domingo, 31 de janeiro de 2010

O business e o PIB


1) Estava esta tarde a ler a revista “Macau Business”, quando dou com uma série de lugares assim caruchos que os mais abastados costumam frequentar. Eu não sou muito de saídas, adoro cozinhar em casa e quando saio vou sempre aos mesmos sítios, assim qualquer coisa de castiça e baratinha, ou “classe-média alta”. Já não me lembro da última vez que paguei menos de 40 patacas por um almoço, tal é o grau de exigência, quando ainda há alguns anos andava aí pelas ruas a comer mins de 15 paus. Em todo o caso, é verdade: não conheço muitos restaurantes ou bares de cinco estrelas que agora pululam pelos hotéis do território. Devem-se contar pelos dedos de uma mão as vezes que entrei no Venetian, MGM, City of Dreams e afins, se bem que frequento regularmente o Grand Lisboa para atender aos jantares de família. Depois vejo as fotografias, as entrevistas e tudo mais, e pergunto à minha cara metade quem são estas pessoas e que sítios são estes. Daí que me desarma com um seco “sítios onde tu não entras e pessoas que tu não conheces”. E não entro mesmo, que a minha natureza rústica não se coaduna com o ambiente. Congratulo-me que muitos dos nossos compatriotas tenham chegado aí com todo o ar de quem acabou de colher um quintal de batatas, e que num estalar de dedos integram-se em ambientes VIP. Não os desprezo, antes pelo contrário, nem os invejo. Respeito mais as pessoas que subiram a pulso e a esforço do que aqueles que têm tudo de mão beijada, mensagem que espero que os meus filhos, por exemplo, aprendam. Só que para mim, não dá. Quem já andou de joelhos e descalço a limpar currais de vacas não senta o rabinho no Il Teatro assim tão facilmente. A propósito, já vos disse que o Pizza & Company é mesmo “muita” bom?

2) Estava a olhar para a lista do PIB nominal per capita relativa a 2008, e apercebo-me que o PIB per capita de Macau é o 22º do mundo, à frente de países como Itália, Espanha, Singapura e Japão, e próximo de países como os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido ou Alemanha. O PIB nominal per capita de Macau é de 40400 dólares norte-americanos, ou seja, 320 mil patacas por ano. Qualquer coisa como 26 mil patacas por mês! Isso até é quase mais do que eu ganho. Com toda esta produção, porque será que não conseguimos viver com a mesma qualidade da população do Japão, Alemanha ou Canadá, por exemplo? Claro que há factores como a balança comercial negativa, a despesa pública e tudo mais, mas perdoem-me a inguinidade, preciso de uma opinião académica. Talvez a vida da população de Macau seja comparável a Jersey, uma ilha no Canal da Mancha com uma população de 90 mil e que se encontra no 11º lugar da tal lista, logo atrás dos Emirados Árabes Unidos.

Pizza & Company


Gostava de partilhar com vocês a fabulosa experiência que tenho cada vez que vou ao Pizza & Company, situado ali na Avenida Ouvidor Arriaga, nºs 79A-81 (em frente ao Fortune Tower, aberto de terça a domingo das 11:00 às 22:30, tel: 853 2852 6300). Se o Pizza & Company não fosse assim tão longe de casa, comia lá todos os dias, e já tinha engordado uns bons vinte quilos. Não sou um grande adepto da Pizza, mas a Company é sempre bastante agradável. Fazem adoráveis pratos de pasta, o pão e os bolos são divinais (recomendo o bolo de cenoura e os danish), e os pastéis de natas daqueles que se apertam e espirram creme, ao contrário dos pastéis "à Macau" que parecem um pudim dentro duma casca de massa. No Pizza & Company pode-se comer um hamburger que dá a sensação de ter sido feita com a carne do bovinho propriamente dita, e não com aqueles discos de haxixe do McDonald's. E para acabar, o café é impacevelmente bem tirado. E isto para mim, que até sou bastante pobrezinho. Parece-me que os proprietários ou sócios do Pizza & Company são portugueses, e como não os conheço, fica aqui o meu grande bem haja e consideração. E viva la Pizza & Company.

Provedor do leitor


Estou a imaginar as entrevistas que o Leocardo faz para comprovar se determinado gajo está apto para ser seu amigo:

Leocardo: "Já te conheço há 5 anos menos 1 dia. Amanhã podes conquistar o supremo direito de ser meu amigo. Mas primeiro tens de me garantir que não fumas droga nem bebes álcool às escondidas."

Candidato a amigo: "Estás maluco ou quê? Nada me dá maior prazer do que estar em ambientes saudáveis cheios de criancinhas aos gritos a beber aqueles maravilhosos batidos de peixe contigo!"

Leocardo: "Mas não te esqueças que nunca poderás falar alto para sobrepor a tua voz à das lindas criancinhas. Se não nos conseguirmos ouvir, paciência! Agora a pergunta definitiva: já alguma vez foste para a cama com uma filipina ou uma indonésia?"

Candidato a amigo: "Pá, claro que sim, que algumas são muito boas e muito bonitas."

Leocardo: "Então não podes ser meu amigo. Arruma as tuas coisas e vai-te embora. Adeus!"


Se tivesse que eleger o comentário humorístico do mês, este ganhava. Só que não tenho tempo nem me apetece. Este comentário foi publicado na secção reservada a esse efeito do post “Macau é a praia”, onde faço referência a um grupo de condicionantes pessoais na escolha dos amigos. Uma vez que este anónimo considera que as minhas “exigências” são descabidas e até rocambolescas, gostaria de as explicar uma por uma, que é como quem diz, “fazer um desenho”.

Em primeiro lugar a questão dos cinco anos não é nenhuma espécie de ónus, é mais uma exigência adquirida pela experiência. Lamento se é defeito, mas num sítio como Macau considero que só posso confiar em alguém que conheça realmente bem, e que não chegue aqui amanhã e vá embora daqui a um ano ou dois. É um pouco difícil fazer amizades duradouras em Macau, visto que eu próprio não sou natural de cá e portanto não tenho “amigos de infância”. Mas cinco anos, um ano ou duas horas, isso depende de cada um.

Em relação ao segundo ponto, não considero que os meus amigos que bebam ou fumem um charro de vez em quando são “alcoolicos e drogados”, e duvido que alguém use esse critério. Por “alcoolicos e drogados” refiro-me aos indivíduos que se comportam de forma desagradável quando bebem, cheiram mal, vomitam por toda a parte, cravam trocos na rua e cuja aparência assusta os cavalos e as crianças. Hoje bebi meio copo de vinho ao almoço com a lasanha e não é por isso que sou um alcoolico. Quanto aos senhores que apanham uma piela de vez em quando, que o façam, desde que não me chateiem.

O anónimo considera que falar alto é “sobrepor a voz à das criancinhas”. Estranho. Eu considero que pessoas que falam alto são aqueles que acham que quanto mais razão pensam que têm, mais tendência têm para gritar e ficar histéricos. Incomodam-me sobretudo pessoas que não conheço de lado nenhum que me abordam pela primeira vez aos gritos, habilitando-se a ser enxertados de cadeira, cinzeiro ou qualquer objecto mais ou menos pesado que esteja ali à mão. Confesso que não percebi essa das criancinhas nem do “batido de peixe”, para ser sincero.

Finalmente a questão dos “caçadores de pito filipino/indonésio”. Repare como aqui o que interessa realmente é a expressão “caçadores de pito”. Tanto eu como o anónimo podemos ter uma ou várias namoradas de qualquer nacionalidade, que isso não nos torna “caçadores de pito”. Referia-me obviamente aos indivíduos que se aproveitam da sua posição de “poder” para abusar das empregadas domésticas, das garçonetes ou de outras trabalhadoras não-residentes para concretizar os seus devaneios sexuais. Alguns procuram a satisfação em bares e discotecas, e normalmente “a pagantes”, que de outra forma nunca conseguiriam, uma vez que a maioria deles são feios e disfuncionais. Em Macau as “vítimas” são normalmente filipinas e indonésias. Nada contra as pessoas em questão.


É sempre um prazer esclarecer os meus queridos leitores. Grato pela atenção dispensada.

Dama-de-ovos


Margaret Thatcher, a mulher que conduziu os destinos do Reino Unido durante os anos 80, fez uma dieta de ovos antes da sua primeira eleição, em 1979. Antes da sua dieta a "dama-de-ferro" pesava 60 quilos, consumiu 28 ovos numa semana e perdeu nove quilos em apenas quinze dias. A dieta incluía ainda muito espinafre, café, carne de vaca e carneiro e peixe. Nos dias que comia carne, Thatcher tinha direito a beber um dedal de whisky, bebida de que era grande apreciadora. Graças a esta curiosa dieta, a senhora conseguiu derrotar o trabalhista James Callaghan, arregaçar as mangas e levar o Reino Unido a uma era de modernidade e prosperidade, desempenhando um papel importante nos últimos anos da Guerra Fria - nunca sem os seus altos e baixos, claro. A notícia foi agora divulgada pela Fundação Thatcher, que adianta que a ex-primeira ministra decidiu perder peso antes da eleição, uma vez que "as câmaras televisivas iam estar em cima dela a toda a hora", segundo a própria. A Baronesa Thatcher afastou-se da vida política em 1990, tem actualmente 84 anos e sofre de demência.

Geração Iniesta


A semana em que o Barceona esmagou o Real Madrid para a Liga e garantiu um lugar na final da Liga dos Campeões fez maravilhas para os índices de natalidade na Catalunha. Nove meses depois da vitória no Santiago Barnabéu por seis bolas a duas e a meia-final contra o Chelsea, os hospitais de Barcelona e arredores não têm mãos a medir para a quantidade de nascimentos. Segundo uma rádio local, o número de partos subiu uns espantosos 50 por cento. Estes bebés so designados por "geração Iniesta", em homenagem ao médio dos "blaugrana" que marcou no último minuto da meia-final contra o Chelsea, colocando o Barça na final. Nada como um grande golo seguido de uma grande queca.

Real vence no Riazor 19 anos depois


O Barcelona e o Real Madrid continuam a travar uma luta a dois na liga espanhola. Ontem os catalães foram a Gijón bater o Sporting local por uma bola a zero (P. Rodríguez 30'), e o Real Madrid, sem Cristiano Ronaldo, foi vencer na Corunha o Deportivo por três bolas a uma, com Benzema a apontar dois dos golos dos merengues. Os merengues já não venciam no Riazor desde 1991. O Barcelona continua a manter a liderança, com mais cinco pontos que Real Madrid e mais 13 que o Valência, que só joga hoje em Sevilha.

Chelsea em primeiro


O Chelsea regressou ontem ao primeiro lugar da liga inglesa ao vencer no difícil terreno do recém-promovido Burnley por duas bolas a uma. O internacional inglês John Terry foi decisivo, ao apontar o golo da vitória dos londrinos. O Liverpool regressou às vitórias e subiu ao quinto lugar ao bater em casa o Bolton por duas bolas a zero, enquanto o Tottenham descia para sexto depois do empate a um golo em Birmingham. A outra equipa de Birmingham, o Aston Villa, foi vencer a Fulham por dois golos sem resposta, e encontra-se num surpreendente quarto lugar. Hoje jogam Manchester City e Portsmouth, seguindo-se o jogo mais agurdado da semana, o Arsenal-Manchester United.

Porto e Benfica não desarmam


Highlights

Freekicker | MySpace Video

O Porto e o Benfica mantêm a perseguição ao líder Sp. Braga, depois de vitórias nos jogos de ontem à noite frente a Nacional e V. Guimarães, respectivamente. O Porto foi à Madeira golear os nacionalistas por quatro bolas a zero, num jogo marcado por dois regressos: Manuel Machado ao banco do Nacional, e Rúben Micael ao Estádio da Choupana, só que desta vez com a camisola do FC Porto. Varela e Falcão fizeram dois golos cada. Na Luz o Benfica derrotou o Guimarães por três bolas a uma, com Carlos Martins a ser o herói dos encarnados ao apontar dois golos, vindo mais tarde a ser expulso por acumulação de amarelos. Braga e Benfica lideram com 42 pontos, segue-se FC Porto com 36, e Sporting com 27.

Leituras


- Pinto Fernandes comemora agora seis anos a escrever nas páginas do Hoje Macau - e queria aproveitar para mandar um grande abraço para ele - com Ainda agora.

- Zélia Ribeiro fala do perigo das mulheres serem sustituídas por robôs (até não era má ideia, pensando bem) em “Alto lá, com o Robô Roxxxy!”

- No JTM, Sérgio Terra fala da cerimónia de imposição de medalhas e títulos honoríficos referentes a 2009, em Empenho e dedicação.

- Jorge Silva, que faz a sua estreia na secção "Leituras" deste blogue, fala de cultura e não só em A aposta cultural.

- No Ponto Final, conheça o perfil de Ung Vai Meng, o novo director do Instituto Cultural, em O homem que não pára quieto. Um trabalho da jornalista Isabel Castro.

- Finalmente n'O Clarim, saiba por que tem que passar um jovem recém-licenciado para entrar nos quadros da Administração em Macau, em Siga o Zé. Um trabalho de José Miguel Encarnação.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Volta à China


JIANGSU - Um homem de Wuxi roubou uma bicicleta, e durante o roubo foi atropelado por um carro. Devido aos ferimentos ficou internado no hospital um mês e pagou 30 mil yuan. Entretanto processou o condutor do automóvel em 150 mil yuan, e perdeu. Vai agora recorrer para o Tribunal Intermédio Popular de Wuxi.

JILIN - Uma menina de nove anos deu à luz um rapaz de cinco quilos de peso em Changchun na última quarta-feira. A família alertou as autoridades, que estão a investigar as razões da gravidez da jovem.

GUANGDONG - Um internauta de Shenzhen foi condenado a seis meses de prisão pelo Tribunal Popular de Futian depois de introduzir 60 vídeos pornográfico na internet entre Maio e Julho do ano passado. O internauta não o fez por lucro, e disponibilizou os vídeos a outros 140 internautas através de uma firewall protegida com password.

HENAN - Um homem de 86 anos foi libertado da prisão em Outubro último depois de 43 anos a cumprir várias penas. Sun Lai, ex-soldado do kuomitang, foi condenado cinco vezes. A última das sentenças foi de 17 anos, em 1996, depois de ter violado uma menor. Sun chorou quando ouviu a notícia da sua libertação, recusou-se a sair da prisão e diz que não tem abrigo e não sabe nada da sociedade de hoje em dia.

GUIZHOU - Mais de 250 mil pessoas esto sem água depois da maior seca que atingiu a região nos últimos 50 anos. As autoridades mobilizaram 61 mil pessoas e 1140 camiões cisterna para combater o problema, de acordo com o Gabinete de Controlo de Cheias e Secas da província.

SICHUAN - Um novo complexo residencial em Chengdu só aceita residentes estrangeiros com aparência ocidental. O novo complexo habitacional vai ter uma igreja, escolas internacionais e um hospital de medicina ocidental. O empreiteiro, que tem sido acusado de discriminação, não aceita chineses nascidos nos Estados Unidos, chineses com passaportes estrangeiros, chineses de Hong Kong e Macau e nem sequer japoneses ou coreanos.

SICHUAN - Mais de 600 casais no distrito de Wuhou em Chengdu casaram no último dia 9/09/09, mas entretanto já 100 se separaram. O nº 9 é pronunciado da mesma forma que "para sempre" em mandarim, e a data era considerado "sortuda" para os casamentos pelos chineses. Na cidade casaram um total de 5200 casais, 4% do total de casamentos de 2009 (!), e a taxa de separações entre eles é também elevada.

Braga vence Sporting


O Sp. Braga derrotou ontem à noite o Sporting por uma bola a zero, em jogo antecipado da 17ª jornada da Liga Sagres. O único golo do encontro foi apontado por Paulo César aos 31 minutos, numa jogada individual e remate forte que ainda embateu no defesa Tonel, e enganou Rui Patrício. O Braga continua a liderar com 42 pontos, mais 15 que os leões, que devem ter ficado afastados da corrida ao título.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

7 dias



VÍDEO DA SEMANA

Aqui, no PALAVROSSAVRVS REX, do Joshua.

DÚVIDA DA SEMANA

João Moreira de Sá, em Arcebispo de Cantuária: Não percebo porque é que a "Menina Azul" dos Ena Pá 2000 não entrou na banda sonora do Avatar

TÍTULO DA SEMANA

Do Hoje Macau sobre o agente da PJ que se tentou imolar: O kami-quase

FRASE DA SEMANA

"A componente empresarial é o que menos me toca pela simples razão de que nunca tive como objectivo de vida ser rico. Estou sempre disponível para alienar tudo e recomeçar de novo, mesmo do zero, pelo simples prazer de realizar"

António Correia, em entrevista a Hélder Fernando no Hoje Macau, 29/01/2010

BOCA DA SEMANA

"Afinal, o Zé quer enveredar pelo mundo da Comunicação Social. Procura a Teledifusão de Macau. Tem duas hipóteses: Rádio ou Televisão.
Enquanto contratado local, não tem direito a habitação. Mas o sonho comanda a vida e a verdadeira ambição do Zé é ser administrador da TDM. Lá chegado, para além de poder decidir, – juntamente com os outros administradores, – o seu salário, o valor dos subsídios de alimentação, de família e de saúde, e o tecto máximo para as ajudas de custo e de representação, terá ainda a possibilidade de receber tratamento médico especial no estrangeiro e pagar a renda mensal da hipoteca da casa com o subsídio de habitação da TDM, independentemente do valor do empréstimo bancário."


José Miguel Encarnação, O Clarim, 29/01/2010

FIGURA DA SEMANA

João Fonseca, professor e fundador do Grupo de Danças e Cantares de Macau, recebeu a medalha de mérito cultural da RAEM

Os blogues dos outros


Um dos temas fortes de interrogação sobre o estilo e a natureza da liderança de CHUI SAI ON era a circunstância de se vir a sentir condicionado nas escolhas e nas mudanças por compromissos de HO HAU WA relativamente aos altos dirigentes da Administração Pública. As mudanças ocorridas na Cultura, no IPIM mostram que CHUI gere o seus poderes sem contemplação por confinâncias espúrias e exerce o seus poderes. Uma nota contra os que acharam (entre eles vários analistas encartados nos jornais de Macau) que CHUI seria um "pau mandado" de HO um HO por segunda pessoa. Ainda à procura de estilo, CHUI tem preferido a penumbra a aparecer sob as luzes da ribalta, escudando-se dos primeiros impactos. O que é correcto, do ponto de vista táctico. Veremos como se assume na defesa das Linhas de Acção Governativa, o primeiro embate com a élite local representada na Assembleia Legislativa. CHUI tem, contudo, problemas graves na sua equipa de secretários e já não é possível esconder algumas das fragilidades. Tornar-se-á indispensável fazer mudanças cirúrgicas se não quiser ficar manietado pelos acontecimentos. Dois dos seus secretários têm problemas graves de fiabilidade e imagem pública.

Arnaldo Gonçalves, Exílio de Andarilho

A demissão de cinco membros do Legco de Hong Kong, que obriga à realização de eleições intercalares, as quais são vistas pelos demissionários como um referendo, de facto, à implementação do sufrágio directo e universal em Hong Kong, parece-me uma jogada altamente arriscada por parte das forças pró-democracia da antiga colónia britânica. Em primeiro lugar, ainda que o resultado lhes seja favorável, uma vez que o referendo não está consagrado na Lei Básica, Pequim nunca retirará de tais resultados as consequências que as forças pró-democracia pretendem. A agenda do Governo Central é que é realmente importante, e esse é um facto que já todos percebemos. Ainda assim, o Poder em Pequim, e em Hong Kong também, não se cansa de repeti-lo. O sufrágio directo e universal acontecerá quando Pequim decidir que deve acontecer. Esta teimosia das forças pró-democracia irrita o Governo Central e, pelo que é dado perceber pelas sondagens, começa a cansar a própria população de Hong Kong. E aqui reside o segundo erro que os pró-democratas terão cometido neste processo. A acreditar na imprensa, um estudo da Universidade de Hong Kong, realizado entre 11 e 13 de Janeiro, concluiu que apenas 24% dos 1008 inquiridos apoiava o plano de referendo, com 50% a revelar-se contra. Mais, um outro estudo, levado a cabo este fim-de-semana, concluiu que 72% das 327 pessoas entrevistadas considerava a realização de eleições intercalares um desperdício de dinheiro público, ao passo que 69% defendia que o referendo afectaria as relações entre Hong Kong e Pequim. E chegamos ao terceiro erro que os pró-democratas cometeram - o timing para levar a cabo esta iniciativa dificilmente poderia ser pior escolhido. Com a economia de Hong Kong a navegar em águas agitadas, mas, ainda assim, a não adornar, a população mostra-se muito mais preocupada com o bem-estar económico do que com os sucessivos protestos dos pró-democratas. O Governo de Hong Kong percebeu esse facto, aproveitou o anúncio recente que coloca Hong Kong, pelo 16º ano consecutivo!, como a economia mais livre do Mundo, e agitou imediatamente a bandeira do desperdício de dinheiros públicos, com contas feitas e tudo (ler aqui http://news.yahoo.com/s/ap/20100126/ap_on_re_as/as_hong_kong_democracy ). Posso estar enganado, mas creio bem que os movimentos pró-democracia em Hong Kong acabam de dar um tremendo tiro no próprio pé. Neste particular, andaram bem os "irmãos" de Macau. Ng Kuok Cheong, entre um sorriso malandro, deixou bem claro que os "democratas" em Macau não pensam seguir esta estratégia de confrontação com Pequim "porque o Partido Comunista Chinês é muito forte e tem muito poder" (sic). Afinal, os "democratas" de Macau ainda são capazes de dar umas lições aos seus "gurus" do outro lado do Delta do Rio das Pérolas.

Pedro Coimbra, Devaneios a Oriente

Ruben Micael, para além de um nome assaz interessante, foi bafejado pelo divino. "Jesus pôs-me dois dedos na cara", disse, hoje, do eventualmente acontecido há vários meses. Provavelmente terá sido para o benzer, concluo.

VICI, MACA(U)quices

90 pessoas apanham a Gripe Suína (A-H1N1) e toda a gente quer usar máscara. Cinco milhões de pessoas têm SIDA e ninguém quer usar preservativo. 1.000 pessoas morrem num país rico com Gripe Suína, é uma pandemia. Milhões de pessoas morrem com paludismo em África, é problema deles...

João Severino, Pau Para Toda a Obra

Sem intenção de desvalorizar uma séria discussão sobre o confronto entre as tecnologias de informação e a vigilância electrónica com os limites da privacidade dos indivíduos, parece-me algo exagerado o alerta hoje emitido pela Comissão Nacional de Protecção de Dados (e quem não tem direito uma bela comissão?) a propósito do Dia Europeu da Protecção de Dados que é hoje. Por mim não vejo no que possa comprometer um pacato cidadão ser casualmente captado por uma câmara de vigilância num local em que tal se justifique como medida de prevenção ao crime. Também não reconheço que os dispositivos de pagamento electrónico de portagens e parques de estacionamento constituam por si qualquer perigo para o condutor: ele terá sempre a opção de utilizar dinheiro vivo, que como é sabido não deixa rasto, ou até pode escolher circular por estradas secundárias. A mesma regra se aplica aos cartões Multibanco ou de Crédito: no fundo quem se sentir ameaçado pelos estratos mensais na sua caixa do correio tem sempre a opção de fazer compras com dinheiro. De resto quando abro a minha página da Amazon anoto com agrado que eles, graças a uma bem gerida base de dados, apresentam uma “montra” à minha medida e sabem do que eu gosto, o que por vezes me poupa uns bons minutos de pesquisa. Sobre a tão propalada questão dos scanners dos aeroportos: garantida a inexistência de significativos riscos para a saúde, acredito que eles constituem uma solução eficaz para um embarque mais cómodo e escorreito e um voo sem desagradáveis surpresas que pudessem ter sido evitadas. Presumo que aqueles que reclamam constituir esta tecnologia "uma inadmissível invasão da privacidade do passageiro" devem viajar pouco ou nunca. Certamente nunca passaram o vexame de ser apalpados e despidos, percorrer intermináveis bichas com os sapatos, cintos e malas abertas na mão, seja em Londres, Frankfurt ou Lisboa. A mim, com este ar de terrorista façanhudo que me caracteriza, aconteceu-me já mais do que uma vez em Londres ser conduzido nesses preparos indignos para um gabinete fechado para assistir impotente a uma minuciosa análise do meu computador. Enfim, deixemo-nos de falsos puritanismos e venha de lá o bendito scanner que eu trabalho no alto duma torre das Amoreiras e vejo os aviões ameaçadores a cada minuto de frente para a minha janela. Finalmente, este parece-me mais um daqueles temas fracturantes, cuja infindável e aborrecida discussão será facilmente ultrapassada e resolvida pelos factos que como sempre superam os argumentos... com bom senso.

João Távora, Corta-Fitas

Durante muitos anos - demasiados anos - a História renegou as biografias e a ordenação cronológica. Influenciada por certas modas ideológicas, interessava-se sobretudo por estatísticas de produção, dados demográficos, grandes "estruturas" sociais e a "luta de classes" como "motor" dos acontecimentos. Felizmente, como sucede a todas as modas, também esta se foi esgotando. O papel do indivíduo foi revalorizado, o encadeamento dos factos na sua perspectiva cronológica voltou a ganhar importância e o modo de escrever recuperou um estilo narrativo que parecia condenado ao desuso. Qualquer escaparate de livraria volta hoje a dar relevância à biografia como insubstituível género literário. As memórias, os diários de personalidades célebres e os testemunhos na primeira pessoa do singular recuperaram leitores fiéis. Vem isto a propósito de alguns dos mais notáveis lançamentos editoriais de 2009 em Portugal que continuam a ter repercussão no ano em curso. Livros como a monumental biografia de Hitler (Dom Quixote), lançada na sua versão abreviada (mas, ainda assim, gigantesca) do historiador britânico Ian Kershaw. Beneficiando da abertura de arquivos e do acesso a fontes documentais inéditas como o diário de Joseph Goebbels, o delfim de Hitler, Kershaw descreve-nos com minúcia a ascensão ao poder do fundador do III Reich, do seu percurso errante de boémio em Viena, quando ganhava o sustento vendendo medíocres aguarelas a clientes judeus, até se tornar dirigente máximo da Alemanha, submetendo sucessivas nações europeias à sua imparável sede de poder e transformando uma das mais requintadas civilizações mundiais num gigantesco cenário de terror. Outra obra indispensável agora ao dispor dos leitores portugueses é A II Guerra Mundial (Dom Quixote), impressionante descrição - passo a passo, batalha a batalha - dos seis anos mais mortíferos da história da humanidade, redigida pelo britânico Martin Gilbert, que já se distinguira como o melhor biógrafo de Winston Churchill. Destaque ainda para Uma Breve História do Século XX (Livros d' Hoje), do australiano Geoffrey Blainey, que nos chegou com o rótulo de "best seller internacional" - neste caso bem merecido: aqui se condensam de forma exemplar, em cerca de 500 páginas, os principais acontecimentos do século passado, mencionando factos políticos mas também as ideologias em conflito, as grandes descobertas científicas e todo o cortejo de prodigiosas inovações técnicas. A História está viva - e recomenda-se. É uma excelente notícia para os leitores do século XXI.

Pedro Correia, Delito de Opinião

A notícia de que JP2 se autoflagelava não surpreende quem conhece os hábitos do Opus Dei e a concepção do deus cruel do Antigo Testamento que se baba de gozo quando os crentes se mortificam. Não se conhecem os pecados de JP2, um papa supersticioso que acreditava em deus, e que, certamente, julgava redimi-los com a dor física e actos cruéis sobre si próprio. O papa polaco escreveu, em 1986, na sua carta anual aos padres.: «O que temos de ver nestas formas de penitência – às quais, infelizmente os nossos tempos não estão habituados – são os motivos: amor a Deus e a conversão dos pecadores». Que haja um deus que se suborne com o sofrimento para converter aqueles que o Papa considera pecadores, diz bem da impiedosa imaginação dos homens da Idade do Bronze, que criaram o deus abraâmico à sua imagem e semelhança. Que um papa, por mais primário e supersticioso que fosse, acreditasse no método e em tal deus, só revela o primarismo da fé no ambiente rural e crédulo da Polónia da sua infância. O hábito de dormir nu, no chão, é outro acto de masoquismo de quem pensava que deus existia e o veria na ridícula postura e impudica exibição. E o facto de desfazer a cama para enganar quem tinha a tarefa de a voltar a fazer é de quem não hesita em iludir para agradar ao seu deus. A deriva retrógrada do Vaticano, em acelerado regresso ao concílio de Trento, vê-se, não só no exemplo pouco recomendável de Karol Wojtyla, mas na divulgação dos actos ridículos no livro da autoria de monsenhor Slawomir Oder intitulado «Porque ele é um santo, o verdadeiro João Paulo II». Aquele santo, João Paulo II, precisava de companhia que lhe aquecesse os pés, não de um martírio que o conduzisse ao delírio místico de dormir nu, no chão. Necessitou de quem o tivesse levado ao médico para o medicar e evitado que se autoflagelasse. Enfim, que a demência seja equiparada à santidade, para efeitos de canonização, é um direito de quem tem alvará para fabricar santos, mas não pode esperar de um deus que se regozija com as figuras tristes de quem acredita nele, que convença alguém a levá-lo a sério. O deus cruel, vingativo, violento e xenófobo do Antigo testamento continua vivo na demência mística de quem julga representá-lo e a ser apontado como exemplo de infinita bondade.

Carlos Esperança, Diário Ateísta

Um ano depois da entronização do novo Salvador da esquerda mundial, do Messias que vinha salvar o Terra e trazer a paz e a "change", do ídolo que fazia babar jornalistas e políticos, incluindo Mário Soares, o mundo não parece ter mudado por aí além e os crentes começam a esmorecer na devoção. Ontem Barack Obama, o Escolhido, foi ao Congresso americano dar conta das razões pelas quais não se concretizaram os milagres e as maravilhas prometidas. E o que se conclui é que não alcançou praticamente nada do que prometeu nos arrebatamentos de uma retórica inflamada e propulsada a teleponto. Tendo-lhe caído em cima a marreta do mundo real, tentou sacudir a água do capote, culpar os adversários e prometer mais milagres. Em síntese, o que todos fazem, desde José Eduardo dos Santos a José Sócrates, passando por Mugabe, Chavez , etc. Nem nas tácticas se lobriga qualquer "change". O ano foi mau para Obama e não parecem vir aí melhores dias. Lá para o fim do ano há legislativas parciais e o risco de perder a maioria é real. Infelizmente são os americanos que votam e estes, contrariamente à embasbacada esquerda europeia, insistem em não divinizar o Chosen One. (Como toda a gente sabe, "os americanos são estúpidos", axioma que faz parte das tábuas da lei do verdadeiro esquerdista.)
As reformas emblemáticas que prometeu, atolaram-se na sua hubris. Guantanano continua aberta (e bem, na minha opinião), o terrorismo voltou a assomar a cabeça no heartland americano, a economia não descola, os déficites são os maiores de sempre, o clima arrefece em vez de aquecer, e o Afeganistão não vai acabar bem, sobretudo agora que Obama explicou aos talibans que só têm de aguentar até uma data precisa. Aqueles que ele pensava serem inimigos do Bush, mostram que, afinal, são, como sempre foram, inimigos da América e das ideias em que assenta, e estão-se nas tintas para os seus gestos amigáveis, pedidos de desculpa e ridículos salamaleques. O Irão continua imperturbável, Chavez idem, a Coreia do Norte some e segue, Cuba coça os tomates, a Rússia vai recuperando a sua zona de influência, etc. Pensava apaziguar os inimigos do Bush, criticando os amigos, e apenas conseguiu perder aliados. Israel não confia em Obama, a Polónia e a Republica Checa foram tratadas como peões, as Honduras deixadas sozinhas perante Chavez e sus muchachos locos. As suas invectivas contra os "políticos de Washington" são populistas e patéticas, como se ele não fosse politico e não estivesse em Washington. O inaudito ataque contra o Supremo Tribunal fez estremecer até às fundações o edifício do poder, sobretudo porque foi exactamente ele, Obama, quem, nas eleições que ganhou, encaixou e gastou uma quantia inédita na história eleitoral americana, por ter renunciado a manter-se nos limites do financiamento federal. O caminho de Obama está a afunilar e aproxima-se um momento em que, ou se modera, assume o realismo e tenta ser politico, ou foge para a frente, veste-se outra vez de pregador e corre na perseguição da utopia. Se for por aqui, o que resta do seu mandato vai ser penoso. Para ele, para a América e para aqueles que entendem que a América é importante no mundo.


O-Lidador, Fiel Inimigo

Agora que o governo aprovou o casamento homossexual, no IRS já posso optar ou contínuo a ser o sujeito passivo?

João Moreira de Sá, Arcebispo de Cantuária

Bruno Alves tem um "feeling"


Bruno Alves tem um "feeling", que é o mesmo do BES: este ano em África vai ser o ano da nossa selecção. Não sei porquê, mas não estou assim tão optimista...

Egipto "massacra" Argélia


O jogo das meias-finais do CAN 2010 entre o Egipto e a Argélia aguardava-se com expectativa, uma vez que o último jogo em que se encontraram foi bastante "quente". Na altura com a vitória dos argelinos por uma bola a zero, o que lhes valeu na altura a qualificação para a fase final do mundial do próximo Verão, na África do Sul.Com o governo angolano a restringir os vistos a adeptos argelinos de modo a evitar cenas semelhantes ao que aconteceu no Sudão, foram os jogadores magrebinos que substituíram os adeptos e distrubuíram um arraial de porrada dentro do campo. Nada lhes valeu, uma vez que o Egipto - de longe a melhor selecção africana - "deu" chapa 4, e qualificou-se para a final de Domingo. A Argélia terminou reduzida a oito jogadores.

No outro jogo da noite, o Gana derrotou a Nigéria por uma bola a zero. Os ganeses chegam à final de Domingo sem impressionar; os ganeses iniciaram o torneio no atribulado Grupo B, o de Cabinda, com uma derrota frente à Costa do Marfim por três bolas a uma, venceu a frágil Burkina Faso (dos burquinabés) por uma bola a zero, e contra Angola e Nigéria a mesma estratégia: marcar cedo e estragar o espectáculo. Fica pelo caminho a Nigéria, que derrotou a Zâmbia nas grandes penalidades, o que deixa na boca um sabor a injustiça, visto que os zambianos apresentaram, juntamente com o Egipto, o melhor futebol do torneio. Gyan foi o herói do Gana, ao marcar os golos decisivos dos jogos dos quartos e das meias-finais.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A intifada da Rua Central



1) Fiquei sem perceber muito bem o desenlace do caso do ex-agente da Polícia Judiciária (PJ) que chamou a imprensa e ameaçou imolar-se pelo fogo em frente à sede daquela instituição pública de combate ao crime, na Rua Central. Fiquei abismado com a "coragem" do indivíduo que se inspirou em Thich Quang Duc para fazer activismo, e depois pelo seu currículo: entre 1999 e 2004, tempo que trabalhou na PJ, teve 10 (dez) processos disciplinares. O director da PJ veio hoje a terreno explicar melhor a situação, deixando-nos saber que o ex-agente respondeu por faltas gravíssimas como desobediência a superiores e agressão a um cidadão. Quer dizer, quantas faltas disciplinares são necessárias para que se demita um funcionário público? Pensava que uma já chegava para pelo menos uma suspensão, demérito ou qualquer coisa assim. A PJ garante que sempre foi tolerante com o ex-agente (e foram mesmo), que sempre o trataram bem, e que ele sofre de uma "doença", mas não revelaram qual. É mais complicado tentar perceber foi como poderam deixar o combate ao crime nas mãos deste indivíduo durante cinco anos.

2) Ainda a propósito, fico incomodado com sugestões de que este ou aquele indivíduo é louco, e requer tratamento psiquiátrico. Já diz o velho provérbio, "de poeta e de louco temos todos um pouco", e se há alguém que se pode orgulhar de nunca ter "perdido a cabeça" é porque provavelmente nunca foi submetido a uma situação de pressão intensa. Eu não sei quantas vezes já me passou pela cabeça partir uma janela com uma cadeira, ou atirar a mesa da cozinha pela varanda, ou uma bilha de gás para o ecrã plasma. Quantas vezes já não tive a curiosidade de saber o que aconteceria se deixasse as latas de Shelltox no micro-ondas alguns minutos? Enfim, todos temos um dia ou outro em que só faltou mesmo uma gota. Além disso, parece um pouco infantilóide chamar as pessoas de "malucas" só porque às vezes não se concorda com um ponto de vista. Deixem-se lá de ideias de hospícios, e manicómios, e psiquiatras e coisa e tal. Já não temos uma prisão, e parece que até vão construir outra? Remédio santo.

Pimba! no polícia



Amina Boukhari, de 34 anos, filha do juíz Kemal Boukhari, foi detida na madrugada de ontem em Hong Kong por conduzir embriagada, recusou-se a fazer o teste do balão e ainda agrediu um polícia. Foi uma noite de 26 de Janeiro atribulada para a menina do papá, que primeiro bateu num autocarro de frente, desobedeceu às autoridades e ainda se comportou como se fosse alguma intocável acima da lei. Já em Dezembro de 2008 esta espécie de socialite da treta tinha sido multada por ter agredido um taxista e uma mulher polícia. E tudo isto com muito boa idade para ter juizinho...

El puerco viagra


Cristina Fernandez, presidente da Argentina, sugeriu que a carne de porco "é melhor que viagra" para o desempenho sexual. A presidente chegou a esta conclusão depois de um fim-de-semana que passou com o marido a comer "carne de porco assada". "Disseram-me que comer carne de porco faz milagres para a nossa vida sexual...eu diria que um pouco de carne de porco grelhada é melhor que viagra!", disse Cristina Fernandez a um grupo de suinicultores argentinos. A Argentina é o maior consumidor per capita de carne bovina, mas o governo quer promover o suíno como alternativa devido à subida do preço do bife, como forma de diversificar a indústria de transformação de carne do país. Estes políticos são tão mentirosos. Pelo menos ficámos a saber que esta presidente não anda carente.

Morreu Zelda Rubinstein


Faleceu a actriz Zelda Rubinstein, conhecida pelo seu desempenho nos filmes "Poltergeist" e a série "Picket Fences". Com apenas 1,30 metros de altura, Rubinstein foi activista pelo direito dos mais pequeninos (bem, os anões como ela) e na luta contra o HIV/SIDA (estranha relação). Tinha 76 anos. Stay away from the light, Carol Anne!

Vai ser tão bom não foi?


Este vídeo já tem uns dois anos, mas é engraçado na mesma. Nele assistimos à natureza no seu melhor, com um simpático gatinho a "brincar" com um colehinho, que depois leva as coisas muito a sério. Vide o vídeo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Macau é a praia


Em 18 anos de Macau, penso ter conhecido umas dez mil pessoas. A sério. Uma média de 555 por ano, e penso que não é exagero. Quando no outro dia estava a pensar com que meninas que conheço gostaria de rebolar no palheiro (se não fosse casado, entenda-se), e dei comigo a concluir: porra, que conheço tanta gente.

Há pessoas que entram e saem na nossa vida, como a mulher da padaria, o dono da mercearia da esquina, enfim, os vizinhos do prédio, que quando mudamos de casa nunca mais voltamos a ver, pelo menos com frequência. Depois há que contar com os amigos da família chinesa, com quem normalmente não conseguimos comunicar ou às vezes sequer reconhecer, e mandamos assim um adeuzinho seco na rua.

Mas o que eu queria falar era dos maravilhosos amigos que deixei aqui em terras do Oriente. Amigos portugueses, africanos e outros kwai-lous e afins. Digamos que há gajos e gajas que conheci, bebemos um copo, trocámos de e-mail mas nunca escrevemos. Esses são sempre “pessoas interessantes”, mas por algum motivo não são assim tão acessíveis.

Depois há as pessoas que conhecemos em festas de aniversário, os pais dos colegas dos filhos, enfim, uma espécie de pesadelo assim como o “Lost”, quando um grupo de pessoas é obrigado a conviver e ser simpáticos com indivíduos que não conhece de lado nenhum.

O pior mesmo é sermos obrigados a ser amigos dos amigos do nosso melhor amigo. Para isto uso a doutrina de um amigo meu que diz: “Eu por gostar de si não significa que vá gostar dos seus pais, dos seus irmãos ou do seu cônjuge”. Doutas palavras. Já agora acrescento: “Lá por ser amigo do cão, não quer dizer que vá ser amigo do dono”.

Tenho amigos que têm outros amigos que me chegam a dar nauseas. Quando converso com eles sobre isso, dizem-me que “não pá, o Chico Catotas é um gajo porreiro”. Mesmo que seja um indivíduo assim com um ar senil e doente, conseguem sempre encontrar um “coração puro e bom”.

As pessoas que considero realmente meus amigos têm de obedecer a um parâmetro simples: têm que estar em Macau, e tenho que conhecê-los pelo menos há cinco anos consecutivos. Há alguns que conheci e regressaram depois a Portugal que eram muito amigos, mas contudo a nossa amizade perdeu-se na distância e no facto de, afinal, temos que continuar com as nossas vidas. Não adianta chorar sobre os amigos derramados.

Mas o que realmente me irrita são aqueles “amigos” que chegam aí e são amiguinhos de toda a gente até poder começar a escolher. Para mim a escolha faz-se por sentido animal; tenho o dom de detectar pessoas de que gosto e de que não gosto pelo faro.

Aí entram os três preceitos para não ser meu amigo: alcoolicos, drogados, pessoas que falam alto ou caçadores de pito filipino/indonésio. Não por racismo ou algo assim, mas digamos que é um preceito moral derivado de um certo trauma colonialista, que espero que respeitem.

Mas os piores de todos são os que só nos conhecem em ambiente neutro, e nem se apercebem se estamos ali a ter um ataque de tosse se estiverem com “gente importante como eles”. Esses penso que todos sabemos quem são, e temos uma história ou outra assim parecida.

Em todo o caso, penso que me posso orgulhar de ter alguns amigos com quem ainda troco correspondência e telefono, e entramos num tom reminiscente falando das loucas aventuras vividas neste pequeno enclave. Macau não parece assim tanto como o “Lost”, mas mais como o “The Beach”, o tal filme sobre aquela praia encantadora.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Optimistas, pessimistas, e os outros


Faltam apenas três semanas para o novo ano do Tigre, e chega a altura de fazer um pequeno balanço daquilo que tem sido os primeiros momentos dos "novos tempos" que chegaram no dia 20 de Dezembro de 2009 - RAEM, part deux. Podemos dizer com segurança que nos aspectos mais importantes estamos divididos. Por um lado tempos os amargados pessimistas, do outro os inebriados optimistas, e finalmente os realistas.

Os pessimistas dividem-se em dois tipos: os acomodados e os rebeldes. Os acomodados ralham com tudo e com todos se a vida lhes corre mal, culpa o sistema e só desabafa em inquéritos de politologia vindos da Universidade de Macau. O rebelde, espécie rara, organiza manifs, entrega cartas, escreve para os jornais, fala na rádio. Os democratas incluem-se no grupo dos pessimistas-rebeldes.

Os optimistas dividem em dois grupos: os operários e os parvinhos. Os optimistas acomodados são aqueles que, no fundo, simpatizam com a manutenção do estado de coisas, do status quo. Ora porque lucram com o sistema, ora porque é-lhes fácil arranjar empregos generosos para si e para os seus. Porquê "operário"? Porque trabalha, ora. Gosta de dizer que trabalha e que dá trabalho aos outros, apesar de comduzir um BMW e viver no duplex caro enquanto aos "outros" paga-lhes 5 mil patacas por mês e ainda diz que "chega muito bem".

Os optimistas parvinhos são uma espécie que me irrita solenemente. Não interessa que em Macau aconteçam coisas menos boas, pois conseguem arranjar um sítio qualquer "lá fora" que está "muito pior". Em Macau houve um assalto? Lá fora há atentados terroristas. Em Macau há desemprego? Nada comparado com o que se passa na Espanha, por exemplo. E olhem só para a África! Doenças, fome, guerras, etc. E graças a NS Fátima que foi no Haiti e não aqui. E onde mais sem ser em Macau que vemos uma economia que bate recordes? Sabem muito bem de que tipo de gente estou a falar.

Finalmente os realistas vão vivendo como podem, não fazendo muitas ondas. Estes estão conscientes que não existe uma solução que agrade a ricos e pobres, ou a optimistas e pessimistas. É bestial que se tente mandar os trabalhadores-residentes embora, mas os locais saem mais caros e demoram mais tempo, e isso de hotéis e casinos custam uma nota cada dia que estão fechados à espera que a malte acabe o lanche ou descanse aos Domingos.

Os realistas sabem que é importante que se construa mais um hospital público, mas no capitalismo "à Macau" não se faz nada que não dê dinheiro. Um hospital não dá tanto dinheiro como um metro de superfície, mais uma ponte ou um hotel. Um hospital público é para velhos, doentes e outros inválidos, e não dá lucro a ninguém, só despesas, só chatices.

Para os realistas conceitos como espaços verdes ou qualidade de vida são estranhos na selva de cimento de Macau. É difícil resolver problemas de que se vêm tentando resolver há bastante tempo, como o trânsito, a poluição ou a diversificação da economia. Há várias semanas que não passo durante a tarde pelo Largo do Senado, tal é a confusão de gente que ali anda. Sempre que preciso de ir para aquelas bandas tenho que me enfiar por ruelas e becos para não andar aos encontrões na rua. No outro dia apanhei o autocarro e fiquei parvo com os modos e a condução do motorista.

O melhor mesmo é dar ouvidos aos optimista-parvinho, e pensar que se calhar noutro sítio aí perto de si a situação é mesmo pior. É o realismo em acção, é o desencantamento do Weber em todo o seu esplendor.

O Clone


Começou hoje na TDM a telenovela "O Clone", uma produção de 2001 da imensa TV Globo. Uma novela que lida com temas sensíveis, como a clonagem humana, adquirindo uma vertente de ficção científica. "O Clone" conta com as interpretações de Murilo Benício, Giovanna Antonelli, Reginaldo Faria, Vera Fisher, entre outros. O primeiro episódio terminou mesmo agora e não foi nada mau. Mesmo excelente é o tema de abertura, entregue ao inconfundível Ney Matogrosso.

O alentejano esperto


Miguel Valente, de apenas 14 anos, residente em Moura, desde 2007, arrecadou o 3º prémio, na categoria júnior, do Golden Key Music Festival of Vienna, um concurso internacional de composição. Miguel é aluno do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, secção de Moura, há cerca de um ano. A música com a qual concorreu chama-se “Music 3 Second Season” e tem uma duração de apenas 35 segundos. Miguel contou à Rádio Planície que o gosto pela música surgiu no 5º ano de escolaridade, com o início das aulas de música e que a partir do 6º ano foi quando começou a compor. O jovem explicou ainda que a inspiração vai buscá-la aos mais variados sítios e, uma vez que ouve muita música, aproveita também essas sonoridades para inspirar-se. No futuro Miguel garante “…vou continuar a compor e ver se tenho outras oportunidades…”. José Souza é o professor que tem acompanhado Miguel durante este primeiro ano lectivo no Conservatório e que o ajudou a desenvolver a sua capacidade de composição. O docente considera importante que Miguel tenha concorrido a este concurso e que o tenha feito, não necessariamente para ganhar, mas para ver até onde poderia chegar. No próximo mês de Julho Miguel pretende ir até Viena de Áustria, cidade onde irá decorrer um festival de música e no qual será apresentada a melodia composta por este aluno de apenas 14 anos e que lhe valeu o 3º prémio, na categoria júnior, do Golden Key Music Festival of Vienna. A família de Miguel está nesta altura à procura de apoios para que seja possível a sua deslocação até Viena, onde além de poder ver a apresentação da sua música, terá a oportunidade de, durante uma semana, frequentar diversas formações musicais.

In Rádio Planície

De Osama para Obama


Já fazia tempo que no deixava aqui uma charge do Fernando Maurício, do Charges Brasil. Nada como uma hilariante conversa entre Osama bin Laden e Barack Obama para abrir as hostilidades.

Dupla caridade


O Benfica All-Stars e os Amigos de Ronaldo e Zidane juntaram-se para um jogo de beneficência no Estádio da Luz ontem à noite, com as receitas a reverterem para as vítimas do terramoto de 12 de Janeiro no Haiti. Como sempre nestas coisas, "o resultado é o menos importante", mas já agora, foi 3-3. Nuno Gomes encontrou finalmente um jogo onde marcar dois golos. Impressionado, professor Queiroz?

Egipto e Nigéria nas "meias"


O Egipto mostrou porque é o principal favorito à vitória no CAN 2010, e à conquista do terceiro campeonato continental consecutivo. Os "faraós" bateram os Camarões por três bolas a uma, depois de prolongamento. Os camaroneses marcaram primeiro, mas os egípcios deram a volta oa marcador, como já o tinham feito contra a Nigéria. O terceiro golo foi bastante polémico, com a bola a bater na trave e a não ultrapassar completamente a linha de golo, após um livre de Ahmed Hassan. A Nigéria - que tem mostrado muito pouco futebol para as suas credenciais - derrotou a sensacional Zâmbia, mas só na marcação de pontapés da marca de grande penalidade. O zambianos deixam saudades, pois apresentaram um futebol vistoso, atractivo, tipicamente africano. Nas meias-finais encontram-se Gana-Nigéria e Egipto-Argélia, uma reedição do escaldante jogo de apuramento para o mundial de 2010, que como se sabe foi vencido pelos argelinos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

É só "côltura"


Fui há uns anos a uma espécie de concurso de dicção de inglês subordinada ao tema "My Macao", em que estudantes das escolas secundárias e universidades do território preparavam e recitavam um texto completamente em inglês sobre o que pensavam de Macau.

A prima da minha mulher conseguiu um honroso 5º lugar, de um total de dez finalistas apurados por dois processos de selecção. A iniciativa foi do Instituto Politécnico, que assim agradou ao pessoal anglófono do território, e o seu esforço visto à sua imposição como segunda língua.

Deverão existir em Macau muitos milhares de jovens entre os 20 e os 35 anos que falam bem inglês, graças ao esforço das instituições de ensino secundárias como o Colégio Santa Rosa de Lima, o Sacred Heart ou o Yuet Wah. Se não fosse pela heróica iniciativa destas nobres instituições de ensino, não era possível comunicar com as pessoas de Macau numa língua inteligível sem aprender o chinês.

Isto porque à espera de instituições de ensino portuguesas para agarrar o interesse dos jovens chineses, podemos esperar sentados. Lá agarrar, agarram, mas ideias como abrir um concurso público de dicção de português com prémios aliciantes, ou bolsas de estudo, raramente ou nunca aparecem.

Mesmo a Alliançe Française, não muito longe aqui de casa, tem conseguido cativar mais o interesse pela língua e cultura francesas do que o IPOR pela língua e culturas portuguesas - isto pesando o facto da França não ter estado quatro séculos no território.

É que enquanto continuarem a surgir rumores de desinvestimento, nomeações e politiquices, ou dúvidas sobre a importância da língua e cultura portuguesas no território, nunca arrancamos para mais este glorioso empreendimento ultramarino. Enquanto isso, vamos começando a parecer peças de museu.

PS: Já viram que naquelas bandeirinhas e puzzles da Lusofonia, nunca aparece Macau? Porque será...

O louco


O louco já tinha fechado o canal de televisão porque falavam mal dele. Depois mudaram para o cabo, e o louco agora voltou a fechá-los porque não aceitaram ser obrigados a transmitir os discursos do louco. O louco está cada vez mais louco.

Notas sobre o CAN


Fico bastante contente com a cobertura da TDM à CAN 2010, realizada este ano pela primeira vez num país irmão, Angola. Os comentadores são bestiais, e brindam-nos com informações tão úteis como seja o facto do nº 13 do Benim, Pascal Angan, jogar no Wydad Casablanca, de Marrocos. Ficamos ainda a saber que os jogadores do Burkina Faso são "burkinabés", e quem ainda não sabia ficou a saber, dada a quantidade de vezes que a palavra "burkinabé" era repetida. Ficámos ainda a saber que existe um país chamado "Algéria", que é ali algures entre a inglesa Algeria e a portuguesa Argélia. O mais surpreendente foi saber que os jogadores egípcios têm "vários deuses", e que rezam para eles quando marcam golo. E tudo isto vindo de pessoas que são normalmente jornalistas. De resto, temos visto uns lindos jogos. Ou não?

Angola triste


Angola já não é nossa. Nem da CAN 2010, que organizou este ano e tinha grandes expectativas de fazer história, no dia em que faleceu o pai do treinador dos palancas, Manuel José. O Gana estragou a festa, num golo aos 15 minutos, a autoria de Gyan. Angola perdeu vária oportunidades, mas não chegou para o experiente Gana, que é preciso não esquecer, qualificou-se para o mundial. A Costa do Marfim também disse adeus à prova, ao perder com a matreira Argélia por 2-3, após prolongamento. Hoje conhecem-se os outros dois semi-finalistas, com o Egipto-Camarões, e o Zâmbia-Nigéria.

Mourinho no supermercado


O Harry Potter de Setúbal, esse Sherlock Holmes do futebol, já nem dormia descansado com a perspectiva de bater no rabo dos rivais da mesma circular milanesa. O Inter venceu o AC Milão por duas bolas a zero, e Mourinho tem mais um campeonato italiano no saco. Já dizia o ilustre Alex Ferguson: "títulos de supermercado".

O nosso bebé chorou


Cristiano Ronaldo, o homem das cuecas e das pernas seguradas por 144 milhões de dólares, esteve em grande destaque na jornada de ontem da Liga espanhola, ao apontar os dois golos do Real Madrid na vitória frente ao Málaga. O feito deixou um sabor amargo na boca do CR9, uma vez que foi expulso com um cartão vermelho directo aos 70 minutos por agressão a um adversário, mas diz-se "inocente". O rapaz-maravilha da Madeira leva já nove golos apontados no campeonato espanhol, e logo na sua época de estreia, em que já esteve grande parte lesionado. No Sábado o barcelona foi a Valladolid vencer por três golos sem resposta, o que deixa os catalães isolados no topo da Liga com cinco pontos de vantagem sobre os merengues, agora que finalizou a primeira volta.

Grandes e Académica nas meias da Liga


Benfica, Sporting, FC Porto e Académica so os semi-finalistas da Taça da Liga, a competição mais insalubre do futebol português. Ontem o Sporting venceu na Trofa o Trofense por uma bola a zero, com o único golo da partida a ser apontado por Liedson, recuperado de um combate de pugilismo com Sá Pinto. O Porto foi ao Estoril e venceu a equipa da casa por 2-0, enquanto o Benfica voltava a vencer no Estádio dos Arcos, em Vila do Conde, por duas bolas a uma. A Académica foi a Matosinhos bater o Leixões por uma bola a zero, e marcou uma presença inédita nas meias-finais da prova.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Os caras de morango


Mais um Domingo em família (mas que carga de água), mais discussões entre os miúdos e os primos. A miúda é bem mais fácil de se relacionar, porque do que falam as meninas? Aí está, parvoíces. Já com os pequenotes do sexo masculino existe algum tipo de rivalidade, salutar mas mesmo assim rivalidade, em termos de honra, hábitos e toda essa confusão derivada do tal convívio entre as culturas europeia e oriental, e tudo isso que torna Macau tão fascinante, mas chega de chavões, que o dia foi mesmo longo e cansativo.

O meu filho tem um primo que está a passar pela adolescência, e como tal sofre de um ligeiro problema de acne – para ser simpático. Acontece que como são tantos os primos, as primas, os tios e as tias, refiro-me ao bom do Weng como “cara de morango”, ou “strawberry face”, no seu título original. O raio do miúdo, hoje durante uma discussão qualquer sobre as virtudes de Pitágoras sobre Confúcio, ou qualquer coisa assim, chamou ao tal primo “strawberry face”, e isto sem me pagar direitos de autor.

A situação foi bastante desagradável, uma vez que o cara amorangada em questão está naquela fase problemática (bem, são todas...) dos 15/16 anos, da afirmação, e não sei que mais. E o Weng, coitado, nem pode fazer a barba. É deprimente ter 16 anos e não poder falar de after-shaves com os amigos. Daí que passamos a grande chavascal em cantonense, gritaria, gente histérica e todas essas parangonas da interculturalidade.

Levo o miúdo mais cedo para casa, depois de pedidos de desculpa daqueles à moda do samurai, para lavar a honra, e pelo caminho dou-lhe mais uma lição de vida. Começo por explicar que dizer a verdade e ser sincero são coisas positivas, mas por vezes não se deve dizer a verdade ou ser sincero porque isso pode “magoar alguém”. Enfim, estava a ensiná-lo a ser mentiroso e hipócrita como todos fazemos, e já os nossos pais o fizeram.

Daí que ele retorque: “mas porque podes tu?”. Então explico-lhe que como adulto do sexo masculino, entre 30 e 50 anos, toda a gente ouve o que tenho para dizer, e tenho o poder, não, o dever, de mandar umas bocas foleiras de vez em quando para lembrar ao mundo que ninguém é perfeito. Já ele, por exemplo, tem oito anos, é pior que subsídio-dependente, e enfim, o seu papel é ganhar no futuro próximo um lugar na sociedade e aí sim, é avaliado pelo que diz. É o tal cinismo, esse ingrediente essencial às relações inter-pessoais.

Isto no futuro pode sofrer desvios, e todos nós sabemos que podem ser trágicos, ou nem por isso. Há chavalitos e chavalitas que querem chamar a atenção durante a adolescência fazendo disparates como roubar, maltratar animais, consumir estupefacientes ou engravidar. Depois há os outros que se portam bem, entram para os escuteiros e ajudam os primeiros (toxicodependentes, mães solteiras, presidiários juvenis) juntando-se a associações de beneficência que depois dejectam em cima quando arranjam um emprego a sério.

Em todo o caso é sempre necessário guiar os mais pequenos no caminho do bem, para que não tenham dúvidas sobre o certo e o errado, e para que consigam crescer uns grandes hipócritas e mentirosos que encaixem perfeitamente nesta maravilhosa engrenagem da vida.

O poker de Rooney


Wayne Rooney esteve em grande destaque no único jogo da Premier League inglesa realizado ontem. O avançado inglês marcou os quatro golos da goleada do Manchester United frente ao Hull City, e leva já 19 golos na principal liga do campeonato inglês. Com esta vitória o ManU lidera à condição, com mais dois pontos que Chelsea e Arsenal, e mais um jogo realizado.

Entretanto realizou-se mais uma eliminatória da Taça de Inglaterra, com o Chelsea a vencer no reduto do Preston North End por das bolas a zero. Nos únicos jogos realizado entre equipas da Premier, o Birmingham foi vencer o Everton a Liverpool por duas bolas a uma, e pelo mesmo resultado o Portsmouth vencia o Sunderland. O Tottenham não foi além de um empate a duas bolas em White Hart Lane, frente ao Leeds United, carrascos do ManU. O Reading, que já tinha afastado o Liverpool, voltou a ser "tomba-gigantes", ao derrotar o Burnley por uma bola a zero.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Leituras


- No Hoje Macau, Pinto Fernandes volta a inspirar-se em mais algumas tropelias da vida do território, em Macau está bem e recomenda-se.

- Também no HM, Carlos Picassinos fala da democratização caracolenta de Macau, e cunha o célebre termo "esta-secagandismo", em Os escrivães do sistema.

- No JTM Luís Machado fala do sr. Monteiro, em O Sr. Monteiro! (A propósito, eu tenho o livro de poemas do senhor).

- Ainda no JTM não perca a entrevista com Yao Jing Ming, poeta chinês a trabalhar a alguns anos na UMAC.

- No Ponto Final, saiba que Macau está preparada para resistir a sismos. Um trabalho da jornalista Maria Caetano.

- E o Hóquei em Patins? E o Rugby? é o que pergunta José Miguel Encarnação d'O Clarim, o jornal da Igreja Católica de Macau. E ficamos sempre sem resposta.

Bom fim-de-semana!

Os blogues dos outros


Confesso sentir alguma curiosidade sobre o funcionamento dos blogues de autoria colectiva. Sei que só consigo trabalhar em hierarquia - saber quem manda e a quem devo reportar, saber quem são os meus iguais e saber quem de mim depende - pelo que os colectivismos me apavoram e enchem de inibições. Eu decerto ficaria de fora numa estrutura desse tipo, pois não tomaria a iniciativa de "postar" em cima de um texto mais elaborado, produto de horas de reflexão e escrita, como ficaria revoltado se, cinco minutos após colocar um texto, alguém o cobrisse com uma coisa retirada do Youtube ou uma anódina fotografia de bolinhos, ramos de flores ou o Rato Mickey. Nunca me adaptei a estruturas informais e multicéfalas; daí a minha curiosidade.

Miguel Castelo-Branco, Combustões

Estou no facebook há pouco tempo: desde Maio de 2009. E, ao contrário do que insistentemente apregoa MST, aquilo até é coisa gira (se exceptuarmos aqueles que nos encontram sem que nós queiramos ser por eles encontrados). De há uns tempos a esta parte, venho reparando que muitas mulheres nessa rede social começam o dia escrevendo o nome de uma cor no seu perfil. A coisa repete-se todos os dias: ora azul, ora vermelho, outras vezes preto. Para quem, como eu, andava curioso sobre tal prática secreta e transversal a muitas mulheres no facebook, estou em condições de avançar que a cor corresponde ao tom do soutien que tais moçoilas envergam nesse mesmo dia. Humm, há quem diga que tal prática acicata a libido e os pensamentos pecaminosos; outros há que pensam que isto tem qualquer coisa de pateta e infantil; há ainda quem pense que isto é apenas um sinal dos tempos, uma forma electrónica de galderiar. Pela minha parte, acho que tal prática é coisa de continuar. E mais: se fosse possível, podiam também avançar com infomação sobre textura, tamanho e tecido. Assim, ao invés de fazer como o gajo da televisão que oferecia flores, pode ser que daqui em diante os desconhecidos (que já não vão atrás do impulse) passem a oferecer soutiens. É mais directo e evita tempo perdido com essa coisa tão antiquada - e tão pouco tecnológica - que dá pelo nome de sedução.

VICI, MACA(U)quices

Se a crise na justiça pudesse ser mensurável como são as consequências da crise financeira chegaríamos à conclusão que nesse capítulo a nossa situação estaria próxima da do Haiti, mesmo sem nenhum terramoto. No Haiti não há justiça porque não há estado, em Portugal era melhor que não houvesse justiça pois é quase uma anedota chamar justiça a essa coisa que só serve para destruir cidadãos e enriquecer magistrados. A escutas telefónicas é um instrumento de investigação de excepção pelo que representa em termos de violação de direitos de cidadania, a sua autorização deve ser cuidada e a utilização do resultado deve estar sujeito a um controlo rigoroso. Quando as escutas a Pinto da Costa (um dia destes serão as conversas entre Sócrates e Vara ou quaisquer outras escutas) são colocadas no Youtube só podemos chegar à conclusão que a justiça portuguesa é um mundo de canalhas sem princípios e sem o mínimo de valores para que possam exercer o poder que têm. A Pinto Monteiro só restam duas alternativas: ou toma uma posição firme contra o lodaçal que o rodeia ou apresenta o pedido de demissão.

Jumento, O Jumento

Apenas uma nota no futebolês para constatar as cenas lamentáveis para o lado de Alvalade, sinal que a equipa ainda não se tranquilizou, mas Eduardo Bettencourt esteve bem. Marginalmente correm na Internet os registos do Apito Dourado. Independentemente do formalismo da captação das conversas, o que ali se diz (e os ouvidos não mentem) revelam uma prática costumeira que viola toda a verdade desportiva. Não sei o que é o Secretário dos Desportos precisa para mandar instaurar um inquérito a estas práticas de acerto de resultados. Nada o impede e não me venham com o Segredo da Justiça; trata-se de verificar a existência ou não de práticas desta natureza no mundo do futebol. O Bastonário da Ordem dos Advogados já reagiu rijo; parece que o Procurador-Geral lhe mandou instaurar um processo. Não sei é porque não levantam um processo ao Procurador-Geral da República por "azelhice". Já não sei o que diga mais Compatriotas; vai triste o país, ai isso vai.

Arnaldo Gonçalves, Exílio de Andarilho

As revistas cor-de-rosa são um veneno que deviam ser abulidas do planeta. Não sei se haverá algo pior do que passar-se o tempo a tentar saber a vida íntima e as relações pessoais de cada um que passou a ser vedeta de televisão, cinema, teatro, político, escritor ou simplesmente companheira de um qualquer presidente de clube de futebol. Às publicações cor-de-rosa só interessa o casa-descasa, na cama com quem, a nova namorade de, os "palitos" da e do, a roupinha que veste ou que despe, a celulite de A ou B, a plástica da Caneças ou da Aparício, os cabelos brancos do Pedro Santana Lopes. E por falar em Santana Lopes, imaginem vocês que uma revista dessas até se deu ao desplante de noticiar nada mais falso que o veredor social-democrata ter mudado de companheira. Que teria deixado a avenida de Roma e que já estaria a viver com uma Dina de trinta e poucos anos. Deve ser uma invenção cor-de-rosa porque ainda anteontem vi Pedro Santana Lopes no café do costume junto à sua residência... só se foi buscar a mala.

João Severino, Pau Para Toda a Obra

Hugo Chávez vai agora obrigar 24 estações de televisão por cabo da Venezuela a transmitir os seus inenarráveis monólogos presidenciais. Este comportamento totalitário não surpreende. Já há uns meses o mesmo Chávez perseguiu e encerrou uma estação privada de televisão por esta ter um estilo tipo TVI… Na altura, cá na terra, Mário Soares aplaudiu o ditador dizendo que “Chávez, não fechou um canal de televisão. Apenas, no final da concessão, não lhe renovou a licença. Era um canal de uma imensa agressividade e impertinência para com o Presidente da República eleito.”
Ficamos à espera de saber se Soares opta agora por se retractar e condenar mais esta flagrante violação do direito dos venezuelanos a uma informação livre e pluralista, ou se a defesa da liberdade de expressão lhe passou a merecer o mesmo silêncio que a candidatura do seu camarada Alegre.


Rui Crull Tabosa, Corta-Fitas

Há cinco anos pedi à EMEL um dístico de estacionamento. Não tendo garagem, e não existindo estacionamento gratuito num raio de três quilómetros, sou forçado a deixar o meu carro em lugar pago. Recebi o dístico gratuitamente, por um período de três anos. O ano passado, António Costa decidiu instituir novas regras: dísticos válidos por apenas um ano e pagos: 6 euros para os cofres públicos. Pedindo por estes dias a renovação venho a descobrir que tivemos um aumento de 100% em 2010: agora, o dístico custa 12 euros. Esta situação é inaceitável. A imposição de uma taxa apenas se justifica quando o utente tem uma alternativa. É assim que sucede nas auto-estradas, por exemplo. Quem quer andar mais rápido e confortavelmente, paga por isso. Quem não quer, opta por outras vias, gratuitas. O que está aqui em causa é um abuso puro e simples, dado que não me resta alternativa senão pagar a referida taxa. O que é taxado não é o meu luxo de estacionar em lugar pago na minha rua, mas sim o facto de eu existir e ter um carro próprio, algo que, pelos vistos, a Câmara Municipal de Lisboa considera ser uma violação do bem público, de tal modo que exige uma punição oficial. Resta-me perguntar: e se, no futuro, Costa decidir aumentar o dístico para 500 euros por ano? Ou 2000? O que devo fazer? Encontrar forma de suspender o meu carro sobre a via pública? Levá-lo no elevador para a minha despensa? Ou quiçá explodir o dito veículo nos Paços do Concelho? Se calhar ainda me saía mais barato e sempre deixava a Câmara tranquila, tendo eliminado um desses bandidos que se atreve a comprar um automóvel.

José Gomes André, Delito de Opinião

A «Agência Ecclesia» noticia que o Papa Bento XVI visitou este Domingo a Sinagoga de Roma, e defendeu que «o Vaticano ajudou os judeus, muitas vezes de forma “escondida e discreta”, durante a II Guerra Mundial». E pronto: numa única e singela frase este Papa imbecil insultou a memória e vilipendiou a coragem, a honra e a dignidade de milhares de pessoas – sim, muitas delas católicas – que durante a noite nazi e o pesadelo do Holocausto ajudaram tantos e tantos judeus, se virmos bem todas elas bem conscientes de que o faziam frequentemente com o risco das suas próprias vidas. Na sua cegueira fanática de limpar a imagem de Pio XII, o Papa de Hitler, com o óbvio fito de o canonizar mal lhe arranje uma curazinha milagrosa a uma maleita qualquer, Ratzinger tem o autêntico desplante de fazer de conta que não sabe que a política oficial do Vaticano foi tudo menos ajudar os judeus. Muito pelo contrário, é perfeitamente conhecida a ajuda dada aos nazis fugitivos no final da Guerra – de Eichmann aos mais sanguinários comandantes de campos de extermínio – a quem foram concedidos passaportes diplomáticos do Vaticano que lhes possibilitaram a fuga para países da América do Sul. Não sem antes Pio XII ter tido o cuidado de celebrar uma Concordata com a Alemanha de Hitler, como sempre procurou fazer com todos os ditadores, o Vaticano ia mantendo um silêncio confrangedor tanto à «Noite de Cristal» como às atrocidades nazis que o mundo ia conhecendo com o desenrolar da Guerra. E se em 1939 o Vaticano concedeu vistos a cerca de 3.000 judeus que pretendiam fugir da Alemanha, só o fez depois de ter obtido garantias de que todos eles se tinham convertido ao catolicismo e já tinham sido convenientemente baptizados! Pois bem: Se Bento XVI sabe tudo isso muito bem, quando tem a autêntica lata de vir afirmar que «o Vaticano ajudou os judeus» isso só demonstra que este Papa não é sério e é de uma desonestidade intelectual a toda a prova. Só resta saber quem é que ainda se revê nesta tão curiosa espécie de «líder espiritual»…

Luís Grave Rodrigues, Diário Ateísta

Começa hoje um julgamento crucial para a nossa civilização. Gert Wilders, que vive rodeado de guarda-costas, que dorme em diferentes casas seguras, que é ameaçado de morte todos os dias, enfrenta, paradoxalmente, a acusação de "hate speech". Ou seja a pessoa que é de facto perseguida, é acusada de incentivar à perseguição. GW é importante porque é o mais emblemático político europeu que entendeu a natureza da ameaça que pesa sobre o nosso modo de vida e os nossos valores, sabe que a Europa balança entre os seus valores históricos e a possibilidade de vir a transformar-se num espaço islamizado e influenciado pela sharia, e decidiu agir. É importante, porque o seu partido passou de 6 para 16 % e é provável que a curto prazo se transforme no maior partido holandês, sendo possível que, como, 1º Ministro holandês, GW possa ter um papel histórico na liderança da reacção contra a ameaça que se avoluma sobre o continente. É importante porque é um libertário de direita e aquilo que defende é afinal a bandeira de Pim Fortuyn, um esquerdista, ex-comunista, homossexual, morto por um esquerdista intolerante, aliado objetivo do Islão. Gert Wilders é importante, porque é o exemplo do modo obsessivo como a aliança Islão-esquerda tenta demonizar todos aqueles que defendem ideias que não estão de acordo com a sua ortodoxia, insultando-os e adjectivando-os de "extrema-direita", "fascistas", "radicais", "islamófobos", etc. Neste julgamento, GW pode ser condenado e preso por incitamento, ele que passa a vida a fugir, justamente por temer as consequências do incitamento contra ele. É paradoxal, mas é isto que se passa na Europa. Um dirigente político, pode ser preso, por ser politicamente incorrecto e dizer livremente aquilo que pensa acerca da natureza da ameaça politica que o seu país enfrenta. Neste julgamento, ele representa todos aqueles que consideram que a sua civilização é melhor e deve ser defendida. Representa-me a mim.

O-Lidador, Fiel Inimigo

Nos outros clubes são os adversários que levam porrada nos túneis. No Sporting é entre eles e no balneário. É outra cultura. É civismo.

João Moreira de Sá, Arcebispo de Cantuária

Volta à China


PEQUIM - Um homem de Tongzhou foi condenado a dez anos de prisão depois de ter espancado a sua filha de 12 anos até à morte. O homem disse ao tribunal que bateu na filha depois desta ter roubado comida em Julho do ano passado. Atou-a a um escadote, e de seguida espancou-a com um tubo de metal. Depois de ter perdido os sentidos, a jovem foi encaminhda para o hospital pelo próprio pai, onde viria depois a falecer.

JIANGSU - Quatro pessoas foram obrigadas a pagar 56.761 yuan a uma família cujo chefe morreu a jogar cartas com o grupo o ano passado em Baoying. O homem de 63 anos teria desmaiado durante o jogo de cartas, e os restantes deixaram-no no meio da rua, onde a polícia o viria a encontrar sem vida na manhã seguinte.

ANHUI - A polícia de Xuancheng pagou 100 mil yuan em compensações e pediram desculpas a duas mulheres que foram erradamente identificadas e detidas durante oito dias. A mãe e filha foram detidas em Nanchang suspeitas de fraude, e depois libertadas sem qualquer explicação. As duas pediram uma compensação de 50 mil yuan cada.

HENAN - Um carro de polícia sem matrícula atropelou um estudante de uma escola primária em Zhoukou. Os polícias, que não estavm fardados e segundo algumas testemunhas cheiravam a alcool, tentaram abalroar o autocarro escolar de forma a garantir o estacionamento em frente à escola. A polícia nega todas as acusações.

HENAN - Mais de 120 alunos de uma escola primária em Badian ficaram sem aulas na terça e na quarta-feira porque um oficial do Partido Comunista utilizou as instalações para o banquete de casamento da sua filha. Devido à quantidade de convidados, foram necessárias todas as salas de aula. A direcção da escola disse que as autoridades autorizaram o encerramento da escola.

HUBEI - Um casal contraíu matrimónio na última quarta-feira em Wuhan, depois de se ter conhecido durante um acidente de trânsito no ano passado. A mulher bateu na traseira do carro do seu agora matrido durante o pagamento de uma portagem. Ficaram com o contacto um do outro, e daí apaixonaram-se.

SHAANXI - Um hospital de Weinan recusou-se a tratar um doente mental porque este não tinha dinheiro para pagar as despesas médicas. O homem foi encaminhado de um centro de enfermagem para o hospital porque tinha sofrido queimaduras da geada em ambos os braços, mas o hospital disse que só iniciaria o tratamento depois do centro comparticipar a totalidade das despesas hospitalares. O hospital defende-se dizendo que usufrui de instalações equipadas com alta tecnologia, e que tratar doentes de gripe ou de queimaduras de geada seria "um desperdício de recursos".

Nos túneis desta vida


Mais imagens bombásticas divulgadas online. Desta vez uma tentativa de agressão a jogadores do FC Porto no túnel do Estádio da Luz em Setembro de 2008. Engraçado tudo isto. Não me interessa quem bate em quem, mas se em vez da treta do segredo de justiça deixassem antes o povo ter acesso à verdade, talvez fosse boa ideia. É que a verdade não é previlégio dos tribunais, juízes e advogados, e devia ser julgado por todos. Isto não é "justiça popular" ou "julgamentos na praça pública", é só uma forma de tornar a justiça mais transparente. Claro que isto apenas para casos ridículos como estas coisas da bola, em que já se sabe que ninguém é santo. Para aqueles casos em que realmente está em causa a vida de alguém ou qualquer coisa mesmo importante, todo o cuidado é pouco. Deixem-nos lá saber o que se passa pelos túneis desta vida.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

No mundo dos TI


Durante o período de quarentena forçado do meu PC, companheiro de tantas aventuras, tive a oportunidade de privar com uma das espécies mais interessantes da fauna de Macau: os técnicos informáticos (TI). Na loja aqui a cinco minutos de casa, habitam vários exemplares desta interessante espécie. Habitam, pelo menos, das 10 da manhã até às sete da tarde.

A maioria dos TI são sobetudo malta jovem, e os mais velhos são aquilo que se convencionou chamar no léxico das matinés dos filmes americanos, "nerds". Admiro a tenacidade como os TI montam e desmontam um computador, e andam ali à volta com hardware, software, e muitos conceitos que são grego para o comum dos mortais.

Como bom homo-sapiens portuguesis que sou, não me interessa muito como funciona o computador, desde que funcione. Daí que quando me dizem que tinha um trojan no folder não-sei-quê ou tiveram que fazer upgrade do como-se-chama, finjo demonstrar interesse, assim como uma frígida finge um orgasmo com um gajo com quem até simpatiza.

No fim costumo perguntar "quanto é", dou uma nota de vinte ao puto que esteve ali às voltas para que fosse possível estar a escrever hoje estas linhas, pego no tijolo e vou-me embora. E porquê a gorjeta? Porque o bom do TI andou ali a meter o nariz nas miríades de porcaria que está metida no disco rígido, e não me julgou por ter o PC "num lástima". Como não sou o Edison Chen, isto não me preocupa muito.

Quando não estão a trabalhar, os TI estão a jogar no computador. Isto não só distrai, como ainda os mantém "na zona", não vá ali aparecer um PC para arranjar e estejam eles ocupados a falar de qualquer coisa interessante uns com os outros, ou a beber um café. O mais fantástico foi a forma como os restantes TI (incluindo a proprietária da loja) ignoravam completamente a minha presença (um cliente!) e continuavam alegremente a jogar. Isto é um nível de atendimento que os próprios funcionários públicos nunca conseguiu atingir.

Alguns TI são estudantes universitários ou desocupados que vivem com os pais que fazem ali um "part-time" para ganhar uns trocados para comprar software. Deveras lamentável. A tal gorjeta de 20 paus que deixei deve ser o preço de um almoço, a julgar pelas caixas vazias de chau min a transbordar no caixote do lixo da loja. Alguns TI evoluem para "programadores", chegam mesmo a casar e a ter filhos, e não precisam mais de abrir um PC. É aí que perdem a graça. Um grande bem haja aos TI deste mundo!

Portunhol


Algures nos anos 80 tivemos o prazer de assistir a um programa da RTP em que um indivíduo sisudo e uma senhora com belas pernas apresentavam, em que se ensinava o português gramaticamente correcto. A senhora das pernas era Edite Estrela, que 20 anos depois volta a fazer um grande favor à língua portuguesa, demonstrando-nos como não se deve falar castelhano, correndo o risco de fazer figura de palhaço Batatinha.

Os presidentes


Foram divulgadas através do YouTube as escutas telefónicas feitas a Pinto da Costa. Isto da justiça desportiva e o carago (pronto, apanhei os tiques), é coisa que já começa a meter nojo, e portanto não me vou prounciar sobre a legitimidade das acções da pessoa que colocou estas escutas no YouTube, nem me alongar sobre o segredo de justiça e o camano (pronto, outra vez). O mais extraordinário foi o teor da conversa entre os presidentes do FC Porto, Pinto da Costa e o ex-presidente da Liga e um senhor do seu nariz, Valentim Loureiro. O primeiro puxava uns cordlelinhos ao major para suspender determinado jogador, enquanto insistia na retardação mental do roupeiro do Sporting. O segundo dizia enormidades à boca cheia - provavelmente já ou ainda embriagado - deixando notar que o futebol português é, no fundo, "uma merda do caralho". Vide o vídeo.

Zâmbia e Camarões "in", Gabão e Tunísia "out"


Muita emoção e golos na última jornada do Grupo D da fase de grupos da Taça das Nações Africanas. Zâmbia e Camarões conseguiram o apuramento, mas houve emoção até ao último minuto. Os zambianos, que vêm apresentando um futebol bastante agradável de seguir, bateram o Gabão por duas bolas a uma, e venceram o grupo, graças ao empate entre Camarões e Tunísia a duas bolas. Os tunisinos empataram todos os encontros, e a conjugação de resultados mais equilibrada de todos os grupos deixou-os em último lugar. O Gabão, que marcou apenas dois golos, ficou de fora graças aos cinco apontados por zambianos e camaroneses. Nos quartos-de-final a Zâmbia vai defrontar a Nigéria no Lubango, enquanto os Camarões defrontam o Egipto em Benguela. Jogos a realizar na próxima segunda-feira

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A pensar (o esta-secagandismo no seu esplendor)


O director do Hoje Macau, Carlos Picassinos, assinou ontem um artigo no seu jornal intitulado Os escrivães do sistema onde avalia o estado da democratização progressiva do sistema, contemplado na Lei Básica, e de como certos expedientes só servem para atrasar a democracia e prolongar o status quo que mantem sempre os mesmos na cadeira do poder. No mesmo dia o director do JTM, José Rocha Dinis, assina um artigo onde se congratula pela "mansidão" com que os sectores democratas, moderados e radicais, encaram agora a eventual "progressização" do sistema. Já no JTM de hoje, JRD aproveita para disferir algumas farpas ao director do HM, bastante bem sustentadas por sinal, e mal posso esperar pela réplica de Picassinos.

Isto é tudo muito interessante e diverte-me um pouco, mas e quanto ao estado da democratização? Penso que nem sim, nem não: nim. É interessante que se discutam duas propostas tão diferenciadas sem se perguntar à população o que realmente deseja. Aqui tendes as vossas duas escolhas: ficamos como estamos, ou então é "sempre a abrir", com toda a gente a eleger tudo directamente, criando-se o perigo do voto ir parar a quem tem mais dinheiro, e não em quem é realmente competente. E o mais engraçado é que a população está-se nas tintas, venha o que vier. Isto é, se não lhes doer no bolso. Parece que ninguém consegue entender que a população anda indiferente e os seus representantes no tal estado de "esta-secagandismo" cunhado por Picassinos, porque essa população vive no melhor período económico de sempre.

A "classe média" de que Agnes Leong tanto fala não é mais que os trabalhadores que voltam a casa às vezes às 10 da noite, trabalham Sábados e às vezes Domingos e Feriados, e nem têm tempo de andar a ler opiniões tão construtivas da malta tuga cá do sítio, ou de politólogos que trabalham sentados em universidades o dia inteiro, que parecem saber muito da vida deles. Sabem da vida deles e sabem o que querem, também, e apresentam as duas escolhas como as únicas viáveis. Uma neutraliza a outra, uma vez que a população sempre gosta de ficar debaixo da asa de uma grande potência económica e militar que é a China, e por outro lado manter a sua identidade apoiando a "democracia". Daí o misto de patriotismo e descontentamento de que tanto se fala.

É claro que não convem a muitos que a AL, por exemplo, seja apenas composta por deputados eleitos pela via directa, pois aí fica aberto o caminho para a aprovação de um chorrilho de leis de carácter social que vão afectar os empresários que vivem da exploração do trabalho precário. É curioso observar a fatia da população que considera "trabalho precário" melhor que "nenhum trabalho", e daí que evitem fazer muitas ondas que arrisquem um queda no vazio. Daí que de quatro em quatro anos votem nos democratas, para mostrarem que não estão realmente chateados - como aliás demonstra a fraca adesão às manifestações - mas também que "estão vivos", ao mesmo tempo que acham que a integração completa no primeiro sistema é algo ainda "a pensar".