sábado, 27 de fevereiro de 2010

Dedicatória


Soube esta tarde da passagem do meu amigo e colega destas bandas, Humberto Pinto Fernandes d'Abreu, conhecido das páginas do Hoje Macau simplesmente por Pinto Fernandes. O Humberto, como eu lhe chamava, era um homem de uma calma e uma placidez surpreendentes. Conheci-o há mais de dez anos nas noitadas, uma figura alta e esguia com um tom de voz encantador, um autêntico gentleman. O Humberto veio para Macau há cerca de trinta anos como funcionário público, e depois de cumprir essa "tropa" lançou-se numa das suas maiores paixões, a restauração. Assinou durante seis anos uma coluna de opinião no Hoje Macau, publicação cujo corpo editorial deve sentir hpje, assim como eu sinto, uma grande perda. Hoje tomam-me de assalto uma tristeza e um vazio imenso, e assim o Bairro do Oriente só se publicará novamente na segunda-feira. Amanhã a escrita livre e independente em Macau está do luto, pois perdeu um dos seus heróis. Queria mandar ainda um abraço ao João Severino, que era amigo de longa data do Humberto, e que sente a perda tanto ou mais que eu, e já lhe dedicou este artigo. Para a família enlutada, as minhas profundas condolências. Se a gente acreditar, talvez este seja apenas um "até já".

Terramoto no Chile





Um terramoto de 8.8 na escla de Richter sacudiu há poucas horas o Chile. O primeiro balanço é de 78 mortos e danos materiais consideráveis, a julgar pelas primeiras imagens que chegam da catástrofe. Existe ainda um alerta de tsunami para todo o Pacífico, um quarto do globo terrestre. Uma notícia a acompanhar de perto.

Provedor do leitor


Em relação ao post do último Sábado, Timor Contacto, fiquei surpreendido com a leveza da secção de comentários do blogue TIMOR LOROSAE NAÇÃO, de onde destaco este último:

Quem minimamente consegue discernir entre bons programas e lixo, sabe que os dois melhores "Contacto" são o "Timor Contacto" e o "Goa Contacto". Se o Leocardo fosse uma dessas pessoas com discernimento, saberia também que o lixo que nos chega dos programas "Contacto" vem quase todo da América: "Venezuela Contacto", "Newark Contacto", "California Contacto", etc.

Se o Leocardo conhecesse minimamente Timor, não teria dito as barbaridades que disse. Aliás, se diz que o "Timor Contacto" só mostra miséria, está visto que não viu mais de 5 minutos do programa. Na verdade, o "Timor Contacto" é o único programa que os lusófonos podem ver que mostra verdadeiramente o lado bom de Timor.

Eu vivo em Macau (mas conheço Timor) e, portanto, já estou habituado a ler posts do Leocardo sobre televisão, que demonstram o seu gosto (ou melhor, a falta dele). Provavelmente não teve tempo para ver mais de 5 minutos do "Timor Contacto" porque perde demasiado tempo a ver lixo como o "Dá-me Música" da Catarina Furtado, fazendo depois questão de escrever posts sobre programas inteiros do "Dá-me Música" e sobre as telenovelas da Globo que estão a passar em Macau.

Se tudo isto digo, é para que não dêem demasiado crédito ao Leocardo, cujo programa preferido da televisão portuguesa, para além dos referidos, é o "Festival da Canção". Assim sendo, acho que está tudo dito.


E não é que está mesmo tudo dito? O lixo é Newark, Califórnia e Venezuela, enquanto Timor e Goa Contacto são bestiais. O Leocardo é um indivíduo que vê "lixo televisivo" como "Dá-me Música", "Dança Comigo" ou as novelas da Globo. Ou seja, tudo o que há para ver na TV em Macau, onde o Leocardo vive, além dos noticiários e de outra produção local a que já fiz referência. O anónimo queria que eu falasse daqui que dá na BBC, ou na CNN, ou na Fox News. Se eu soubesse chinês, ainda lhe dizia o que se passa na CCTV, mas infelizmente não dá.

Se conhece Timor, que bom para si, mas eu não conheço, e o programa Timor Contacto não me dá a conhecer. Tudo o que vejo é muito atraso, e prova disso é a célebre discussão de "quantos hotéis decentes existem em Timor?", cujos resultados variam entre um e três. Eu também gostava e conhecer Timor, mas não vejo condições de acomodamento ou serviços suficientemente desenvolvidos para ganhar coragem de fazer uma visita. Aparentemente a corrupção é também bastante elevada, e existe uma miríade de sítios considerados "perigosos para estrangeiros". Mas não senhor, Newark é piorzinho. Ou a Califórnia.

Em todo o caso gostava de leh dizer que quando escrevo que um programa ou um filme são "deprimentes", quero dizer obviamente que são deprimentes para mim. Não reconheço o poder da hipnose ou da sugestão, e cada um vê o que quer em seu próprio proveito ou prejuízo. Viva a liberdade.

No Bairro do Oriente, os leitores também estiveram inspirados, e é com grande emoção que recebo este comentário de um tal Nilay, que é supostamente timorense ou vive em Timor-Leste:

Meu caro Leocardo, só agora cheguei a este seu post lastimável, mas espero vir a tempo ainda de lhe perguntar se o seu nome tem alguma coisa a ver com alguma ave rara da floresta Amazónica?
Julgo que sim, porque você deve ser daquelas pessoas que vive numa das modernas amazónias suburbanas, rodeado de Lady's Gaga's e bonecas Barbie, com LCD's e plasmas a mostrarem-lhe as grandes civilizações modernas, futeis e hipocritas.
Claro que se vê logo que você não é pessoa para poder ver programas como o Timor Leste Contacto... você vive noutro mundo... no mundo da hipocrisia e da futilidade, e quase que aposto que quando a televisão que vê lhe começa a mostrar as realidades do mundo real, você rapidamente muda de canal, para a MTV ou o Fashion TV que são coisas muitas mais suportáveis para essa sua cabecinha habituada ao 'luxo' e ao 'conforto' de uma pseudo burguesia doentia.
Meu caro! Vá-se catar!
Cresça e apareça!
Cumprimentos!


Gostei de como este comentário acaba em "Cumprimentos!". Ora cumprimentos para si também. Não, não vivo rodeado de Lady Gaga's, Barbies, LCD's ou plasmas, mas vivo rodeado de um sistema público funcional, com água potável, saneamento, estradas, redes de transportes, espaços verdes e zonas de lazer, parques infantis, escolas em condições, alojamento seguro, ordem pública, forças de segurança que fazem a barba e cortam o cabelo, as actividades principais não são a agricultura e a pesca, e as pessoas não andam armadas na rua.

Quanto à ave rara, gostava aqui de apresentar as minhas mais sinceras desculpas ao Fernando Sávio. A sério, do fundo do meu coração. Não é por culpa dele que apresenta o Timor-Contacto. Ainda há quem goste de sentir que Timor-Leste é uma nação de coitadinhos, que aquilo é o melhor que podem e a mais não são obrigados, enfim, ainda penso que deve haver alguém que lucra com isso.

Mas a esse respeito, vou contar-lhe uma história. Em 1988 estava eu no 9º ano, e na Associação de Estudantes organizou um peditório para ajudar os refugiados timorenses no Vale do Jamor, e ao mesmo tempo sensibilizar os colegas para a opressão indonésia naquele território onde se fala (ou falava) português. A reacção que obtivemos foi uniforme: quase ninguém conhecia Timor-Leste (saíu dos livros da escola depois do 25/4, ao contrário de Macau) ou estavam-se nas tintas.

Em 1991 aconteceu o massacre do cemitério de Santa Cruz e subitamente Timor-Leste passou a ser um desígnio nacional. Nesse ano estava no 12º e quase já nem podia entrar na escola tal era o Woodstock por causa de Timor, com vigílias, cantoria, abaixo-assinados, e ódio contra a Indonésia, um país que quase ninguém conhecia antes do massacre. É que para esse peditório, eu já tinha dado.

Em relação à questão da "Câmera" ou "Câmara", gostava de responder ao seguinte pot-pourri de comentários:

Em que dicionário é que viu "câmera"? Pode utilizar "câmera" se estiver a utilizar a variante brasileira do português. Como julgo que escreve na variante europeia, "câmera" está errado.

A língua é a mesma, sim. Mas, quando é falada em mais de um país, cada um desses países tem a sua própria norma. Leia o que diz qualquer linguista sobre esse assunto e ficará esclarecido. Regionalismo é outra coisa. Os regionalismos não existem "também" a nível nacional, existem "apenas" a nível nacional. Como eu disse, "câmera" apenas se usa na variante brasileira. Claro que vem no dicionário Houaiss, porque o lexicógrafo Antônio Houaiss é brasileiro.

No "link" (ou na hiperligação) que o anónimo anterior aqui deixa, poderá constatar também que "câmara" faz mais sentido do que "câmera". Se o português é uma língua novilatina, por que motivo é que precisamos do inglês como mensageiro, se a palavra "camara" já existia no latim? Tal como se diz no Ciberdúvidas, são preciosismos desnecessários (e eu diria mesmo incoerentes) de que o Brasil tem abusado.

Em qualquer dicionário daqueles mesmo muito grandes, podemos constatar que "câmera" é a mesma coisa que "câmara", seja em linguistas portugueses ou brasileiros. Eu digo "câmera" quando me refiro ao aparelho de filmar e fotografar, para distinguir de "câmara" municipal ou "Câmara de Lobos", na Madeira. Também digo "Câmera dos horrores" ou "ante-câmera". Como não está errado, vou vivendo assim, e sou feliz.




É sempre um prazer esclarecer os meus queridos leitores. Grato pela atenção dispensada.

Volta à China


HEBEI - A explosão na fábrica de farinha que matou 17 pessoas e feriu 49 em Qinhuangdao foi causada por pó explosivo, segundo as conclusões da investigação. A explosão ocorreu às quatro da tarde de quarta-feira, quando se encontravam 107 trabalhadores na fábrica. Oito dos feridos ficaram queimados, e em estado considerado crítico.

ZHEJIANG - Uma mulher de 68 anos processou as duas filhas em Ningbo, Zhenhai. A mulher exigia ao tribunal que as filhas a visitem no lar de terceira idade onde vive pelo menos uma vez por semana, e que lhe telefonem todas as noites. O tribunal anunciou na quinta-feira que a idosa e as filhas chegaram a um acordo: as filhas telefonam-lhe todos os dias e alternam as visitas uma vez por semana. A idosa diz que "não aguenta a solidão".

XINJIANG - Sete pessoas morreram depois de várias avalanches terem atingido regiões montanhosas na maior província da China. Calcula-se que 120 mil pessoas tenham sido afectadas pelas tempestades de neve que têm assolado Xinjiang. Em Kuitun foi registada a pior tempestade nos últimos 52 anos.

YUNNAN - Três pessoas morreram e duas ficaram feridas numa rixa entre populares e dois elementos da autoridade em Guandu, perto de Kunming, na última terça-feira. A briga começou perto das 8 da noite, quando os oficiais e mais quatro seus familiares perseguiram três locais com facas e barras de ferro, e agrediram-nos.

SICHUAN - Um adolescente de 14 anos roubou o carro do pai, matou uma pessoa e feriu outras quatro na quinta-feira em Mianyang. O jovem perdeu o controlo da Toyota SUV e embateu num grupo de transeuntes.

HUBEI - Um rapaz de quatro anos fuicou gravemente ferido quando saltou da janela do 7º andar do seu prédio em Wuhan, na última quinta-feira. O jovem queria imitar o seu personagem de animação favorito, Ultraman. A mãe tinha saido para fazer compras e não se encontrava em casa na altura do sucedido.

HENAN - Um homem de 62 anos precisou de tratamento hospitalar depois de ter saltado do segundo andar do departamento de construção em Minquan. O homem dirigiu-se àquela repartição no Domingo para protestar pelo facto de ter sido despejado de sua casa - uma construção ilegal - enquanto dormia, arrastado pelas autoridades, que o deixaram nu no meio da rua.

The Wolfman


Se estiverem este fim-de-semana a pensar em ir ao cinema ver “The Wolfman”, pensem duas vezes. O filme não é mau, é recheado de bons actores e tem a sua dose certa de efeitos especiais e imagens geradas por computador (vulgo CGI), mas é um filme de lobisomens. Este “mas” é um grande mas, uma vez que todos sabemos bem como funciona o enredo: herói do filme é mordido por lobisomem, transforma-se em lobisomem, é perseguido pela aldeia armada de balas de prata, e só a sua amada o compreende. O lobisomem é Benitio del Toro, um excelente actor, e o filme conta ainda com as interpretações de Anthony Hopkins, Emily Blunt e Hugo Weaving. Basicamente o nosso herói é mordido aos 23 minutos de filme, a primeira transformação é aos 35 minutos e a melhor cena do filme começa aos 58 minutos. Vale a pena se não tiver mesmo nada melhor que fazer.

Encontros Imediatos




Confesso que fiquei estupefacto, pois aguardava ansiosamente a nova série que a TDM transmite às sextas-feiras à meia-noite. Nos últimos meses tinham mostrado "A Guerra", um documentário bastante deprimente da autoria de Joaquim Furtado, e esta semana anunciaram "Encontros Imediatos", que como o nome indica, é sobre OVNIs....em Portugal.

O primeiro episódio falou de uns certos encontros com seres do outro mundo registados em Évora, em 1959. Um grupo de pessoas bastante credíveis, com empregos sólidos e sem sinais evidentes de demência, alcoolismo ou outra doença mental, afirmaram ter visto aquilo que se assemelha a um disco voador, e "do céu caíu uma substância semelhante a teias de aranha, a que chamaram 'cabelos de anjo'".

Estou parvo como nunca tinha ouvido falar disto antes. Um evento desta envergadura devia constar dos manuais da História de Portugal, e deve ter sido a única coisa que de falou no país entre 1959 e 1960. O problema é que nada disto deve ser verdade, e este "Encontros Imediatos" não passa de uma espécie de X-Files à portuguesa, só que sem agentes Mulder e Scully, e apresentado na forma de um documentário sério com provas e testemunhos reais.

Como o episódio não teve uma conclusão concreta, que seria o Presidente da República afirmar que sim, que os OVNIs existem e tudo aquilo é verdade, só posso depreender que os ETs passaram por Évora, que até é uma linda cidade, e não gostaram, pois não voltaram mais lá.

Mal posso esperar pelos episódios sobre OVNIs em Ferreira do Alentejo (3º episódio) ,em Ferreira do Zêzere (4º episódio) ou na OTA (10º episódio). Epá se eu fosse extra-terrestre, aterrava o OVNI em pleno Rossio e ia às compras no Chiado, mas é.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Vídeo da semana


Desta vez o vídeo da semana merece destaque. Bem, é este. Assustador, não acham?

Ainda as empregadas


Li hoje um artigo de opinião n’O Clarim, jornal da Igreja Católica de Macau, onde o seu autor tece considerações sobre a situação das empregadas domésticas em Macau. Não é a natureza do artigo que me chamou a atenção, pois as questões que se levantam são bastante pertinentes, mas o desconhecimento da realidade local por parte do seu autor.

Uma passagem deixou-me especialmente perplexo: “(...) Se cada empregada pode apenas trabalhar num local, quer dizer que em Macau terá de haver, pelo menos, uma empregada por cada agregado familiar que tal precise! Digamos que sejam 10% da população, o que equivaleria a, mais ou menos, 50 mil empregadas domésticas. Estes números são completamente irrealistas e facilmente se depreende que não é o que acontece. Isto revela simplesmente que muitos de nós andamos «fora da Lei», pois, como não será difícil compreender, nem todos precisamos de empregadas a tempo inteiro”.

Assim mesmo. Na realidade, o autor do artigo refere-se às empregadas filipinas e indonésias, aquelas que no território mais têm “ar de empregada”, portanto. Digamos que existem 50 mil empregadas domésticas em Macau. Na verdade, até existem, só que apenas sete ou oito mil são filipinas ou indonésias, sem contar as eventuais ilegais.

Existem agregados familiares que têm uma empregada, às vezes em regime de stay-in, que são residentes de Macau, que não têm sítio nenhum para ir, e por isso vão vivendo assim. Existem ainda empregadas da China continental, algumas que vêm trabalhar a Macau e regressam a Zhuhai no fim do dia. Existe ainda um acréscimo no número de empregadas vietnamitas, e até já conheci algumas da Malásia e do Cambodja. Existem tantas modalidades de "empregada doméstica" que descrevendo aqui ia dar pano para mangas.

Principalmente existem algumas senhoras chinesas de Macau que sendo domésticas, nunca tendo trabalhado e dependendo do salário do marido não se importam de passar a ferro ou tomar conta dos filhos dos outros para ganhar uns cobres. Conheço algumas que tomam conta da mercearia da vizinha, lavam escadas de prédios ou despejam o lixo das escolas, ou ainda outras que andam ao cartão. Tudo isto na minha rua! É verdade que nem toda a gente precisa de empregada a tempo inteiro, e em alguns casos não precisa de empregada de todo.

Quanto à questão dos pagamentos mencionada pelo autor: “Por um lado, as empregadas só podem trabalhar num local e recebem um salário que quase não dá para viver”. É assim: a lei não obriga a que se pague 2500 patacas por mês à empregada. Eu pago mais do que isso à minha, mas esta é uma questão de trabalhar e pagar pelo que é justo. Conheço casais que pagam 5000 patacas à empregada só para tomar conta dos idosos, o que sai mais barato e humano do que interná-los num lar da terceira idade (um lugar triste para onde vão pessoas sem esperança).

Também a esse respeito, as empregadas podem gozar folgas ou férias quando os patrões entenderem, e não necessariamente os tais seis dias úteis e Domingos estipulados no contrato. A minha empregada, por exemplo, almoça e leva jantar cá em casa todos os dias, e muitas vezes dou-lhe folga aos Sábados, se não há nada para fazer. Penso que ela reparte o apartamento com duas ou três camaradas, e paga uma fracção irrisória da renda de casa. Ao Domingo ela e as camaradas contentam-se com umas jolas, uns amendoins, uns karaokes, ou aquelas excelentes festas de aniversário filipinas onde eles conseguem fazer coisas deliciosas com pouco dinheiro.

Uma filipina que consiga mandar para casa mil patacas por mês, isto significa qualquer coisa como seis ou sete mil pesos filipinos, o que lá é considerado mais dinheiro que o leitor pode imaginar. Dá de comer a quatro ou cinco bocas durante um mês inteiro, e na Indonésia desconfio que a taxa cambial e o custo de vida sejam idênticos.

Por falar em "part-times", no que às filipinas e indonésias diz respeito, penso que sendo o autor do artigo, que escreve para o jornal da Igreja Católica, muito provavelmente não frequenta os mesmos locais de diversão nocturna dos restantes leitores do Bairro do Oriente. Tanto nas Docas como nas discotecas da moda, as Gatas Borralheiras transformam-se como do próprio dia para a noite. E quem vai contabilizar estes rendimentos? Isto para não falar das empregadas que casam com o patrão, se este for solteiro, ou qualquer outro gajo que lhes dê um cartão de residente não-permanente, e resolvem todos os problemas.

Garanto que se a situação fosse explosiva ou tivesse a gerar um grande descontentamento na sociedade, já tinha sido resolvida. Os patrões estão contentes, as empregadas desenrascam-se, e quem fica a perder na verdade são os estabelecimentos que não conseguem suportar a mão-de-obra local e precisam de recorrer à não-residente, e as cotas são-lhes negadas. A tal multa de 50 mil patacas para o sponsor infractor não foi feita a pensar nos tugas que pedem a empregada emprestada ao amigo para lhe passar as camisas a ferro duas vezes por semana.

Claro que a manutenção deste estado de coisas tecnicamente “ilegais” é uma decisão puramente política. Fiscalizar e punir actos como a prostituição e o pequeno-trabalho ilegal vão trazer mais desemprego, mais miséria, mais descontentamento, eventualmente mais criminalidade. É preciso não esquecer que nem tudo o que é ilegal é um crime, e nos dias que correm somos chamados “criminosos” com muita facilidade.

Boca na botija


A tal campanha dos inimigos do cigarro franceses que compara o fumo ao sexo oral é engraçada, pois reflecte indirectamente uma verdade, mesmo que ofenda. Só que é desadequada, e gera uma nova escalada na velha guerra entre fumadores e não-fumadores.

Os primeiros acusam os segundos de cagar a Terra toda com o seu passatempo, e os segundos acusam os primeiros de serem ditadores e dizem-lhes para que se metam nas suas vidas. Bem, como ex-fumador considero que nim.

Quem fuma está a prejudicar-se, e vai perceber isso mais tarde, a bem ou a mal. Quem não fuma devia tentar perceber melhor toda a mecânica do tabagismo, a indústria, o elan e tudo mais (as maiores personagens cinematográficas fumam), e deixar que os fumadores se matem à vontade, desde que não o façam em cima de nós.

Também me estou nas tintas que se fume nos jardins ou nas praias, e até defendo que todos os centros comerciais, restaurantes grandes e aeroportos devem ter uma área para fumadores.

Mas voltando à campanha em questão, que é desadequada pois compara uma coisa boa (o sexo oral, pelo menos como perspectiva do passivo) com uma coisa nefasta (a cigarrada).

Claro que a mensagem é que os jovens que fumam entregam a dignidade às milionárias corporações tabaqueiras, aqui representadas pelo senhor mais velho, que a julgar pela mão peluda, foi interpretado pelo Tony Ramos.

Só que a mensagem é falaciosa e gera o efeito oposto: eu fumaria um milhão de cigarros em vez de meter uma coisa daquelas na boca. Je-sus!

Sporting dá pontapé na crise


Highlights

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O Sporting deu ontem um pontapé na crise ao bater o Everton em Alvalade por três bolas a zero. Foram sete jogos sem vencer, mas os comandados de carlos Carvalhal reecontraram-se com as vitórias e logo numa partida da única competição onde ainda se encontram em prova. Miguel Veloso abriu o marcador só no meio da segunda parte depois de um passe do irrequieto Saleiro, e o Sporting partiu para uma exibição de luxo, concluída com mais um golo de Pedro Mendes poucos minutos depois. O Everton, que não se dá nada bem com os ares de Lisboa,a inda tentou levar o jogo a prolongamento, mas os leões resolviam as dúvidas com mais um golo de Matías Fernandez. O Sporting encontra agora o Atlético de Madrid nos oitavos-de-final da prova, enquanto o Benfica encontra os franceses do Marselha.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Câmeras indiscretas


1) O deputado José Pereira Coutinho levantou dúvidas quanto à sustentação legal do plano da DSAT instalar várias câmeras pela cidade para controlar o tráfego. Em causa estão os direitos à privacidade do cidadão e a utilização das imagens captadas. Isto é para mim uma falsa questão. É muito provável que as câmeras estejam mesmo apontadas ao trânsito, e que a única intenção é a de visionar onde estão os pontos mais congestionados da cidade, retirar informação e registar as infracções, obviamente. Uma ideia muito bem vinda. E depois é preciso perceber que estas câmeras não são nada de topo de gama, e não vai ser possível filmar o que condutor faz com partes de baixo. Fico mais preocupado com as câmeras nos elevadores. Às vezes quando vou pagar o condomínio, fico a reparar no circuito CCTV do elevador e é incrível o que certas pessoas fazem quando estão sozinhas. Mas isto do trânsito, nah, não me rala nada.

2) A catástrofe na Madeira começa a tomar contornos de tragédia humanitária. Ainda há pouco vi no Jornal da Tarde um miúdo de 9 anos que queria "encontrar o seu mealheiro" para ajudar os pais, que perderam tudo nas cheias. Isto é uma cena digna do terceiro mundo, ou de um filme sobre o Holocausto. É preciso não esquecer que apesar da distância geográfica e dos egos ofendidos por parte de políticos, bairristas e arruaceiros do género, os madeirenses são nossos compatriotas. Não é nenhum Haiti, não vamos cair no exagero, mas é preciso também pensar em dar, em ajudar, em contribuír para reconstruír a nossa linda pérola do Atlântico. Sem pensar duas vezes.

PS: Não vale a pena entrar em discussões de como se escreve "câmara" e não "câmera", porque pode dizer-se das duas maneiras.

Conversas com o meu filho: Camões


- Pai, o que fez Camões assim de tão especial?
- Escreveu "Os Lusíadas".
- O que é isso?
- É um livro que conta as grandes façanhas do povo português.
- O que é "façanhas"?
- Bem, quer dizer, eles fizeram muitas coisas importantes, muitas coisas grandes.
- Coisas boas?
- Bem...sim, claro.
- E coisas más?
- Algumas...
- Percebi mais ou menos.

Mourinho bate Chelsea, CSKA e Sevilha empatam


O Inter de Milão de José Mourinho bateu ontem o Chelsea por duas bolas a uma em jogo a contar para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Milito adiantou os rossoneri no marcador logo aos 3 minutos, mantendo-se o resultado até intervalo. Na segunda parte Kalou empatou logo aos 6 minutos, mas quatro minutos depois Cambiasso, outro argentino, dava vantagem aos italianos. Mourinho parte para a "sua" Stamford Bridge com uma magra vantagem. Noutro jogo o CSKA e o Sevilha empatavam a um golo em Moscovo, com os golos a serem apontados por Negredo, para os andaluzes, e Gonzalez (um grande golo) para os russos. Os jogos da segunda mão realizam-se daqui a duas semanas.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Portugalítica


A situação política actual em Portugal faz-nos lembrar tempos não muito distantes em que ninguém se entendia lá na democracia rectangular. Confesso que agora me sinto ideologicamente orfão, uma vez que me considero de centro-direita moderada, não religiosa, muito "estou-me nas tintas desde que a vida me corra bem", como deve ser.

Actualmente a tal direita está representada pelo PPD/PSD e pelo CDS/PP. Dos primeiros é melhor nem falar, que andam sem rei nem roque, àa espera de uma alternativa, que das três que apresentaram, nenhuma me enche as medidas. O PP é muito populista e um bocado foleirote, liderado por esse macho latino de cara de cera que dá pelo nome de Paulo Portas. A direita está agora (muito mal) entregue ao Presidente da República, o prof. Cavaco Silva, que nos dirigia no tempo das laranjas doces.

Dizem por aí que José Socrates "já era", o que não é nada bom sinal partindo do princípio que o PS está no Governo, e a alternativa partiria de dentro do PS, e não existe nenhuma credível. Novas eleições, parece que ninguém quer, e na eventualidade de se realizarem, o PS poderia até sair reforçado. O Bloco de Esquerda é um partido que me faz rir, que diverte. Quer "dar-nos tudo a que temos direito", mas cai na incoerência ideológica quando inclui nas suas fileiras pessoas que defendem coisas díspares como os abortos, as touradas ou as ganzas. O PCP continua a ser o partido dos comedores de criancinhas, que apoiam abertamente regimes do tipo sérvio, cubano, venezuelano ou norte-coreano, e secretamente o da China, que as feridas da queda do bloco soviete continuam por sarar.

Podemos dizer que portanto que neste momento, enquanto a esquerda treme a direita naufraga. Eu vou continuar à espera de um salvador, que como disse hoje muito bem o Correia Marques, Portugal é um país que eu amo e que me diz muito. Só que a perspectiva também não é muito animadora, uma vez que os próprios portugueses elegeram recentemente "o melhor português de sempre, e ganhou um senhor cujo nome rima com "azar".

Com Alá não se brinca


Por falar em religião, uma notícia muito curiosa despertou-me a atenção. A polícia de Taiwan deteve no Domingo um cidadão paquistanês com um passaporte falso, e fê-lo confessar depois de o levar a uma capela islâmica do aeroporto, obrigando-o a jurar por Alá que o passaporte não era falso (!). Um dos agentes da alfândega taiwanesa lembrou-se que "os muçulmanos temem Alá", uma ideia peregrina, e apelou à religiosidade do jovem. Akhatar Imran, de 26 anos, saíu de Macau e planeava chegar a Paris, onde pensava encontrar emprego. Foi devolvido à precedência na segunda-feira, e deve ter sido mais difícil a polícia local questioná-lo, uma vez que não existem capelas islâmicas no aeroporto da RAEM. De se tirar o chapéu, a iniciativa da polícia taiwanesa. Se a moda pega, mudam-se os interrogatórios para as igrejas, mesquitas ou sinagogas. Mas será que resulta para os marotos dos católicos?

The Invention of Lying


Estive agora a ver este "The Invention of Lying", um filme cativante sobre, como o nome indica, "a invenção da mentira". Este filme leva-nos a um mundo onde toda a gente diz a verdade, é sincera, e na verdade nem existem as palavras "verdade" ou "mentira". As coisas ou são, ou não são. Nesse mundo vive Mark, o personagem interpretado pelo excelente Ricky Gervais, um guionista numa empresa de filmes entediantes (a ficção implica não dizer a verdade, portanto...), que está em vias de ser despedido, despejado e tornar-se um indigente. Só que aí Mark tem uma ideia peregrina: vai a um banco, mente que tem mais dinheiro do que na realidade, e descobre que pode obter vantagens fazendo algo que nem ele próprio sabe o que é. O filme toma um "twist" muito interessante quando a mãe de Mark morre, e diz-lhe que vai triste para uma "eternidade de nada". Para consolá-la, Mark diz que "vai para um sítio melhor", onde estão "todos os que a amavam" e onde "toda a gente vive em palácios". Sem saber, Mark acabava de fundar a religião, aqui baseada obviamente na mentira. As pessoas acharam isto uma grande descoberta, e imediatamente questionaram toda a ciência e a sua própria existência. Aí Mark explica-lhes que o mundo e tudo o que acontece é controlado por "um homem lá em cima", um ser divino que decide quem se porta bem e quem se porta mal. Para os que se portam mal, existe "um sítio terrível, que iam detestar". Tornando-se Mark um profeta instantâneo, adorado por todos, as coisas começam a complicar-se com as habituais questões das pessoas: porque é que "o homem lá em cima" deixa que aconteçam coisas más? No meio temos uma história de amor e auto-descoberta que envolve a actriz Jennifer Garner, a tal que dá orgasmos a golfinhos. O filme conta com muitas caras conhecidas da malta jovem e fixe, como Rob Lowe, Tina Fey ou Jason Bateman. Um filme a não perder.

Barça empata, Bordéus ganha fora


O Estugarda e o Barcelona empataram ontem a uma bola no Neckerstadium, de má memória para o Benfica, em jogo dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Cacau, brasileiro naturalizado alemão, abriu o marcador para o Estugarda, mas Ibrahimovic empataria para os catalãesm que partem em vantagem para o jogo do Nou Camp daqui a quinze dias. O Bordéus foi à Grécia bater o Olympiakos por uma bola a zero, e está com um pé nos quartos-de-final.

Benfica goleia Hertha


Highlights

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O Benfica goleou ontem o Hertha de Berlim no Estádio da Luz por quatro bolas a zero. Cardozo por duas vezes, Aimar e Javi Garcia (desta vez na baliza certa) fizeram as delícias dos adeptos do Benfica. Os encarnados dançam assim até aos oitavos-de-final onde vai encontrar o Marselha ou o FC Copenhaga.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Homens da segurança


Dois artigos que se cruzam nas leituras de hoje da imprensa. No Ponto Final um artigo de Miguel Esteves Cardoso tirado do Público sobre os bombeiros, de como os devíamos valorizar mais, e de como são indispensáveis à segurança pública. E no JTM um artigo de Sérgio Terra parcialmente sobre uma queixa relacionada com a PSP, que não teve meios de atender a uma chamada de urgência em português.

Quanto a este segundo caso, tenho a dizer que é grave, pois os serviços de urgência deviam ter capacidade de atender nas línguas mais faladas no território: o cantonense, o inglês, o português e o mandarim. As tragédias não escolhem nacionalidades, e é sempre bom poder contar com um serviço desta importância.

Eu chamei o 999 uma vez quando me arrombaram a casa em 1996, e fui super-bem atendido tanto pelas polícias como pelos bombeiros. Foi um pouco incómodo ter de me deslocar à esquadra para prestar depoimentos três vezes, o que me obrigou a desistir da queixa, mas isso são contas de outro rosário. Não roubaram nada de importante, afinal.

E no que toca à opinião do MEC, concordo plenamente que a carreira de profissional da segurança pública fosse uma carreira mais atrativa, mais dinamizada, que atraía jovens inteligentes que ao mesmo tempo procurem disciplina e um bom desafio.

Tinhamos todos a ganhar com profissionais mais experientes e competentes a apagar os nossos fogos, a combater as nossas cheias, a precisar de agir prontamente em casos de acidente ou crime. Uma polícia que se pautasse pela responsabilidade e manutenção da segurança, e bombeiros que fossem verdadeiros "soldados da paz". E já agora, nas duas línguas oficiais do território.

Uma senhora entrevista


Foi uma lição de como se faz uma entrevista hoje no Ponto Final. O jornalista Hélder Beja, um excelente e prolífico profissional, conversou com a senhora Aida de Jesus, que respondeu de forma notável a um monte de perguntas que qualquer um de nós gostaria de colocar à senhora. O mais fantástico da sra. Aida de Jesus é de como é possível alguém chegar aos 94 anos naquela forma. Alguém que contribui da forma que ela contribui para a sociedade, pelo amor que dedica a um trabalho que faz há décadas, por toda aquela energia e discernimento que nos faz pensar que afinal há uma esperança para todos nós, e que velhice não significa degradação. Ficamos a saber entre muitas outras coisas que a sra. Aida de Jesus teve uma vida fabulosa, e tem como ninguém recordações da evolução de Macau nos últimos 70/80 anos. A certa altura a sra. Aida conta uma história que se passou consigo nos tempos da II Guerra Mundial, de cortar a respiração a qualquer um. Da culinária macaense ficamos a saber que "nem todos os segredos se partilham" (fantástico), e de que a própria sra. Aida "está farta de comida macaense". Um final com chave-de-ouro, onde a sra. Aida fala dos seus passatempos, e manda recados muito honestos à imprensa (só espero que não levem a senhora a mal). Pode ler aqui a entrevista completa.

A chegada das abelhas


Por incrível que pareça, hoje tivemos um pouquinho de sol. O sol andava desaparecido do nosso horizonte desde o fim do Ano do Búfalo, e fez hoje a sua aparição pela primeira vez no Ano do Tigre. O frio, chuva e vento gelado que fustigou o território nas últimas semanas foi lavado pelos raios de sol que despontaram esta manhã na Cidade do Nome de Deus. Foi tão glorioso, que à hora de almoço passava ali de carro na Avenida Infante D. Henrique, e via pela janela as abelhinhas a colher o polen, e pensei que se tratava de alguma Primavera instantânea. Foi uma cena do c... Amanhã vamos continuar a ter sol, e temperaturas entre os 19 e os 23 graus. Nada mau, não fosse pela humidade que pinta as paredes de orvalho e deixa o chão "escorregadiço", como li hoje numa repartição pública. É altura de deixar os casacões e os cachecóis e optar por vestimentas mais "au plaisir", e sentar-se numa esplanada a ler um jornal. São prósperos os novos tempos, caro leitor. Abramos em honra de Baco uma garrafa de 'liqueur', e celebremos a chegada das abelhas.

Campanha negra


Este indivíduo com um ar esgazeado é o primeiro-ministro de Inglaterra, Gordon Brown - sr. engenheiro para os desconhecidos. Um tal de Andrew Rawnsley, jornalista, lançou agora um livro intitulado "The End of the Party" (com muitos sentidos) em que descreve Brown como um bruto, malcriado, deselegante e que chegava a confrontar e insultar os seus subordinados. É curioso que seja revelada uma polémica desta natureza nesta altura do campeonato, uma vez que Brown já é primeiro-ministro desde Junho de 2007. Quer dizer, nenhum dos ofendidos teve vontade de falar enquanto via um "monstro" assumir o maior cargo do Governo? Se isto fosse com o nosso primeiro, já se tinha queixado de "campanha negra". Se calhar tão negra como os olhos daquela subordinada a quem Gordon Brown alegadamente agarrou pelos colarinhos.

Langonha de golfinho


A actriz jennifer Garner admitiu no programa de David Letterman que "excitou" um golfinho, ao ponto deste ter tido um "orgasmo". Não sei se se pode dizer "orgasmo" sem ofender a ala católica do Bairro do Oriente, mas parece que foi isso mesmo que a menina deu a entender. Eu analiso isto como uma evidência de que já nem mamíferos aquáticos respeitam estas gajas de Hollywood. Também quem não se dá ao respeito, tem o que merece. Langonha de golfinho, neste caso. Estaria morninha?

Aconteceu no Rio


A polícia do Rio de Janeiro está a fiscalizar os xixis na rua, o que leva os cidadãos a recorrer a outros meios menos ortodoxos. Mais uma brilhante charge de Fernando Maurício, e do seu Charges Brasil.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Abraçar-me-ias? Abraçar-te-ia, pois!


1) O jornal Ponto Final noticiava hoje que o aeroporto de Macau está entre os "mais estranhos" do website Popular Mechanics. Aparentemente este website considera os aeroportos "estranhos" atentendo a factores como a construção, a arquitectura ou a localização. Eu acho que o aeroporto de Macau é estranho por uma série de outros motivos. É estranho que não tenha a mesma movimentação que outros aeroportos da região, encontrando-se sempre praticamente vazio, mesmo nas horas de embarque ou chegada de passageiros. É estranho que só sirva mesmo para a malta apanhar os aviões passar férias na Tailândia, Filipinas, Malásia, Vietname e Singapura, que para os vôos domésticos o aeroporto de Zhuhai fica muito mais em conta. É estranho que apesar de toda a boa vontade que esteve por trás da contrução do aeroporto de Macau, concretizada em meados dos anos 90, ainda seja preciso ir a Hong Kong para apanhar vôos para a Europa, América, África ou Médio Oriente. É estranho por muitas outras razões que ultrapassam o facto de ser construído em terra conquistada ao mar.

2) Ainda no Ponto Final, a notícia da Associação de Recuperação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) ter lançado uma campanha de sensibilização contra o estigma do HIV no território. Sem dúvida uma iniciativa de louvar, e que venham outras, que em Macau as pessoas ainda pensam que a SIDA só acontece às pessoas más. No entanto uma das iniciativas passa pela distribuição de t-shirts com o slogan “Can You Hug Me If I Have HIV?”, em inglês e em chinês apenas. Sim, porque isto em português é traduzido para qualquer coisa como "Abraçar-me-ás se eu tiver HIV?", e não estou a ver uma t-shirt onde se leia "abraçar-me-ás", assim, com toda esta hifenização.

Real afunda submarino


Cristiano Ronaldo abriu de livre as hostilidades na goleada do Real Madrid ao Villarreal em jogo da Liga espanhola. Higuaín voltou a ser o marcador de serviço ao apontar dois golos, tantos como o brasileiro Kaká, e Xabi Alonso fecharia a contagem com um golo de penalty do resultado de 6-2 que afundaria o submarino amarelo, nome pelo que é conhecido a equipa do Villarreal. O Real continua dois pontos atrás do Barcelona. Como curiosidade refira-se que o Atlético de Madrid de Simão e Quique Flores foi derrotado em Almería por uma bola a zero.

Porto esmaga Braga


O FC Porto voltou a provar que consegue combinar o medíocre com o excelente, e ontem goleou o Braga no Dragão por cinco bolas a uma. Raul Meireles, Alvaro Pereira, Belluschi e Falcão duas vezes fizeram a miséria dos bracarenses, que precisavam apenas de um empate para regressar à liderança da Liga Sagres. Alan só viria a marcar o golo de honra dos bracarenses já além dos 90. O Benfica lidera agora isolado com 49 pontos, seguido do Braga com 48 e do FC Porto com 43.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Olha! É "essa música"!


Este vídeo que temos em cima não é mais do que uma versão em cantonense do "My Sharona", dos The Knack, que como é sabido, o vocalista morreu a semana passada. O intérprete desta versão de "My Sharona" é Alan Tan, uma das estrelas pop da região vizinha de Hong Kong. Recentemente descobri dois ou mais cantores a interpretar uma versão de "A-Ba-Ni-Bi" em cantonense. Esta canção venceu o festival da Eurovisão em 1979 e é originalmente interpretado por Izhar Cohen. Já ouvi versões em cantonense de "Hallelujah" dos Milk & Honey, "Enola Gay" dos OMD, imitações chinesas dos Guns n'Roses, dos Aqua e mais recentememnte de Lady Gaga, enfim, estes gajos não param de se reeinventar. Ou será apenas roubar?

O problema desta apropriação de música estrangeira e a consequente adaptação aos gostos indígenas é incorrecta, pois não deixa qualquer pista de que a música não é original deles. A primeira vez que encontrei este problema foi enquanto ouvia "The Latest Trick" dos Dire Straits (c. 2001) e a minha mulher dizia-me que esta era a música de entrada de uma novela qualquer chinesa que passava na TVB na altura. O que realmente acontece é que os artistas pop de Hong Kong, os comediantes e as séries de televisão roubam descaradamente melodias estrangeiras já existentes, dão-lhes letras em cantonense e só faltava assinarem como suas, uma vez que ninguém se vai dar ao trabalho de procurar os intérpretes originais.

Um amigo contou-me que no início dos anos 80 passava um programa de vídeos da MTV muito bom na TVB ao Sábado à noite. Nessa altura era só preciso juntar uns amigos em casa, comprar bebidas, colocar o som do televisor no máximo, e fazia-se uma discoteca improvisada. Entretanto passados alguns anos, ao que parece, aprovou-se uma lei qualquer em HK que dava primazia aos artistas "da casa", e os adolescentes passaram a ouvir menos música anglo-saxónica. Chegaram mesmo a aparecer artistas que decalcavam completamente os temas de artistas como os Wham!, Prince ou Madonna completamente para chinês.

Isto levou a que por um lado os jovens tivessem menos contacto com a língua inglesa, e por outro lado levou ao aparecimento de artistas como Andy Lau, Jackie Cheung, Faye Wong ou o próprio Alan Tam, que produziam pop completamente em cantonense, e enchiam salas de concertos com milhares de fãs. Daí que tenhamos hoje estes artistas como Joey, Bosco, Bobo Chan ou Raymond Lam. Que nos emprenhem pelos olhos com progamas de entretenimento copiados dos horríveis game-shows japoneses é uma coisa, mas pelo menos podiam fazer qualquer coisa de novo e original com a música.

Testemunhas


Recuando ao ano lectivo de 1983/84, estava eu no sexto ano (antigo 2º do ciclo preparatório), e lembro-me dum colega chamado Romão. Pelo menos era assim que eu penso que ele se chamava. O Romão era Testemunha de Jeová, e como na altura a malta sabia pouco o que isso queria dizer mas ouvia coisas más dos pais, tratava o Romão de uma forma um pouco cruel. Certa vez brincávamos aos piratas (miúdos de 11 e 12 anos não querem saber de “gajas”) e o Romão fazia de capitão. A certa altura os mais mauzinhos mandavam umas bocas, do tipo “podem as Testemunhas de Jeová ser piratas?” ou outros piropos do tipo. O Romão ficava triste, e eu ficava com pena dele. Mas não era apenas a malta que era chata com o Romão. Atendendo às “necessidades especiais do aluno em questão”, a escola encarregava-se de garantir que o Romão não participava nas actividades da escola relacionadas com o Natal (que as Testemunhas de Jeová não comemoram) ou o Carnaval. Neste último período a malta mascarava-se e tomava as ruas de assalto pregando partidas, enquanto o pobre Romão, que sonhava ser pirata, ficava em casa a estudar por ordem dos pais.

Mais tarde no secundário conheci o Aurélio, também ele Testemunha de Jeová. O Aurélio era grande, atlético, com uma aparência a fazer lembrar um daqueles gajos do heavy-metal, só lhe faltando mesmo as correntes e as t-shirts com desenhos e frases absurdas. O Aurélio tinha o terrível hábito de chatear os mais pequenos, aquilo que agora se convencionou chamar “bullying”, e não havia início do ano lectivo que não distribuísse uns sopapos pelos alunos do 7º ano. Um belo Verão o Aurélio sofreu um acidente de motorizada, perdeu muito sangue e esteve às portas da morte. A família rejeitou que o Aurélio recebesse uma transfusão de sangue, e só se salvou quase por milagre, para grande frustração dos médicos que queriam a todo o custo resgatar a vida daquele jovem de 16 anos. Depois de dois meses de convalescença, o Aurélio regressou à escola em meados de Outubro, bem disposto, saudável e cheio de vontade de afixar calduços nas cabeças dos miúdos do 7º ano. Um deles respondeu-lhe: “estiveste quase a morrer e mesmo assim não aprendeste”. Em cheio. No seu estado normal o Aurélio enchia a cara do miúdo de porrada, mas desta vez quedou-se tristinho, a chorar. O raio do miúdo afinal tinha razão.

Já na universidade, em Lisboa, tinha um colega que era Testemunha de Jeová, cujo nome agora não me recordo, e uma vez perguntei-lhe “porque é que os pais obrigam os filhos a pertencer a uma religião tão impopular”. Resposta: “Os pais querem o melhor para os filhos”. Interessante este conceito de querer “o melhor”, e obrigar a ter “o melhor”. Na altura vivia num apartamento em Arroios, e muitas vezes as Testemunhas de Jeová batiam-me à porta às 8 da manhã, depois de uma noite de perdição e vício. Perguntava quem era, e só me respondiam que vinham “da parte de Jesus Cristo”. Fosse isto mesmo verdade, abria a porta e aceitava a salvação, mas sabia que o que realmente queriam era ficar ali duas horas a fazerem-me uma lavagem cerebral e impingir-me leituras atrozes cheias de moral e tentativas patéticas de atingir uma espécie de “nova ordem social”. Dizia-lhes sempre “não estou interessado”. Jesus Cristo me compreenderia e perdoaria. Era bem mais simpático que alguns outros agregados familiares obrigados a levantar o cu da cama à 8 da manhã no Domingo. Alguns optavam por insultar os missionários, e penso que poderão ter existido casos de agressão.

Talvez fosse bom para as Testemunhas de Jeová perceber que a maioria das pessoas está contente com a sua religião ou nenhuma religião, e percebessem que para a esmagadora maioria dos portugueses o Domingo é dia de descanso. Talvez tenham mais sortes em prisões, lares de idosos, centros de recuperação de toxicodependentes ou outros locais onde impera a solidão e o degredo, mas sinceramente não tenho aqui presentes os dados do sucesso de conversões. Sei que os negócios devem-lhes correr bem, pois andam sempre impecavelmente vestidos, aparentam ser saudáveis, limpinhos e chegaram a alugar o Estádio do Restelo para fazer uma reunião nacional. Sei que não são adversos àsw novas tecnologias, e têm até um website muito bem elaborado, em 392 idiomas.

Em Macau não conheço nem tive qualquer contacto com as Testemunhas de Jeová. Sei que andam por aí, são na grande maioria filipinos, e já vi versões em português (do Brasil?) e em inglês das revistas “Sentinela” e “Despertai!”, as duas publicações da igreja. É compreensível e até salutar que se abstenham de ter relações sexuais antes do casamento, ou que não fumem nem bebam. É um pouco mais esquisito que não comemorem o Natal, o Ano Novo, o carnaval ou o seu próprio aniversário. É grave que deixem morrer alguém que precisa de uma transfusão de sangue. É inaceitável que não deixem os filhos escolher.

SOS Madeira






Fotos: BBC News

Um temporal violento, mais grave do que 1992, abateu-se durante ontem sobre a ilha da Madeira, causando pelo menos 32 mortos, mais de uma centena de feridos, vários desaparecidos e danos materiais incalculáveis. É hora de estar solidário com os nossos irmãos madeirenses, que também são portugueses como nós, é preciso não esquecer. E esperar que recuperem depressa desta enorme tragédia.

Barça dá 4


O Barcelona goleou ontem o Racing Santander por quatro bolas a zero. Numa equipa com muitas ausências, os golos foram apontados por Iniesta, Henry, Rafael Marquez e Thiago Alcántara, filho do ex-internacional brasileiro Mazinho, que se estreou pelos blaugrana. Na luta pelo quarto lugar, destaque para a vitória do Sevilha em Mallorca por três bolas a uma, enquanto o Deportivo batia o Xerez por duas bolas a uma e subia ao quinto lugar.

ManU leva na pá


O Manchester United saíu prejudicado da 27ª jornada da Premier League inglesa, ao ficar a cinco pontos do líder Chelsea e com mais dois que o terceiro classificado, o Arsenal. Os comandados de Alex Ferguson perderem 1-3 no Goodison Park, o Chelsea foi vencer por duas bolas a zero a Wolverhampton e o Arsenal venceu em casa o Sunderland pelo mesmo resultado.

E vão sete


Highlights

Freekicker | MySpace Video

O Sporting fez ontem o seu sétimo jogo sem vencer, ao empatar em Olhão frente a uma espécie de segunda equipa do FC Porto. Os comandados de Carvalhal vão mantendo o quarto lugar da Liga Sagres mais por displicência dos seus perseguidores, e só para que se tenha uma ideia, o Sporting tem o menor número de pontos conquistado à 20ª jornada dos últimos 30 anos. Noutra partida antecipada o V. Guimarães bateu o Leixões por duas bolas a zero.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Provedor do leitor


No post da última quinta-feira “A ventosa da Sentosa” faço algumas comparações relativas às diferenças entre Macau e Singapura, o que foi interpretado por alguns leitores com comentários desta tez:

Talvez o Comandante possa mudar-se para Singapura...iria concerteza contribuir para o ecletismo da cidade.
Comandante+Leocardo em Singapura= Qualquer coisa de interessante.


Ou ainda:

Se gostam tanto de Singapura porque não saem de Macau e passam a viver na Singapura?Não troco Macau por nenhuma cidade do mundo para viver.

Pois. Tal como o El Comandante, também eu fico fascinado com esta argumentação “de mérde”. Portanto, se lá fora eles têm qualquer coisinha melhor que nós, sugere-se que nos mudemos para lá. Se eu gostar muito de requeijão, se calhar devia mudar-me para a Mongólia, onde há requeijão a rodos.

Também eu gosto muito de viver em Macau, e gostei sempre de viver onde é melhor para mim. Só que gosto de ter cá coisas boas, e ambiciono às coisas boas que os outros têm. Uma reacção muito racional. Assim como muitos querem mais transparência, mais democracia ou eleições directas e não sei que mais, também eu quero restaurantes, urbanismo, entretenimento e diversidade cultural e étnica como lá em Singapura.

Quanto ao leitor que deixou o seguinte comentário:

Optimo, se Singapura nao oferece qualquer perigo para Macau, excusam entao de estar sempre a repeti-lo , nao va a gente pensar que estao e a ficar nervosos.

Certo, e é o que eu tenho vindo a dizer há anos. Não sou eu que dou honras de primeira página aos casinos dos outros.




É sempre um prazer esclarecer os meus queridos leitores. Grato pela atenção dispensada.

Leituras (especial)


Um brilhante artigo de Carmo da Rosa no blogue Fiel Inimigo, intitulado Será que podemos rir do Islão?.

Esta semana foram publicados jornais apenas dois dias, e O Clarim está de férias, portanto não vai haver a habitual rubrica Leituras.

Os blogues dos outros


Estou a ver na Sport TV um funcionário da Liga de Clubes a explicar "cientificamente" ao indigenato que os trabalhadores Hulk e Supanaru foram proibidos de exercer a sua profissão durante quatro e seis meses respectivamente, por "mau comportamento", - depois de terem sido (comprovadamente) provocados por agentes de "segurança privada" num túnel qualquer à saída de um jogo. O dito "jurista" (de gravata azul, quem sabe se para disfarçar a cor do sangue que lhe vai na alma), está a tentar justificar aos jornalistas as "penas" decretadas em nome do "regulamento e regras próprias" da Liga de Clubes, que ele aliás "não fez". Decisão do Tribunal Europeu sobre a "lei Bosman"? Não interessa, estamos em Portugal!
As Leis laborais portuguesas não são aplicáveis nestes casos? Claro que não, o futebol é mesmo assim! O Hulk termina a "pena" poucos dias depois do decisivo Porto-Benfica para o campeonato? Simples coincidência! Gravações audiovisuais não servem de prova? Claro que não, - sempre que possam beliscar quem está no poder futepolíco!
E em matéria de "conclusões" (minhas), por aqui me fico. Não vá a "Liga" proibir-me preventivamente de continuar atento à "esfericidade da bola que passa".


Luís Filipe Coimbra, 31 da Armada

O que se passou na Taguspark é um acto da maior indignidade, só possível de realizar através de miúdos amiguinhos e afilhados de políticos incompetentes e irresponsáveis. A manchete do 'Expresso' faz corar de vergonha qualquer dirigente empresarial ao salientar que o "Presidente da Taguspark só soube há dois dias do negócio com Figo". Como é isto possível numa empresa pública? Como é que os dinheiros públicos são gastos ao desbarato sem conhecimento do responsável máximo? Como é possível pagar 2,5 milhões de euros por ano a um puto com carinha de parvo, só porque foi chefe da propaganda eleitoral do PS? Como é que um engenheiro professor catedrático de grande prestígio, como Matos Ferreira, e por isso, foi colocado a presidir aos destinos da Taguspark, é ultrapassado sem que lhe seja dado conhecimento de negócios pouco claros que esvaziam o cofre da empresa? Inacreditavelmente, o presidente da Taguspark bem como outros administradores apenas na passada quinta-feira tomaram conhecimento da existência de um contrato com Luís Figo e de um filme promocional com o antigo futebolista. E agora, não há justiça em Portugal?

João Severino, Pau Para Toda a Obra

Os ataques por parte de algumas personalidades e blogues da direita ao "Câmara Corporativa" são antigos, começaram pela crítica e insinuações ao anonimato do Miguel Abrantes e ganharam dimensão, agora, com a venda a baixo preço de um dos participantes do "SIMplex". Parece que descobriram agora que ali há a mão de uma central governamental e a mão de assessores do governo, argumento que não passa de um elogio ao blogue e aos supostos assessores. O blogue é publico e basta uma leitura para se perceber que ali não é usada informação que não seja pública. O que incomoda a direita não é a suposta participação, é a qualidade da crítica e, pior do que isso, o bom uso da memória. O que eles dizem é algo do género "se o "Câmara Corporativa" fosse escrito por cidadãos comuns não seria tão eficaz, não se lembraria de muito do que se passou no passado, não se lembrariam dos nossos podres". A verdade é que o "SIMplex" antecipou o resultado das eleições ao ter derrotado e desmontado o "Jamais", uma obra de Pacheco Pereira, a verdade é que anda por aí muito boa gente a defender a liberdade de expressão e que quer calar o "Câmara Corporativa".

Jumento, O Jumento

A «defesa da paridade», que aqui me foi cometida, impõe-me que acompanhe a evolução da nossa vida política e que não deixe de expressar uma opinião feminina, porventura ligeira e benévola, acerca do que vai por esse mundo de gente. Aventurando-me pois nestes terrenos movediços, tropeço imediatamente na figura do nosso PM, em quem, não obstante o que desde há muito se sabe, que agora tanto nos indigna, consigo identificar duas grandes qualidades. Uma, a apresentação, que tem, ao que consta, requintado segundo os padrões clássicos do consagrado Ermenegildo Zegna. Outra, a competência de chefia, que intuo, não da forma – opaca - como coordena a equipa ministerial, mas da fidelidade – canina – com que esta responde à sua coordenação. Ora é de uma tal massa, enfarpelada nas fazendas das melhores alfaiatarias e bafejada pelo carisma do líder, que são feitos os gestores mais cobiçados pelas empresas e organizações ditas com visão moderna. Se ao nosso PM falta um passado meritório, poderia, talvez, sobrar um futuro risonho. Então, por que não abandona ele uma governação, que, de momento, apenas carrega as sombras que enfarruscam o seu nome? Por que não segue ele os exemplos prudentes de um Guterres e de um Jorge Coelho? Será que se agarra ao poder na esperança de inflectir os resultados da sua administração e salvar a face? Ou será que já só o faz na ideia de manter inibida a timorata Justiça e salvar a pele?

Luísa Correia, Corta-Fitas

A semana passada, ficámos a saber que 87% das mulheres que abortam não usam meios contraceptivos. Pura e simplesmente, para 1425 mulheres, a interrupção voluntária da gravidez é um meio de planeamento familiar. Acrescente-se que, para 468 mulheres, o procedimento não era novidade. Os números são ainda mais graves se considerarmos a idade destas mulheres. Estamos a falar de mulheres dos 21 aos 29 anos, na maior parte dos casos, sendo a faixa dos 30 a que se lhe segue. A falta de informação não pode servir de desculpa eterna. Estes números, estas estatísticas, são sinais evidentes de que falhámos, enquanto sociedade. E isso deveria envergonhar-nos.

Ana Margarida Craveiro, Delito de Opinião

Um caso hipotético:

1. Governante A nomeia administrador B para empresa semi-pública.

2. Administrador B contrata estrela C para campanha publicitária.

3. Estrela C, enquanto cidadão, apoia governante A em campanha eleitoral.

Todos os actos são lícitos de per si. Lei do enriquecimento ilícito não serviria de nada. Nem sequer há malas de dinheiro, nem há patos bravos no negócio. Só há ilegalidade se for possível relacionar 3 com 2. Em condições normais, só com escutas é que isso é possível. Toda a gente reforça a sua imagem pública. Político A recebe apoio de uma estrela e fica com imagem de dinâmico e empreendedor. Administrador B fica com a imagem de quem apoia o desporto. Estrela C reforça a sua imagem numa aparição pública. Quem diz desporto, diz cultura …


João Miranda, Blasfémias

Segundo o «New York Times», nestes tempos de crise mundial em que assistimos a um recrudescimento até da pequena criminalidade e de roubos nos estabelecimentos comerciais, constatou-se que o livro mais roubado nas livrarias é… a Bíblia! Mas se virmos bem, esta notícia faz todo o sentido. Por um lado, bem demonstra o relativismo moral típico das religiões e a criteriosa selecção que os crentes fazem daquilo que lhes interessa seguir ou não na sua doutrina. Pelos vistos o «Não Roubar» é uma das coisas que não lhes interessa seguir. Por outro lado, significa que há cada vez mais pessoas que acham que se há inutilidades que não merecem que nelas gastemos o nosso dinheiro, a Bíblia é precisamente uma delas.

Luís Grave Rodrigues, Diário Ateísta

Fui multado por excesso de velocidade no twitter. Fui apanhado a 145 caracteres ao tweet.

João Moreira de Sá, Arcebispo de Cantuária

Barratanas com arroz


Estabelecimento de Comidas Barratanas com Arroz.

Timor Contacto



Assistir ao programa “Timor-Leste Contacto” é uma experiência verdadeiramente única. Primeiro porque ao contrário dos outros programas da série de “Contactos” não assistimos à habitual parada dos portugueses que são “casos de sucesso” e vivem em Newark, Vancouver, S. Paulo ou Melbourne. Em Timor-Leste não existem assim tantos “casos de sucesso”.

Vemos muita mata, muitas pedras, muitas estradas de areia, muito artesanato, muita construção. Deve ser difícil conduzir em Timor-Leste sem ter pelo menos um jipe. Depois chegam-nos sempre notícias de que aconteceu isto ou aquilo de mau, as pessoas ainda sofrem, ainda é o país mais pobre da Ásia (!), se calhar antes estavam melhor, etc, etc, etc.

Eu sinceramente admiro os portugueses que trabalham em Timor-Leste, pois se há casos de trabalho “humanitário” como forma de alcançar protagonismo ou ir à aventura, este não é um deles. Enfim, em Timor-Leste ainda há muito que fazer, e um dia destes vi uma notícia que os timorenses não estão lá muito interessados em aprender português, e os métodos são considerados “desadequados” pelos professores portugueses em Timor-Leste.

A presença da Austrália é o que se faz sentir um pouco por toda a parte. São no fundo os australianos que ainda vão evitando que se morra de fome, em nome da proximidade geográfica e já agora do petróleo no mar de Timor. E depois os únicos dois vestígios de civilização são o Rentló “car hire” e a Pousada Baucau (existe mais algum hotel em condições em Timor?), o que diz muito do potencial deste país para se tornar num centro de negócios ou qualquer coisa que os valha.

E quem é aquela ave-rara que apresenta o programa? Não existe mais ninguém naquele país para apresentar um programa que depois é visto no mundo inteiro? E não me digam que estou a ser mauzinho, porque sinceramente qual é a reacção que vos provoca o Fernando Sávio?

Congratulo-me que exista um programa que fale de Timor-Leste, e que nos diga o que se passa por lá, mas só não podem esperar que eu encontre o resultado satisfatório. É assaz desagradável, aliás.

Volta à China


PEQUIM - As "tias de banquete" foram um sucesso enorme durante o Ano Novo Chinês. A ideia passou por contratar mulheres de meia-idade desempregadas para cozinhar e servir às mesas durante o período das festas, quando a mão-de-obra escasseia e os trabalhadores migrantes voltaram a casa de férias. Em alguns casos as "tias" conseguiram ganhar vários milhares de yuan durante a semana do Ano Novo.

PEQUIM - Os residentes do distrito de Daxing podem requisitar escolta policial caso levantem mais de 50 mil yuan do banco. A polícia anunciou a medida durante o Ano Novo, e desde então já escoltou mais de cem pessoas.

SHANDONG - O governo municipal de Jinan proibiu que os seus trabalhadores consumam bebidas alcoolicas durante o almoço, após várias queixas da população. Outra medida implementada durante a última redução camarária passa por reduzir "despesas necessárias", como celebrações, seminários, fórums e outros pretextos para "gastar dinheiro público".

JIANGSU - Sun Meilan, uma varredora de ruas, foi eleita a "pessoa mais simpática" da cidade de Huaian numa eleição realizada durante o Ano Novo. Sun foi filmada a enxugar as suas meias três vezes enquanto limpava os passeios da cidade, cobertos de neve.

XANGAI - A cidade de Xangai tem agora 19 milhões de habitantes. Citando estatísticas governamentais, cada pessoa ocupa 34 m2 de espaço residencial em média. Em cada 100 famílias existem 14 carros, 196 aparelhos de ar-condicionado e 223 telemóveis.

FUJIAN - Encomendas postais originárias de Fujian sero sujeitas a uma vigilância mais apertada, uma vez que as autoridades desconfiam que uma quadrilha de Taiwan trafica droga através desta província, pelo correio. Quarenta pacotes de droga foram apreendidos, contendo 7,28 kg de metanfetamina e ketamina,

GUANGDONG - Uma empregada do aeroporto de Shenzhen que foi erradamente acusada de roubo e detida durante nove meses resolveu não processar o estado. Em Dezembro de 2008 Leung Li descobriu uma caixa ao lado de um caixote do lixo do aeroporto e levou-a para casa, descobrindo mais tarde que continha ouro. Mais tarde foi provado que a empregada desconhecia o conteúdo da caixa, e que a sua intenção era entregá-la à secção de perdidos e achados no dia seguinte.

SICHUAN - Mais de 10 mil pessoas prestaram homenagem a Deng Xiaoping na aldeia de Xiexing, em Guangan, onde nasceu o líder da China entre 1978 e 1994, para comemorar o 13º aniversário da sua morte.

Precious


"Precious: Based on the Novel Push by Sapphire" é um dos dez filmes nomeados para a categoria de Melhor Filme na edição deste ano dos óscares, e sem dúvida um dos melhores. Fosse este um outro ano qualquer, e este filme saíria vencedor. O filme conta a história de uma adolescente negra do Haarlem, Precious, praticamente analfabeta, grávida pela segunda vez do próprio pai, e que vive com a sua mãe Mary, uma inválida que fuma desalmadamente e diz três palavrões em cada frase. "Precious" é baseado na novela "Push", da poeta norte-americana Sapphire, uma história crua e cruel, que vai buscar o argumento ao esgoto mais profundo da natureza humana. O filme contém cenas verdadeiramente chocantes, e as interpretações são absolutamente de pasmar. Gabourey Sidibe faz a sua estreia no papel de "Precious", uma interpretação fabulosa que já lhe valeu a nomeação para o óscar, que só não ganhará devido à forte concorrência de Sandra Bullock. Nomeada também para o óscar de melhor actriz secundária está Mo'Nique no papel de Mary, e nessa aposto a minha fortuna inteira que ganha. Destaque ainda para Mariah Carey (completamente irreconhecível) no papel de assistente social, e a lindíssima Paula Cotton no papel da professora lésbica de Precious. Um filme a não perder.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

7 dias


VÍDEO DA SEMANA

Uma reportagem da National Geographic sobre centopeias. Mais interessante do que dá a entender.

FRASE DA SEMANA

"Somos um macaquinho saído desse nariz enorme que é a China", Carlos Marreiros, em entrevista ao Hoje Macau, 19/02/2010.

REPORTAGEM DA SEMANA

A cobertura do JTM à abertura do primeiro casino em Singapura.

ABORRECIMENTO DA SEMANA

A letargia do Ano Novo Chinês, as férias da imprensa, e o frio. Saiba aqui o estado do tempo em Macau nos próximos dias.

ACONTECIMENTO DA SEMANA

A visita do Dalai Lama a Washington e o encontro com Barack Obama.

PENSAMENTO DA SEMANA

"Os chineses gostam de dizer coisas auspiciosas durante o período do Ano Novo Lunar. E se as coisas funcionam de forma tão simples só por as dizermos, a sociedade estaria sempre em paz. Mas, na realidade, as coisas na terra não mudam só porque alguém deseja que mudem. As coisas evoluem e desenvolvem-se à sua maneira".

Paul Chan Wai Chi, Hoje Macau, 19/02/2010.

She Bang


Um vídeo novinho em folha de Germano Guilherme, vulgo "Bibi" publicado recentemente na sua página do Facebook. Uma versão muito energética de "She Bang", de Ricky Martin. Vide.

Benfica empata em Berlim


Highlights

Freekicker | MySpace Video

O Benfica empatou ontem no Estádio Olímpico de Berlim frente ao Hertha a uma bola, em jogo da primeira mão dos dezasseis-avos de final da Liga Europa. Os encarnados estiveram na frente do marcador graças a um golo de Dí Maria logo aos 4 minutos, mas uma infelicidade do médio espanhol Javí Garcia, que rematou para a sua própria baliza, deu o empate aos alemães aos 33. O guardião brasileiro do Benfica fica mal na fotografia, surpreendido pelo remate do seu companheiro de equipa. O Benfica não deverá ter problemas em resolver a eliminatória a seu favor no jogo da próxima semana na Luz, uma vez que o Hertha éo laterna vermelha da Bundesliga.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A ventosa da Sentosa


Ainda falando de qualidade de vida, fico supreendido com o magnífico serviço que o JTM fez a Macau, com aquele artigo exclusivo sobre o primeiro dia de jogo em Singapura. Lá pela ilha de Sentosa, numa das idílicas pérola do império britânico na Ásia, abriu um casino no último dia 14, o que já foi suspeitamente matreiro, uma vez que “14” pronunciado em Mandarim é boa sorte e não sei o quê.

A verdade é que segundo o JTM as coisas não correram tão bem assim, e os singaporeanos evidenciaram a sua inexperiência, e conta até episódios pontuais de incidentes relacionados com turistas de sandálias e calções, e sobre a possibilidade de se poder ou não tirar fotografias dentro do casino. Mas parece que o mais importante foi quem tivesse desabafado que gosta mais do serviço em Macau. Assim ficamos a ganhar pontos.

Mas penso que Macau nunca deve ter temido a concorrência de Singapura, pois a fatia de leão do mercado local está garantida: os jogadores da província de Cantão ou de Hong Kong. Só que para mim existe uma diferença muito importante para quem quer alargar o panorama da sua visita: Singapura é uma cidade mais limpa, mais bem organizada e com um leque muito mais vasto em termos culturais, gastronómicos e étnicos.

Se eu fosse um turista europeu endinheirado interessado em jogar e conhecer ao mesmo tempo uma cidade viva, interessante e espectacular, optava por Singapura. Macau tem mais a ganhar atraíndo o turista do continente chinês e adaptando a cidade ao seu gosto, em vez de ir buscar no fundo do seu ser a sua verdadeira essência, o Macau da diferença, da diversidade e do encontro de culturas.

O mais importante: quem quer jogar, tem muito dinheiro, e pode apanhar um autocarro de três horas não se vai meter num avião para ir jogar em Singapura. Como a coisa até resulta, e os resultados financeiros falam por si, vai-se fazendo assim de forma bamboleante, dependendo da boa vontade do governo central e da respectiva emissão de vistos individuais.

Por incrível que pareça, Malaca tem ganho muito mais beleza com a afluência turística que Macau, e mesmo assim tem conseguido combinar de forma mais original o seu misto de cultura europeia e asiática. Mas no que respeita à concorrência, Singapura é a última coisa com que Macau tem que se preocupar.

Esta cidade não é para velhos


Um artigo na edição de hoje do Ponto Final fala de uma publicação da International Living que coloca Macau como “uma cidade má para se viver a reforma”, com um custo de vida elevado, lazer e cultura ou infra-estruturas deficitárias, e recebendo apenas uma boa nota no que toca à segurança, e nesse caso bem podemos dizer que “do mal o menos”.

Eu sempre disse que esta cidade “não é para velhos”, e no que me diz respeito, se amanhã tivesse que me reformar, não ia querer viver em Macau. Não porque viver em Macau não seja bom, é uma excelente cidade para se trabalhar, onde dá para ir a pé a quase qualquer sítio, mas é uma cidade terrível para se relaxar. Eu próprio tiro uma ou duas dúzias de idosos do caminho nos meus afazeres diários, e se há coisa que eu não quero é um marmanjão a fazer-me o mesmo no futuro.

Também não quero voltar para Portugal, porque só para ir morrer, não vale mesmo nada a pena. O ideal era assim um sítio na Tailândia, Filipinas ou Vietname onde meia dúzia de patacas compram uma casa no campo. Mas tenho esperança que Macau possa melhorar e ser uma boa alternativa de vida ao cidadão desocupado. Basta simplesmente que se pense em parar de fazer dinheiro e começar a pensar em gastá-lo em coisas boas, em coisas giras, em coisas que a população possa usufruír.

Não basta ter buffets baratos nos novos hotéis ou restaurantes disto e daquilo para nos encher a barriguinha porque não somos porquinhos. Precisamos de pão mas também de mais e melhor circo. E ainda a respeito desse relatório, as liberdades e garantias passam apenas à rasquinha, com 50 pontos em 100 possíveis. Ui, ui que aí é mais complicado. Isso são coisas que nem toda a "qualidade de vida" do mundo consegue comprar.

Macau hoje teve "Hoje Macau"


O Hoje Macau saíu para as bancas hoje com um visual um pouco modificado, mas com a direcção do inimitável Carlos Morais José, que abriu com um dos seus editoriais de excelência que dão outro elan ao jornal. Não é que eu não gostasse do Picassinos ou do João Costeira Varela, mas o problema é que não os conheço e nunca privei com eles, enquanto que quando leio o CMJ imagino-o a dizer aquilo, e divirto-me imenso.

O CMJ não só diz as coisas que devem ser ditas, como ainda as diz como devem ser ditas. Quando comprei os seus livros "Coluna da Saudade" e "Porto Interior" fiquei um pouco desiludido, pois esperava qualquer coisa da envergadura daquele interessante argumento sobre "Fátima, Futebol e Fado" que teve como palco o Ponto Final há mais de dez anos. Foi nesse período que CMJ cativou-me como leitor, e fico emocionado sempre que leio qualquer coisa nova assinada por ele.

Tenho pena que ele gaste muito do seu tempo às voltas com Camilo Pessanha, Wenceslau de Morais e outros empreendimentos tais que lhe tirem mais tempo para escrever material original. Ainda me lembro de ter lido "Kaze - Um caso de ópio" e ter ficado alucinado. É disto que a malta precisa, ó CMJ. Pelo menos temos-te a ti para produzir cultura, e em português, por terras do Oriente.

Quanto ao jornal sob a direcção do CMJ, tenho a certeza que vai ser tão ou mais frontal e directa como foi até aqui, e sempre se vai mantendo como uma forma decentemente independente de informação e opinião.

Quando se tem opinadores do calibre de Pinto Fernandes, Paul Chan Wai Chi ou Arnaldo Gonçalves (o Boi Luxo também é excelente!), aliados a jornalistas competentíssimos (Marco Carvalho excelente no desporto!), só se pode esperar elevados padrões de qualidade.

É o único jornal que tem palavras cruzadas decentes, e ainda os melhores designers e ilustradores (...e Stephh, o cartoonista!). São tempos radiosos no futuro próximo do Hoje Macau, sem qualquer nuvem no horizonte.

PS: Se houve ou não pressões, puxões ou empurrões que ditaram a saída do último director, sinceramente não ouvi nada de ninguém. Sei que o assunto foi mais ou menos comentado no post abaixo sobre os óculos sem lentes, mas sinceramente não sei de nada, nem a edição de hoje do jornal adiantou fosse o que fosse.

Fome de egg tarts


Era este o aspecto da pastelaria Café & Nata hoje à hora de almoço. Dezenas de turistas, na sua maioria de Hong Kong, faziam fila à porta do café ávidos de provar os "best egg tarts of Macau", esse ex-libris do território. Pelo menos a Margaret não se pode queixar do negócio nesta altura do ano, ao contrário dos vendedores de panchões, por exemplo. Talvez porque tenha muito mais graça meter coisas doces na boca do que rebentar coisas que fazem barulho e cheiram mal.

Porto vence Arsenal


O FC Porto bateu ontem o Arsenal por duas bolas a uma em jogo a contar para a primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. No jogo do Dragão, os portistas com Hulk de início começaram a atacar desde cedo, e marcaram aos 11 minutos por Varela, numa falha monumental do guardião arsenalista, o polaco Fabiansky. Pouco depois os ingleses restabeleciam a igualdade por intermédio do veterano defesa Sol Campbell, numa jogada aérea com três toques de cabeça. O mesmo Campbell cometia um erro infantil na segunda parte, atrasando a bola para o guarda-redes antes deste a segurar com a mão. Do livre indirecto prontamente marcado por Ruben Micael (mais uma grande exibição) nasceu o golo de Falcão, debaixo de um coro de protestos dos jogadores do Arsenal e do seu treinador Arsene Wenger. O Porto joga daqui a quinze dias a segunda mão no Emirates Stadium, levando uma magra vantagem de um golo, mas uma exibição bem conseguida no jogo de ontem.