sexta-feira, 30 de abril de 2010

Mais um 1º de Maio


Amanhã é dia 1 de Maio, dia internacional do trabalhador. Como o nome indica, é o dia dedicado à malta que trabalha, que dá o litro, que faz o mundo andar para a frente. Independente do que o leitor pensa sobre “manifestações” e sucedâneos, o primeiro dia do mês de Maio foi exactamente criado para isto mesmo: para protestar. Do que está mal, e do que está bem. É – ou devia ser – o único dia do ano em que o comum dos mortais operários se deve soltar das suas amarras e dizer de sua justiça. Não interessa se o que ele quer é menos trabalho e mais dinheiro, mais férias, uma ama-seca ou um novo martelo pneumático. No 1º de Maio fale, ou cale-se para sempre.

É lógico que nem toda a gente gosta de manifestações e prefere passar o feriado do lado dos seus familiares, fazer um piquenique, ir a um daqueles concertos deprimentes que se organizam neste dia, ou simplesmente ficar em casa a comer amendoins, beber cerveja e dormir, mas aí está, ninguém é obrigado a nada. Um amigo meu, muito anti-manifs, insiste que este dia foi consagrado a “descansar”, e não em “cansar-se mais”, com marchas pela cidade, levantamento de cartazes ou cargas policiais. A verdade é que se não fossem os heróis dos primeiros de maio passados, ainda trabalhávamos 15 horas por dia, sábados e domingos em alguns casos, e ganhávamos feijões perante a pujança deste sistema que consideramos “o menos mau”, o capitalismo.

Em Macau temos um passado recente de manifestações problemáticas. Em 2007 tivemos a primeira grande demonstração de desagrado da história da RAEM, com a manifestação do 1 de Maio que ficou célebre pelos cinco tiros disparados para o ar por um agente da autoridade. Essa manifestação foi uma enorme dor de cabeça para o Governo, e veio na sequência de um escândalo de corrupção dentro do Executivo apenas meses antes. No ano seguinte, num acto de real politik bastante questionável, Edmund Ho anunciava pouco antes do 1 de Maio o subsídio das cinco mil patacas, e as marés acalmaram. Remédio santo, repetido o ano passado com uma dose ainda maior, seis mil patacas. Este ano as águas voltam a estar conturbadas, apesar de um esforço suplementar do Governo com o anúncio recente do Plano de Poupança, pois há duas semanas um certo grupo de trabalhadores residentes descontentes demonstraram-se violentamente junto da Direcção dos Assuntos Laborais.

A questão do trajecto volta também a estar envolta em polémica, sempre com a tal dúvida se é permitido ou não passar pela Av. Almeida Ribeiro, uma espécie de santuário de pássaros da RAEM. A discussão sobre se os manifestantes devem ou não passar pela Av. Almeida Ribeiro é mais problemática que uma eventual passagem dos manifestantes. Certamente que amanhã toda a gente quer celebrar o 1 de Maio sem problemas, e as autoridades quererão ter também um feriado tranquilo. E depois é preciso não esquecer que os olhos vão estar postos em Xangai, na abertura da Expo 2010, e não nos grupos que vão estar amanhã a fazer o que é consgrado a esta data. Protestar, fazer barulho, dizer o que lhe vai na alma. Feliz 1º de Maio!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Manual de sobrevivência em Macau - parte II


Especialistas estrangeiros defendem que em Macau existe gridlock. Nada comparado com Bangkok, várias cidades da China e outras da Ásia. Em Macau até dá para chegar a qualquer lado, mas mesmo a qualquer lado, em meia-hora, mesmo com muito trânsito. Claro que o trânsito chega a ser um problema, mas mais graças a uma série de condutores designados noutras paragens como “barbeiros”, e não propriamente pelo mau estado das rodovias, falta de acessos ou regulação deficitária. É só porque alguns gajos são umas bestas.

Lembram-se do controverso código rodoviário que saíu em Outubro de 2007? Toda a gente se lembra que o problema residia nas multas, na falta de lugares de estacionamento (que aqui chamam simplesmente “parques”), na “impossibilidade de cumprir a lei”. Outras “leis” foram impostas, e bem, como a obrigatoriedade do cinto de segurança, ou o irritável hábito de falar no telemóvel enquanto se conduz. Ainda a semana passada precisei de tirar o braço da janela e dar um toque num gajo de mota que ia caíndo para cima do meu carro, porque estava lá entretido a masturbar-se verbalmente com a namorada no telemóvel. Não há nada que justifique falar no telemóvel enquanto se conduz. Nem com o hands-free. As maiores distâncias dentro da cidade de Macau fazem-se em dez ou quinze minutos, e sem trânsito é possível chegar à Taipa no mesmo tempo. Guardem lá o que têm para dizer quando saem do carro, e se vos perguntarem porque não atenderam, respondam simplesmente: “estava a conduzir!”.

Tenho uma variante engraçada. Quando estou ao volante, penso que os peões são umas bestas, e quando estou a pé, acho que os motoristas são uns ursos. Não sei se é pelo facto de ter mau feitio ou pouca paciência, mas a forma como alguns peões atravessam a estrada desafia os meus limites do conhecimento. Alguns correm entre os carros, outros atravessam a correr com o sinal vermelho, outros não atravessam quando vêem um polícia (nem se estiver verde!), enfim, mil e um comportamentos que me fazem pensar que estão ali a jogar algum jogo de dama ou tigre, amor ou morte. Quando vou a pé, apercebo-me do valor que os automobilistas dão à passadeira dos peões. É como se tivesse sio ali pintada há minutos por algum louco, e não quer dizer nada. Não fosse eu tão preguiçoso para fazer fisioterapia, atravessava numa passadeira quando viesse a passar um carro, partia uma perna e ganhava uma pipa de massa em danos. Lixava completamente o gajo.

Um leitor sugeriu-me no post de ontem que falasse dos escapes rotos e da poluição, mas isto não é tão grave como aqui ao lado em Hong Kong, ou em cidades da China aqui perto. É claro que temos que fazer alguma coisa, optar por combustíveis menos poluentes, soluções mais verdes e menos cinzentos, tudo isso, mas sinceramente ainda não cheguei a tossir ou ficar com os olhos a arder no trânsito em Macau. Alguns veículos precisam contudo de ser repensados. A começar por aqueles camiões das obras e de carga, aqueles azuis, conduzidos por uns gajos que tiraram a carta numa aldeia da China onde a população só “sai da frente”, e que são uns autênticos assassinos ao volante. Quem são mesmo poluidores são aqueles gajos do lixo, que passam a qualquer hora com um camião muito pouco higiénico, que torna a vida num inferno a quem se apanhe a conduzir atrás deles.

Quanto aos autocarros, e se tiver a sorte de precisar de apanhar um, depara com um mundo completamente novo e excitante. Vemos nos autocarros gente de todas as designações honestas: trabalhadores, estudantes, atletas, meninas bonitas (que obviamente ainda não têm namorado, pelo menos com carro), pais e filhos, mães, avós e irmãs etc. Os motoristas são um pouco brutos e malcriados, e não respondem se lhe fizermos alguma pergunta que ele não perceba. Mas se fossem pessoas muito educadas e inteligentes, se calhar não eram motoristas de autocarro. Apanhar um autocarro é sempre uma experiência interessante, especialmente nos tempos de paranóia de gripes aviárias, suínas e afins. As janelas vão todas abertas, e quem espirrar é visto como um leproso.

Os mais endinheiras podem apanhar o táxi. Quando cheguei a Macau a bandeirada era 7 patacas, e por menos de uma nota de dez estava-se da Almirante Lacerda no Leal Senado. Hoje as pessoas queixam-se dos taxistas por uma variedade de motivos. Começemos pelos infundamentados. Os táxis em Macau não são sujos, como se diz. Experimentem apanhar um táxi na Tailândia, Filipinas, Vietname ou Malásia, ou mesmo aqui lado em Zhuhai, e vão ver o que é bom. A limpeza dos táxis em Macau está ao nível de Hong Kong, e na Ásia talvez apenas atrás do Japão, Coreia e Singapura. Quanto aos fundamentados – e infelizmente são muitos – começemos pelo facto dos taxistas se terem tornado nuns gajos muito “finos”. Nos tempos de crise são super-simpáticos, e até param à sua frente se levantar o braço para ver as horas. Em tempos de prosperidade, como estes que vivemos, são uns cabrõezinhos difíceis de apanhar, matreiros e arrogantes. Se tentar telefonar para a Rádio Táxi durante a hora de ponta, só tem transporte se disser que vai de Macau para a Taipa ou Coloane, ou outra distância que justifique a corrida.

Se tentar apanhar um táxi perto das seis horas, há uma “mudança de turno” (que raio de hora se haviam de lembrar). Existem táxis a rodos junto dos hotéis, no terminal marítimo do Porto Exterior ou no aeroporto, mas estranhamente não há táxis no terminal marítimo do COTAI. É verdade que os taxistas em Macau recomendam restaurantes, bares ou saunas, mas nisso não são muito diferentes dos restantes taxistas asiáticos. Se quiser apanhar um táxi em Macau, aprenda pelo menos o nome dos sítios onde quer ir. Se não aprender mais chinês nenhum, pelo menos aprenda o nome das ruas, edifícios, monumentos ou lugares históricos. Só para lhe tornar a vida mais fácil.

Messias ou charlatão?


Médicos militares na India estão a observar uma espécie de guru que grante que sobreviveu durante 70 anos em comer nem beber. Sem comer nem beber nada, entenda-se. Isto é o que alega Prahlad Jani, de 83 anos, que diz que não come um naco de pão nem bebe uma gota de água desde que tinha 13 anos. Os cientistas estão agora a tentar comprovar se isto é mesmo verdade, para que Jani possa revelar a sua técnica, que pode ser aplicada a estudos sobre sobrevivência em condições extremas. Será Jani uma espécie de Messias ou apenas um charlatão?

Aconteceu esta década: YouTube


O YouTube foi um verdadeiro fenómeno de popularidade quando apareceu em 2005, criado por três ex-funcionários da PayPal. A Google comprou a companhia por 1,6 mil milhões de dólares (wow!) no ano seguinte, e é hoje o segundo website mais visitado do planeta. A ideia inicial era colocar vídeos pessoais amadores, mas o canal tornou-se num emissor de clips musicais, de comédia e de desporto. Confesso que a primeira vez que dei pelo YouTube foi em meados de 2005, e passei horas a fio a ver clips antigos. Tem um defeito: não há pornografia ☺

Mourinho ri por último


O Barcelona derrotou o Inter por uma bola a zero ontem no Nou Camp, mas não foi suficiente para anular a desvantagem de 1-3 trazida do último jogo, em Milão. Piqué marcaria o golo solitário dos catalães, em posição irregular, a apenas seis minutos do fim. Mourinho ri por último, e os ainda campeões europeus demonstraram mau perder. O guardião Dely Valdés agarrou José Mourinho pelos colarinhos, e o sistema de rega por aspersão do Nou Camp ligou-se quando os italianos ainda faziam a festa no relvado. A final do próximo dia 26 de Maio será entre o Inter e o Bayern de Munique, no Santiago Bernabéu.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Manual de sobrevivência em Macau - parte I


Dos livros que não existem mas deviam existir destaco um que seria uma delícia para estrangeiros recém-chegados ao território: “O Guia das Boas Maneiras de Macau”. Não um manual que ensinasse o expatriado a comportar-se bem, nada disso. Mais um guia de sobrevivência, de adaptação a certos costumes que podem parecer no início meio...estranhos.

Pela introdução podiam passar os que se notam passados poucos dias: os arrotos e as cuspidelas. É considerado “saudável” arrotar por razões que têm a ver com o “ar quente”, que segundo os costumes chineses, é responsável por um nunca mais acabar de doenças, erupções cutâneas, queda de cabelo, chulé, unhas encravadas e tudo mais. Quando se está com ar quente, bebe-se long-cha (涼茶), literalmente “chá para arrefecer”, uma espécie de “herbal tea” chinês que se pode encontrar numa ervanária qualquer. Escusado será dizer que quanto mais fundo e sonoro for o arroto, e maior a quantidade de “ar quente” libertada, melhor para a saúde.

Agora que está passado o atestado a este estranho hábito, falemos das cuspidelas. As escarras são outra forma muito higiénica e zen de manter a boa saúde, limpando as fossas nasais e eliminando assim prejudiciais bactérias. Tenha apenas o cuidado de se afastar caso a hora de tratar da saúde coincida com a sua presença no passeio, e junto do cidadão preocupado com o seu bem-estar. Ainda ontem precisei de levantar o pé para não levar com bactérias alheias nas calças e nos sapatos. Apesar de existirem multas para punir este tipo de comportamentos, estes ainda são vistos como uma "tradição inofensiva".

Quando começar a frequentar os restaurantes e tasquinhas, repare no ocasional pé em cima da cadeira, uma forma de descontração encontrada por alguns cidadãos que executam um trabalho mais físico, e portanto mais propenso a que se exercitem articulações “anytime, anywhere”. Depois saiba ainda que é permitido cuspir os ossos e as espinhas para cima da mesa. A maioria dos mais jovens e educados não o faz, normalmente, mas não se preocupe em acumular comida em cima da toalha, que depois é substituída para os próximos comensais. Isto quando não é apenas de plástico, e deitada fora e trocada por outra.

Uma das coisas boas que se podem encontrar nesses restaurantes são as toalhas que escaldar, que dão muito jeito para limpar bem as mãos. Não me perguntem porquê, mas não as levem à cara ou à boca. Simplesmente "porque não". A maioria das tasquinhas acha que guardanapos são uma coisa de “lorde”, e optam por disponibilizar rolos de papel higiénico (isso mesmo, papel higiénico) para o freguês limpar o molho do peixe em banho-maria com gengibre e cebolinho. É normal, e o resultado "é o mesmo".

Não se surpreenda se vê as sopas, caldos e sobremesas serem sorvidas. Aqui não se considera higiénico colocar o talher dentro da boca. Em contraste – e ultrapassado o trauma da sopa sorvida – aprenda a utilizar os pauzinhos (há restaurantes que não têm facas de mesa, e mesmo um garfo é considerado um pedido fora do normal) e aprenda ainda que não se usa o mesmo pauzinho com que se come para tirar a comida. Antes das refeições existe o hábito de “lavar a louça” com chá. Isto mesmo nos restaurantes mais caros e chiques. Passam-se as tigelas, colheres, prato e pauzinhos pelo chá, e depois deita-se o chá fora para uma vasilha própria para o efeito.

Nas casas-de-banho públicas, caso tenha o azar de precisar de uma, é comum encontrar cidadãos mais idosos que utilizam o urinol com as calças completamente puxadas para baixo. Isto não sei explicar bem, mas terá qualquer coisa a ver com o conforto, e com o conforto não se brinca. Alguns sanitários são simplesmente um buraco no chão, o que é particularmente desconfortável para quem não queira ficar completamente nu, mas mesmo assim há quem fique de cócoras em cima dos outros sanitários mais ocidentalizados. Tem a ver com a forma correcta com que se faz vocês-sabem-o-quê, e claro, a “mais saudável e higiénica”.

É comum duas pessoas que se conhecem conversarem animadamente numa casa-de-banho pública ou de escritório, mesmo quando um deles está a fazer força – o que, admitamos, é desagradável. Há quem use a casa-de-banho para dormir, lavar os dentes ou falar no telemóvel. Há de tudo. É possível que alguém que tenha estado realmente mal-disposto use a casa-de-banho antes de si. Nesse caso o melhor é procurar o lavabo mais próximo. Não é cortês nem lucrativo para a casa usar a lavabo de um café ou de um restaurante sem consumir. Algumas lojas de sopa-de-fitas reservam a casa-de-banho "para uso do pessoal".

Quanto à habitação que escolheu para usufruir a sua vivência em Macau, há algo que se nota antes de mais nada: as cozinhas são pequenas. Já cheguei a viver em casas com 110 m2 e a cozinha era ainda assim minúscula! Algumas casas têm a casa-de-banho do lado esquerdo, e a cozinha do lado direito. Uma mesmo em frente à outra. Ao contrário do que acontece, por exemplo, em Portugal, é virtualmente impossível almoçar ou jantar na cozinha. Se vive nos andares mais baixos, não se surpreenda se encontrar papéis, guardanapos, pontas de cigarros, pensos e outros objectos de higiene íntima no tejadilho do varandim. É que as coisas saem pela janela quando menos se espera, enfim.

Quando anda na rua, cuidado com alguns objectos que podem cair na via pública: pacotes de comida vazios, cigarros acesos, migalhas e até telemóveis! (aconteceu-me na zona norte da cidade). Mas mesmo assim o episódio mais curioso aconteceu-me em Manila, nas Filipinas, quando me caíu um balde de ananazes descascados em cima. Aqui (ainda) não estamos assim tão mal, portanto. Os elevadores são um pouco como a segunda casa, para alguns. Há quem lá deixe migalhas de bolos, água dos sacos de peixe e outros líquidos, e cocós de cão. Alguns inquilinos insistem em ter cães enormes, apesar de viver em apartamentos. Alguns destes animais deixam os elevadores a cheirar...a cão.

Não perca amanhã a segunda parte deste "Manual de Sobrevivência", centrado nos transportes em Macau.

Que grande tortilha


Carnaval atrasado ou a tentativa de entrar para o Guiness com a maior tortilha do mundo na Ucrânia? Foi apenas um voto sobre a manutenção dos navios russos em portos ucranianos até 2042, que mereceu o vívido protesto da oposição. Choveram ovos e o presidente do parlamento, Volodymyr Lytvyn, precisou de abrir o guarda-chuva. Depois os nacionalistas atacaram com bombas de fumo, e começou uma verdadeira batalha campal. É que parece que alguns ucranianos têm um grande ressentimento contra os russos...

Portugal em 3º no ranking da FIFA


Mas nisto do futebol, nem tudo são notícias tristes. Portugal está pela primeira vez no top-3 do raking da FIFA, que classifica as melhores selecções. Mesmo sem ter jogado (a última vez foi a 4 de Março contra a China), Portugal ultrapassou os Países Baixos e está apenas atrás da Espanha e do Brasil, que agora lidera. Macau desceu 15 posições (!), para o 196º lugar, atrás de super-potências como Ilhas Virgens Britânicas, Guam, Afeganistão ou o Belize.

Morreu Morais (o do cantinho)


Morreu João Morais, velha glória do Sporting Clube de Portugal, e autor do célebre "Cantinho do Morais", que deu a vitória aos leões na Taça das Taças de 1964. Morais fez parte da equipa que conquistou o 3º lugar no mundial de 1966 em Inglaterra, e ainda jogou no Estoril, Torreense e Rio Ave na fase descendente da sua carreira. Tinha 75 anos. À família sportinguista enlutada, as mais sentidas condolências.

Bávaros eficazes


O Bayern encheu-se de "eficácia alemã" e foi golear o Lyon ontem em França por três bolas a zero. No jogo da primeira mão os bávaros venceram por apenas uma bola a zero, com golo de Klose, e ainda ficou marcada pela expulsão do francês Ribéry, que fica sem dar o seu contributo até à final. Mas quando não há um francês, há um croata, de seu nome Olic, que apontou um "hat-trick". O Bayern fica à espera de Madrid, e fica à espera de Barcelona ou Inter Milão, que se encontram hoje na Catalunha.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sobre a Tailândia


O programa da Rádio Macau, "Rua das Mariazinhas" teve este tarde dois ilustres convidados: o prof. Cândido Azevedo e o sr. António Cambeta, português que reside em Macau há várias décadas e divide o seu tempo entre o território e a Tailândia. E foi para falar da situação explosiva da Tailândia que o sr. Cambeta foi esta tarde o convidado de Hélder Fernando e Jorge Vale. Uma entrevista muito interessante, onde ficámos a saber em primeira mão notícias do país dos sorrisos, desse autêntico barril de pólvora onde se sentam agora milhões de pessoas, e que na pior das hipóteses pode acabar numa guerra civil.

Como se sabe, a actual situação na Tailândia arrasta-se há quatro anos, desde o golpe de estado que derrubou o primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, uma figura controversa, um milionário que teve uma visão: capturou a simpatia dos mais pobres - a maioria dos tailandeses - enquanto roubava dos mais ricos. Uma autêntica mudança nos costumes de um país que é um dos mais corruptos do mundo. O actual primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, foi colocado no poder "pela porta das traseiras" por lobbies poderosíssimos, e não surpreende portanto que os camisas vermelhas queiram retirá-lo do poder, e reinstituir Shinawatra ou semelhante.

É realmente uma pena que a Tailândia, um verdadeiro "gigante" asiático, tenha que se submeter a estes jogos de poder que mantêm este simpático país atolado na miséria e nas fezes. O Governo já reviu o crescimento económico este ano em menos meio ponto percentual, de 5 para 4,5%, e prevê-se que o turismo, a principal indústria do país, seja a principal prejudicada. Se já não era muito agradável andar nas ruas de Bangkok, capital mundial do vício, da promiscuidade e da corrupção, agora deve ser verdadeiramente exasperante, dado o clima de incerteza. Caso se confirme o cenário de guerra civil, será certamente uma das mais sangrentas de que há registo.

Já fui acusado de "não gostar da Tailândia", ou de ter "qualquer coisa contra os tailandeses", mas não é bem assim. Cheguei ao território em 91, e a primeira vez que estive na Tailândia foi depois do golpe de estado de 92. Confesso que apanhei uma grande desilusão quando fui lá a primeira vez, com o lixo, a sujidade, as monções, o calor, a prostituição, a pedofilia e tudo mais. A parte "espiritual" do país, os templos, as massagens, a riqueza histórica e cultural dilui-se na desonestidade dos agentes turísticos e da cumplicidade das autoridades. Garanto que nunca encontrei polícia mais incompetente, corrupta e inútil que na Tailândia. As minhas restantes visitas (mais três, se não estou em erro) foram igualmente marcadas por incidentes desagradáveis, sempre relacionados com a verdadeira "caça ao turista" que se faz por aquelas bandas.

Mas o resto até não é mau de todo. Os hotéis, as praias, a comida e tudo mais, e a preços bem convidativos para a malta do lado de cá. Os miúdos, por exemplo, adoram, coitadinhos. A minha mulher nem por isso. Em termos de comida e praia, temos muitas outras alternativas próximas na região (Malásia e Vietname, para citar dois exemplos), e bem mais seguros. Respeito o povo tailandês, e fosse eu um homem de fé, rezava por eles. Conheci imensos tailandeses em Macau, e não tenho qualquer razão de queixa, portanto existe ali bastante potencial para mudar as coisas de raíz. Quem sabe se uma boa "limpeza" não desse lugar a um novo começo? Agora é o momento.

Dois frangos bolivarianos


O presidente boliviano Evo Morales janta com o seu compincha Hugo Chávez e para o prato principal...há frango! Mas uma criativa e hilariante charge de Fernando Maurício e o seu Charges Brasil.

Um contra o outro


Está à venda desde ontem o novo disco dos Deolinda, um dos grupos portugueses sensação da década. Chama-se "Dois selos e um carimbo", e contém o seguinte alinhamento: 1. Se Uma Onda Invertesse A Marcha, 2. Um Contra O Outro, 3. Não Tenho Mais Razões, 4. Passou Por Mim E Sorriu, 5. Sem Noção, 6. A Problemática Colocação De Um Mastro, 7. Ignaras Vedetas, 8. Quando Janto Em Restaurantes, 9. Entre Alvalade E As Portas De Benfica, 10. Canção Da Tal Guitarra, 11. Patinho De Borracha, 12. Há Dias Que Não São Dias, 13. Fado Notário, 14. Uma Ilha. Fica aqui o primeiro single, "Um contra o outro", que é absolutamente genial. Deleitem-se com os Deolinda.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Qual é a sua fobia?


Já aqui falei das parafilias, as tais obsessões fora do normal. Hoje chegou o dia de falar de fobias, um tema igualmente diverso e interessante. Designa-se por "fobia" o medo tido por irracional de certas pessoas, animais, objectos ou factores naturais e do dia-a-dia. Tal como as parafilias, basta juntar o nome grego do medo em questão, e acrescentar-lhe "phobia", do grego phóbos, que significa isso mesmo: medo.

Algumas são perfeitamente conhecidas e utilizadas frequentemente na nossa língua: a homofobia, literalmente "medo do mesmo", utilizada frequentemente para designar o repúdio pelos homossexuais, a xenofobia, o medo de estrangeiros, a claustrofobia, medo dos lugares fechados, aracnofobia (medo das aranhas), ou a acrofobia, o medo das alturas, também designada por "vertigo". Existem alguns medos relacionados com a saúde bastante comuns e justificáveis, como a cancerofobia (medo do cancro) ou a diabetofobia (medo dos diabetes). Alguns um tanto ou quanto estranhos, como a dermatofobia (medo de lesões na pele), a albuminurofobia (medo de doenças renais) ou a meningitofobia (medo de doenças cerebrais). Outras são completamente absurdas, como a genofobia (medo de joelhos) ou a cardiofobia (medo do coração).

Há fobias bastante difíceis de explicar. Por exemplo sabia que a agateofobia é o medo da insanidade? Uma verdadeira contradição em termos. A alliumfobia é o medo do alho, e a melissofobia é o medo de abelhas, essas simpáticas criaturas que pousam de flor em flor, e a selenofobia é o medo da Lua? Verdadeiros casos de psicose. Quem é que pode ter medo das abelhinhas? Sinceramente. A sesquipedalofobia (ou hipopotomonstrosesquipedaliofobia) é o medo de palavtas compridas, um mal que se verifica especialmente entre jovens que se expressam através de forums de internet e mensagens de telemóvel. José Socrates até pode ter sido um engenheiro medíocre, e talvez sofra de simetrofobia, ou seja, o medo da simetria. Mas não levem a mal o nosso PM, que é completamente insuspeito de sofrer de pteromeranofobia, ou medo de mentir. Isto é apenas fruto da minha politocofobia. Isso mesmo.

O tipo de macho lusitano que normalmente visita o Bairro do Oriente não deve ter problemas de heterofobia (medo do sexo oposto), colpofobia (medo dos genitais femininos) ou genofobia (medo das relações sexuais), mas talvez lá no fundo pode sofrer um pouco de fronemofobia (medo de pensar), principalmente quando o faz com a cabeça de baixo. Só não consigo entender a itifalofobia, o medo de ver um pénis erecto ou ter o pénis erecto (!). O próprio pénis??? Um verdadeiro problema. Ainda no campo sentimental temos a filofobia (medo de se apaixonar), a virginitofobia (medo de ser violado/a), a zelofobia (medo dos ciúmes), filemafobia (medo de beijar), ou a hedonofobia (medo de sentir prazer). Uma verdadeira loja dos horrores. Quem sabe ainda se nos tempos que correm é preciso alguma hierofobia (medo de padres e coisas sagradas), por causa dessa autêntica onda de contreltofobia (medo do abuso sexual) que por aí anda?

A xenofobia, ou medo de estrangeiros, divide-se em muitos ramos curiosos: a francofobia (medo de franceses), a japanofobia (medo de japoneses), a judeofobia (judeus), russofobia (russos) ou sinofobia (chineses). Há quem tenha preocupações a longo prazo, como a satanofobia (medo de Satanás), zeusofobia (medo de Deus ou deuses), a ouranofobia (medo do paraíso), ou a estigiofobia (medo do Inferno), mas no fundo o que todos sofrem mesmo é de tanatofobia (medo da morte), portanto não sejam tão escatofóbicos (medo das fezes, pensei que ficava aqui bem). Quem se preocupa mesmo com a saúde é farmacofobo (tem medo das drogas), enofobo (vinho), luifobo (sífilis), que são tudo coisas prejudiciais à saúde. Já quem tem iatrofobia (medo de médicos), dentofobia (medo de dentistas) ou ablutofobia (medo de tomar banho), deve repensar o seu estilo de vida.

Existem ainda mil e uma outras fobias interessantes, e nem há espaço para todas. Procurem saber mais sobre a automisofobia (medo de ficar sujo), a catisofobia (medo de sentar) a ideofobia (medo das ideias), metrofobia (medo da poesia) ou a novercafobia (medo da madrasta), e não se inibam de procurar a vossa fobia. E sem qualquer alodoxafobia (medo de opiniões), atelofobia (medo da imperfeição) ou gelotofobia (medo de se rirem de mim), é assim que concluo esta modesta posta. Lá estou eu com a minha ereutrofobia, outra vez...

Teatro D. Pedro V


Da minha "exposição" de fotografias de telemóvel.

Provedor do leitor


Em relação ao post "25 de Abril contra o mono-pensamento", termino com a seguinte declaração: "O 25 de Abril e o 10 de Junho são os únicos dias do ano em que me sinto verdadeiramente português". Isto foi mal entendido por alguns leitores, que deixaram os seguintes comentários:

Eu sinto-me português todos os dias. Não sou daqueles que só se sente patriota dois dias por ano.

e,

Eu também sou português todos os dias...Ao contrário de certas pessoas, como o Leocardo, que só se sente português quando lhe dá jeito...será que foi também uma atitude que ganhou dos chineses aqui de Macau, que só são patriotas quando lhes dá jeito??

e ainda,

O Leocardo pode viver num bairro chinês, mesmo no meio deles, mas nasceu em Portugal, cresceu português e deveria ter um pouquinho de mais orgulho da pátria que o abençoou. Dixit.

E penso que há mais um ou outro. Ora bem, ao contrário do primeiro anónimo, eu não sou patriota, porque isso é uma parvoíce. Eu sou, mesmo quando estou em Portugal, um cidadão do mundo. Não acredito que alguém possa ser melhor ou pior por causa da nacionalidade, e sinceramente não vejo como o facto de ser português me pode trazer alguma vantagem ou tratamento especial em qualquer parte do mundo. É claro que sempre posso recorrer à embaixada, se não estiver fechada/com o embaixador em férias/em greve, como já aconteceu, mas não sou melhor que qualquer japonês, alemão ou russo pelo facto de ser português.

Quanto a segundo anónimo, permita-me uma pequena correcção: não me dá jeito nenhum, uma vez que tudo o que obtive e obtenho de Macau vem apenas do meu trabalho, e posso-me orgulhar de nunca ter precisado de fazer vénias a portugueses ou chineses para "subir na vida". Cuidado com as comparações.

O leitor anónimo que assina por "AA" fala de orgulho. Eu tenho orgulho de Portugal, que é um país lindo, com um clima óptimo, com uma comida espectacular, mas não bato o peito ilustre lusitano. Repare, a razão porque vim para Macau prendia-se com um "não dá" e um outro "não me apetece". Primeiro não dava para continuar a estudar, pois não tinha forma de fazer face às despesas. E segundo não me apetecia nada, mas mesmo nada cumprir o serviço militar. Um país que se diz verdadeiramente democrático não obriga os seus jovens a ir para uma espécie de prisão durante meses, em tempo de paz, e sem qualquer proveito ou interesse. Agora já acabou, mas um dia vou contar aos meus filhos que em Portugal os jovens eram obrigados a fazer a tropa. Mas se o que o preocupa é se continuo a torcer pela selecção, comer tremoços e beber Super Bocks, pode crer que sim. Estamos lá.



Obrigado a todos e cumprimentos.

Cornos


Imagens de festa rija que nos chegam do México. O conceituado matador espanhol Jose Tomas foi colhido por um touro de 500 kg durante uma corrida em Aguascalientes, no país dos tacos. Navegante, assim se chamava o touro, colheu Tomas pelas partes baixas, atirou-o ao tapete, e como resultado o artista perdeu oito litros de sangue (!), encontrando-se internado em estado grave. Quem anda à chuva...

Chelsea e ManU lado-a-lado


Chelsea e Manchester United continuam separados por um ponto, quando faltam duas jornadas para o termo da Premier League inglesa, versão 2009/2010. No Sábado os "red devils" bateram o Tottenham por três bolas a uma, e ontem os "blues" responderam com um 7-0 frente ao Stoke City. O marfinense Kalou esteve em destaque ao apontar três golos. Na próxima ronda o Manchester United desloca-se a Sunderland, enquanto o Chelsea tem uma saída difícil a Liverpool, que ainda luta por um lugar na Champions.

Braga não desarma


O Braga continua a lutar pelo título depois da vitória na Figueira da Foz contra a Naval, por uns esclarecedores 4-0. Os barcarenses mrcaram por Luís Aguiar (2), Paulão e Matheus. Caso o Braga vença o P. Ferreira em casa no Domingo, garante o segundo lugar, e caso o Benfica perca no Dragão, ainda adia a decisão do título para a última jornada. O Sporting empatou um golo em Leiria, e ainda não garantiu matematicamente o quarto lugar. Os leões têm oito pontos de vantagem sobre o V. Guimarães, mas os vimarenenses só jogam hoje frente ao lanterna vermelha Belenenses.

domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril contra o mono-pensamento


Comemorou-se hoje o 36º aniversário do 25 de Abril, o tal dia cada vez mais longíquo onde se conquistou a liberdade. A liberdade podia ter chegado noutro dia, em 24, 23, 22 ou antes disso, ou até mesmo a 26, caso os militares tivessem dito: "epá hoje é 25 de Abril, não vamos fazer revolução nenhuma. Isto era só eu a brincar, ah, ah. Voltando ao cravo frio, hoje tivemos em Macau actividades várias para assinalar o dia entre a comunidade portuguesa, enquanto a chinesa só pensava "olha para estes gajos sempre a arranjar festas". Não fosse Domingo, ainda pensavam que se tratava de mais uma desculpa para não trabalhar.

Deste lado sente-se mais o 25 de Abril por causa da saudade e da distância, acho eu. Os jovens de Macau estão relativamente bem ensinados quanto ao Dia da Liberdade, e têm privilégio de receber todos os anos uma personalidade directa ou indirectamente ligada à Revolução dos Cravos. Pelo menos é o que dá a entender daquelas reportagens deprimentes que vemos de Portugal onde se perguntam aos jovens "o que é o 25 de Abril", sempre com respostas completamente alucinantes, misturas de factos, e mesmo de personalidades (ex: muitos jovens pensam que o 25/4 "derrubou Salazar"). Os jovens de Macau estão bem servidos, sim senhor, e nem o seu actual desfazamento dos tempos revolucionários os impede de entender que ali há qualquer coisa de importante.

Já sei que alguns dos leitores condenam hoje o que foi o 25 de Abril, que o regime "caminhava para a abertura", que Marcelo Caetano "era um reformista", e que os militares "aproveitaram a debilidade do Estado Novo", e tudo mais. Eu continuo a achar que o 25/4 foi uma data espectacular, pois foi o dia em que começou a ser permitido pensar de maneira diferente. Foi o dia do anti-mono-pensamento, esse mal que nos destrói por dentro como um cancro. Não interessa que por vezes as coisas não dêm certo por "questões de ideologia", pois é sinal que nem todos concordam com toda a fruta sempre para os mesmos. Se hoje o portugueses votam e erram, é porque têm esse direito. Ninguém tem o poder de nos mandar e manipular sem que não haja alguém que bata o pé.

Hoje a nossa democracia e país não estão assim tão bem, já estiveram melhor, e quase de certeza vão atingir algum patamar de espectacularidade no futuro. Só era bom que esse "Portugal do futuro" não esquecesse esses heróis de ontem, do 25º dia do mês de Abril de 1974. Pode ter sido uma revolução pacífica, mas antes dela outros houveram que derramaram sangue, perderam a vida, foram torturados e sofreram durante a noite longa do fascismo. O 25 de Abril e o 10 de Junho são os únicos dias do ano em que me sinto verdadeiramente português.

Everybody Draw Mohammed Day!


Como hoje é Dia da(s) Liberdade(s), falemos de uma das mais estimadas: a liberdade de expressão. Como se sabe, os autores do show norte-americano South Park foram ameaçados por um grupo extremista islâmico por causa d um episódio onde alegadamanete mostrariam um desenho do profeta Maomé. A Comedy Central cedeu à pressão e resolveu censurar todas as imagens onde aparecia o profeta, e inserir um sinal sonoro quando se refere o nome de Maomé. Por isso uma cartoonista de Seattle de seu nome Molly Norris decretou o "Dia mundial de se desenhar Maomé", com efeito no próximo dia 20 de Maio. Maomé pode ser qualquer coisa, é só preciso usar a imaginação. E o que penso eu disto? Acho muito bem. Que se cumpram as leis dos países onde essas leis vigoram, e que se deixe de interferir nas opções de outras legislaturas, mesmo que possam ofender. Liberdade acima de tudo, mesmo nas opções menos saudáveis.

Recordar o cantor


E como hoje é 25 de Abril, nada como recordar Zeca Afonso, o cantor. Ei-lo em "Venham mais cinco", ao vivo no Coliseu dos Recreios.

Francisco Fanhais


Francisco Fanhais está por Macau, como é sabido, e actua esta noite no Teatro D. Pedro V. Temos ouvido muito do que foi Francisco Fanhais, e do que ele pensa, mas pouca música. Para que se tenha uma ideia do que nos espera logo à noite, fica aqui esta interpretação recente de "Vemos, ouvimos e lemos", no Vozes de Abril 2008. E para quem vai ao D. Pedro V hoje às 20 horas, que tenha uma noite divertida.

E depois do lapso


"E Depois do Adeus" foi uma das senhas do 25 de Abril, como toda a gente sabe. O que pouca gente sabe é que esta canção, vencedora do Festival da Canção nesse ano de 1974, foi interpretada por Paulo de Carvalho com um erro! Em pleno festival! A parte onde PdC diz "perguntei por nós/quis saber de nós" devia ser "perguntei por mim/quis saber de nós". Paulo de Carvalho nunca mais repetiu o erro (estaria nervoso, portanto), e foi a Brighton nesse ano a 6 de Abril assistir à vitória dos ABBA.

Benfica pode sagrar-se campeão hoje


Highlights - Watch the top videos of the week here
O Benfica ficou a um ponto de conquistar o título ao golear na Luz o Olhanense por cinco bolas a zero. Os encarnados podem já sagrar-se campe-es hje, caso o Braga não vença na Figueira da Foz a Naval. Cardozo fez um "hat-trick", e os restantes golos a serem apontados por dois argentinos: Di María e Aimar. O Porto foi a Setúbal golear o Vitória local por cinco bolas a duas (a última vez que o Porto perdeu no Bonfim foi em 1984) e Falcão marcou dois e ficou a um do paraguaio do Benfica na luta pelo título de melhor marcador, bem mais emocionante que a luta pelo campeonato. Maicon, Guarin e Belluschi marcaram os restantes dos dragões, enquanto Henrique marcou os golos dos sadinos.

Leituras


- No Hoje Macau, Arnaldo Gonçalves fala da recente invocação de Hu Yaobang feita por Wen Jiabao, em China: o regresso da luta entre as duas linhas?

- Sónia Nunes, uma rapariga genial que inventou uma linguagem nova, fala aparentemente sobre o trabalhador que foi encontrado com uma cana de bambu espetada no peito perto de um estaleiro de obras na Taipa (penso eu), em O enviado de Santa Rita.

- No JTM, José Rocha Dinis fala das próximas eleições no Reino Unido, em A vantagem de ser "imaculado".

- O Museu de Arte de Macau vai acolher no próximo ano a exposição dedicada ao arquitecto brasileiro de 102 anos de idade, Oscar Niemeyer. Saiba mais aqui na reportagem de Raquel Carvalho.

- No Ponto Final leia a entrevista de Luciana Leitão a Francisco Fanhais, cantor de intervenção e ex-sacerdote que está aqui por Macau a propósito das comemorações do 25 de Abril.

- N'O Clarim, Pedro Daniel Oliveira fala de intrigas de casinos, em Justiça à Americana.

Bom fim-de-semana!

sábado, 24 de abril de 2010

Volta à China


HEILONGJIANG - O tribunal popular Muling condenou um homem de 40 anos a 10 anos de prisão pela violação da sua filha de 14. O homem vem abusando repetidamente da filha de há 4 anos até agora. A sua mulher tentou impedi-lo, mas foi agredida.

XANGAI - Um professor de jornalismo da Universidade de Fudan foi condenado por plágio, precisou de fazer um pedido de desculpas públicas e pagar uma indemnização ao autor original. Xu Yan mencionou material de Han Yuan num artigo sem referir a fonte. Os dois autores foram colegas nos seus cursos de pós-graduação.

XANGAI - O tribunal popular intermédio nº 1 de Xangai confirmou a sentença que condena três gerentes da Shanghai Panda Milk Manufactoring Company a penas de prisão efectiva pelo envolvimento nos casos de melamina em 2008. Os responsáveis pelo leite contaminado cumprem penas entre os 3 e os 5 anos de prisão.

HUNAN - O departamento de educação de Shandong proibiu os professores de conversar com alunos do sexo oposto com as portas e as janelas fechadas, de modo a evitar abuso sexual. Um ex-director de uma escola primária está a monte, depois de terem sido expostas na internet fotografias suas a abusar duas menores de 6 e 5 anos.

GUANGXI - Uma multidão juntou-se para ver um homem na casa dos vinte anos a exibir-se completamente nu, na estação de autocarros de Nanning, e durante mais de meia-hora. Testemunhas dizem que o jovem não parecia um sem-abrigo nem evidenciava sinais de doença mental (!). O exibicionista retirou-se depois de vestir roupas que lhe foram oferecidas por um dos transeuntes.

GUANGDONG - Mais de metade dos alunos de uma escola primária em Huilai adoeceram depois de terem sido vacinados ontem contra a hepatite B. Quarenta e quatro dos 84 alunos vacinados começaram a sentir nauseas e a vomitar, e foram hospitalizados. Alguns ainda se queixaram de outros sintomas como garganta inflamada ou dores de estômago.

CHONGQING - Mais de metade dos 24 crimes relacionados com gangs tiveram protecção de elementos da autoridade, segundo um relatório agora divulgado pelo Tribunal Superior Popular de Chongqing. Desde o início do combate ao crime organizado em Junho do ano passado, 512 pessoas foram condenadas, com 45 a receberem a pena de morte ou prisão perpétua.

YUNNAN - Um homem de Shangri-la (?) soltou 50 javalis selvagens no monte há 12 anos, e agora não consegue controlar os...mais de 1400! Uma notícia com contornos humorísticos, não fosse o facto dos javalis estarem a destruir as propriedades e colheitas e afectar a produção de gado de uma vila próxima. O homem diz que soltou os animais como parte de uma "pesquisa científica".

SICHUAN - Um homem de negócios de Jiajiang com um património que ascende aos 400 milhões de yuan foi alvejado na cabeça na quinta-feira. O atirador fugiu e veio a cometer suicídio mais tarde. O homem encontra-se vivo, mas hospitalizado em estado grave.

Gandhi XXX


Nada como alguma pouca-vergonha exposta de pessoas antes consideradas um exemplo de virtude. É o caso de Mahatma Gandhi, que segundo uma biografia agora publicada, era um "depravado sexual", ou qualquer coisa assim que não se esperava daquele velhinho magrinho herói da independência da India. "Gandhi: Naked Ambition", é a obra do historiador britânico Jad Adams, que defende que a vida íntima de Gandhi "estava longe de ser normal". Gandhi apregoava a abstinência, e até a praticava, mas "testava-se" ao limite dormindo completamente nu com meninas pre-adolescentes, incluíndo a sua própria neta. Gandhi casou aos 13 anos com Kasturba, outra adolescente, e aos 14 foi pai pela primeira vez. Quando Gandhi assistia o pai no seu leito de morte, ausentou-se por uns minutos para fazer amor com Kasturba (!?), e perdeu o último suspiro do seu progenitor. Gandhi terá então sofrido tal remorso, que desde aí associou sempre a luxúria à morte do seu pai (Freud explica tudo), condenando o desejo sexual - dos outros, claro. Algumas histórias de Gandhi eram conhecidas antes da independência, mas foram suprimidas ou alteradas para elevar o pacifista ao estatuto de "Pai da Nação". O primeiro-ministro do estado indiano de Travancore, do período pré-independência, chamava Gandhi "o mais perigoso e reprimido tarado sexual que já conheci".

O Chávez da semana


Hugo Chávez, conhecido por ser um personagem que diz este tipo de disparates, tem um competidor à altura: o seu camarada boliviano Evo Morales. Morales disse recentemente que "comer frango é a causa de males como a homossexualidade e a calvície". Tudo por causa das "hormonas femininas" que são utilizadas para o crescimento das galinhas. Muito interessante. Para o Morales e o Chávez, os capitáns da América do Sul, é mais coca. Menções honrosas vão para aquele bispo que disse que a "indecência e a sexualidade" na TV são a causa para a pedofilia dos padres, e para o clérico iraniano Hojatoleslam Kazem Sedighi, que afirmou que os tremores de terra são causados por "mulheres que se vestem indecentemente". Qual deles o melhor?

A rush and a push and the land is ours


Quando fiz 15 anos comprei o disco "Strangeways here we come", dos Smiths (porque era uma banda que gostava), e logo que cheguei a casa tirei o vinil do pacote. Chovia muito, e fiquei o resto do dia a ouvir o disco. A primeira canção era este "A push and a rush and the land is ours". Foi fantástico. Aqui se recorda, interpretada ao vivo por um Morrisey mais "amadurecido".

sexta-feira, 23 de abril de 2010

By the way...


1) Respeitável cronista d’O Clarim, o jornal da Igreja Católica, assina esta semana um artigo intitulado Cuspo para o chão ou furo a fila, que vem na senda de algumas discussões sobre o civismo, quem o tem, quem o não tem, quem acaba “contagiado”, e tece ainda algumas considerações sobre as diferenças culturais entre chineses de Macau e chineses da China continental. Muito interessante, o artigo, mas a certa altura o autor diz que "Mas se olharmos com atenção, nem tudo é assim tão linear: quando vamos a uma repartição pública, por exemplo à sede dos Correios de Macau, que fica ali mesmo no centro, vemos os utentes alinhados em filas ordenadas, pacientemente esperando pela sua vez sem tentarem passar à frente de quem quer que seja.(...) Depois de vermos as pessoas muito ordenadas nos Correios (ou em qualquer outra repartição pública) deparamos com as mesmas pessoas na paragem do autocarro a empurrarem-se e a passarem à frente de tudo e de todos para entrarem dentro do transporte público". Acrescentando depois que se trata de um comportamento deplorável, sim senhor, não podia estar mais de acordo. Mas será que a culpa é mesmo das pessoas? É que enquanto nos serviços públicos as regras são claras, nas paragens de autocarro não existem regras. Enquanto nas repartições públicas existem filas específicas para determinados serviços, senhas de atendimento e tudo mais, nas paragens de autocarro passam várias carreiras e nem toda a gente toma a mesma, pelo que não há forma de saber quem chegou antes e para quê. Só uma pequena observação, e espero não estar a ser chatinho.

2) Ainda na imprensa, e agora no Hoje Macau, a jornalista Vanessa Amaro entrevista o tradutor-intérprete Gregório Rocha. Achei a história deste jovem absolutamente fascinante, mas fiquei sem perceber a idade dele. Em jeito de enigma, ficamos a saber que tem 39 anos de vida “tripartida” por Hong Kong, Brasil e Macau. A seguir é-nos dito que chegou a Macau “nos anos 90”, com 16 anos. Começa-se a tornar mais complicado a partir do momento em que o próprio Gregório que “chegou aqui depois do Brasil ter sido tetracampeão”, ou seja, em 1994. E chegou de Hong Kong num jetfoil atribulado, que demorou “três horas”. Ora se em 94 chegou e tinha 16 anos, agora deverá ter, vejamos, 16+16...32? Epá não sei, já não digo nada. Se calhar foi isso mesmo que ele disse, e não há lá intimidades que levem a notar a discrepância, e pronto, tudo isto sem aspas a não ser nas citações do entrevistado. Mas não queria fazer disto o meu cavalo de batalha, mas será que foi apenas um pequeno erro quanto a um dístico? Seria 32 e não 39? À consideração de V. Exas.

Os blogues dos outros


A coisa promete para as bandas de Alvalade na próxima época. E se promete. Se há algum jogador que tem ideia, uma ideiazinha que seja, de poder vir a protagonizar casos de indisciplina, é ver este vídeo e "arrumar as botas". Acabaram-se os atrasos, as "bocas" e as desculpas. Paulo Sérgio não o permite. Veja-se a forma como "arrumou" com o conhecido "Emplastro"! Muito cuidadinho com ele. Um verdadeiro "leão" na selva!
PS 1 - Dispensava-se a pastilha da ordem... Eu sei que é um mal de que outros também sofrem, mas mesmo assim...
PS 2 - Para quem não oiça o que o novo treinador do Sporting diz, o texto é:“Sai já daqui, se faz favor, que viro-te já ao contrário”...
PS 3 - Um conselho: os dirigentes também devem ter cuidado...


Pedro Quartin Graça, Corta-Fitas



Bandeira, Delito de Opinião


Apanhado no meio de fogo vermelho: uma noite de terror na baixa de Banguecoque.

Miguel Castelo-Branco, Combustões

Caos...persiste na Europa à medida que os voos são paulatinamente restabelecidos depois da explosão vulcânia na Islândia. Nos media correm notícias de aproveitamento miserável de algumas transportadoras ferroviárias da situação, ao caso a que faz a ligação entre a França e a Inglaterra. É por estas e por outras que a actuação do governo se continua a justirficar como regulador e disciplinador do mercado; a vontade de lucro ainda que ilegítimo é aviltante. Lá estarão dois ou três CEOs preocupados com o prémio de desempenho anual e os seus fringe benefits.

Arnaldo Gonçalves, Exílio de Andarilho

Hola!
Podia perfeitamente ser o nome de um avançado da Islândia que subitamente passou a alinhar no encanto do futebol inglês ao serviço do Fulham. Ou o nome de uma personagem de um filme de terror que, inevitavelmente, qual Bambi, acaba por morrer.
Mas, não é nada disso. É apenas o nome de um vulcão que fumarou os ares da Velha Europa. Tenho para mim que um dia destes esta coisa a que chamam planeta Terra vai toda pelos ares. E, antes disso, como está bem retratado no retrato que o Xô Vici aqui postou, vamos voltar à Idade da Pedra. Pelo sim pelo não, e antes que isso aconteça, é aconselhável tirar a carta de patrão de costa. Que te vaya bien!


QUILMES, MACA(U)quices

Hoje, celebra-se o Dia Mundial do Livro. O livro que sempre foi o produto que mais respeitei ao longo da vida. Sempre tive um livro a meu lado e devo muito do meu conhecimento a tudo o que apreendi nas páginas de centenas de livros que tive o privilégio de ler. Ontem, visitei a Livraria Bulhosa para assistir ao lançamento do Livro 'Tartan - As Velas da Liberdade', dos irmãos Nuno e Pedro Silveira Ramos. Vim de lá amachucado e triste. Os livros estavam zangados comigo e quase que não me falaram. Deram-me um raspanete enorme e lembraram-me que eu lia uma média de dois livros por semana e que nos últimos três anos tinha lido uma média de dois livros por ano. A minha falta de leitura ficou a dever-se à entrega total que depositei desde Outubro de 2007 a este blogue. Com a gratidão de quantos me abraçaram, mas com a injustiça de quantos me têm prejudicado devido às posições que aqui tenho assumido.
Os políticos desiludiram-me, o sistema destruiu-me e os falsos amigos traíram-me.
Chegou o momento de regressar à leitura dos livros. Fazem parte de mim e ajudam-me a viver, num momento em que a vida está a retirar-me todas as forças que me concedeu. Peço que me desculpem e que me compreendam, mas a partir de hoje o PPTAO será um blogue onde eu virei quando puder e quando a disposição permitir. Agradeço a todos quantos ao longo destes anos andaram por aqui com amizade.
Abração e até amanhã.


João Severino, Pau Para Toda a Obra

South Park censurado


O episódio "201" (o nº 201 da série, que tem também este título) foi censorado pelo próprio Comedy Channel, canal de cabo norte-americano que transmite a série desde 1998. A popular e controversa série "ameaçou" mostrar uma imagem do profeta Maomé neste episódio, segunda parte do episódio da semana passada, "200". A imagem do profeta do Islão apareceu censurada, e cada vez que um personagem dizia "Mohammed" ouvia-se um sinal de mil hertz. Depois de "200", uma associação islâmica norte-americana, a Revolution Muslim, ameaçou Trey Parker e Matt Stone, criadores da série, e fizeram um paralelo entre "South Park" e o realizador de cinema holandês Theo Van Gogh, assassinado em 2004 por um fanático holandês depois de ter exposto o tratamento das mulheres no Islão. Neste episódio, "201", é também possível ver o Buda a consumir cocaína, e Jesus Cristo a ver pornografia.

Aconteceu esta década: Facebook


Apareceu originalmente em 2003 depois de quatro amigos da Universidade de Harvard terem criado uma rede para partilhar fotos, vídeos e pensamentos: o Facemash. No ano seguinte foi aperfeiçoado, e desde 2006 que qualquer pessoa com mais de 13 anos pode abrir uma conta. Actualmente tem mais de 400 milhões de utilizadores em todo o mundo. É utilizado sobretudo para se jogar no trabalho.

Vídeo da semana


Foi difícil, mas encontrei um vídeo da tal senhora britânica que sofria de enxaquecas e de repente começou a falar com sotaque chinês. A qualidade não é muito boa, mas dá para perceber.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O dilema do cigarro


http://pontofinalmacau.wordpress.com/2010/04/22/o-cigarro-fica-a-porta/
Mais uma excelente reportagem de Hélder Beja e Kelvin U (que suponho que ajude nas traduções) nas páginas do Ponto Final de hoje. O assunto, a legislação do tabagismo, a tal que demora a sair devido a "reservas" por parte do "lobby" que fuma, tem muito dinheiro e não quer que os chateiem. À semelhança de outras regiões civilizadas, já existem estabelecimentos de restauração livres de fumo, ou pelo menos com um espaço reservado a não-fumadores. Mais uma vez esta lei que demora tanto a sair, apesar da insistência, por exemplo, dos Democratas, é marcada pela incoerência em relação às salas de jogo, onde se vai continuar ser permitido fumar.

Duas cabeças se levantam neste lago: de um lado os trabalhadores do jogo que se vêem excluídos desta medida que visa proteger a saúde da população, por outro lado os grandes apostadores, que preferem gastar o seu dinheiro onde se possa fumar. Quanto aos "outros jogadores" ou frequentadores de casinos, não me parece que seja boa opção exigir ser "saudável" num espaço que não faz bem nenhum à saúde - em muitos aspectos. Que se exija a proibição de fumar em qualquer espaço dentro de recintos desportivos, edifícios públicos, hospitais e afins, faz sentido. Em casinos, não faz sentido nenhum.

Em Singapura, curiosamente, estive nos bares da Marina Bay com uns amigos que fumavam, e os lugares reservados aos fumadores estavam completamente cheios. Tiveram que se contentar com os lugares destinados a não-fumadores, e de vez em quando iam até perto do mar fumar um cigarro. Custa ficar ali a beber umas jolas ou beber uns cafés e licores sem poder fumar, eu sei disso, como custa. Será que existem assim tantos fumadores que são gente divertida, que sai, que dança, que consome, e que uma lei contra o tabagismo seja uma facada no negócio? A proibição de fumar nos bares entra na esfera do surrealismo quando normalmente as pessoas que frequentam estes bares procuram-nos para se intoxicarem com bebidas alcoolicas.

Em Hong Kong e outras regiões optou-se ainda por aumentar radicalmente o preço do vício, ao ponto de um maço de cigarros dos mais baratos custar cerca de 50 patacas. Mas surtiu algum efeito? Fuma-se menos? Talvez, mas também há cada vez mais gente jovem a fumar. Aumenta a procura de cigarros fabricados na China? Certamente que sim. Em Portugal um maço de cigarros custa dois euros e qualquer coisa, e provavelmente fuma-se muito mais que em Macau, onde as marcas mais consumidas custam menos de um euro por exemplar. Se o preço dos cigarros duplicasse ou triplicasse em Macau, quais seriam os efeitos? Descontentamento popular? Acções de protesto? E se a lei sair e for rigorosamente aplicada? Ressaca geral?

Eu pessoalmente considero que qualquer pessoa com mais de 18 anos seja livre de fazer o que quiser com o seu corpo ou a sua saúde, desde que não prejudique outrém. Não vou censurar ninguém por fumar, beber, drogar-se ou prostituir-se, desde que não arraste ninguém consigo para a lama. Existe em Macau um excesso de zelo, leis que não se aplicam porque ninguém se quer chatear com isso, e vai sendo um pouco assim que se vai continuando a fumar em toda a parte desde que se esteja a consumir (mesmo nos estabelecimentos com o dístico verde), cuspir para o chão ou estacionar a mota em cima do passeio.

Casa do Brasil


Duas inaugurações de monta, hoje em Macau. A primeira a da Wynn Encore, com direito a fogos de artifício assustadores lá pelas oito da noite. A segunda a da Casa do Brasil, uma realidade que acontece naturalmente graças à vivacidade, energia e espírito de entre-ajuda que existe no seio da comunidade brasileira de Macau. Não foi preciso existirem milhares de brasileiros, ou ter uma responsabilidade histórica em Macau, a Casa do Brasil aparece naturalmente, como as veredas brotam daquele país tropical. Uma das prioridades é trazer serviços consulares para o território, uma vez que os brasileiros de Macau precisam de se deslocar a Hong Kong para tratar de documentos. Esse é um objectivo técnico, de teor burocrático, que não interfere com tudo o de bom que uma Casa do Brasil pode trazer. É bom que se promova aqui a cultura brasileira, a arte brasileira, a literatura e o cinema, que também são em português, só que com sotaque. E depois são coisas com bastante qualidade; é preciso não esquecer que o Brasil é o quinto maior país do mundo, com 200 milhões de habitantes, uma espécie de Estados Unidos da América em português, só que bem mais simpáticos e interessantes que os originais. Muitos portugueses, macaenses e gente de outras nacionalidades poderá inscrever-se na Casa do Brasil, e certamente que não se irá arrepender.

Palitos


Ouvi agora mesmo numa reportagem da TDM sobre um website que promove a infidelidade em pessoas casadas. O repórter disse qualquer coisa como "um website que ajuda a pôr os palitos". Os palitos, sim senhor. Há quem seja mais bruto e lhe chame "os cornos", os chineses são mais suaves, e dizem "usar um chapéu verde", enquanto os filipinos são mais fecais, com "merda na tola". Desconheço as versões vietnamitas, mongóis, indonésias e tailandesas deste interessante facto.

Inferioridades


O ciclo vicioso do "bullying" explicado por Fernando Maurício, em mais uma excelente charge no seu Charges Brasil.

Será que doeu?


Imagens assustadoras que chegam do campeonato austríaco. No jogo entre o LASK Linz e o Red Bull Salzburgo, com o guarda-redes da equipa visitante a partir a perna numa jogada com um avançado da equipa da casa. Olhando para as imagens umas quantas vezes, dá vontade de perguntar: será que doeu?

Bayern bate Lyon, Ribery perde a cabeça


O Bayer de Munique derrotou ontem o Lyon por uma bola a zero em jogo das meias-finais da Liga dos Campeões. O único golo do encontro foi apontado pelo internacional holandês Arje Robben, aos 69 minutos. Os alemães vão agora a França com um golo de vantagem, e sem o internacional gaulês Franck Ribery, que foi expulso ainda na primeira parte por entrada violenta sobre o argentino Lisandro Lopez. Estaria Ribery a acusar a pressão do recente caso de prostituição de menores em que se viu envolvido?

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Ajudar Qinghai


Foram hoje observados em Macau três minutos de silêncio em memória das vítimas do terramoto de de Yushu, em Qinghai, na passada semana. São em momentos como estes que temos que mostrar o nosso melhor lado, e foi o que fizeram, por exemplo, a Wynn Resorts, que adiou a festa de inauguração do complexo hoteleiro Encore, prevista para hoje. Tanto nos serviços públicos, privados, nas escolas e um pouco por toda a parte, as gentes de Macau sentiram pesar pelos seus compatriotas que tragicamente perderam a vida devido a mais uma catástrofe natural. Não sei se chegaram a visitar Sichuan depois do terramoto de de 12 de Maio de 2008, mas quem foi percebeu bem a dimensão que uma tragédia deste tipo tem em populações que já vivem com outros problemas estruturais. É altura também de pensar em contribuir de forma urgente com o excesso que temos em Macau para ajudar a população daquela parte menos afortunada da China. Não servem as desculpas do costume, que "não chega lá", ou que "dou depois". Certifique-se contudo que a instituição onde deseja contribuir com o seu donativo é legítima. Vamos lá ajudar a população de Yushu, que tem agora um monte de trabalho pela frente.

Morreu Samaranch


Faleceu hoje em Barcelona Juan Antonio Samaranch, o espanhol que conduziu os destinos do Comité Olímpico Internacional entre 1980 e 2001. Samaranch tinha 89 anos, e sofreu uma cardiomiopatia. Não tenho muito mais a dizer, a não ser que foi muito criticado em várias instâncias, mas tornou-se uma figura lendária do olimpismo ao organizar os primeiros jogos depois da Guerra Fria, do centenário, do milénio, e atribuíu à China a organização dos jogos de 2008. Em 1991 recebeu do rei de Espanha o título de marquês.

Provedor do leitor


A propósito do post sobre o preço da água, luz, etc. um leitor deixou um comentário bastante curioso:

E a qualidade do esparregado congelado que se vende no Welcome? Quiçá, o assunto conceptualmente mais importante do ano e merecedor de um grupo de trabalho, de uma comissão, de uma auscultação pública e talvez mesmo de uma posta de V. Exa. Nela poderá explanar os seus densos pontos de vista sobre esta matéria. Estaremos atentos às orientações estilísticas da prosa que, sobre esse assunto, venham a ser seguidas.

À superior consideração de V. Exa.


Se calhar V. Exa. é uma entidade superior que não se preocupa com o peso da despesa mensal que estas utilidades têm nas famílias de Macau. Talvez seja um daqueles mecenas que está aqui com tudo pago, e se calhar preocupam-lhe mais os preços de certas coisas mais...mundanas, luxuosas. Tal como o senhor, se calhar há também gente a quem este assunto não interessa, e nem por isso vêm aqui expressar o seu "desinteresse". O que seria se eu telefonasse para os jornais todos os dias a dizer-lhes quais são os assuntos que me interessam ou não? Há quem às vezes se queixe que eu falo "de tudo", os que se queixam de que não falo de Macau (!), enfim, é impossível agradar a toda a gente. Quanto aos restantes comentadores que discutiram o assunto, os meus sinceros agradecimentos.

Maria, uma leitora regular, disse:

A electricidade em Macau não é a mais cara no mundo!! Só neste lado do mundo, é mais barata que em Tóquio, Seul, só para dar uns exemplos!

Leocardo, se paga mais de 1000 patacas por mês na electricidade, é melhor ver o que está a fazer! Eu concordo que é um exagero. Não deixe as luzes abertas nem ar condicionados ligados em quartos vazios.


Como sempre faço, às vezes melhor, às vezes não muito bem, pesquiso os temas antes de os desenvolver. Para tal consultei recibos de electricidade, comparei preços (em Agosto gasto mais que Janeiro e Fevereiro juntos), falei com outras pessoas que pagam mais de mil patacas de luz nos meses Verão. Uma grande parte do Verão é, como sabem, insuportável em termos de calor, chuva e humidade, para não falar dos tufões. Uma família de quatro onde está quase sempre alguém em casa, é normal em que alguns dias se deixem os aparelhos ligados o dia todo. Mesmo para secar a roupa, para quem não tem secador, deixa-se a roupa na sala com o ar-condicionado ligado o dia todo. Acredito que há quem pague menos, porque passa menos tempo em casa ou prefere os ares-condicionados dos bares, restaurantes, casas de amigos e amigas, etc., mas é preciso não esquecer as famílias, que consomem a grande maioria da electricidade.


Obrigado pelo vosso tempo.

Imagens...estranhas

Mourinho ri primeiro


Correu bem para o Inter, a primeira mão das meias-finais da Liga dos Campeões. Os nerazzurri bateram o Barcelona, campeão em título, por três bolas a uma. Pedro Rodriguez inaugurou o marcador para os catalães, e Sneijder ainda empataria antes do intervalo para os italianos. Na segundda parte "só deu" Inter, com os pupilos de Mourinho a perderem o respeito pelo Barça, e a marcar mais duas vezes por Maicon e Diego Milito, o homem do jogo. O Barcelona joga agora em Nou Camp, e precisa de vencer pelo menos por 2-0. Mas Messi e companhia terão que trabalhar muito contra o matreiro José Mourinho, que se fica a rir por enquanto. Será que Guardiola rirá por último?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Água, electricidade, gás e telecomunicações


Pouco se fala em Macau dos serviços de água, luz, electricidade e gás, utilidades que são indispensáveis ao dia-a-dia. Já passei por um pouco de tudo; cheguei a ter uma inundação em casa e no mês seguinte paguei uma factura de 400 patacas no mês seguinte, quando pagava habitualmente 40/50 patacas. Já voltei de Portugal uma vez e dei com a luz cortada por falta de pagamento - puro esquecimento. Já cheguei a ter gás canalizado, e prefiro o outro. O facto da internet não ser completamente gratuita em Macau é algo que ainda não consegui perceber.

Ponto por ponto. A água em Macau continua a ser das mais baratas do mundo, apesar das crises ocasionais da salinidade. O Governo ainda por cima subsidia o pagamento, para que não fique pelo menos ninguém sem tomar banho. Quanto à água que se bebe, não sei porquê não confio na torneira. Quando vivia em Portugal só bebia água da torneira (deliciosa!), mas aqui disseram-me que a engarrafada "é preferível". Já me disseram que estou a comprar gato por lebre, e que a água da rede "é segura", mas quando falta em casa um garrafão de Luso, falta tudo.

Quanto à luz, continuamos a pagar a electricidade mais cara do mundo. Apesar do serviço ser bastante decente (raramente falta a luz), mais de mil patacas por mês só para aguentar os rigores o Verão e da humidade parece-me excessivo. O única voz dissonante nesta autêntica escravatura energética foi em tempos a do deputado David Chow, que em plena AL questionou as tarifas praticadas pela CEM. Certamente que existem muitas explicações para o facto de Julho, Agosto e Setembro serem meses em que normalmente a chegada da conta da luz causa transtorno, mas nada me convence.

O gás é o serviço que mais me assusta. Cheguei a viver num apartamento abastecido com gás da companhia, e todos os meses pagava entre 300 e 400 patacas, sem sequer saber bem porquê. Uma bilha de gás ao domicílio, que chega muito bem um mês, custa cerca de 180 patacas, gorjeta incluída, e dependendo ainda da oscilação do preço do gás natural - o que, naturalmente, não me interessa. Sem dúvida que sai muito mais barato "chamar" o gás do que tê-lo a toda a hora em casa. O que me fascina é a qualidade da instalação das bilhas de gás nas casas de Macau. Surpreende-me que quase não se tenham registem casos de explosões ou incêndios, da forma como os tubos são enfiados debaixo do lava-louça da cozinha de forma tão primitiva, e quase sem inspecções regulares de seja lá quem for que devia ter esse trabalho.

Finalmente, as telecomunicações. Este ano a CTM teve lucros de 711 milhões de patacas, um aumento. Com a catrefada de dinheiro que a empresa que detém o monopólio das telecomunicações em Macau arrecada com as chamadas internacionais e com a rede móvel, não seria porreiro incluir o serviço de internet nas duzentas e tal patacas que pagamos pelo aluguel da rede fixa? Trezentas, que fossem. Quanto ao serviço, é melhor nem falar para não dar azar. Senão ainda fico sem internet durante uma semana, que é o tempo normal de atendimento do respectivo serviço.

Nuzinha pelada com a mão no bolso


Os motoristas da Avenida Chung-Jih, em Taoyuan, Taiwan, foram ontem surpreendidos por uma cena pouco comum: uma mulher completamente nua entre o trânsito. A mulher na casa dos quarenta anos causou um engarrafamento, e foi preciso a presença das autoridades, que a envolveram imediatamente numa toalha. Vários transeuntes olhavam descrentes, e vários estudantes viravam a cara para não ver. A mulher resistiu à detenção, e para evitar mais embaraços foi chamada a polícia feminina. O chefe da polícia de Taoyuan afirma que a mulher "parece sofrer de perturbações mentais" (nãããoooo...) e que não se conseguia expressar adequadamente. A mulher foi depois levada para um lar em Taoyuan.

Et tu, Ribery


Franck Ribery, para muitos o melhor jogador francês da actualidade, para outros uma espécie de Corcunda de Notre-Dâme, está envolvido num caso de prostituição envolvendo menores. Ribery foi questionado como "testemunha" de um caso de uma menor de 18 anos que trabalha num clube nocturno que o jogador frequenta, e admitiu mesmo ter tido relações sexuais com a jovem. Outros jogadores franceses envolvidos são Karim Benzema, do Real Madrid, Ben Arfa, do Marselha, e Sydney Gouvou, do Lyon. Uma notícia no mínimo surpreendente (ou não?), uma vez que Ribery é um muçulmano devoto. O internacional francês de 27 anos converteu-se em 2005, aquando do seu casamento com a argelina Wahida (na imagem). Diz-se ainda que Ribery já foi a Meca e reza cinco vezes por dia. O que foste fazer, Ribery?

Eyjafjallaquê?


O tal vulcão islandês, que se chama Eyjafjallajökull, e a pronúncia deste palavrão nórdico tem dado muitas dores de cabeça a repórteres de televisão não-islandeses. Fica aqui uma pequena compilação de "Eyjafjallajökulles".

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nem sangue, nem ópio


Ainda a propósito da posta de ontem subordinada ao tema da História de Macau, ou da "Macaulogia" que é transformada numa Macaufobia, gerou-se uma interessante discussão na secção de comentários sobre a origem da presença dos portugueses nesta parte da China. Macau foi oferecido ou emprestado? Tomado ou roubado? Quem nos pode responder já está no país das caçadas eternas ainda antes do nosso tempo neste mundo, e isso nunca poderemos saber ao certo. A verdade é que pelo menos posso ter a certeza que não foi através de nenhum expedientes utlizado por alemães ou franceses no continente, nem por intermédio do ópio como fizeram os nossos irmãos mais velhos, os britânicos, aqui ao lado em Hong Kong.

A questão da devolução de Macau à China aconteceu simplesmente porque tinha que acontecer. A designação "território chinês sob administração portuguesa" é uma coisa mais ou menos recente, considerando os mais de quatro séculos de História. Se o leitor perguntar a qualquer macaense com mais de 40 anos se em 1980 a questão da entrega de Macau à China alguma vez se punha, este respondia-lhe logicamente que não. Alguns macaenses "lamentam-se" de não ter aprendido chinês, alguns foram aprender já na idade adulta, porque nunca lhes foi colocada essa opção durante o ensino do regime colonial. A declaração-conjunta só foi possível porque existiam garantias de que a China estaria disposta a manter o modus vivendi de Macau, e as negociações foram sempre feitas de boa vontade de ambos os lados.

O facto de Hong Kong ter sido devolvido mais cedo no papel tranquilizou as hostes, visto que desde sempre - e mesmo hoje - a RAEHK tem uma tradição mais democrática, um povo mais educado e contestatário, e um interesse muito maior por parte da China. Hong Kong é a "jóia". Porque havia Macau de ter medo? Claro que logo os menos optimistas pensaram em fazer as malas, outros esperaram para ver o que dava, e destes últimos a maioria nunca chegou a partir. É absurdo pensar que Macau ia ser muito pior, uma vez que a própria China está em abertura, com os resultados que se vêem, pelo menos no aspecto da economia. Quem não pensa na China quando se fala de economia hoje em dia?

E é de abertura que se vai falando todos os dias. Macau não foi devolvido porque foi roubado, como sugeriu um leitor. Algo que se dá ou empresta também pode ser devolvido mais tarde; mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Há 100 anos tinhamos um território mais ou menos funcional, onde funcionava sobretudo a paz e harmonia. A grande China estava dividida e debatia-se com profundos problemas estruturais, alguns resolvidos e outros agravados pela aparição da RPC. Mas nunca fez tanto sentido devolver Macau à China depois das reformas políticas de Deng Xiaoping - algumas que podiam ser bem utilizadas pelos políticos autónomos local. E é claro que tudo isto foi graças a muita diplomacia, e como a História sempre foi de amizade e/ou tolerância, não acredito que Macau tivesse sido roubado ou tirado à China. Não é uma história nem de sangue, nem de ópio.



PS: Quanto ao que se ensina aos jovens de Macau sobre História de Macau, deve ser mais ou menos o mesmo que a minha mulher aprendeu: nada. Aprendia História da China e História Universal. É só normal que assim tenha acontecido durante vários anos. A administração portuguesa sempre tolerou que a comunidade chinesa de Macau vivesse num espécie de Mini-China, muito diferente da Pátria Mãe, sem interferir com os seus usos, costumes, tradições, e claro está, com a língua. Teria sido uma tarefa herculea, mas se a administração portuguesa quisesse tinhametido a população inteira a falar e pensar em português, mas isso não convinha muito a quem tinha que administrar e tratar dos negócios da China que sempre se foram por aqui fazendo.

Aconteceu esta década: Bento XVI


Comemora-se hoje o quinto ano do pontificado de Bento XVI, aquele Papa muito fixe que vemos aqui nesta muito conseguida fotografia. Nunca soube bem porque se considerou João Paulo II um dos maiores homens do século XX, o melhor Papa de sempre e tudo mais, quando a Igreja nunca conseguiu dar respostas apropriadas a alguns dos flagelos que minaram o seu pontificado de mais de duas décadas. Nem sei como é que o Papa Bento XVI ou qualquer outro papa seriam capazes de preencher a figura de JP II. Enfim, como não considero que o Papa é o sucessor de Jesus Cristo, como ouvi uma senhora dizer há pouco na televisão, resta-me assinalar o aparecimento desta figura que lidera essa coisa tão complicada que é a Igreja Católica. Sobre a actual crise na Igreja, a da pedofilia, era bom que ele a resolvesse a bem, que eu não sou parvinho e não acho que o Papa deve ser preso, como também se ouve por aí. Parabéns, Bento XVI.

Do cu da natureza


O que se passa na Europa com a questão das cinzas do vulcão elfes-koiso lá da Islândia é completamente alucinante, digna de registo. Eu é que não queria estar agora "preso" no norte da Europa, com hotéis e comida caríssima, enfim, melhor está aquele turista português em Manila, onde tudo é quase dado - para quem ganha euros ou dólares, entenda-se. O sul da europa passou a ser de eleição para as viagens trans-continentais, e sabe-se lá se a deprimida Grécia ainda pode ganhar qualquer coisinha com isso? A última vez que este vulcão entrou em actividade foi há quase 200 anos, quando ainda não haviam aviões, mas durou dois anos, o que seria de loucos se acontecesse agora. As companhias sentem-se já apertadas, e começam a estudar formas de voar por alto, voar por baixo, enfim, voar para recuperar os milhões perdidos com os vôos cancelados. É uma situação f..., caros leitores. Esta coisa da natureza é sempre a pior desculpa. Não há ninguém a quem atribuir as culpas, a não ser a....Mas, atrevem-se?

Faltam só quatro


O Benfica ficou a apenas quatro pontos do título ao vencer ontem em Coimbra a Académica por três bolas a duas. O brasileiro Weldon esteve em grande destaque. Primeiro marcou logo aos três minutos, e depois de Gomes ter restabelecido a igualdade para os estudantes, voltou a colocar os encarnados em vantagem antes do intervalo. Os espectadores do Municipal de Coimbra tiveram que esperar até aos 80 minutos para voltar a ver golos, com Ruben Amorim a ampliar a vantagem para o Benfica. A dois minutos do fim Tiero reduziria, mas seria pouco para evitar que os comandados de Jorge Jesus saíssem de Coimbra com os três pontos. O Braga venceu o Leixões no Sábado por três bolas a uma, e ontem no Dragão o Porto bateu o V. Guimarães por três bolas a zero. O Sporting só joga hoje, frente ao V. Setúbal.

Real mais perto do Barça


O Real Madrid ficou apenas a um ponto do Barcelona, graças à vitória sobre o Valência por duas bolas a zero. Os dois maiores protagonistas dos merengues foram ontem os marcadores de serviço: o argentino Higuaín e o português Cristiano Ronaldo. O Barcelona empatou a zero no último Sábado frente ao Espanyol, no derby da cidade condal. A 24 (!) pontos do Real segue o Valência em terceiro lugar, em quarto está o Sevilha e em quinto o Mallorca.

domingo, 18 de abril de 2010

Macaufobia


Mais de setenta académicos locais e estrangeiros estiveram reunidos na última quinta e sexta-feira na UMAC para discutir uma coisa nova: a Macaulogia. Macau, e logia, lógico, Macaulogia. Nem sei como é que nunca se lembraram disto antes. Aliás, o dr. Rogério Puga lembrou-se há uns anos quando criou o blogue Macaulogia: Fórum de Estudos sobre Macau. Seria um prenúncio? Não sei se a "Macaulogia" dará lugar a um novo curso, assim como aqueles muito curiosos que encontramos facilmente através de um pesquisa num motor de busca da internet, assim como "Sobreviver quando se é um estrangeiro", que se pode estudar na Texas A&M, ou "Antropologia do som", na MIT.

Não sei qual foi o objectivo da 1ª conferência internacional da Macaulogia, mas o que já existia - e existe - é um património cultural e histórico riquíssimo que já merecia ser estudado, investigado, procurado e esmiuçado com mais atenção. Atenção e carinho, que a História de Macau que não vem nos livros está fechada a sete chaves, numa espécie de Arca da Aliança, e que se pode transformar em pó ao mais pequeno toque. Muita da História de Macau está esquecida, enterrada, perde-se na tradição oral, ora dos que partem para outras terras ou para o outro mundo, e levam consigo "estórias" que ficam por registar.

Quando na noite de 19 de Dezembro de 1999 o então presidente chinês Jiang Zemin se dirigiu na primeira pessoa à população de Macau e falou de "um novo começo", não estaria certamente a dizer que se devia apagar o passado, e começar a construir-se uma Aomen, a partir de um ano zero qualquer desde que regressou ao regaço acolhedor da mãe Pátria. Mas é o que muita gente gostava de ver acontecer. Será que vale a pena ensinar aos jovens de Macau a sua História? Das origens desta cidade, que foi construída por conquistadores, piratas, refugiados, batoteiros, criminosos e malucos, cheia de acidentes e incidentes e muita obra do acaso. Será que os futuros macaenses que se chamam Pinto, Santos, Silva ou Rodrigues, tal como um dia se chamarão também os seus filhos, vão saber a origem do seu apelido? Vamos ter aqui uma nova Goa, um Sri Lanka qualquer, uma menos atávica Malaca?

Na escola primária aprendíamos superficialmente sobre as regiões autónomas e sobre Macau. A minha professora dizia-nos que "Macau tinha sido oferecido aos portugueses como recompensa pela ajuda no combate aos piratas do Mar da China". Uma teoria cada vez mais rejeitada nos tempos que correm, pois de "oferecido" passou rapidamente a "roubado" ou "ocupado", depois de versões díspares envolvendo entrepostos comerciais, ora que os mandarins foram "tolerando" a nossa presença, e a História foi sendo reescrita à medida que Macau passava de um bocado de terra sem valor a um sem número de oportunidades de negócio. Nos anos 40 do século passado o Governo Português de Macau deu guarida a centenas de milhar de refugiados chineses fugidos do terror das invasões japonesas. Quem sabe se daqui a 100 ou 200 anos este facto seja seja também ele afinal uma "mentira"?

Existe uma espécie de ressentimento das gerações que compõem o grosso da actual população de Macau. Para que lhes interessa conhecer uma História que nunca lhes deu nada, a si ou aos seus, e as únicas histórias que ouvem dos pais ou dos avós são de tempos de pobreza, dificuldade e sofrimento. Paira no ar uma "Macaufobia" que leva a que a Macau dos seus antepassados, das casas baixas, do cheiro a pexe salgado e vinho chinês e das jogatinas de rua seja substituída pela Aomen dos prédios altos, do neon dos casinos, das americanices e das estuchas de programas de entretenimento dos canais de Hong Kong. Macau corre o risco que a sua História se confunda um dia com a História da própria China. Mais cedo se aprenderão as dinastias chinesas e quem sabe se os portugueses figurarão na lista dos "povos opressores" que batiam no pobre palhaço chinês, como se via naqueles filmes que passavam nos cinemas da Xangai dos anos 20.

Será uma pena que no futuro as gentes de Macau não se interessem sequer pela origem do chão que pisam. Alguém acredita que os chineses que vivem na Avenida Almirante Lacerda, Horta e Costa ou Coronel Mesquita saibam ou queiram saber quem foram essas personalidades que deram nome à rua onde provavelmente passaram os melhores anos das suas vidas? Será que alguns dos "passageiros" da fronteira das Portas do Cerco se detiveram a contemplar aquela magnífica imagem onde se lê "A pátria honrai que a pátria vos contempla". Quem sabe se na Macau, perdão, na Aomen do futuro uns pequenos retoques façam com que a "pátria" seja - como sempre foi, dirão - a pátria dos mandarins. Tal como na tal fábula de que os portugueses afinal eram uns gajos porreiros a quem este pedaço de terra sem valor foi oferecido, e que debaixo do seu tecto acolheu os ancestrais dos seus oumunyan (ou aomenren), fugidos dos horrores da guerra.