan Santos, mas a vantage numérica só seria aproveitada pelo Sporting perto do fim, aos 86 minutos, quando o defesa Cedric Soares marcou o golo que garante aos verde-e-brancos os três pontos, e o 2º lugar da Liga por troca com o Braga, a dois pontos do Porto.

Noutras partidas registaram-se algumas surpresas, com nenhuma das equipas que jogavam em casa a vencer. O P. Ferreira obteve a primeira vitória, ao bater no Funchal o Marítimo por 4-3, um jogo recheado de golos e emoção. Mais sorte teve a outra equipa madeirenrese, o Nacional, que foi a Vila do Conde bater o Rio Ave por expressivos 3-0. A equipa de Manuel Machado está em grande, e ascendeu ao 6º lugar com 10 pontos. Em Coimbra, Académica e Arouca empataram a zero, protagonizando o primeiro nulo desta edição da Liga. Há cinquenta anos que não se registava o primeiro encontro sem golos tão tarde - um bom sinal, pois os golos são o sumo do futebol. Finalmente o sensacional Estoril foi a Olhão bater o Olhanense de Abel Xavier por 2-1, e alcançou o Benfica no quinto lugar. A sexta jornada conclui-se na segunda-feira com a realização do V. Setubal-Gil Vicente, no Bonfim.

sábado, 28 de setembro de 2013

A última vez que vi Portugal


Mais uma semana que termina, e mais uma que está prestes a começar, mas com o aliciante de termos feriado na terça e na quarta (pelo menos os mais felizardos). Cumprindo a sua faceta de service público, o Bairro do Oriente deixa-vos com o artigo da última quinta-feira do Hoje Macau, para quem não teve oportunidade de ler, para quem se "esqueceu" deste vosso mais que tudo esta semana, ou para quem é demasiado somítico para gastar dez patacas no jornal, e o "cromo" do café estava agarrado à edição "da casa", como se tivesse sido ele a comprar. Continuação de um óptimo fim-de-semana, e para quem está em Portugal, não se esqueça de ir votar amanhã.

Estamos em finais de Setembro, a “temporada” 2013/2014 está no início, mas para muitos é já uma realidade factual. As últimas férias passaram num ápice, e as próximas parecem uma realidade distante, e mesmo os “resistentes”, que as guardaram para Setembro, vai caindo como tordos, rendidos ao “chumbo” da realidade do trabalho e das aulas. Para a comunidade portuguesa em Macau, ir a Portugal durante os meses do Verão é um deleite, uma oportunidade de rever família e amigos, matar essas malditas saudades, e renovar a sua lusitanidade, o seu sentimento de pertença a uma nação pobrezinha mas orgulhosa, com uma História que causa inveja americanos, canadianos e outros “noveau riche”. Ir a Portugal é cansativo, pois a juntar às 14 ou 15 horas de viagem, incluindo a escala, há ainda a espera no aeroporto de uma cidade europeia qualquer, já com aquele “bichinho” que nos faz sentir que Portugal está mais perto a mexer. É com satisfação que ficámos a saber que a TAP está a estudar a possibilidade de realizar voos directos de Lisboa a Macau, mas para encurtar mesmo a distância, o ideal era recortar do mapa aqueles países esquisitos que nos separam e colar Macau mais perto do país do nosso coração.

Ir a Portugal sai caro, e o custo dos bilhetes de avião acaba por ser um mal menor, comparado com despesa que se faz durante os dias que lá estamos. Ninguém vai até tão longe para depois ficar em casa, e fazendo as contas ao que se gasta em passeios, jantaradas, fins-de-semana no Algarve, dois ou três dias na Madeira, hotéis, pousadas, mimos para os miúdos, copos com os amigos e tudo mais, acabamos por pensar que andamos três ou quatro meses a “trabalhar para o boneco” em Macau. Visto de fora, desta distância e deste fuso horário, em Portugal está tudo bem, e a crise é apenas residual, exacerbada pelos telejornais e restante imprensa. Os hipermercados estão sempre a abarrotar de gente possuída de uma febre consumista, os ingressos para os concertos de Verão esgotam em poucas horas, e é impossível arranjar mesa numa marisqueira em Sesimbra a partir das sete da tarde. O país está sempre em festa, e até parece que fizeram o melhor para nos receber bem, como quem nos convida a juntar-se ao arraial.

Recorrendo a uma analogia romântica, Macau está para Portugal como uma esposa fiel e dedicada está para uma amante exigente e estouvada. Em Macau fazemos as compras para a semana no supermercado, em Portugal perdemos a cabeça nas grandes superfícies, compramos o que não precisamos e no fim ainda precisamos de deitar qualquer coisa fora. Cada vez que voltamos de Portugal levamos connosco o triplo da bagagem que levámos de Macau, como quem evita levar consigo qualquer vestígio da mulher quando se encontra com a amante, mas volta depois a casa com o perfume da outra. Quando comemos em Macau uma sensaborona lagosta criada num insonso aquário, suspiramos pelos “bichos” que saltitam na nossa costa e acabam na marisqueira onde nos deliciamos com o seu sabor a mar. Andamos onze meses a economizar em Macau para depois “estoirar” o pé-de-meia em Portugal, mas na consciência temos aquela vozinha que nos lembra de onde veio aquele dinheiro que andamos a gastar sem pensar.

Vou a Portugal em cada dois ou três anos, e às vezes nem isso. Quando cheguei a Macau pela primeira vez fiquei cinco anos sem lá voltar, e mesmo quando vou sinto que é mais para fazer uma reciclagem do que com um propósito útil. Claro que não fico indiferente às diferenças para melhor, afinal sou apenas humano. Das últimas vezes recordo-me especialmente de um “buffet” de comida alentejana num restaurante à beira da estrada ali para os lados de Azeitão, que na sua simplicidade metia no bolso qualquer um daqueles hotéis de luxo em Macau, sem alma e com comida a metro, onde os turistas do continente se atiram à travessa das ostras como se não houvesse amanhã, e se usa a mesma espátula com que se corta o tiramisú para cortar o pudim flan. Lembro-me de um restaurante junto do Castelo de S. Jorge, em Lisboa, onde o empregado nos recomendou um prato de peixe em detrimento de outro, que “não estava tão fresco”. Em Macau traziam-me o que eu pedisse e estavam-se nas tintas para a frescura. Cada vez que entro numa livraria ou numa loja de discos em Portugal sinto-me como uma criança gulosa numa fábrica de chocolates. E o que dizer do clima? Sequinho, dias quentes e noites frescas, nem uma nuvem no céu, contrastando com a chuva e o calor acompanhado da humidade que são o pão nosso de cada dia do Verão das monções, onde se inclui Macau. O mais parecido que temos aqui com o azul impecável do céu é o tecto do Venetian.

Os cinco anos que passei sem voltar às origens após a minha vinda para Macau foram de uma utilidade extrema. Serviram para me soltar das correntes da saudade, foram o curso, a pós-graduação e o estágio que fizeram de mim um português de Macau, e não um português em Macau. Se há coisa que nunca quis ser foi um emigrante, imagem que associo a alguém derrotado, que vira as costas a todos e a tudo quanto ama, e parte contrariado rumo ao desconhecido, de mala de cartão numa mão e passaporte na outra. É uma maravilha ir a Portugal de férias, sem dúvida, especialmente quando tantos portugueses já se esqueceram do significado da palavra “férias”. O que gastamos pelo simples facto de termos vindo de Macau é o equivalente aos que os mais bafejados pela sorte gastam ao passar as férias na República Dominicana e nas Seychelles. Para quem sabe a razão porque está em Macau a trabalhar, e onde os seus filhos vão à escola, em vez de estar a usufruir daquele país fantástico de onde volta sempre a dizer maravilhas, sabe que tudo não passa de uma fantasia. A amante pode ser mais jovem, bela e divertida, mas é a esposa que sabe como ninguém de como gostamos do café, que nos deixa a roupa passada, que nos aconchega quando temos frio, que nos atura as birras. Macau é a realidade, Portugal é um sonho lindo, mas distante.


Vespas...gigantes...assassinas...é o fim


Quando se fala de picadas de abelhas e de vespas, sinto calafrios a percorrerem-me a espinha, pelo que esta notícia assume para mim contornos especialmente assustadores. O facto de estar a menos de dez mil quilómetros da acção preocupa-me, e temo que isto me venha a tirar o sono. Aliás, já cuidei que todas as janelas que dão para a rua estão hermeticamente fechadas, e renovei o meu estoque de Raid Max, de modo a poder responder a ataques de criaturas aladas proveninentes do reino dos insectos, o mais nojento à face da Terra. Acontece que na China, aqui mesmo ao lado, a menos de vinte minutos de carro ou de táxi da minha casa e da casa do prezado leitor, há pessoas A MORRER devido à picada de VESPAS GIGANTES! Repito: VESPAS GIGANTES!

Se ainda não foi a correr esconder-se debaixo da cama com o telemóvel para ligar à Protecção Civil (era igual ao litro, estes só querem saber de tufões), para perguntar em voz sumida o que fazer perante o ataque destes insectos do demo, não vão eles escutar a voz e perceber a presença de humanos através das vibrações do som, acalme-se: não é assim tão grave. Estas "vespas gigantes", ao contrário do que o nome sugere, não são do tamanho de helicópteros. No reino dos insectos considera-se "gigante" qualquer coisa maior que uma moeda de uma pataca, e estas vespas tem no máximo cinco centimetros de comprimento, e a medida de uma extremidade à outra das asas, quando abertas, não ultrapassa os seis centímetros. O ferrão que deixam na sua vítima terá qualquer coisa como seis milímetros, mas possui uma potente neurotoxina capaz de matar, ou de deixar um humano adulto em muito mau estado. É no veneno que estas vespas são realmente "gigantes". São assassinos de asas às riscas pretas e amarelas.

Esta espécie de vespa tropical é comum em países e regiões como a Russia, Coreia, Taiwan, Indochina, Nepal, India, Sri Lanka, Japão e, lá está, China. Normalmente atacam abelhas ou outros insectos mais pequenos e inofensivos, mas nos últimos três meses têm-se intensificado os casos de ataques a humanos. Só na província de Shaanxi foram registadas 28 mortes e centenas de feridos desde o início do Verão! A neurotoxina, que como já referi é ultra-potente, e provoca não só anafilaxia imediata - a reacção alérgica ao veneno dos insectos, caracterizada por inchaço dos músculos e da região facial - como também nos dias seguintes pode levar a alterações drásticas no metabolismo, causando insuficiência em alguns orgãos vitais, como os rins, podendo mesmo levar à morte! E ninguém se pode dizer imune a este cenário dantesco; entre as fatalidades estão os mais resistentes, que não são alérgicos a porra nenhuma. Quem for picado deve dirigir-se de imediato ao hospital, ou à casa mortuária, conforme o que sentir no minuto seguinte à ferroada. E mesmo que opte pelo primeiro, as chances são de 50/50.

As vespas gigantes têm atacado sobretudo as populações das regiões rurais, e mesmo alguns cidadãos oriundos das cidades que se aventuram pelos bosques onde as malditas fazem os seus ninhos, alguns deles capazes de albergar centenas de residentes. O insecto é sensível aos cheiros da comida e dos cosméticos, pelo que embrenhar-se numa mata onde existam vespas gigantes mastigando uma sandes de presunto a caminho de uma "performance" de ópera chinesa, tendo optado por vir previamente maquilhado de casa, é como uma sentence de morte. Os cientistas dizem que o aumento da agressividade se poderá dever a uma mutação genética, própria da evolução de todas as espécies, desde as amoebas à baleia azul. No caso destas vespas, resolveram evoluír para pior, para nos chatear, como se já não tivessemos pragas, pestes e outras porcarias que chegassem. É um aviso da mãe natureza, meu caro leitor. A humanidade já podia contar com ela própria para se auto-destruír, mas tudo indica que nesta luta contra nós próprios, os reforços vêm a caminho.

Quem te mandou seres boa?


Kalki Koechlin, actriz indiana de ascendência francesa (o pai é francês) causou sensação ao realizar este vídeo onde ironiza a actual onda de violações na India, dando-lhe inclusivamente o sugestivo título "It's your fault" - "a culpa é tua". Os casos de abusos sexuais cometidos contra mulheres na India tem sido alvo de debate público sobre a condição feminina naquele país, onde a sociedade é ainda conservadora, tradicionalista, do tipo patriarchal, e os homens considerados a principal fonte de subsistência das famílias. Através da ironia, Kalki chama a atenção para a tendência em atribuir a culpa das agressões sexuais à própria vítima, à mulher, que de acordo com algumas opiniões, não terá feito o que estava ao seu alcance para proteger a sua honra, e estabelecer uma distância entre ela e o agressor.

Se uma violação ocorre, e entendo "violação" como o uso da força para obter gratificação sexual, a culpa é sempre do violador, e não há decote, mini-saia ou vestido mais apertado que a justifiquem. Podemo-nos babar e ficar a morder o lábio inferior com os dentes de cima enquanto reviramos os olhos e cerramos os punhos, ou nos casos mais graves correr até à casa-de-banho mais próxima e aliviar a tensão com uma sessão de cinco-contra-um, mas obrigar uma mulher a ter relações sexuais contra a sua vontade e recorrendo ao uso da força é próprio das bestas. Penso que nem os nossos antepassados, como os Neanderthal, aprovavam a prática sem pelo menos um código de conduta que determinasse certos limites, o que não tem acontecido na India. O vídeoi fez furor no YouTube, e conta com mais de dois milhões de visualizações em quatro dias

Querem acabar com a nossa raça


Este é um Sábado profícuo em notícias relacionadas com a comunidade LGBT. Agora é o presidente da Gâmbia, um pequeno país africano conhecido oficialmente como "a Gâmbia", em vez de simplesmente "Gâmbia" (possivelmente para não ser confundido com outra gâmbia qualquer) quem vem dizer que os homossexuais "são uma ameaça à espécie humana". Yahya Jammeh, o presidente desta "a Gâmbia", tem direito à sua opinião, é certo, mas não fez a coisa por menos e partilhou-a com os restantes membros da Assembleia Geral das Nações Unidas ontem, durante uma reunião na sede da ONU, em Nova Iorque. Jammeh diz que os "gays" ameaçam a continuidade da espécie humana, isto apesar dos números demonstrarem que a espécie humana está bem e recomenda-se; em 2012 ultrapassámos a barreira dos sete mil milhões, a população mundial cresce na ordem dos 400 milhões a cada cinco anos, e daqui a menos de cinco décadas seremos mais 10 mil milhões. Das opções para colocar um travão a este crescimento, que na prática significa que vai ser difícil arranjar comida para todos, prefiro os "gays" às guerras ou às epidimias como forma do controlo da natalidade.

Yahya Jammeh, julgando estar a falar para um bando de radicais islâmicos numa mesquite qualquer, diz que os homossexuais "estão a ganhar demasiado poder e influência", como se fossem algum partido político que recruta simpatizantes. "Desiludido com a heterossexualidade? Farto da vagina ou farta do pénis? Junte-se a nós! Garantimos que o esperma e o óvulo jamais se encontrarão!". O presidente de "a Gâmbia" considera que a homossexualidade se está a tornar "uma epidemia", e que cabe e outros como ele, "os africanos e os muçulmanos" combater este mal. Jammeh apontou ainda o dedo a países que consideram a homossexualidade "um direito", e que desaprovam as leis anti-gay, tidas como violações dos direitos humanas. Ora este senhor considera este tipo de conduta sexual "anti-humana e contra os princípios de Alá". Qual direitos humanos, qual carapuça. Alá desaprova, está zangado, fez birra e não quer vir para a rua brincar.

Este senhor Jammeh é um daqueles líderes africanos muito castiços, que considera a sua opinião lei, e se não é lei, devia ser. Tornou-se presidente de "a Gâmbia", um pequeno país da África Ocidental com menos de dois milhões de habitentes em 1994, quando tinha apenas 29 anos, graças a um golpe militar "sem derramamento de sangue". Achou por bem tomar conta daquilo, enfim. Realizou "eleições" em 96, 2001, 2006 e 2011, que venceu, naturalmente. Aquilo deve ter dado imenso trabalho, organizar as eleições, preencher os boletins, contá-los e tudo mais. Maldita "democracia". Em 2007 diz ter descoberto a cura para a SIDA, através de uma infusão de ervas naturais. Na altura foi criticado por dar falsa esperança aos doentes com HIV, que como se sabe, am África came como tordos perante a epidemia. É um gajo cheio de predicados para falar em nome de Alá.

O discurso de Jammeh perante os representantes das 193 nações e territórios autónomos que compõem a ONU veio na sequência de uma moção de um grupo de países membros no sentido de condenar as leis que discriminam os homossexuais, algumas delas em violação dos mais básicos direitos civis. Segundo um relatório da organização, em 2011 existiam 76 países que ainda criminalizam as relações entre pessoas do mesmo sexo.

Palavras para quê?

No bolso é onde dói mais


Ontem dei conta do repúdio da comunidade "gay" às afirmações de Guido Barilla, patrão da marca de massas Barilla, que numa entrevista a um canal de rádio afirmou que nunca iria apelar aos consumidores homossexuais, e que para ele o conceito de família era o "tradicional, com uma mulher e um homem". Ora depois da chuva de críticas da comunidade "gay" e dos seus amigos, Barilla voltou atrás nas palavras, e pediu desculpa por aquilo a que chama "um mal entendido". O proprietário de uma das marcas de massa mais conhecidas em Itália e no mundo, fundada há 130 anos pelo seu bisavô, veio agora dizer que as suas palavras foram "mal interpretadas", e que as suas convicções não têm nada a ver com o esparguete. Portanto, Guido Barilla é um homem com H, não é homossexual nem sequer um "curioso", mas isto não significa que quem é não tenha direito a um prato de Bolognese, fettucini com salmão, papardella com molho Alfredo ou simplesmente almôndegas com spaghetti. Barilla diz-se mesmo disposto a ter um encontro com o representante ou representantes dos grupos ofendidos para explicar que não tem nada contra ninguém ou nenhuma opção de vida, e volta a reiterar o pedido de desculpas a quem tenha ficado ofendido pelas suas afirmações.

A entrevista de quinta-feira na Radio 24, uma estação italiana mais ou menos conhecida escutada por perto de dois milhões de ouvintes, espalhou-se como fogo na palha nas redes sociais, com as comunidades LGBT a apelarem ao boicote da marca Barilla. Analistas financeiros e especialistas em vendas falam de "desastre em termos de relações públicas", e dizem que as afirmações de Barilla podem ter impacto nas vendas "nas próximas semanas", e com prejuízo para a empresa. Quem se apressou a capitalizar no incidente foi uma das marcas rivais, a Buitoni, que logo na sexta-feira lançou um anúncio televisivo, onde se via a porta de um restaurante italiano típico escancarada e onde se dizia: "na Buitoni há lugar para todos". São sinais dos tempos, meus amigos. Os "gays", quer se goste ou não deles, se simpatize ou se odeie, são também consumidores, comem massa, gastam dinheiro, e esse dinheiro é igual aos outros. Quem tem um negócio para gerir e não nutre qualquer sentimento positivo pela malta homo, o melhor mesmo é guardar para si a sua opinião, e abster-se de comentar as suas opções. O sr. Barilla aprendeu isto da pior forma: foram-lhe ao bolso, e doeu.

Chungaria precoce


A polícia de Nova Iorque encontrou ontem à tarde 14 sacos de marijuana na mala de uma menina de 3 anos num infantário em Manhattan. As autoridades foram chamadas depois dos auxiliares de educação terem sentido um forte cheiro a cannabis na sala onde tomavam conta das crianças - não fossem estes professores, no fim de contas, e reconhecerem a milhas o cheiro a "erva". Suspeita-se que os pais da pequena sejam pequenos traficantes, ou "passadores", e que se tenham esquecido do "produto" depois de o acomodarem na mochila da filha. A criança ficou entregue aos cuidados da assistência social, enquanto os pais são procurados para explicar o sucedido - e vai ser muito difícil de explicar. Os outros pais que tinham crianças a cuidado daquele centro de ensino dizem-se "chocados", mas reiteram a confiança no infantário, e culpam os pais pelo incidente. Isto é o que dá andar a fumar enquanto se faz negócio; dá-lhes uma branca e depois descuidam-se. Já deviam saber: trabalho é trabalho, conhaque é conhaque.

A segunda morte de Diana


Está aí o tão aguardado filme sobre Diana Spencer, a princesa de Gales, desaparecida em Agosto de 1997 após um acidente de automóvel em Paris. Diana tornou-se membro da família real britânica quando casou com o Príncipe Charles, herdeiro do trono, e com ele teve dois filhos: William e Harry. O casamento real, um verdadeiro conto de fadas, ficou marcado por rumores da infedilidade de ambos, e terminaria em divórcio, em 1995. Apesar de Charles ter também a sua quota de responsabilidade, eram as escapadelas amorosas de Diana que mereciam a atenção dos tablóides, e tornaram-na alvo preferencial de "paparazzi" e caçadores de prémios, que a seguiam para toda a parte em busca de uma foto onde surgisse na companhia de mais um interesse amoroso, ou em poses compromotedoras. Além dos escândalos, Diana ficou conhecida pelo seu trabalho humanitário, o seu carinho pelos mais pobres e desfavorecidos, e mais celebremente por ter dado a cara pela campanha de desminagem em Angola. A sua popularidade fizeram-lhe ficar conhecida como "a Princesa do Povo", o que não era muito bem visto pela família real, conservadora e pouco dada a este tipo de populismo.

No dia 31 de Agosto de 1997 jantava com o seu namorado Dodi Al-Fayed num restaurante em Paris, e à saída foi rodeada por centenas de "paparazzi", que perseguiram o seu Mercedes, conduzido pelo seu guarda-costas Paul Burrell. Na tentativa de se livrar dos seus perseguidores, Burrell imprimiu mais velocidade ao veículo, que se viria a despistar no Túnel das Almas, causando a morte a Diana e Al-Fayed. Enquanto era resgatada do automóvel, ainda com vida e consciente, Diana apelava desesperadamente aos fotógrafos "que a deixassem em paz". A sua morte deixaria os britânicos consternados, e o funeral foi um evento mediatizado à escala mundial. Elton John, amigo pessoal de Diana, gravou uma nova versão do seu clássico "Candle in the Wind", dedicado a ela, e que foi um sucesso de vendas. Desde logo houve quem atribuísse à coroa culpas pelo triste fim da princesa, apontando o dedo ao excesso de formalismo da casa real de Buckingham. Lidar com o fenómeno Diana foi provavelmente a tarefa mais difícil do reinado de Isabel II. Nem os bombardeamentos alemães durante a II Guerra ou o ultraje dos Sex Pistols durante o seu primeiro jubilee em 1977 lhe deram tantas dores de cabeça.

Sendo dotada de uma extraordinária beleza, plena de classe e com uma fotogenia fora de série, Diana foi sempre tida como uma mulher desejável. A princesa tinha de mulher-fatal o que faltava ao seu marido em charme, e as suspeitas de infidelidade de Diana apelavam ao imaginário popular e chegaram mesmo a criar uma espécie de anedotário. Há quem garanta que a princesa tinha um amante português e tudo. Mas aquele que, e isto segundo a própria, foi "o homem da sua vida" é Hasnat Khan, um conhecido cirurgião paquistanês de nacionalidade britânica. A relação foi assumida entre ambos em 1996, altura em que Diana visitou a sua família em Lahore, mas diz-se que se terão envolvido sentimentalmente antes disso, ainda durante o período em que a princesa estava casada com Charles. A relação com Dodi, com quem viria a encontrar a morte, era relativamente recente. Dodi era filho de Mohammed Al-Fayed, bilionário egípcio e dono da cadeia de lojas Harrod's. A tendência de Diana para se envolver com islâmicos deixavam Isabel II furiosa. Muito má publicidade para o sangue azul de Windsor, ver um dos seus filhos trocado por ex-súbditos do império, e ainda por cima infiéis.

Este biópico sobre Diana, realizado pelo alemão Oliver Hirschbiegel, conta com Naomi Watts no papel principal, e diz-se que a actriz não podia ter sido melhor escolha. O filme estreou nas salas de cinema do Reino Unido em 5 de Setembro, foi mal recebido pela crítica (apenas 3% no Rotten Tomatoes, o termómetro da crítica de cinema mundial) e ainda menos apreciado pelos fãs da princesa. Os que ainda recordam Diana pela sua generosidade e carisma não viram com bons olhos a ênfase dada aos casos amorosos e aos escândalos, em detrimento do seu trabalho humanitário. Os seus anos como membro da casa de Windsor são completamente ignorados, e o co-personagem da película é não Charles, mas Hasnat Khan, aqui interpretado por Naveen Andrews, que se celebrizou no papel de Sayid na série "Lost". Há quem considere o filme um insulto à memória de Diana, uma "segunda morte" da Princesa do Povo. Eu não fazia intenções de ver o filme, mesmo que fosse aclamado pela crítica, mas assim posso ignorá-lo à vontade, sem problemas de consciência ou assomos de curiosidade mórbida. Diana continua a ser o mártir, e Naomi Watts continua a ser Naomi Watts.

Tango da despedida (na terra do kuduro)


Portugal foi afastado da final do mundial de hóquei em patins ao perder nas meias-finais frente à Argentina, voltando assim a falhar a discussão do título mundial, que lhe foge desde 2003. A partida foi resolvida no prolongamento, depois de 0-0 no tempo regulamentar. Um resultado raro num desporto rápido como o hóquei em patins, onde apenas num minuto se podem marcar dois ou três golos, mas o mérito foi dos guarda-redes de ambos os lados - André Girão e Valentin Grimalt. A três minutos do fim deu-se um lance polémico, quando Diogo Rafael remata à baliza argentina e a bola é desviada involutariamente pelo braço por João Rodrigues e entra, com o árbitro espanhol Josep Navarro a anular o lance. No último lance da segunda parte do tempo regulamentar Portugal teve uma grande oportunidade para resolver a partida, quando beneficiou de um livre directo, após a décima falta da equipa argentina, mas Luís Viana desperdiçou. Como quem não marca sofre, os argentinos aproveitaram a décima falta dos portugueses no quarto minuto do prolongamento, com Carlos Nicolía a bater finalmente André Girão. A Argentina estava na final graças ao golo de ouro, e vai encontrar a Espanha, que na outra meia-final "despachou" o Chile por 7-0. A Portugal resta discutir o 3º lugar com os chilenos.

Uma curiosidade espantosa que tive o desprazer de observar no final deste encontro de Luanda foi a festa de alguns adeptos angolanos após a vitória da Argentina. Não espero nenhum tipo de simpatia da parte dos naturais de Angola, um país independente e estrangeiro que "só" tem laços históricos e linguísticos connosco, e desconfio que este súbito apoio dado aos adversários de Portugal se deve ao facto de não termos deixado a selecção angolana vencer no último jogo do grupo C, o que valeu a eliminação da equipa da casa. Os argentinos terão ficado lisonjeados com esta inesperada oferta de cuzinho palanca, mas penso que mesmo assim preferem as argentinas, desculpem lá. Boa sorte em encontrar uma competição onde os adversários "deixem ganhar" para vos dar um jeitinho, que pelos vistos pelos próprios méritos não chegam lá. Já agora aproveitem para ver o jogo de atribuição do 3º lugar, e aprendam como se ganha ao Chile. Ah sim, e boa sorte para o jogo contra a Suíça, que decide o 9º lugar. Afinal sempre acabam nos dez primeiros, e a jogar em casa. Nada mau.

Porto bate Guimarães


O FC Porto venceu ontem o V. Guimarães no jogo de abertura da 6ª jornada da Liga Sagres, que este fim-de-semana teve a sua ronda antecipada para Sábado devido às eleições autárquicas em Portugal no Domingo. Os dragões suaram para conquistar os três pontos, e o golo só chegou na segunda parte por Josué, na transformação de uma grande penalidade polémica, pois aparenta que o colombiano Juan Quintero se faz à falta na área adversária, "enganando" o árbitro José Proença. No entanto o Porto só se pode queixar de si próprio, pois no primeiro tempo teve um rol de oportunidades para marcar, mas esbarrou sempre com a compacta defesa vimarenense e no guardião Douglas, que fez uma excelente exibição. Depois do golo o Porto abrandou o ritmo, pensando já no exigente jogo da próxima terça, quando vai receber o Atlético de Madrid no Dragão a contar para a Liga dos Campeões. Os vitorianos voltaram a dar trabalho aos grandes, pois já na jornada anterior fizeram o Benfica suar para vencer no Minho. A equipa de Rui Vitória demonstra significativas melhoras desde o jogo inaugural da temporada, quando perdeu 0-3 com este mesmo FC Porto na Supertaça. O Porto vai continuar a liderar, aconteça o que acontecer nas partidas entre o Benfica e o Belenenses, e o tão aguardado Braga-Sporting.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Doçis 20 anos


Os Doçi Papiaçam di Macau, grupo de teatro em patuá, comemora este ano 20 primaveras, uma data redonda que vai ser assinalada em grande estilo no dia 26 de Outubro com uma apresentação especial no Venetian Theatre, sob o sugestivo título “Dále Más!!!”. O grupo fundado por Miguel de Senna Fernandes em 1993, no ano seguinte à morte de Adé dos Santos Ferreira, considerado o grande poeta do crioulo de Macau, tem levado a cena todos os anos peças de teatro, normalmente inseridas no Festival de Artes de Macau.

Pelos Doçi passaram grandes talentos do teatro amador local, riquíssimo, atendendo à dimensão do território e da própria comunidade macaense. Só é pena que as novas gerações não se interessem por manter as tradições dos seus pais e avós, a costela “maquista” que distingue estes filhos de Macau dos portugueses e dos chineses, as matrizes que se encontraram e lhes deram origem, com “pózinhos” de outros povos da região e até das partes mais improváveis do globo.

Com as dificuldades que são conhecidas e graças à carolice dos seus elementos, o grupo tem-nos divertido com as suas comédias que ilustram a realidade de Macau, do seu passado, do seu presente, das tradições e das mudanças constantes que ocorrem na actual RAEM, sempre atentos à actualidade e com um talento especial para ironizar e escarnecer, sempre dentro do bom gosto e com muita “chiste”.

Chegar aos vinte anos é um feito notável, especialmente se levarmos em contas os “velhos do Porto Interior” (versão local dos velhos do Restelo), que desde a primeira hora apontam para o carácter efémero deste projecto, que seria “diluído” com a passagem de Macau para a China, e não passaria de uma nota de rodapé da recta final da presença ocidental nesta pequena paragem do Oriente. Enganaram-se, e ainda bem, e há muito que guardaram a viola no saco e foram tocar para a Doca do Lam Mau, onde nem os peixinhos lhes dão ouvidos.

A sucessão de novos talentos – alguns que começaram nos Doçi e partiram para outros vôos no mundo do espectáculo – é uma prova que basta procurar, persistir e trabalhar para alcançar o sucesso. Quem já os viu sabe que fazer parte dos Doçi é motivo de orgulho, e o grupo pode sempre contar com a participação de personalidades dos mais diversos sectores da sociedade local para fazer um “pézinho” como convidado especial. Quem recusaria um papel, mesmo que pequeno, num dos divertidíssimos videos dos Doçi? Eu não, e ainda espero (sentado) pelo convite.

Tal como tinha prometido aquando da apresentação da última peça “Amor Divoto”, Miguel e os seus Doçi vão celebrar as duas décadas de dedicação ao seu projecto com aquilo que sabem fazer de melhor. Tenho a certeza que vai ser um sucesso, recheado de surpresas, e espero não faltar. Os bilhetes estarão disponíveis em breve, e podem ser feitas reservas na Associação dos Macaenses (tel: 28372252) ou no Restaurante Riquexó (tel: 28565655). Côsa esperá?

Caldo entornado


Tenho acompanhado com alguma atenção a guerra de palavras entre José Pereira Coutinho e Carlos Morais José, este na condição de director do jornal Hoje Macau, contra o qual o deputado e presidente da ATFPM se insurgiu durante a última campanha eleitoral, acusando-o de ter uma agenda secreta para denegrir a sua imagem. Acho lamentável este diz-que-disse, este fez-não-fez, este é-não-foi, enfim, tudo o que é digno de uma lavagem de roupa suja, de uma zanga de comadres. E de facto penso que nem sempre as relações tiveram este acentuado odor a azedo entre as partes beligerantes, pois se a memória não me atraiçoa, Pereira Coutinho chegou a assinar uma coluna de opinião semanal ou quinzenal no Hoje.

A relação entre os politicos e a imprensa nunca foi pacífica em parte alguma do planeta, e Macau não é excepção. Longe vão os tempos em que um jornal servia de arma de arremesso politico, e actualmente a imprensa em português no território tem um impacto muito menor do que há vinte ou trinta anos, onde as tricas palacianas ecoavam com decibéis que chegavam a Lisboa, e podiam marcar a imagem das elites locais para o melhor e para o pior. Um chinês que ficasse a par deste pingue-pongue entre o deputado e o director do Hoje Macau encolhia os ombros, considerava-lhe uma “cosanostra”, e remetia o assunto para a apreciação da nossa tribo. Em tempos idos, ou Coutinho era mandado apresentar-se no Ministério na segunda-feira seguinte ou Morais José era metido no “jet-foil” e passava a “persona non grata” por estas bandas. Ambos se recordarão ainda desses tempos, certamente.

Não posso concordar de todo com a posição de Pereira Coutinho, que no início da peleja deu a entender que não simpatiza com a imprensa negativa para a sua imagem, e sabendo que o português é um idioma falado e entendido por boa parte do seu eleitorado, sentiu o toque, e apontou baterias contra o jornal, que acusa de o “difamar”, quando tudo o que fez foi dar uma notícia, e sempre sem afirmar categoricamente que se tratava de um facto verídico e comprovado. Dá a entender que Coutinho ou alguém na sua equipa leu as “gordas” e fez soar o alarme, sem reflectir no conteúdo. O director do Hoje, que fez o que lhe compete na defesa da sua dama, tem razão ao sentir-se indignado com as acusações que o deputado lhe fez, mas a argumentação parece assentar sobretudo em quezílias pessoais – quais, ignoro, e não me atrevo a adiantar motivos, mas é interessante a forma como a defesa da integridade do jornal e dos seus profissionais passou tão depressa à avaliação do desempenho do deputado nos cargos que desempenha.

Sabendo que Pereira Coutinho é uma personalidade que tem cuidados especiais com a sua imagem pública, e procura ser uma figura de consenso junto da comunidade portuguesa e macaense, duvido que leve esta intifada mais longe. Carlos Morais José, que já vi argumentar e contra-argumentar ao ponto de deixar o seu oponente desarmado – e por essa razão e outras sempre o admirei – parece aqui estar a ser movido por questões pessoais, que repito: desconheço e sobre as quais me recuso a especular. Os resultados da Nova Esperança nas últimas eleições reforçam a imagem de Pereira Coutinho, e demonstram que mais do que capacidade deste de “tirar nabos da púcara”, os eleitores depositaram nele a sua confiança, acreditam no seu projecto e reconhecem-lhe mérito. Se isto significa que o eleitorado é inapto ou que acredita em contos da carochinha, então outro galo canta nesta capoeira. O que era bonito era que trocassem galhardetes como os capitães das equipas de futebol: apertassem as mãos, e apelassem ao “fair-play”.

Os gays contra as massas


Esta notícia foi partilhada pelo meu amigo Jason Chao, e compreendo porquê. Achei curiosa, mas um tanto ou quanto surreal, e fiquei sem saber o que pensar. O que acontece é que a marca de massas italiana Barilla, uma das mais famosas do mercado, está na berlinda por descriminar os homossexuais, e os activistas do ramo apelam ao seu boicote. Oh yes, massas contra os "gays". Massas, e não "as massas", aquelas de sêmola de trigo duro. Tudo porque o proprietário da marca,o sr. Guido Barilla, deu uma entrevista à Radio 24 na terça-feira onde caíu na armadilha do entrevistador, que lhe fez uma pergunta parva, que teve uma resposta ainda mais parva. Quando lhe perguntaram se "alguma vez a Barilla iria incluír uma família gay nos seus anúncios", Guido deu uma de beato, disse que a sua empresa tinha "uma mentalidade diferente", e que o seu produto "é dirigido à família tradicional", onde a figura da mulher "desempenha um papel primordial", e se os gays não se identificam com a mensagem da Barilla, "podem comer outra marca de massa". Ou talvez nenhuma. Se calhar o sr. Barilla pensa que os homossexuais fazem outras coisas com as massas do que cozinhá-las e comê-las. Apesar de ainda não permitir a união civil entre pessoas do mesmo sexo, na Itália existe uma forte cultura gay, e come-se muita massa. Seria genial criar uma marca de massa dirigida unicamente a este mercado, e até consigo pensar numas formas bem sugestivas como alternativa aos fussili, linguini, penne, e...pene? Hmmm, cala-te boca.

O pai canta, o filho desencanta


Li Shuangjiang é um general honorário do Exército de Libertação chinês, uma personalidade querida em todo o país, e que se celebrizou como intérprete de canções patrióticas, uma forma de encorajar as tropas que remonta aos tempos do maoísmo, mas ainda muito popular na China. A própria mulher do actual presidente Xi Jingping, Peng Liyuan, primeira dama da China, era cantora de temas patrióticas. Só que enquanto Li se entretinha a motivar o exército, esqueceu-se de dar uma educação ao seu filho, Li Tianyi, este jovem de 17 anos com cara de anjinho que foi agora condenado a dez anos de prisão. E o que fez este puto com carinha laroca que nunca fez a barba, quanto mais cometer um crime passível de tamanho castigo? Foi o cabecilha de uma violação em grupo que deixaram uma jovem muito mal tratada. Quem diria.

Li Tianyi e quatro amigos conheceram a jovem, apenas identificada pelo apelido Yang, num bar em Pequim em Fevereiro último, e os cinco estiveram a beber juntos. De seguida foram para um hotel onde obrigaram a jovem a ter relações sexuais, enquanto a agrediam. No final da orgia pagaram-lhe 2000 yuan, mas Yang, sentindo-se combalida, acabou a noite no hospital, onde lhe foi diagnosticado traumatismo facial e concussões no crânio. Durante o julgamento a defesa alegou que Yang era uma prostituta, e por isso acedeu a ir até a um hotel com três desconhecidos, e no fim de contas até foi paga – faz todo o sentido. Mas explicar o estado lastimável em que a jovem foi deixada foi mais difícil, e a justificação de que “estava demasiado bêbado para se recordar do incidente”, dada por Li Tianyi, não foi suficiente para convencer o juíz. A vítima diz que se recusou a acompanhar o grupo até ao hotel, e terá mesmo tentado fugir quando se apercebeu que da bebedeira não ia sair nada de bom, mas foi agredida por Li com um estalo, e temeu que o grupo a maltratasse logo ali na rua.

Apesar de ter ficado provado que o jovem “príncipe” foi o organizador do forrobodó, outro dos seus cúmplices foi condenado a doze anos de prisão, por ter infligido os ferimentos mais graves a Yang. Os outros dois foram condenados a três anos de pena suspensa. São todos adolescentes, menores de 18 anos. O caso gerou a indignação da opinião pública chinesa, e originou um debate público sobre até onde pode ir a impunidade de que certas elites e as suas famílias gozam no país. Li Tianyi já tinha sido condenado a um ano de priso com pena suspensa em 2011 quando agrediu um automobilista depois de uma disputa por um lugar de estacionamento – quando tinha apenas 15 anos, e sem carta de condução. Depois disso ainda causou furor ao publicar na internet fotos do seu BMW personalizado, ostentando o seu estatuto de “menino-bonito” das famílias próximas do círculo do poder, dos herdeiros das figuras de proa do regime. Enquanto isso, o pai cantava para as tropas. Agora durante dez anos vai cantar para o passarinho…na gaiola.

Banho indiano


Eis uma interessante alternativa ao ar-condicionado, que ao mesmo tempo é higiénica. Numa estação de comboio da India os passageiros são "regados" por um sistema de aspersão apontado para as janelas da composição, quem sabe porque, sei lá, os comboios na India não têm ar-condicionado? Deve ser isso. Mas este sistema é realmente muito prático, e as possibilidades são infinitas: refresca, dá uma banhoca a um guru mais descuidado com a higiene pessoal, e mata a sede a quem tenha abusado do caril no bar do comboio. E quem disse que os indianos não tinham imaginação?

De toalha na cabeça


O Irão é um daqueles países que faz pouca gente sorrir quando ouve o nome. Quem pensa no Irão pensa em fanáticos, fundamentalistas, terroristas, tipos maus como as cobras que odeiam as mulheres, a liberdade e o Menino Jesus. Gajos que levam os cadáveres de entes queridos em parada pelas ruas e exibem os filhos ferido e ensaguentados em frente às câmaras de televisão em vez de os levar ao hospital. Protestam aos gritos e a dar pancadas na cabeça, e as mulheres, tapadas da cabeça aos pés e trajando de preto, como se lhes morresse alguém na família todos os meses, ululam como araras no cio.

As imagens do Irão mostram cidades feias, deprimidas, com um aspecto ameaçador e paredes pintadas com imagens dos ayatollas. Cinco vezes por dia ecoam cânticos religiosos que assinalam a hora de ir à mesquita para as orações. Quando conheço um iraniano e ele me cumprimenta com um “how are you?” eu respondo “death to America!” – e ele sente-se logo à vontade e olha-me como um “amigo”. Ufa, e ainda bem. O projecto nuclear do Irão preocupa o mundo ocidental, e a retórica anti-Israel e anti-América dá a entender que os propósitos deste projecto não tem fins pacíficos, por muito que eles nos tentem convencer do contrário. A insistência do Irão no nuclear é já de si bastante suspeita.

O presidente do Irão é este Hassan Rouhani, que é tido como um “moderado”, e de facto é mais acessível que o seu antecessor Ahmed Ahmedinedjad, e com um discurso mais apaziguador e menos belicista, também. A título de curiosidade refira-se que Rouhani casou aos 20 anos com uma prima sua, seis anos mais nova. O novo presidente do Irão é considerado um reformista, diz-se apoiante dos direitos das mulheres, e tem assinado indultos que levaram à libertação de dezenas de presos politicos, alguns deles detidos durante o consulado de Ahmedinejad. Em 2000 um relatório do departamento de defesa norte-americano descrevia-o como “um homem pragmático, ambicioso, com sede de poder”. Será que estavam enganados ou é Rouhani que nos anda a levar no bico com o seu ar de mestre bondoso e político dialogante, que até mandou a Israel postais de boas festas durante o ano novo judaico?

O que se nota quando olhamos para estes cléricos xiitas é aquela coisa que ostentam no cocuruto, onde embrulham a cachola. Dizem que é um turbante, mas tenho as minhas dúvidas. O que me dá a entender é que se atrasam quando tratam da higiene matinal, saem de casa à pressa e esquecem-se da toalha enrolada na cabeça. Alllaaaaaaahhhrrrrchhhh….

O mito da minhoca


Existe um mito antigo, uma espécie de lenda urbana, insinuando que os hamburgueres das cadeias de "fast-food" são feitos com minhocas, o que explica o seu aspecto e textura pouco compatíveis com a carne de vaca. Pelo menos têm muito pouco a ver com os bifes a que estamos habituados. Esta teoria tornou-se verdade para um casal de S. Paulo, pelo menos em parte. Denilson Luciano, de 30 anos, e sua esposa, Verônica Matos, da mesma idade, voltavam de mais um dia de trabalho quando resolveram comer num restaurante da cadeia McDonald's situada no bairro Alto do Pari. Ao pedir um hamburguer de carne de galinha, Verônica deparou com uma volumosa minhoca a sair-lhe do pão. O casal não perdeu a calma, colocou o recibo que prova o local onde encontraram a surpresa, e tiraram uma fotografia, que publicaram mais tarde no Facebook, e que conta já com quase 200 mil visualizações. É bem possível que a minhoca tenha saído da alface com que o sanduíche é confecionado, e que terá sido mal lavada, mas não deixa de ser sensacional. A velha associação entre a minhoca e os hambburgueres ganham mais força, mesmo que neste caso o hamburguer em questão seja de galinha.

Portugal "treina" contra Moçambique


A selecção portuguesa de hóquei em patins bateu ontem a sua congénere de Moçambique por 6-0 em jogo dos quartos-de-final do mundial da modalidade, que se disputa até Domingo em Angola. A selecção das quinas tornou o jogo fácil, marcou três golos de rajada nos primeiros dez minutos e chegou ao interval a vencer por 4-0. A segunda parte foi de gestão, e ainda deu para marcar mais duas vezes, frente a uma equipa moçambicana que nunca apresentou argumentos para questionar a superioridade dos portugueses.

Portugal vai encontrar hoje nas meias-finais a Argentina, que bateu o Brasil por 9-5. Um teste que se afigura muito mais complicado, e a selecção portuguesa terá que levar os sul-americanos muito mais a sério se quiser chegar à final. Na outra meia-final a Espanha vai defrontar a grande sensação do torneio, o Chile. Os tetra-campeões mundiais bateram ontem a França por 5-3, enquanto o Chile, que tem provado ser um osso duro de roer, com uma linha defensiva bem organizada, bateu a Itália no desempate por golo de ouro, após um empate no tempo regulamentar.

Jesus-mania


A alegada agressão de Jorge Jesus a um agente da autoridade no passado Domingo em Guimarães é o tema principal das conversas em Portugal - não fosse ali o futebol o ópio do povo. Enquanto o treinador do Benfica se explica, com uma desculpa nova todos os dias, os humoristas exploram o incidente como se fosse uma mina de ouro. No programa Café da Manhã da RFM, a Jesus-mania deu até para uma versão do clássico "Nós pimba!". Aqui fica a letra:

ELE PIMBA, NÓS PIMBA
(O Pimba de J. Jesus)

Verso 1
O mister J. Jesus
Não tem muita paciência
Mas tem muito coração
E agora também tem
Termo de identidade e residência.

Ele fica muito nervoso
Transpira adrenalina
Aprendeu com o Cardozo
E quando perde a cabeça,
Salta-lhes logo para cima

Refrão
O que é que acontece quando o jesus se irrita
Ele pimba, Ele pimba
E se alguém toca num adepto do Benfica
Ele pimba ele pimba
Se for preciso dar encostos à polícia
Ele pimba ele pimba
E se é pra fazer uma canção desta notícia
Nós pimba, nós pimba

Verso 2
Dizem que pode dar prisão
Pensem um bocado nisso
Como é que se acusa alguém
De obstrução e coacção
Se ele nem sabe o kéké isso

Vídeo da semana


Este video não é novo, mas só recentemente chegou à minha atenção, e devo agradecer ao meu amigo Hugo Marinho (do blogue Hotel Macau), por o ter partilhado no Facebook. Nele vemos a presidente da câmara de Madrid, Ana Botella, a discursar em inglês perante membros do Comité Olímpico Internacional, em defesa da candidatura da capital espanhola à organização dos Jogos Olímpicos de 2020, que serão realizados em Tóquio, como se sabe. O domínio da língua de Shakespeare por parte da alcaide madrilena é no mínimo “curioso” – para não dizer “mau” ou “hilariante”. A senhora até se pode orgulhar de possuir um extensivo vocabulário, e dirige-se à sua audiência com simpatia e um domínio exímio das técnicas de relações públicas, mas é na pronúncia que tem o seu grande “handicap”. Fechando os olhos por um instante, até parece que estamos a ouvir um discurso do Speedy Gonzalez, o hiper-activo ratinho mexicano. Só lhe faltou dizer “gringos loucos” e “ay señor gato” para a caricatura ficar completa. Os membros do COI devem ter feito um esforço épico para não desatar a rir à gargalhada, e os responsáveis pela candidatura de Madrid devem ter levado às mãos à cabeça – foi uma escolha pouco feliz para convencer os patriarcas da família olímpica, no mínimo. Só se tinha visto algo assim quando Futre falou em nome da candidatura de Dias Ferreira à presidência do Sporting. Vale a pena ver, e rir!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Não ganhar é o mesmo que perder


Dos artigos que publiquei neste espaço que incidem sobre a minha percepção deste povo para o qual eu sou uma minoria, o modo como os observo e entendo é em tudo diferente daquele com que eles próprios se olham. A minha “medida” é diferente, e para eles, tudo o que eu digo e penso a respeito dos seus comportamentos e maneira de pensar e agir é sempre do ponto de vista de um estrangeiro, e portanto “errada”. Algumas curiosidades deste povo que me acolheu que aqui muitas vezes esmiuço só me foram dadas a perceber pelo contacto pessoal, e a rejeição dos seus hábitos e costumes nunca me levaria a lugar algum; permaneceria na nulidade que a xenofobia primária que seria querer viver aqui como viveria em Portugal, tentando impôr os meus costumes e procurando o confronto com que ousasse impedir-me de os exercer na totalidade.

Do que me falta falar e ando “em pulgas” para o fazer é uma estranha matemática que se faz com os negócios. Os chineses são um povo com jeito para os negócios, para o comércio, muito prático e pouco dado a sentimentalismos e às virtudes da caridade, e isto não é de ontem, nem produto do milagre económico chinês dos últimos anos. A sua História recente atribulada leva a que sejam ainda um país pobre, ou pelo menos ainda com um grande número de pobres, mas isto é contrário à sua matriz. É facilmente verificável um pouco por esse mundo fora, que onde há dinheiro, há chineses, e quanto mais dinheiro há, mais chineses também. Esta é uma gente para quem a máxima “tempo é dinheiro” é para principiantes. A procura pelo lucro ganha um novo sentido com o princípio: “não ganhar é dinheiro”. E no que consiste isto?

Na prática quando não se está a “ganhar dinheiro”, está-se a “perder dinheiro”. Neste jogo da facturação não há empates, é tudo ou nada. Se for preciso vamos a “penalties”. Uma hora perdida no trânsito, um sócio que se deixou dormir, a outra parte com que se vai fechar um negócio que se atrasa, tudo isto é dinheiro perdido. Mesmo que no fim o resultado seja lucrativo, podia ter sido muito melhor, portanto, “perdeu-se dinheiro”. Não se fica tão feliz com o dinheiro com que se ganhou quanto ressentido por aquele que não se ganhou, ou seja, que se perdeu. Quando se perde dinheiro por culpa própria, devido a uma decisão pessoal mal calculada que resultou em prejuízo, faz parte do jogo. Mas quando se ganha mas foi-se impedido de ganhar mais devido a factores alheios ao negócio em si, é frustrante. Não é justo.

Usemos uma simples aritmética ocidental para ilustrar o que digo. Imaginem que temos 100 mil patacas para investir num negócio. Se no fim só nos restarem 50 mil, podemos dizer que perdemos as outras cinquenta. Correu mal, acontece. Se terminamos com 120 mil, então podemos dizer que ganhámos vinte mil, limpinhos. Se por acaso podíamos ter acabado com 150 mil, mas ficamos pelos 120, então continuamos a dizer que tivemos 20 mil de lucro, mas aos olhos deste pragmatismo economicista chinês, “perdemos 30 mil”. Pouco importa que tenhamos recuperado o investimento e ainda levado mais vinte mil para casa, o que realmente conta foi que perdemos 30 mil, dinheiro que nunca existiu, nunca foi nosso, mas como não o ganhamos, existindo a possibilidade de fazê-lo, então perdemo-lo. Esqueçam lá aquelas vinte mil que surgiram com relativo pouco esforço, pois há ali trinta mil que foram ao ar. Alguma coisa correu mal. Feitas as contas, foi um fracasso.

Tenho-me deparado com muitos exemplos desta nova corrente financeira que valoriza o que se podia ter ganho sobre o que realmente se ganhou. O que não se ganhou, ficou “perdido”. Ontem falei aqui da TV Cabo, que por ter cedido alguns canais em sinal aberto aos anteneiros, não lucrou com eles, e por isso “perdeu dinheiro”. Durante os tais “apagões” da CTM, há indivíduos que se queixam ter perdido “milhões” durante a hora em que estiveram privados do serviço de rede móvel. Bem, é preciso puxar um pouco da imaginação. Quem sabe se durante aquele tempo que estiveram incontactáveis receberiam alguma proposta da parte de um milionário excêntrico. Durante a construção do Grand Lisboa, a grande resposta da SJM às concessionárias de jogo do Nevada, dizia-se que cada dia que o casino demorava a ser inaugurado, Stanley Ho “perdia milhões”. Quer dizer, os outros negócios corriam-lhe bem, como sempre, e os lucros chegavam e sobravam para suportar os custos de vários Grand Lisboa. Só que aí está: o dinheiro que o novo projecto podia estar a fazer era dinheiro “perdido”.

Quando ouvimos falar em “perder dinheiro”, a primeira coisa que nos ocorre é perder a carteira, ou ter deixado cair um nota no bolso, enfim, perder alguma coisa implica quase sempre que já estivemos na sua posse. Para um chinês que leva os negócios a sério, isto é um sacrilégio, é andar a brincar com a tropa. Se por acaso se enganou num troco e deu 10 ou 20 patacas a mais a um freguês, é melhor não deixar ninguém saber, para não “perder a face”. Se o dinheiro é perdido na mesa do jogo, num casino ou numa aposta qualquer, isto aceita-se, pois existiu a hipótese, mesmo que remota, de ser multiplicado. Se nos limitamos a pensar que apenas podemos perder o dinheiro que já é nosso,e não que não temos ou ainda não existe e pode nunca vir a existir, então temos horizontes curtos, É por isso que os gajos andam cheios de nota e nós tesinhos e falidos. No que somos mesmo bons é a gastar o que não temos, nisso somos imbatíveis. Podemos não acreditar em perder dinheiro que não temos, mas somos muito bom a gastar o que ainda não nos caiu nas mãos. E daí? O banco empresta, e depois logo se vê.

Wir sprechen Deutsch!


Uma das coisas de que tenho pena foi nunca ter aprendido alemão. A sério, adoro a musicalidade daquela língua, a sua aparente complexidade, a pronúncia seca e agressiva, o respeito que se impõe quando se entra numa sala e se começa a falar alemão. Foi frustrante crescer a escutar Falco e Nina Hagen sem entender uma palavra do que diziam. No 10º ano escolhi Alemão como segunda língua, mas não havia alunos em número suficiente para formar uma turma – até aposto que era eu o único interessado. Típico do tuga, sempre com medinho daquilo que é apenas aparentemente difícil. E assim andei cinco anos a levar com Francês no liceu, essa mariquice com os seus “oui oui” e “ulala”. Falo francês mais ou menos bem, mas não me orgulho disso. Eu que eu queria mesmo era falar alemão, mein gut.

E no fundo o alemão não é assim tão difícil. É uma língua germânica, tal como o inglês, e ambas assemelham-se em estrutura gramatical e mesmo em muito do vocabulário. Assim “water” é “wasser”, “thanks” é “dank”, “red” é “rot”, e por aí fora. Mesmo algumas palavras do léxico português mais popular são derivadas do alemão. A palavra “scheiße”, por exemplo, um palavrão feio em alemão, deu origem ao nosso “chiça”, uma versão mais “light” de “f…-se”. Aquela coisinha engraçada que notamos quando lemos (quer dizer, vemos…) algo escrito em alemão, o “ß”, corresponde ao nosso “ss”. Não intimida tanto como o “ñ” dos espanhóis, equivalente ao nosso “nh”. Há quem diga que aprender alemão “não é útil”, pois apenas se fala na Alemanha, Áustria e parte da Suíça, mas por essa lógica que utilidade tem aprender Francês? Para podermos comunicar melhor com os camaroneses e senegaleses?

Os alemães são um povo simpático, inteligente e laborioso. Produzem automóveis, electrodomésticos e equipamento de som de elevada qualidade, e são uns tipos que adoram trabalhar, apesar do frio que dá mais vontade de ficar na caminha. Perderam duas guerras mundiais, e lá por causa disso ficaram a choramingar? Nein! Arregaçaram as mangas e levantaram a economia, ao ponto de chegarem a maior potência económica na Europa. Actualmente os países da União Europeia em crise apontam o dedo à Alemanha e à chanceler Merkel. Querem que ela faça o quê? Que peça desculpa pelo rigor e pela disciplina dos alemães, que os leva a ser mais ricos que nós? Que faça os alemães trabalhar mais para nos pagarem a casa, o carro e as férias, enquanto não mexemos uma palha? “Schlecht Mary”, que é como quem diz “mau Maria”, em tradução livre.

Quem não gosta da Alemanha e dos alemães apressa-se a atirar-lhes na cara o seu passado recente, o nazismo, o holocausto, etcetera etcetera. É curioso como o neo-nazismo e o culto por Adolf Hitler são actualmente mais comuns fora da Alemanha do que no país onde floresceu o terceiro Reich. Mesmo os que acusam os alemães de serem “racistas e xenófobos” fazem-no porque não conhecem os sérvios, os polacos, os gregos ou os húngaros, falando apenas da Europa. Os que falam de “arrogância” da parte do povo alemão não deve ter convivido com os franceses ou com os ingleses, que coincidentemente foram “vítimas” dos Nazis no tempo da II Guerra Mundial. A Alemanha é hoje um país tolerante e multi-cultural, ponto de excelência da imigração, e na maioria de países árabes e africanos, imaginem, que são perfeitamente integráveis, desde que venham para contribuir com o seu trabalho. Basta olhar para a actual selecção de futebol da Alemanha para perceber isto. Mesmo a delegação olímpica alemã nos últimos jogos em Londres continha atletas negros e de origem turca, além de outras origens.

Agora que nos aproximamos do Oktoberfest, que para os alemães significa o fim de mais uma boa colheita e para nós salsichas e bebedeira, cresce a simpatia com os teutónicos. Enquanto se enche a boca de enchidos com um nome impronunciável e joelho de porco, e as canecas de cerveja, perdoa-se tudo e mais alguma coisa que os alemães tenham feito no passado. E qual é o problema, se eles não negam esse passado e até pediram desculpa pelos seus erros, e ainda nos deram os Mercedes e a Adidas em troca? Já os acho bastante simpáticos comunicando com eles em inglês, e sendo um povo educado, dominam essa língua franca sem exigir a ninguém que fale alemão. Mas caso falasse essa língua fantástica, tenho a certeza que conseguia entrar melhor no seu mundo. E isso era mesmo “lässig“, que é como quem diz, fixe. Ja? Ich gut?